sexta-feira, 15 de abril de 2011

Como se vai materializar a falência hardcore de Portugal

Portugal está falido e o povo e o governo estão convencidos que alguém nos vai sustentar. Como isso não vai acontecer, vamos assistir a uma falência descontrolada, hardcore, que terá consequências apocalípticas. O processo, começando na rotura financeira das empresas públicas, passará por uma corrida aos bancos e terminará com emigração em massa.
A falência de Portugal
A falência de um país acontece quando os seus rendimentos futuros não são suficientes para cobrir as suas dívidas.
Existem casos em que a culpa do país devedor é pequena, por exemplo, quando existe uma agressão militar de um país vizinho ou uma catástrofe natural. Nestas circunstâncias, os países credores reúnem-se com o devedor, o Clube de Paris, e acordam um plano financeiro em que parte da dívida é perdoada. Por exemplo, em 2010 foram resgatados 8 países: o Togo, a RD do Congo, a Libéria, a Antígua e Barbados, as Comores, a Guiné-Bissau, o Congo e o Afeganistão.
No caso português, a falência resulta da má governação dos últimos 15 anos: más opções de investimento, consumo interno superior à produção e falta de zelo no trabalho. Se essas opções tivessem sido executadas numa ditadura ou num período revolucionário (como foi o caso de 1977 e 1982), depois de haver uma mudança de regime, os credores seriam compreensivos. Mas o povo português quis e, atendendo às sondagens, quer que se continue no caminho da dinastia Guterres - Sócrates.
Imaginem um amigo meu que pouco trabalha e certo dia chega a minha casa de táxi, pede para eu pagar o pagar, diz que não pode pagar o que me deve e que precisa urgentemente que eu lhe empreste mais 2000€ para ir de férias ao Brasil. Que está habituado a ir de férias, que é um direito adquirido, que a culpa foi de eu lhe ter emprestado no passado, que é a favor do Estado Social, que não está habituado a trabalhar, que fui eu quem mais beneficiou dele gastar, que não mando na casa dele.
– Oh pá, eu gosto muito de ti, mas escolhe outro que eu tenho os meus filhinhos para criar.
Os negociadores da troika – FMI, BCE, CE – chegaram ao local da reunião a pé. Repararam como chegaram os negociadores portugueses?
Ouviram o discurso alucinado de Matosinhos? No estrangeiro passou nos noticiários.
Como Portugal não vai ser salvo e o governo é incompetente, vai acontecer uma falência descontrolada, hardcore.

Passo 1 - Rotura financeira das empresas públicas e do Estado
As empresas públicas estão em total rotura financeira tendo suspendido há meses os pagamentos aos fornecedores. O Estado anuncia que vai resolver a situação mas, com o aproximar de Junho, data de pagamento de 5 000 000 000€, como o resgate não avança, a dívida pública atingirá tal risco que, mesmo com taxas de juro superiores a 15%/ano, ninguém vai emprestar dinheiro a Portugal. Assim, se não for já em Abril, em Maio o Estado e as Empresas públicas vão deixar de amortizar as suas dívidas e de pagar salários que serão transformados em “poupanças automáticas” (ver, PEC IV).

Passo 2 - Corrida aos bancos
As pessoas vão interiorizando que vamos entrar em bancarrota. Como as notas que circulam em Portugal, os euros, têm poder aquisitivo no estrangeiro, com o decorrer de Maio, as pessoas vão começar a transferir os seus saldos para outros países e a levantar o dinheiro que têm nos bancos. De um momento para o outro, em finais de Maio, Portugal vai-se transformar num gigante BPP: as contas vão ficar congeladas e as transferências internacionais deixam de ser possíveis.
O BCE não vai corrigir a falta de liquidez porque isso seria o resgate incondicional de Portugal.

Passo 3 - Queda dos preços e aumento das taxas de juro
Como não há liquidez, vai acontecer uma queda nos preços. Este fenómeno resulta de as notas, por ficarem uma “mercadoria” rara, obrigarem a “vender” mais bens para “comprar” a mesma quantidade de notas. Por exemplo, se o preço de um euro era dois kg de laranjas (0.50€/kg), por o euro ser mais raro, o seu preço aumenta para 3kg de laranjas (o preço das laranjas diminui para 0.33€/kg).
A queda nos preços pode rapidamente atingir 10% e chegar aos 25%.
Por outro lado, o aumento do risco de bancarrota fará a taxa de juro ultrapassar os 15%/ano.

Onde está o wally no gráfico (i.e., o chumbo do PEC IV)?

Passo 4: Falência generalizada das empresas
A queda dos preços é o mecanismo de correcção do desequilíbrio comercial: aumentam as exportações e diminuem as importações. As empresas vão a Vilar Formoso com um camião de sapatos, recebem em notas e compram peles para poderem laborar e, do dinheiro que sobrar, rateiam pelos trabalhadores, pelos credores, pela SS, etc. Como as taxas de juro dispararam estão acima dos 15%/ano, os preços a cair, insistindo na “Agenda Social de combate ao Neo-liberalismo”, as empresas não conseguem gerar recursos para pagar os salários. Segue-se a falência em massa.
Os bancos, por terem 100MM€ de crédito à habitação indexadas à EURIBOR, e 50MM€ de dívida pública, abrem falência.
Passo 5: Queda do PIB
Com os salários em atraso, as falências em catadupa de bancos e empresas, o PIB vai cair rapidamente podendo a reduzir-se em 50%. Quando se deu o colapso da URSS, a queda do PIB na Ucrânia foi nesta ordem de grandeza.


Passo 6: Falência total do Estado e da Segurança Social
O desemprego ultrapassará os 20% da população activa podendo atingir 50%. A Ucrânia ultrapassou este número. A diminuição das contribuições para a Segurança Social impossibilita o pagamento das prestações sociais, subsídio de desemprego, pensões, RSI. A receita fiscal cai vertiginosamente.
Passo 7: Emigração em massa
Hoje de manhã perguntei à minha coadjutora doméstica como tinha sido na Ucrânia quando a crise rebentou. A Olga, depois de anos sem trabalho, sem dinheiro para o gás e com -10ºC dentro de casa, fez a mala, pediu um dinheirinho emprestado, foi até ao terminal dos autocarros que partiam cheios e chegavam vazios, meteu-se com o marido e a filhinha de 2 anos num que dizia “Порту, Португалія” e partiu. Nuns intermináveis 4 dias, cruzou a Polónia, a República Checa, a Alemanha, a França, a Espanha mas em nenhum lugar a deixaram sair. Só puderam sair na Vila da Feira.

Isto parece o apocalipse mas foi exactamente isto que aconteceu em 1929 e parece que ninguém no nosso governo o quer evitar pois preferem manter os privilégios.
Quando eu tiver um tempinho, vou explicar que medidas devem ser tomadas para termos uma falência controlada, soft.

Já Escrevi

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

Anónimo disse...

Assustadoramente bem conseguido!! Esperemos que os anos passados tenham dado alguma hipótese de escrever a história por outras palavras...

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