sexta-feira, 6 de maio de 2011

O protocolo de entendimento com a Troika

 Será que me enganei e que vamos mesmo ser ajudados?
O Sócrates firmou o acordo com a Troika. Será que vou ser obrigado a reconhecer que errei nas minhas previsões. Infelizmente não.

Fig. 1 - Parece que estou engana ...do ...o ...o ... mas não.
Porque é que a ajuda do FMI é a uma taxa de juro inferior à dos nossos amigos europeus?
Há várias coisas de que tenho a certeza. Uma é que vou morrer e outra é que Portugal vai entrar em bancarrota. Só falta saber em que dia é que isso vai acontecer. Eu tenho a quase certeza de que não vou morrer nos próximos 50 anos, mas sei que posso morrer ainda hoje.
No dia da bancarrota, o FMI vai receber o dinheiro que nos emprestar. O mecanismo de ajuda mútuo do FMI tem um poder de tal forma compressivo que ainda ninguém ficou por pagar um plano de ajuda do FMI. Não há como fugir.
O fundo de resgate europeu, FRE, vai receber como os outros credores: para aí 70% do que nós lhe devermos. Os 200 pontos base traduzem que o Fundo antecipa em 75.6% a probabilidade de Portugal falir num dia qualquer dos próximos 13 anos. Pode ser já no mês que vem.
1x(1–75.6%) + 0,7x75.6% = 1/(1+2%)^13
Quanto mais dinheiro o FMI nos emprestar, menos esperança têm os outros credores de vir a receber algum porque eles recebem primeiro.
Hoje, com taxa de juro a 10 anos a atingir 9.75%/ano, os credores antecipam que, nos próximos 10 anos, a probabilidade de portugal falir é 99.9% e que só vai pagar 56% do que deve. E será que está toda a gente enganada menos o Sócrates?
Fig. 2 - Eu tenho a certeza que vamos ganhar a champion, não me chamasse eu Jesus

A ajuda não nos vai servir de muito
A ajuda do FMI e do FRE de 78MM€ corresponde a cerca de 40% da dívida externa portuguesa. Se o dinheiro nos fosse dado... e passássemos a ter um governo que se preocupasse não com as obras faraónicas mas com o bem de Portugal, já poderíamos respirar de alívio. O problema é que vamos ter que pagar e o desgoverno vai continuar.
Podiam-nos dar esse dinheiro. Era uma esmola de 200€ que cada europeu nos dava. Em 2010, cada cubano do contenênte deu 100€ à Madeira. Eles são coitadinhos mas nós também somos.

Como vamos ter que pagar, ajuda pouco
A proposta de OE2011, p.95, refere que o Estado pagou 4.78M€ de juros em 2009, 4.96MM€ de juros em 2010 (+4.3%) e prevê pagar 6.33MM€ em 2011 (+27.0%). A previsão era de a taxa de juro média passar dos 3.65%/ano (em 2009 e 2010) para 4.30%/ano em 2011. Onde isso lá vai.
A taxa de juro paga ao FMI é fixa nos 3,25% / 4,25% enquanto que a taxa de juro paga ao Fundo de Resgate é variável com um spread 2 pontos percentuais, 200 pontos base, acima da taxa de juro a que o fundo se consiga financiar no mercado que foi anunciada como 5.2%/ano.
 Vou ser optimista e trabalhar com estes os números anunciados e pensando que os 78MM€ nunca serão amortizados.
Actualmente o Estado deve 200MM€.
Motivado pelos défices terem sido relaxados, a dívida vai aumentar 23MM€ até 2014.
Dívida no fim de 2013: 26MM€ a 4,25%/ano + 52MM€ a 5,2%/ano + (122MM€ + 23MM€) a 3.5%
O total de juros em 2014 será 8800M€. É mais 80% do que foi pago em 2010.
Se agora estamos falidos, como é que vamos chamar à nossa situação em 2014 com mais dívida e mais juros para pagar? Isto é de loucos varridos.
Mesmo sendo de pouca ajuda, é duvidoso que o dinheiro venha.
Na Finlândia a televisão passa o que nós dizemos (até há quem leia este blog). E ninguém gostou de ouvir o nosso primeiro vir anunciar que tinha conseguido um acordo em que nos davam dinheiro e que não precisavamos fazer nada.
Mas fez um acordo com quem? Com uns funcionários e não com quem de facto decide: os deputados de cada país europeu.
Na Finlandia, 73% dos deputados finlandeses é contra o resgate nas condições previstas no anunciado acordo.
 Se houvesse certeza a taxa de juro de curto prazo diminuía e continua a aumentar. E as taxas de juro da dívida pública portuguesa continuam a bater máximos históricos porque ninguém acredita que a coisa vá para a frente.
Fig. 3 - a Taxa de juro já rebentou a escala
E a taxa anunciada pelo governo de 5.2%/ano é uma mentira
Não acham estranho irmos pagar menos que a Irlanda?
A UE criou o fundo de resgate mas os países não meteram lá dinheiro. O Fundo vai ao mercado pedir dinheiro emprestado e depois empresta-o à taxa que conseguir mais 2 p.p. Os 5.2%/ano é imaginando que o Fundo vai conseguir a taxa actualmente paga pela Alemanha, 3,2%/ano.
Mas os activos do fundo vão ser dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal, 3 países falidos. Então, se a dr.a Merkel e o dr. Sarkozy não derem o aval dos seus Estados ao Fundo, a taxa de juro que este vai conseguir vai ser enorme. Ficamos na mesma pois a taxa que vamos pagar vai ser acima de 10%/ano.
Fig. 4 - A mentira é o caminho fácil mas não tem retorno
Vamos ver, em fins de Maio, quanto o FRE vai pagar na emissão das sua obrigações. 

Como estaremos daqui a 3 anos, se a ajuda vier?
Ontem ouvi o António Costa dizer que a crise é um exagero do Duque, “desses duques que andam por ai a pregar a desgraça. Portugal está uma maravilha”. Eles acham-se os ases.
Faz-me lembrar quando os ignorantes, achando-se sábios, queriam queimar o Galileu porque ele descobriu que a Terra andava à volta do Sol. Naqueles tempos, o Galileu, para salvar a vida, aceitou confirmar que o Sol é que andava à volta da Terra. E fez bem.
Hoje o Costa não pode mandar para a fogueira quem diz a verdade mas desvaloriza o crítico comparando o seu nome com uma carta do baralho. Não terá na cabeça argumentos e números que contrariem a desgraça anunciada pelo Sr. Prof. Duque? Tem que ir pelo caminho do achincalhar sem nada contra-propor?
Pelos visto os políticos portugueses são como o camarão: têm a cabeça cheia mas não é de ideias nem de argumentos lógicos.
Com políticos deste calibre, daqui a 3 anos vamos ter a linha Poceirão-Caia de TGV em grande avanço, a 3.a travessia do Tejo contratada e com clausulas de rescisão de centenas de milhões de euros para tornar a obra irreversível; a CP, a REFER, a RTP, etc. vão ter mais uns milhares de milhões de euros de dívida; A Ota vai estar em grande avanço a par do aeroporto de Beja e mais umas auto-estradazitas.
O tal Aeroporto Internacional de Beja abriu e, ainda antes de o primeiro avião se ter perdido no horizonte, já estava fechado.
Parafraseando o Cristo, estimados credores, perdoem-nos porque somos governados por quem não sabe o que faz.
Fig. 5 - Eu cheguei um minuto atrasado. O A.I. de Beja já funciona? O quê!? Já fechou!? Não acredito.

O PSD não terá ninguém de jeito? Chamem o brasileiro da TAP.

Com eu já disse, o Passos não convence ninguém e as sondagens cada vez o dizem mais alto. A minha sábia amiga Aurora disse-me ontem que “o Passos cada vez que abre a boca dá um tiro no pé”. Por isso é que tem estado calado e faz bem. Mas não podemos ter um Primeiro-ministro porque está calado. E o Ressuscitado Catroga nem no tempo de queda do Cavaco conseguiu convencer ninguém quanto mais agora.
O Passos deveria deixar as questões pessoais e a ganância pelo poder e arranjar alguém competente. Tenho vários nomes na minha cabeça. Por exemplo, estive a ouvir ontem o Rui Rio na rádio e confirmei que é muito melhor que o Passos. Também o Vítor Bento ou o Bagão Felix são bons nomes. Eu já me arrependi e não quero.
O nome perfeito é o Eng. Fernando Pinto, o brasileiro que gere a TAP. Esse é mesmo engenheiro e é sério, competente e firme no seu caminho. É este homem que Portugal precisa.
Fig. 6 - Este sim, é sério e competente.
 O Pinto da Costa é um dos homens mais sábio do Mundo.
Pegou numa equipa de bairro e fez dela uma super-potência. Quando chegou a director do futebol, podia-se sentir tentado a ser o treinador. Mas não: sabiamente, arranjou o Pedroto.
Passos pá, podes ter jogo de cintura para os corredores do PSD mas não tens estaleca para Primeiro-ministro. Teimas mas, nem comes o osso nem deixas comer e o povo é que vai pagar.
Pensa nisto camarada Pedro.
Quem vai ser ajudado
Os únicos beneficiários da ajuda são o Sócrates e seus apaniguados e todas as pessoas que vão morrer entre hoje e 31 de Dezembro de 2013. Gostava de ser um destes primeiros e vou fazer todos os possíveis para não ser um destes últimos.
Agora era preciso cortar os salários em 15%. Em 2014 será preciso cortar em 30%.
Fig. 7 - Os principais ajudados.

Pedro Cosme Costa Vieira

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