quarta-feira, 1 de junho de 2011

O défice comercial é doença que leva portugal à falência

Portugal vive uma profunda crise económica e financeira que Sócrates afirma ser por causa da Crise Internacional e que as medidas de austeridade que está a implementar já a resolveram em grande parte. Nada disto é verdade: a nossa crise já vem de há muito tempo, não está a ser feito nada para a resolver e o futuro é sombrio e vai acabar em bancarrota.
A doença por trás da actual crise é um longo défice comercial
A crise portuguesa resulta de termos um desequilíbrio muito grande na balança comercial (saldo negativo) e que já dura há tempo demais. Mesmo observando uma tendência de aumento das exportações que resulta da nossa integração na economia europeia, também se tem observado um aumenta das importações que continuam a ser bastante superiores às exportações (ver, fig.1). A crise de 2007 reduziu as exportações mas também as importações e foi durante num curto período de tempo.
Fig. 1 – Evolução das importações e das exportações (Jan1993 – Mar2011, INE)
O défice acumulado vai em 367mil milhões de euros
Se somarmos o défice comercial acumulado nos últimos 18 anos, entre Jan1993 e Mar2011, capitalizado à taxa de juro de 3%/ano, soma 367Mil Milhões de Euros, 36700€ por cada português (ver, Fig. 2). Apesar de no governo de Cavaco (PSD) e Durão (PSD) se terem dado pequenos passos no sentido da resolução deste desequilíbrio, o povo português rejeitou-os imediatamente (ver, Fig. 2).
Fig. 2 – Evolução do Saldo Comercial (Jan1993 – Mar2011, INE)
A Crise Internacional teve um impacto de 1.6%
A Crise Internacional de 2007 teve um impacto muito pequeno na crise que vivemos. Relativamente ao período Jan1993-Mar2011, a crise internacional corresponde apenas a 1.6% do défice comercial acumulado nestes últimos 18 anos (ver, fig. 3).
Fig. 3 – Impacto da Crise Internacional 2007 no défice comercial acumulado (fonte: INE)

Nos últimos 2 anos nada foi feito
Nos últimos 2 anos foram anunciadas muitas medidas de austeridade e  três PECs (Planos de Estabilidade e Crescimento) mas, de facto, nada foi feito para equilibrar a balança comercial que se mantém num défice de 1.65 Mil Milhões de Euros por mês, 165€/mês para cada português (ver, Fig. 4).
Fig. 4 – Evolução do Saldo Comercial (Dez2008 – Mar2011, INE)

Como Portugal já não tem mais quem financie o défice comercial, tem que o corrigir. Se não fosse o resgate externo, essa correcção teria que ser feita instantaneamente. Assim, foi acordado um período de 3 anos para essa correcção (ver fig. 5).
 Fig. 4 – Evolução necessária para o Saldo Comercial português, (2011-2014)

A tarefa de diminuir 165€/mês à balança comercial de cada português é um corte muito violento no seu, insustentável, nível de vida.
E não é só corrigir o défice comercial pois ainda temos que pagar os juros da dívida que se foi acumulando ao longo dos anos.
Enquanto houver dinheiro, não será possível corrigir nada
Como sofremos do Síndroma da Madeira (gostamos de viver à custa dos outros), metade dos portuguêses acredita em quem promete que vai ser possível manter tudo na mesma (no Sócrates, Louçã e Jerónimo). Ninguém imagina que se vá cortar seja o que for.
Reforça a minha convicção de que nada vai ser feito observando as greves anunciadas para as empresas públicas que dão milhões de euros de prejuízo por dia.
Esta fé na Nossa Senhora de Fátima e em charlatães indica que nenhum governo vai conseguir resolver a crise económica portuguesa pelo que, mais cedo do que tarde,
Portugal vai entrar em bancarrota.


Nota final: O meu grande amigo Paulo Sousa achou bem ficar vincado que, por em Portugal circular o  euro, o defice comercial é muito grave porque implica a saida de moeda que, se não corrigido por endividamente externo, causa uma rápida diminuição da liquidez: as notas vão para o estrangeiro e os multibancos deixam de ter dinheiro (e.g, ver banco central do equador). 
Os governantes agora têm que ter mais competencia que a necessária no tempo do Escudo quando as nossas notas não saiam de cá.
É como conduzir um carro com amortecedores rijos: agarra-se melhor às estrada mas tem que ser conduzido por um ás do volante.
Infelizmente, a qualidade dos nossos governantes tem diminuido.

O futuro é sombrio

Pedro Cosme Costa Vieira

 Fig. 5 – Nem a Nossa Senhora de Fátima valeu ao Francisquinho e à Jacintinha

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