quarta-feira, 15 de junho de 2011

Défice comercial: aumentar as exportações ou diminuir as importações?

O défice comercial de Portugal e da Grécia são claramente maiores que os de qualquer outro país da OCDE o que justifica que os credores pensem que não vamos pagar o que devemos.
Será bom se este problema for corrigido reduzindo as importações mas o óptimo seria que também conseguíssemos aumentar as exportações.

O défice comercial de Portugal e da Grécia.
Em termos de balança comercial com o exterior, Portugal tem um défice comercial muito pronunciado o que faz os nossos credores não acreditarem na nossa capacidade em pagar o que devemos.
Apesar de querermos fazer querer que há muitos países nesta situação, de facto só existimos nós e a Grécia.
Sendo o "grau de abertura" igual a (importações + exportações)/2 em termos de pontos percentuais do PIB, visualiza-se na fig.1 que nós dois somos casos únicos entre os países da OCDE.

Fig. 1 -Grau de abertura e défice comercial (2009, Banco Mundial)

Em média, os países com maior grau de abertura têm o comercio externo equilibrado mas não é condição necessária pois a Japão é uma economia "fechada" que está equilibrada.
A maioria dos países da OCDE tem saldos comerciais positivos. Se excluirmos os USA, os restantes países da OCDE têm um excedente comercial de 1.0% do PIB.
Os USA são um problema grave a médio prazo porque têm um défice comercial astronómico.

Como corrigir o défice comercial português.
Os optimistas dizem que podemos corrigir o défice aumentando as exportações.
Infelizmente, os dados indicam que quando as exportações aumentam 1€, as importações aumentam 1.18€ aumentando assim o défice comercial (ver fig.2).
Fig. 2 - Aumento das exportações e o aumento das importações (1993-2011, INE)

Os realistas dizem que temos que corrigir o défice diminuindo as importações.
Infelizmente, não vai ser fácil porque os dados indicam que quando as importações diminuem 1€, as exportações diminuem apenas 0.95€. Ainda que não seja estatisticamente significante, o défice comercial diminui 0.05€ (ver fig.3).
Fig. 3 - Diminuição das importações e a diminuição das importações (1993-2011, INE)

Comparando o comportamento do défice quando as exportações aumentam ou quando as importações diminuem, apenas será possível corrigirmos o défice comercial diminuindo as importações.
Mas, mesmo assim, será preciso observar-se uma alteração na estrutura das importações: menos bens de consumo e mais matérias-primas e bens intermédios.
O grau de abertura de Portugal e da Grécia é pequeno.
Além de corrigir o défice comercial, outra necessidade que temos é aumentar o grau de abertura da economia portuguêsa. A correcção do défice e o aumento do grau de abertura estão interligados mas são dois problemas independentes.
O grau de abertura dos países decresce com a sua dimensão pois os países maiores produzem uma gama mais diversificada de bens e serviços. Comparando com os países da OCDE, Portugal e a Grécia têm a sua economia muito fechada ao exterior apenas encontrando paralelo com a Austrália e a Nova Zelândia que são ilhas no fim do mundo (ver, fig.4).
No caso Português, o óptimo será, num prazo de 10 anos, aumentarmos as exportações em 50%, de 28% para 42% do PIB e controlar as importações (passar apenas de 37% para 40%).

Fig. 4 - Dimensão do país e grau de abertura (2009, Banco Mundial)

Como vamos aumentar as exportações portuguesas?
O aumento das exportações terá que ser feito pelo aumento da integração na economia europeia, em particular na espanhola, integrando o nosso sector produtivo na cadeia de valor das grandes marcas europeias.
Também temos que integrar o nosso mercado de trabalho no mercado de trabalho espanhol. Na próxima sexta-feira vou propor como fazer essa integração.
Exportar para Angola e Venezuela a crédito é deitar mercadoria e dinheiro ao mar pois esses países apenas nos compram porque não vão pagar.
Caro Sócrates aprende que vender não custa, custa é vender e receber.
Estimados leitores, desculpem que hoje o meu humor não está inspirado.

Pedro Cosme Costa Vieira

3 comentários:

Anónimo disse...

Mas como vamos integrar-nos na Europa, se há a vontade de empurrar os países periféricos para fora do euro?

Como vamos investir para exportar, se nem dinheiro temos para produzir?

Como vamos diminuir as importações se somos Portugueses???

hynek disse...

penso que uma boa parte da importação poderá ser produzido em Portugal, por Portugueses.

O problema é um clima económico desfavorável que coloca obstáculos burocráticos desnecessários, favorece a uns, cria problemas aos outros, cria dependência dos subsídios, cria caos num sistema, onde justiça não funciona (fundamental).

Quem tem know-how, quer investir, inovar, etc., encontra burocracia intransponível.

Não são necessários nenhuns subsídios, basta que o Governo deixa de estorvar (seria um grande subsídio sem custos para o Estado).

Enquanto for mais vantajoso ser um funcionário de Estado (que muitas vezes não faz trabalho nenhum, ou faz trabalho inútil ou então faz trabalho com consequência negativa sobre economia) do que um empresário-empreendedor com ideias que está disposto concretizar, será sempre difícil encontrar um equilíbrio entre esfera produtiva e não produtiva.

O Estado começou matar economia quando introduziu PEC (pagamento especial por conta) - obrigado Manuela.

Deu cabo a dezenas milhares de pequenos empresários que tentavam sobreviver.

O Estado passou a favorecer aos grandes e fortes, esqueceu dos pequenos. Matou os fracos.

Sem que os políticos sentirem as consequências das suas más decisões ou das decisões que não tomaram, será difícil endireitar esta economia de mercado (acho que economia portuguesa nunca chegou a ser direita, viva o populismo).

A economia do mercado deveria ser igual para todos. Favorecer a uns significa prejudicar outros.

PPP Lusofonia disse...

Tem toda a razão, temos que cortar nas importações.
Começando pelo corte do crédito ao consumo e aos pagamentos aos agricultores para não produzirem.

Ver http://ppplusofonia.blogspot.com/2011/06/portugal-current-account-improves.html

Export or die

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