sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

De facto o estado grego está apagar 5%/ano, o irlandês 5.8%/ano e o português 6.9%/ano

Uma questão é a taxa de juro que os estados intervencionados pelo FMI e pelo Fundo de Resgate da UE pagam pelo pacote de ajuda que cobre as suas necessidade financeira para operíodo 2011-2013. Outra questão é a taxa de juro implícita na cotação da dívida pública transaccionada no mercado secundário. Importa escrever esta nota porque tenho observado na TV pessoas com responsabilidades a confundir estes duas questões.


O que é um Título de Dívida Pública?
No Mercado Primário, os aforradores emprestam dinheiro directamente aos Estados.
Em termos simples, os aforradores fazem um depósito a prazo no Estado. Por exemplo, no dia 1 de Março de 2011 o aforrador deposita 1000€ no Estado e este promete pagar-lhe 50€ em cada 28 de Fevereiro e devolver os 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021. A taxa de juro deste contrato é 5%/ano.
É um contrato diferente dos “depósitos normais” porque  o aforrador só pode recuperar o dinheiro no dia acordado.
Este “depósito” é titulado no sentido em que é escrito num papel: “O Estado Português promete entregar ao portador deste título 50€ cada 28 de Fevereiro e 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021”.
Se o Estado entrar em bancarrota, o aforrador não receberá o prometido.

No Mercado Secundário os aforradores relacionam-se entre si.
Para facilitar a vida aos aforradores (aumentar a liquidez), estes compram e vendem títulos de dívida entre si a um preço que varia no tempo. Se, de repente, o aforrador pensa que o Estado vai entrar em bancarota, fica aflito e quer recuperar o dinheiro mesmo com perdas. Por exemplo, apesar de ter depositado 1000, vende o título por 900€.

Como se relaciona a cotação dos títulos da dívida com a taxa de juro?
O Estado não altera os termos do título, “50€ cada 28 de Fevereiro e 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021”, mas, se um novo aforrador comprar este título por menos dinheiro, por exemplo 900€, estão está implicito que vai receber uma taxa de juro maior. Em termos financeiros a taxa de juro i implícita nesse preço resolve  a equação seguinte:
900 = 50/i*(1-(1+i)^-10)+ 1000*(1+i)^-10      ->    i = 6,383%/ano.
Se, minutos depois, a cotação descer para 500€, taxa de juro implícita subirá para 14,940%/ano.

O que se passa com os títulos de dívida gregos e irlandeses?
Esses estados têm actualmente as suas necessidades de financiamento garantidas para os proximos 3 anos pelo que não pedem dinheiro emprestado no mercado primários. No entanto, ambos têm muitas dívidas a 10 e mais anos havendo dúvidas de que estes estados consigam cumprir essas obrigações de longo prazo. Então, os aforradores estão a vender esses título (e outros a comprar) em saldo, antecipando o risco de estes estados entrarem em bancarrota daqui a 10 ou 15 anos.

Seria bom portugal ter pedido (ou vir a pedir) ajuda?
Os estados ajudados estão a pagar uma taxa de juro mais pequena que a implícita no mercado secundário. Se esses estados pedissem dinheiro emprestado no Mercado Primário iriam pagar taxas de juro proximas desses valores e os paises que os estão a ajudar receberiam essa taxa de juro. Então, a Irlanda e a Grécia estão a ser subsidiados pelos outros países europeus. Por exemplo, a Alemanha poderia ser remunerada a 12%/ano e aceita receber 5.8%/ano. Em 33 mil milhões, dá 2 mil milhões por ano à Irlanda.
Se também recebêssemos esse dinheirinho era bom.
Qual será a razão da teimosia?

Pedro Cosme Costa Vieira

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