sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é a crise financeira

A economia, tal como a vida, apenas existe no presente
Trabalhando no presente, obtemos rendimento que podemos gastar imediatamente ou poupar. A poupança serve para fazermos face a imprevistos futuros (por exemplo, perdermos o emprego) e à normal tendência de, com a idade, deixarmos de ser produtivos.
Como é inviável termos um stock significativo de bens, temos que transformar a nossa poupança em activos financeiros (moeda, depósitos bancários, obrigações ou acções) que, pensamos, um dia nos permitirão comprar bens.
Interessa vincar que, quando poupamos, emprestamos recursos existentes hoje a outras pessoas que os gastam também hoje com a promessa de que vão trabalhar no futuro para nós podermos ter de volta as nossas poupanças. Os bens que vamos comprar no futuro terão que ser produzidos nessa altura.
Fig.1 - O que poupamos é gasto por outros
Em termos económicos, as minhas poupanças não existem fisicamente.
Quando poupo, deixo de comprar bens mas isso não diminui a procura total. Isto porque, quando empresto o dinheiro a uma pessoa, ela vai comprar os bens que eu não consumi. Assim, em termos de equilibro geral, poupar não diminui o consumo total porque os devedores vão consumir o que os credores pouparam.
O que eu emprestei desapareceu e apenas ficou um contrato no qual o devedor se obriga a pagar-me no futuro o que eu lhe emprestei (mais os juros).
Guardar moeda é, em termos económicos, igual a emprestar as nossas poupanças porque o Banco Central (ver, cambista) acomoda a minha poupança emitindo exactamente a mesma quantidade de nova moeda.

A intermediação financeira – os bancos
Todos sabemos que emprestar é uma coisa muito arriscada. Todos nós já tivemos a experiencia de emprestar coisas a que nunca mais pusemos a vista em cima.
Os banqueiros são especialistas na intermediação entre as pessoas que poupam (credores) e as pessoas que gastam (os devedores). Recebendo uma comissão, o banqueiro encontra pessoas a quem emprestar o nosso dinheiro (que pagam juros) e é um seguro de cobrança: se o devedor não pagar, o banqueiro tem que pagar com o seu dinheiro.
Por causa de ser um seguro de cobrança, o banqueiro tem que ter capitais próprios, as famosas reservas tier 1.
Fig.2 - Recebemos uma promessa em troca das nossas poupanças.
A semente da crise financeira
No passado, os bancos emprestavam dinheiro principalmente ao “sector produtivo”. Existe uma minoria de pessoas com uma aptidão natural para criar novos negócios geradores de riqueza, os empreendedores, e os bancos emprestavam recursos para que essas pessoas pudessem investir em novas capacidades produtivas. Naturalmente que uns negócios faliam mas os casos de sucesso compensavam essas falhas. Os euros que poupávamos eram transformados em “máquinas” (capital produtivo das empresas).
Desta forma, a economia crescia.
Nos últimos 30 anos, os bancos desviaram o crédito para as Famílias e para o Estado que não o aplicaram no processo produtivo. As Famílias gastaram o dinheiro em casas (é capital mas não produz riqueza) e consumo. O Estado gastou o dinheiro em obras faraónicas (são capital mas não produz riqueza) e ajudas ao rendimento dos “coitadinhos”.
As famílias garantiram os créditos com imóveis (que não geram riqueza) e com os salários futuros e o Estado garantiu os créditos com os impostos que vai receber no futuro (pois os investimentos públicos só dão prejuízo).
Como era antecipado que o rendimento das famílias e os impostos arrecadados continuariam a crescer como o verificado nos anos do cavaquismo, 1983/1995, então, os banqueiros avaliaram estes clientes como de baixo risco. Desta forma passaram a cobrar spreads de 1% (1pp) às famílias mantendo 5% (5pp) às empresas.
Fig.3 - A semente da crise
Como rebenta a crise
Como explicado, por um lado, existem as pessoas que pouparam dinheiro (os credores) e, por outro lado, existem as famílias e o Estado que gastaram esse dinheiro (os devedores) de forma não produtiva. A riqueza que os credores pouparam já não existe, não se transformou em “máquinas” mas foi gasta pelo Estado e pelas famílias que se obrigaram a devolvê-la com os seus salários e impostos futuros.
Mas, o desvio massivo do crédito das empresas para as famílias e para o Estado fez com que a economia estagnasse. Desde 1995, em termos globais, a economia portuguesa endividou-se muito mais do que cresceu.
De repente, dá-se conta que o Estado e as famílias não têm capacidade para honrar os seus compromissos.
Fig.4 - Ai que descobriram que estamos falidos
O que fazer agora?
O que poupamos já não existe e as pessoas a quem emprestamos não podem nem querem pagar o que devem. Então, contrariamente ao que os esquerdistas defendem, é preciso dividir o prejuízo mas carregando mais quem gastou o que não tinha.
Atacar os bancos e pedir o reescalonamento da dívida pública é penalizar quem poupou e beneficiar quem gastou sem poder. Mesmo que os banqueiros tenham realizado uma má avaliação do risco das famílias devedoras e do Estado, de facto as famílias devedores e o Estado foram beneficiados. A pessoa que emprestou ao Estado comprando uns certificados de aforro não tem culpa que o Estado tenha desbaratado esse dinheiro em PPP e outras loucuras. Quem elegeu esses governantes, o povo português, é que tem que ser penalizado.
Por isso, força a votar nesses esquerdistas esbanjadores.
Força com mais impostos sobre este povo português caloteiro.
Fig. 5 -Votem em mim que fica tudo resolvido.
Última hora.
A Sr.a Merkel mandou o seu embaixador indagar como, trabalhando-se em Portugal mais que na Alemanha, era possível que os portugueses precisassem que os alemães mandassem para cá camiões de euros.
Penso que há um engano qualquer. Provavelmente não precisamos pedir nada aos alemães mas o Sócrates faz isso para aumentar a auto-estima do povo alemão.
Quando no próximo dia 5 for votar, lembre-se deste gesto tão humano. Passarmos por país falido apenas para ajudar a Alemanha.
Amigo Catroga, esta faz-me lembrar aquela expressão idiomática do Norte:
Pu%# que o pa#$%, c’um ca$%”#% que o Sócrates é mesmo boa pessoa.

Fig. 6 - É mesmo boa pessoa

Pedro Cosme Costa Vieira

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