sexta-feira, 8 de abril de 2011

Portugal está completamente falido e ninguém nos vai salvar

Portugal está completamente falido.
Portugal deve mais de 210 mil milhões de euros, MM€, a residentes no estrangeiro. Para amortizar a dívida em 50 anos a uma taxa de juro de 1.5%/ano (como pagam os países economicamente sólidos), seriam necessários 6 MM€ por ano. Esse dinheiro teria que vir das exportações que em 2010 foram 56MM€ (fonte: INE). Então, as importações poderiam ser, no máximo, 50MM€. No entanto, importamos 66MM€. Importamos mais 30% do que o que podemos pagar.
Se pensarmos que importamos 100% dos combustíveis, 80% dos alimentos, e mais de 90% das matérias-primas imprescindíveis para o nosso sector exportador como cabedais, aço e metais e fibras e tecidos (para o calçado, máquinas e ferramentas e têxteis e vestuário), será extremamente difícil reduzir as importações nessa ordem de grandeza pois era preciso uma acção de um governo firme.
Mas nós sofremos do Síndroma da Madeira: queremos todos viver à custa dos “cubanos do contenente”, pelo que os políticos que disserem que temos que reduzir drasticamente o nosso consumo, perdem as eleições. Foram vítimas deste síndroma o Cavaco em 1995, o Durão em 2004 e a Ferreira Leite em 2009. O acordo de ontem na CP (que dá centenas de milhões de euros de prejuízo por ano) e a suspensão da cobragem nas SCUTS (com a Estradas de Portugal em rotura financeira) são dois exemplos demonstrativos da decisão óptima dos políticos com um povo que sofre do Síndroma da Madeira.
Fig. 1 - Os cubanos do contenente são gente fixe

Fig. 2 - Os cubanos da europa vão-nos mandar resmas de euros

Escalemos o problema de Portugal ao nível da sua família
Imaginemos que a sua família tem 4 pessoas. Está a dever 80mil€ que pode amortizar (em 50 anos, com uma taxa de juro de 1.5%/ano) com 200€/mês. Parece um valor aceitável mas, com seus os filhos sempre a pedir mais, é impossível equilibrar o orçamento quando tem um rendimento de 1250€/mês e gasta actualmente 1750€/mês (Dados: INE para Jan2011). Só com mão forte, que você não tem porque os seus filhos matavam-no, é que seria possível uma tal redução na despesa.
Fig.3 - Uma feliz família portuguesa

Como raciocinam os credores?
Sendo certo que não vamos pagar o que devemos, a questão é saber qual o dia em que Portugal entra em bancarrota.
Quando Portugal entrar em bancarrota, vai reescalonar a dívida pagando 70% do que deve. Este “corte de cabelo” de 30% é um valor normal nas bancarrotas dos países.
Um indivíduo quando empresta 1000€ a Portugal à taxa de juro de 7.1%/ano pensa que pode receber daqui a uma ano o capital mais os juros, 1000.(1+7.1%) ou, acontecendo entretanto a bancarrota, que apenas recebe 1000.(1+7.1%).70%. Sendo p a probabilidade de Portugal declarar a bancarrota entretanto, o indivíduo compara o valor médio com o que resulta de emprestar os 1000€ à Alemanha à taxa de 0.7%/ano.
1000€.(1 + 0.7%) = 1000.(1 + 7.1%).(1 - p) + 1000.(1 + 7.1%).70%.p
p = 20%
A probabilidade de Portugal declarar falência nos próximos 12 meses é 20% e nos próximos 10 anos é 90%.
Fig.4 - Emprestar dinheiro a Portugal é jogar à roleta russa

Eu já lhes falei e os cubanos da europa vêm-nos salvar.
O nosso primeiro ouviu na rádio “Atenção que circula um carro em contramão na auto-estrada” e disse ao motorista, “Tenho que telefonar já aos da rádio porque já passaram por nós mais de 100 carros em contramão”.
Quando todos dizem que já é dia e parece-nos ainda noite, é hora de nos convencermos de que estamos cegos.
As taxas de juro não diminuem porque os credores não acreditam que a Europa nos vá salvar. É tal a magnitude da nossa dívida e a nossa falta de vontade de fazer sacrifícios que somos impossíveis de salvar.
Eu próprio tenho dúvidas que o Estado me vá pagar os poucos Certificados do Tesouro que tenho.
Ninguém nos vai salvar.
O salvamento de Portugal obriga a que os outros países da UE aumentem os impostos aos seus cidadãos e reduzam os apoios sociais que lhes prestam. E são democracias pelo que os governos têm que estar atentos à opinião dos seus eleitores. Como os portugueses e os gregos querem é boa vida e nada de fazer sacrifícios, os eleitores desses países vão trocar o seu voto para quem prometer parar com o regabofe dos salvamentos. Era como nos virem pedir uns euros para salvar o Kadaffi: que use menos cortinados.
A falta de tacto começa por Portugal anunciar que vai negociar as condições do resgate. Eles não nos querem dar dinheiro nenhum quanto mais ainda irmos lá dizer que "eles não mandam na nossa casa". Quem pede tem que ir com o chapéu na mão, ajoelhar-se, chorar e humilhar-se.
Faz-me lembrar uma pessoa que chegou a um hospital em paragem cardio-respiratória mas que exigia uma enfermeira de peito grande para lhe vai dar respiração boca à boca. No dia seguinte, no funeral, diziam: “o gajo quando morreu estava doidinho da cabeça”.
As taxas de juro não descerem é a prova cabal de que só nós é que acreditamos que alguém nos vai salvar.
O primerio pensava que dizia "permito que me salvem" e nesse mesmo minuto apreciam vagões de dinheiro. Mas, ouvi agora dizer na CNN, os "ajudantes" dizem que talvez em meados de maio venha qualquer coizinha.
"Não percebo, vou fazer uma queixa crime contra as agencias de rating, òh pá, estou porreiro? qual é o meu lado melhor?" 
Meu Deus, decidi que já me podes salvar. Mas atenção que nem me arrependo daquelas noitadas com as búlgaras nem vou deixar de seguir o mesmo caminho pecaminoso. Desenrasca-Te como puderes que aqui mando eu.
Fig.5 - A minha safa é que vivemos numa democracia senão estava doomed.

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

Anónimo disse...

Portugal na falência??!!!! Porque será?! Então vejamos os salários miseráveis dos administradores:

420.000€ TAP - Fernando Pinto

371.000€ CGD - Faria de Oliveira

365.000€ PT - Henrique Granadeiro

250.040€ RTP - Guilherme Costa

249.448€ Banco Portugal-Vítor Constâncio
247.938€ ISP - Fernando Nogueira

245.552€ CMVM - Carlos Tavares

233.857€ ERSE - Vítor Santos

224.000€ ANA COM - Amado da Silva

200.200€ CTT - Mata da Costa

134.197€ Parpublica -José Plácido Reis
133.000€ ANA-Guilhermino Rodrigues

126.686€ ADP - Pedro Serra

96.507€ Metro Porto - António Oliveira Fonseca

89.299€ LUSA - Afonso Camões

69.110€ CP - Cardoso dos Reis

66.536€ REFER - Luís Pardal

66.536€ Metro Lisboa -Joaquim Reis

58.865€ CARRIS -José Manuel Rodrigues
58.859€ STCP - Fernanda Meneses
3.706.630,00 €


51.892.820€ Valor do ordenado anual (12 meses + subs Natal + subs férias)
926.657€ = média prémios

900€ Média ordenado de um funcionário público


58.688,31 - Número de funcionários públicos que dá para pagar com o mesmo dinheiro

Ainda acham que devemos prescindir do nosso subsídio de Natal e de Férias para ajudar o país????!!!!

aro negreiros disse...

A culpa é sempre do vizinho, mas nós os Portugueses ainda não conseguimos perceber que a culpa é de todos nós. Os administradores de empresas públicas ganham de mais e os funcionários públicos também? Ganham de mais, trabalham menos horas, têm mais regalias sociais e existem em grande rácio em comparação com o sector privado. O sector privado paga menos aos seus funcionários e existe fuga aos impostos. A solução passa, pelo equilíbrio da resolução dos problemas, onde a equidade entre cidadãos e estados seja vantajosa para Portugal. Ou seja, temos de ser mais competitivos com os nossos parceiros económicos e isso não se consegue sem "coragem" e uma estratégia séria politica, com uma visão de futuro e não uma visão para as próximas eleições.

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