domingo, 13 de fevereiro de 2011

As crises da Tunisia e Egipto resultam da intervenção estatal errada nos mercados

Para combater a crise de 2007, os governos implementaram políticas que pareciam funcionar no curto-prazo mas que, por serem erradas, no médio-prazo levaram ao agudizar da crise que se traduz em taxas de desemprego na casa dos 30% e contracção económica.

A importância dos mercados e da economia
Os políticos gostam de diabolizar o Mercado fazendo-o um papão, sanguinário, bosque terrivel onde habitam o lobo mau e os especuladores avarentos que destroem a maria, o zé, o quim-nelo e a belinha povinho. É o mercado da dívida soberana que suga os coitadinhos dos países do sul da europa; É o mercado do leite que arrasa os desgraçados dos agricultores; É o mercado de trabalho que explora os miseráveis trabalhadores.
Mas esses politicos sabem que o acesso aos bens materiais é de primordial importância para a felicidade de cada um de nós. Mesmo o candidato que dizia ser a poesia o mais importante da vida, nunca atacou o outro com um poema.
          A crise é total, até acabaram com as quadras de Natal
          Acabaram com os trovadores, com os poetas e com os otários
          Nem sabe quantos cantos fez Camões, só se preocupa com os aviários
          A mim ninguém me cala mas, o melhor, é meter a viola na mala

O que é o mercado e como funciona
Uma pessoa não pode produzir todos os bens que quer consumir. Se o tentasse fazer, teria que se reduzir a uma existência miserável.
Há pessoas que produzem batatas e outras que produzem camisas. Se eu produzo batatas e quero uma camisa, tenho que trocar algumas das minhas batatas pela camisa. Como é dificil encontrar uma pessoa que tenha uma camisa para trocar por batatas, surgiu o dinheiro como bem intermédio nas trocas: eu troco as minhas batatas (com a Maria) por dinheiro e, mais tarde, troco o dinheiro (com o Zé) pela camisa.
O mercado das batatas será formado por todas as pessoas que querem vender (produzem) batatas e as pessoas que querem comprar (consomem) batatas.
No mercado há um preço de transacção. Se a quantidade de batatas que os vendedores pretendem alienar for maior que a quantidade de batata que os compradores pretendem adquirir, o preço de transacção diminui e vice-versa até que estas duas quantidade se igualam.
Quando se encontram no mercado vendedores que têm custos de produção diferentes, o preço de transacção fará com que os vendedores que têm custos maiores tenham prejuizo, acabando por falir. Este mecanismo dinâmico, apesar de parecer maquiavélico, é o motor do progresso e é o que faz com que o nosso ordenado permita adquirir maior quantidade e qualidade de bens.

O que acontece quando há uma crise
Por exemplo, num ano normal produzem-se e consomem-se 100t/dia de hortaliça ao preço de 1€/kg.
Havendo crise ( por exemplo, uma seca), ao preço de 1€/kg só se produzirão 50t/dia de hortaliça. Mas, como a 1€/kg os compradores continuam a querer adquirir 100t/dia, haverá escassez do produto, racionamento. Em termos económicos a crise pode resultar do aumento do preço de um factor de produção, por exemplo, o preço do gasóleo aumentar 25%.
O mecanismo do mercado faz o preço da hortaliça aumentar de forma que os agricultores se sintam motivados a aplicar mais esforço na sua produção. Mesmo com a seca, ao preço de 2€/kg, os agricultores esforçam-se mais conseguindo produzir 75t/dia de hortaliça e os compradores, por o preço ser superior, já só quererão adquirir 75t/dia: as quantidades ficam equilibradas. Mas crise é crise: antes consumiam-se 100t/dia e na crise consomem-se apenas 75t/dia (e aplica-se mais esforço para atingir essa quantidade).
Se, pelo contrário, o governo tentasse combater a crise impondo uma redução dos preços da hortaliça para 0.75€/kg, a crise seria amplificada: em vez de 50t/dia, a produção e consumo reduziam-se para 25t/dia.
Em termos globais, quando há uma crise, produz-se menos pelo que as pessoas terão que consumir menos o que é conseguido pelo aumento dos preços (mantendo os salários constantes) ou pela diminuição dos salários (mantendo os preços constantes). Este mecanismo de mercado faz atenuar parcialmente a crise porque os produtores sentem-se incentivados a aumentar o esforço de produzir e as famílias obrigadas a consumir menos e a trabalhar mais.

O que aconteceu na Tunisia, Egipto, Irão, etc. e em Portugal
Quando começou a crise de 2007, os governos pensaram ser o Super-Homem. Que, munidos de kriptonite, atacavam o sanguinário mercado e a crise estava resolvida. É Natal sempre que o Homem quer e é crise apenas quando o governo deixa.
A táctica dos governos foi induzir aumentos dos salários, pensões e descidas dos preços. Tudo errado. Neste pacote esteve o aumento administrativo do Salário Mínimo português em 25% e manter as rendas inalteradas.
O resultado foi o desemprego disparar e a produção contrair significativamente.
Se o agricultor (com os salários a 400€/mês, o gasóleo a 1€/l, e a hortaliça a 1€/kg) tinha 10 empregados e produzia 1t/dia de hortaliça, com a crise (o gasóleo subir para 1.5€/l) já só podia ter 9 empregados e produzir 0.9t/dia. Para manter os 10 empregados, o salário deveria descer para 375€/mês e a hortaliça subir para 1.1€/kg, mas o salário aumentou administrativamente pelo que ele só pôde manter 8 empregados. Assim, a política que parecia uma passe de mágica no combate à crise, agudizou-a.
Estas políticas de sentido errado aconteceram em grande escala na Tunisia, no Egipto, no Irão, na Argélia e na Jordania. Também aconteceram na Grécia, em Portugal, na Espanha, nos EUA, e em mais paises, democracias e ditaduras, governos de direita e de esquerda. Estas políticas prometeram resolvera crise mas agudizaram-na causando taxas de desemprego que ultrapassam os 30%.
E mesmo o Super Homem, se tomasse o caminho errado, acabava por se afastar do seu objectivo de salvar a humanidade.
A sorte é que as políticas erradas acabam por destruir os políticos incompetentes. O azar é que, no entretanto, há custos muito elevados que todos temos que pagar.

Pedro Cosme Costa Vieira

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