domingo, 30 de janeiro de 2011

Estratégia de Portugal desde as Descobertas



O sucesso da estratégia de uma nação implica uma visão de longo prazo, apostas claras e perenes em vantagens competitivas relativamente a outras nações e, no plano da concepção e execução, líderes competentes, tanto na política como na sociedade em geral. O problema é quando não se tem de todo uma estratégia. E, ao contrário do que se possa pensar, o problema de Portugal vem do tempo das Descobertas.

Os nossos principais problemas vêm da dívida externa, que aumenta pelo menos desde 1990 e da dívida pública e respectivos juros crescentes, que também se avolumou nos últimos dez anos [vale a pena ler aqui o artigo de Álvaro Santos Pereira sobre estes aspectos]? Olhemos para países, grandes ou pequenos geograficamente, e vejamos quais são as suas aflições actuais, só para vermos que a crise é internacional e o desastre é nacional. Os historiadores, mais do que os economistas puros, riem-se quando as nações olham para os seus problemas sem grandes horizontes temporais, retrospectivos e prospectivos.

Vale a pena ler alguns excertos do livro “A Riqueza e a Pobreza das Nações”, de David S. Landes, professor emérito da Universidade de Harvard.

Portugal é um pequeno país de moderada fertilidade. No século XV a sua população era estimada em um milhão e os seus principais produtos e exportações consistiam em vinho (o Porto e, cada vez mais, o Madeira – bebidas saborosas, inebriantes) e cana-de-açúcar, que crescia rapidamente [hoje enfrentamos a escassez desta matéria e tão útil seria como combustível!], Tivessem os Portugueses desse tempo podido antever a hoje clássica análise de vantagem comparativa de David Ricardo, e teriam prosseguido nesse rumo sensato, a cuidar da sua própria vida e negociando os seus produtos naturais em troca das manufacturas das outras nações. Em vez disso, esquivaram-se a seguir o caminho que a racionalidade lhes apontava e converteram a sua terra numa plataforma para o império (…).

Os diplomatas e agentes portugueses no estrangeiro regressavam ao país com a mensagem de que o resto do mundo estava a avançar, enquanto Portugal ficava parado no tempo.

Diogo do Couto referiu-se em 1603 à «mesquinhez e falta de curiosidade desta nossa nação portuguesa»; e Francis Parry, o diplomata inglês acreditado em Portugal em 1670, observou que «o povo é tão pouco curioso que nenhum homem sabe mais do que lhe é estritamente necessário (…)».

«De líderes na vanguarda da teoria e prática de navegação passaram a andar sem rumo muito atrás dos outros», disse D. Luís da Cunha, diplomata português (1703).

Em 1600, mais ainda em 1700, Portugal tornara-se um país atrasado e fraco.

Pedro Palha Araújo 

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