domingo, 5 de junho de 2011

Portugueses menos produtivos por hora trabalhada

Aquilo que parece nem sempre é. Os portugueses trabalham mais horas por ano ou até por semana do que os alemães. Circulou hoje esse facto como sendo notícia. Ora, quando Angela Merkel deu a entender que os países do Sul da Europa deviam trabalhar mais e ter menos férias, houve logo vários jornais (JN e económicos) que desmontaram o discurso com estatísticas do Eurostat e OCDE. O problema é que os portugueses produzem menos riqueza por hora trabalhada.


 Os europeus do Sul trabalham mais e às vezes durante mais tempo que os alemães, de acordo com um estudo baseado em dados da OCDE e Eurostat. Os números contrariam assim as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, que apontou um eventual laxismo social em Portugal, Espanha e Grécia. "Os alemães trabalham muito menos que os europeus do Sul. E também não trabalham de forma tão intensiva", disse Patrick Artus, chefe da secção de economia do banco francês Natixis e o redactor do estudo em questão. Chama-se a isto falta de produtividade do senhor Artus. Demorou umas semanas a concluir este facto e ainda levou consigo alguma comunicação social.

De acordo com números da OCDE divulgados em 2010, a duração anual média do trabalho de um alemão (1390 horas) é muito inferior à de um grego (2119 horas), de um italiano (1773 horas), de um português (1719 horas), de um espanhol (1654 horas) ou de um francês (1554 horas).

Excelente notícia? Não. Seria preferível estar como os alemães. Produzimos metade da riqueza por hora trabalhada. Basta observar o gráfico que se segue, cujos valores são os mais recentes e têm como valores paridades de poder de compra (PPS) e a base é UE 15=100. Um retrato deprimente.

Fonte: Pordata
Pedro Palha Araújo

2 comentários:

Sérgio disse...

A questão do porque ser assim é muito mais importante, quem trabalha não produz menos quantidade ou qualidade de produto e ou serviço, como comprovado pelos bons resultados dos portugueses que trabalham "lá fora" que são quase sempre considerados "brilhantes". Gostaria muito de ver a sua analise/opinião sobre as estructuras e modelos organizacionais incluindo estado, pois por vezes parece me que o problema não é da "criança" mas sim dos "pais". Obrigado pelas postas interessante, mesmo para um leigo!!

Económico-Financeiro disse...

A produtividade não depende apenas do indivíduo mas também do meio envolvente. É como ter uma esplanada virada para um aterro de lixo. O emrpegado não produz nada.
Uma sociedade em que, em média, os individuos são menos produtivos não pode esperar ter governantes ou patrões mais capazes que a média.
Em termos individuais, não há nada a fazer a não ser mudar de sítio.
Nos anos 1950 os alentejanos e beirãos rumaram a Lisboa. Os transmontanos ao Porto.
Agora, se eu quizer ser mais produtivo tenho que ir para o Luxemburgo ou para a Alemanha.
Um abraço,
pc

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