sábado, 25 de junho de 2011

Quanto será preciso diminuir os custos do trabalho?

É evidente que apenas com a redução do custo do trabalho é que se consegue equilibrar a balança de mercadorias. A questão que se discute é a magnitude da redução necessária para que o equilíbrio aconteça.
Ninguém consegue responder com rigor a esta questão mas, comparando com a Alemanha, será necessária uma redução na ordem do 40%.

Fig. 1 - Relação entre a descida dos custos do trabalho e a balança comercial
Pensando que conseguimos os mesmos resultados que foram conseguidos na Alemanha no período 2000/2010 em que, por cada 1% de descida do custo do trabalho, a balança comercial melhorou 0.31% do PIB, como Portugal preciso melhorar a balança comercial de -10% para +2.5%, terá que acontecer uma redução nos custos do trabalho na ordem dos 12.5% / 0.31% = 40%.

Se Portugal entrar em bancarrota (que é muito provável), essa correcção de 40% tem que ser feita instantaneamente o que levará ao salário mínimo voltar aos 300€/mês e o salário médio voltar aos 600€/mês.

Vamos ganhar tempo e fazer o trabalho em 10 anos.
Nos últimos 20 anos, a produtividade do trabalho aumentou à média de 1.43%/ano e foi ligeiramente melhor que na Alemanha (1.25%/ano). Vamos pensar que esta tendência se vai manter.
Fig.2 - Evolução da produtividade em Portugal e Alemanha (1991-2008, Banco Mundial)

Vamos assumir uma taxa de inflação média no Zona Euro de 2%/ano.
Somando a inflação aos ganhos de produtividade, se os salários se mantiverem constante em termos nominais nos próximos 10 anos, os custos do trabalho diminuirão 29%, o que ainda deve ser insuficiente.
(1+1.43%)^-10 * (1+2%)^-10 = 71%

A Taxa Social Única
Sobra a famosa TSU dos empregadores que tem que reduzir 15pp., de 23.5% para 8.5pp.
Não é viável financiar esta redução com o aumento do IVA pois obrigaria ao aumento das taxas em pelo menos 7 pp. (a máxima para 30%).
0.85 * (1+1.43%)^10 * (1+2%)^-10 = 0.60

Se Portugal entrar em bancarrota, essa correcção tem que ser feita instantaneamente o que levará ao salário mínimo voltar aos 300€/mês e o salário médio voltar aos 600€/mês.

A redução da TSU poderá ser feita pela descida instantânea de 3 pp. financiada com uma subida do IVA em 2 pp. e a passagem de 0.1 pp./mês da TSU do empregador para a TSU do trabalhador ao longo dos próximos 120 meses.
No final, o trabalhador ficará a descontar 23% e o empregador 8.5% do salário.

 É uma redução muito grande, 30%, do rendimento disponível mas não vejo alternativa.
O horário de trabalho
A minha amiga Manuela Castro e solva falou-me que o horário tem márgem para aumento.
Actualmente é de 40h/semana e que pode aumentar até 45h/semana.
Muito certo: está aqui um ponto onde se podem ir buscar 10% de redução do custo do trabalho.
Aumentar 5 minutos/semana cada mês nos próximos 5 anos.

E o horário da função pública?
Tem que convergir para o geral.
Passar das 35h/semana para as 45h/semana.
Aumentar 10 minutos/semana cada mês nos próximos 5 anos.

 Com o aumento do horário de trabalho, esta redução poderá ficar na ordem dos 20%.
Em vez de os salários ficarem congelados, podem aumentar à taxa de 1%/ano (metade da inflação prevista).
Eu também sou assalariado e tenho que me preparar.
Fig.3 - Até o Pai Natal está à rasca

Serão estes os números certos?
Ninguém sabe em concreto como vai reagir a economia portuguesa a um ajustamento tão violento da balança comercial mas, dia a dia, será feita uma avaliação dos resultados e, se necessário, serão feitas pequenas correcções de trajectória.
Assim que seja atingida a meta de um superávite de 2.5% da balança comercial, o processo de ajustamento pode ser dados por terminado.
Fig.4 - Isto é tão terrivel que deve haver qualquer coisa que está errada

Pedro Cosme Costa Vieira

5 comentários:

hynek disse...

estamos a falar dos custos de trabalho em relação à uma unidade produzida, certo?

E que tal aumentar essa produtividade. Não vale a pena aumentar horas de trabalho se não tiver efeito na produção (por exemplo funcionários públicos, uma parte está estafada a trabalhar outra está estafada de ócio). Para aumentar produção é preciso eliminar desperdícios do tempo. Quanto tempo perdemos nos médicos (para uma consulta, toda gente está convocada para mesma hora, depois é por ordem da chegada, perde-se assim um dia de trabalho, quando se tem sorte que o médico-especialista aparece).

Quanto tempo é que se perde nas finanças, nas conservatórias e SS? Quanto tempo é que se perde a obter comprovativos de tudo e mais alguma coisa, que o Estado solicita, embora tenha isso na sua base de dados?

Quanto tempo é que se perde a tentar dar volta aos obstáculos que o Estado coloca no caminho dos que querem trabalhar?

Quanto tempo é que se perde com greves que prejudicam todas as pessoas que querem trabalhar e o País inteiro?

Penso que o maior obstáculo à produtividade é o próprio Estado. Interfere demasiado onde não é preciso e também distorce o mercado com decisões inúteis (que só encarecem investimento e aumentam custos de trabalho). Menos Estado parece-me uma das soluções para alguns problemas deste País.

Anónimo disse...

NÃO ADMIRA O PAIS ESTAR COMO ESTA! QUANDO QUEM ESCREVE ESTE CHORRILHO DE DISPARATES E PROFESSOR NA FACULDADE DE ECONOMIA DO PORTO!

MAS ENQUANTO OS NOSOS ECONOMISTAS CONTINUAREM A OLHAR QUEM PRODUZ APENAS COMO SE FOSSEM NUMEROS NAO VAMOS LÁ!!! POR MUITAS CONTAS QUE ESSES SENHORES FAÇAM!

hynek disse...

Ó Sr. Anónimo,

o que este prof. escreve aqui é muito valioso, é matéria para pensar, para associar. Do meu ponto de vista muito útil para podermos ver os problemas num horizonte mais alargado. Não é preciso concordar sempre, basta que nos faz pensar.

Muito obrigado professor, continue este bom trabalho.

Kropotkine disse...

Eu sou engenheiro, pouco percebo dessa arte de prof. Chibanga que é a economia, mas até eu vejo ai nesse primeiro gráfico o efeito cambial da mudança de uma moeda fraca para uma moeda forte, tão forte que é mesma dessa mesma Alemanha. Ora se uma forma de reduzir salários é desvalorizar moeda, diria que valorizar a moeda tem o efeito contrário, daí os custos do salário na produção terem aumentado. Já a Alemanha pouco sentiu visto que o Euro foi relativamente indexado ao marco! Bravo... os numeros podem ler-se de várias formas, e já se viu que os alunos deste sr. professor têm de levar com perspectivas ideológicas enviesadas. Tenho pena deles! Mas olhe, para descermos isso 40% prefiro a saída do Euro, diz-se que a desvalorização seria na ordem dos 30%, e ainda teriamos autonomia para nos re-industrializarmos e re-construirmos aquilo que Cavaco destruiu!

Anónimo disse...

Vim aqui parar um pouco por acaso. Li e surpreendo-me por ver comentado que o autor é professor, porque se algo se consegue inferir deste texto é uma grande inabilidade para explicar. E esta, caro autor, mais que o conhecimento, é condição incontornável para ensinar.

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