sexta-feira, 11 de março de 2011

É obrigatório corrigir em baixa as pensões, reformas e demais transferências sociais

Como os salários descem e o desemprego aumenta, as contribuições para a segurança social diminuem tornando obrigatório a descida das prestações sociais.

Eu já tinha avisado que o lobo era mau, disse a avozinha ao capuchinho vermelho
Eu escrevi em Fevereiro de 2010 que a correcção do grave problema de endividamento de Portugal obriga a corrigir em baixa os salários e tudo o que lhe está ligado (pensões e reformas, subsídio de desemprego, RSI e demais transferências sociais). 
Corrigir em baixa é uma forma simpática dos operadores do mercado financeiro dizerem aos seus clientes que a cotação das acções está a descer.
Na altura ouvi um coro de protestos. Apesar de não saber que eu existo, o Sr. Primeiro-ministro disse, indignado: “nem pensar em baixar salários, isso são loucuras dos neoliberais do PSD”.
Decorridos uns mesitos, pumba, mandou descer os salários dos TFPs (Trabalhadores em Funções Públicas, antigos Funcionário Públicos) em 5% afirmando solenemente que “nas reformas ninguém mexe porque as pessoas descontaram para as terem agora”. Mais uns mesitos, hoje, 11 de Março de 2011, pumba, o Sr. Ministro das Finanças anuncia cortes nas pensões e reformas.

Vejamos que não pode ser de outra maneira.
As reformas, contrariamente ao que pensam os ignorantes, não são pagas com o que as pessoas descontaram no passado mas são pagas por quem desconta para a Segurança Social agora.
Os descontos dos trabalhadores vão direitinhos para os reformados fazendo a Segurança Social uma transferência de rendimento entre a geração que trabalha e a geração que está parada. O que os agora reformados descontaram há 10 ou 20 anos serviu para pagar aos reformados dessa altura e já se foi.
Tendo diminuído os salários (porque não há dinheiro para os pagar) e aumentado o desempre (porque o salário mínimo aumentou), também diminuíram os descontos para a Segurança Social. Como nos últimos anos a despesa em reformas e pensões tem aumentado à média de 30 milhões de euros por mês (ver, Orçamentos de Estados) e ninguém nos quer emprestadar mais dinheiro, não existe alternativa senão cortar a direito. O Governo ainda mandou aumentar as contribuições dos TFPs, mas só chegou para 2 meses.
Ao quarto dia, Deus ainda não tinha criado o Raciocínio. Abraão, com as colheitas destruídas pelos gafanhotos e cheio de dívidas, chamou os filhos a quem atestou que, se tivessem fé, a crise seria uma palavra oca. Que Deus lhe indicou que deveria aumentar a mesada aos filhos: “já que estás falido, vive à custa das mesadas de teus filhos”. Hal Bezarium (tradução: o filho mais velho, de nome Ministro da Finanças) ainda perguntou “Mas, meu pai, Deus não é conhecido por saber Economia. Todos ouvimos falar que Ele cura coxos, ressuscita mortos, mata impuros mas nunca ouvi falar que Ele tivesse acabado com os falidos.” Abraão ficou a pensar e decretou “Para financiar isto tudo, que o IVA sobre as mesadas suba para 23,5%.

 E onde fica na fotografia Hal Bezarium ?
Tive o privilégio de privar  Hal Bezarium enquanto meu professor de macroeconomia, já lá vão 20 anos. E iniciei a minha tese de mestrado sob a sua orientação. Nesse tempo, tudo indicava que era um homem sábio. Não conversamos há muito tempo mas penso que não perdeu faculdades.
E Deus comparou Hal Bezarium a Abzaduha, filha de Jonas, neta de Salomão, que casou com Avestradum, um brilhante jovem da casa de Guterres Hiziladum. Estavam a ter filhos a bom ritmo mas, ao fim de uns anos e por causa da Hizumta ut Kariaba (tradução: Crise internacional e Mercados Especulativos), Deus fez com que esse jovem enlouquecesse. Passou a dizer que era faraó e passou a derreter o soldo em obras sem qualquer proveito. Destruia Azhmiduas (tradução: linhas de comboio) para construir Taminuzeros (tradução: metros de superfície) mas ficava apenas com a destruição por não ter com que pagar.

Abzaduha sabia que ele estava loucos mas que tal era a vontade de Deus pelo que tinha que manter a promessa que fizera no dia do casamento: “amá-lo até à falência total”. E, lentamente, tentava trazer o seu homem ao bom caminho. Quando ele estava eufórico e afirmava “Vou ficar na História com uma linha de TGV maior que a do Saddam Belzebukin ligando Iraquin Uhr (tradução: Poceirão) a Ab Nabukasseme (tradução: Caia), ela calava-se e olhava para o chão. Quando ele chega sem dinheiro, ela aproveitava para dizer umas palavrinhas no bom sentido.”Homem deixa isso que eles não merecem, os nossos sarracenos são maus, castiga-os deixando que andem de burro. Pensa nos nossos filhinhos e no teu pai velhinho que precisam da tua ajuda. Abzaduha e Avestrum morreram e ainda hoje, decorridos 957 mil gerações, estão a ser pagas as dívidas que eles deixaram.

Á escuta camarada Hoxha? Eu penso que mais ninguém lê este blog.

Pedro Cosme Costa Vieira

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