quarta-feira, 20 de abril de 2011

Como atacar a crise portuguesa - Medidas imediatas

É preciso cortar os subsídios de férias e de Natal, re-indexar os créditos à habitação e aumentar o IVA para 30%. Dizem o BE o PCP que "o Brasil bateu o pé aos mercado" mas "esquecem-se" de dizer que o Brasil demorou 27 anos para recuperar e que pagou até ao último cêntimo e com juros. Se não fosse assim, ninguém pagava.
Portugal está na bancarrota e agora diz que vai negociar uma ajuda externa.
Figura 1 - Vamos lá negociar. Se não me ajudarem, vou-vos infestar a casa com cheiro a carne podre.
O Lobo Mau
Disse-me o meu avô pela boca da minha mãe que “quem nos diz que é verdadeiro, está a avisar que nos vai enganar”. Quem diz “o lobo mau pode disfarçar-se de avozinha, mas é sempre o lobo mau” está a avisar que é o lobo mau.
Portugal está falido e vai entrar a curto prazo em bancarrota o que nos vai obrigar a abandonar a Zona Euro. O governo assobia para o ar, diz que está tudo muito bem para não dizer óptimo, atira com as culpas para o Pato Donald e o povo quer acreditar. Anuncia mais um aumento do Salário Mínimo, diz em Viseu que as portagens são culpa do Mickey e suspende-as, dá aos da CP o que eles pedem, acorda com os sindicatos no que eles querem, etc.

Temos que esquecer a expressão “crescimento económico”
Para não entrar em bancarrota, Portugal tem que conseguir no longo prazo uma taxa de juro inferior a 5%/ano. Para isso, é preciso aumentar o saldo da Balança Corrente em 25MM€/ano que representa uma redução das importações em 45%. É muito violento.
Para quem apregou-a que o Brasil recusou pagar aos especuladores, de facto pagou tudo com juros e só decorridos 27 anos é que atingiu o nível de produção de 1980 (dados: Banco Mundial, produção por trabalhador). Atenção que 27 anos não são a brincadeira que o BE e PCP querem fazem crer. A Argentina fez um acordo duro em 1999 e demorou apenas 9 anos a recuperar.
 Figura 2 - O Brasil pagou tudo com juros e demorou 27 anos a atingir a situação de 1980

Se não houver resgate, o ajustamento terá que ser feito num mês. Neste caso temos que nos preparar para uma redução imediata do PIB em 30% e estar 30 anos a empatar. Se houver resgate, talvez a redução possa acontecer ao longo de 3 anos, a diminuição do PIB ficar nos 20% e, se depois tivermos politicos competentes, voltar a atingir em 2020 anos o nível de rendimento que tivemos em 2010.

Figura 2 - Tive que escolher entre uma marretada na cabeça ou duas marteladas nos joelhos.

 O governo não é credível e a oposição tem medo que o povo não aceite a verdade
O governo gritou tantas vezes que estava a ser comido pelo lobo mau que já ninguém acredita na nossa capacidade de mudar de vida. Fazer PECs todos os trimestres, não ajuda nada. Estar sempre a pensar nos amigos que vivem do TGV, Ota, EP, Metro, Carris, STCP, etc., etc., etc. não dá confiança.
Agora são precisas medidas drásticas e imediatas para dar um sinal de confiança. Depois, é preciso continuar. Agora vou só apresentar as medidas que são necessárias imediatamente.

1. Acabar com o Subsídio de Férias e o Subsídio de Natal
Para exportarmos mais e importarmos menos é necessário que os nossos preços diminuam. Como os salários pesam cerca de 70% na economia, uma queda de 2/14 nos salários induzirá uma queda nos custos de produção de 10% e uma consequente descida dos preços.
O corte é legal porque não é uma redução nos salários. É rápido e simples de implementar, tem efeitos imediatos e afecta tanto os salários como a despesa do Estado. Também reduz proporcionalmente a despesa da Segurança Social (que está falida): reformas, pensões, subsídio de desemprego, RSI, etc.
Mas tem que se cortar mesmo, não é para depois dar subsídios e abrir excepções. Deixar o discurso dos “velhinhos, coitadinhos, pobrezinhos” e cortar mesmo a torto e a direito.
Quem em 2011 apresentar um rendimento maior que 86% do rendimento declarado em 2010, chumba com 80% de IRS.
Figura 3 - Lá se foram os subsídios
2. Os contratos de créditos à habitação têm que ser re-indexados à taxa da Dívida Pública
Há 5 anos, os bancos portugueses financiavam-se à taxa de juro EURIBOR. Recordo o Teixeira dizer que a CGD emprestar 5MM€ ao BPN era um grande negócio porque se financiava a 1%/ano e emprestava a 2.5%/ano. A má governação fez com que actualmente os bancos só se consigam financiar a 8%/ano e têm 100MM€ de créditos à habitação a 2.5%/ano: é um prejuízo de 5.5MM€/ano.
Existe um dever moral do Estado nesta situação porque incentivou as famílias ao endividamento e pressionou os bancos para que concedessem crédito.
O governo, para não ter que resgatar os bancos daqui a um ano, tem que permitir a re-indexados dos créditos à taxa de juro pago pela Dívida Pública e estar preparado para financiar as famílias sobre-endividadas. Tem que prever para este problema uma despesa adicional de 3MM€/ano. Gerir Bairros Sociais era pior e custava mais.
Figura 4 - Os primeiros de muitos
3. Aumentar o IVA para 30%
O aumento do IVA induz um aumento rapido nas receitas do Estado, diminui o consumo, as importações e não tem efeito negativo nas exportações.
Apesar da diminuição dos salários reduzir a despesa pública, a receita fiscal também diminui. O Orçamento tem que estar preparado para uma redução de 30% do PIB. A ajuda às famílias endividadas vai aumentar a despesa pública.
É ainda preciso acabar com defice publico que actualmente é de 14MM€.
Figura 5 - O IVA convida-o para a sua festa dos 30%


Estas medidas são apenas para começar a respirar
É comparável ao salvamento de uma pessoa em paragem cardio-respiratória. Vai partir algumas costelas mas é isso ou ir dar já de comer às minhocas.
Depois, temos uns meses para avançar com as medidas de re-estruturação da economia que tornem o Portugal sustentável no longo prazo.
 Será isto possível de ser implementado? Não. As taxas de juro aumentam porque ninguém acredita em nós.
Figura 6 - Missão: Salvar Portugal
Que é feito da comissão de acompanhamento do défice?
Que é feito da comissão de acompanhamento das PPP?
Que é feito dos 400 economistas do Banco de Portugal?
Um drogado completamente falido deve-lhe 1000€, trabalha pouco, gasta muito e vai pedir-lhe mais 500€. Para garantir que vai pagar o que deve, nomea quatro amigos para a comissão de acompanhamento da sua cura. Empresta-lhe o dinheiro?
Figura 7 - Ai amigos, como eu gostava de estar enganado
Vem ai o 13 de Maio e tenho uma fezada de que a Nossa Senhora de Fátima vai aparecer para nos salvar
Se o Estado entrar em rotura financeira induz falência das empresas a quem deve dinheiro e deixa de pagar os salários, reformas, etc. Então, qualquer solução fiscal terá um efeito menos negativo que a falência do Estado. Santa Barbara, olhai por nós. Fia-te na Vírgem e não corras.
Figura 8 - Nossa Senhora de Fátima, vinde-nos salvar

 Pedro Cosme Costa Vieira

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