sexta-feira, 10 de junho de 2011

Será possível passarmos a ter um saldo comercial positivo?

O governo tem hoje uma missão idêntica à que Salazar teve em 1928: controlar um défice comercial de 11% do PIB. Isso é impossível se pensarmos que Salazar falhou.
Os governantes anunciam que a dificuldade resulta de termos destruído a agricultura que havia antes do 25 de Abril de 1974 e que o caminho é aumentar a produção agrícola lançando incentivos à agricultura. É um mau começo que faz lembrar a politica falhada do Sócrates dos subsídios.
Temos é que ver o que fazem na Alemanha e na Espanha e seguir os seus exemplos:
          A) Flexibilidade do mercado de trabalho,
          B) Redução dos custos do trabalho,
          C) Facilitação nos licenciamentos da industria.
Portugal está em 2011 como estava em 1928 
Em termos comerciais, a situação actual de Portugal é idêntica à de 1928, altura em que entrou Salazar: temos um défice comercial maior que 11% do PIB.
Comparando o que Salazar fez nos primeiros 10 primeiros anos da ditadura com o que temos que fazer nos próximos 10 anos, conclui-se que temos pela frente uma missão impossível.
Fig. 1 – Evolução do saldo comercial português (1928-1940, 2011-2023)
Salazar, com mão de ferro, falhou, não conseguindo anular o défice comercial. Como queremos que os nossos credores acreditem que o vamos conseguir agora?

Será que a culpa é da agricultura?
Os governantes dizem que, por termos pouca produção agrícola, é impossível equilibrar a Balanca Comercial. E conseguem convencer as pessoas que, depois do 25 de Abril de 1974, abandonamos a agricultura.
Isso não corresponde à verdade tendo a produção aumentado 21.64% em relação à primeira metade da década de 1970.
Fig. 2 – Produção agrícola portuguesa a preços constantes (1970-2010, Banco Mundial)

É certo que na década 1985-1995 a produção agrícola era maior em 14% que actualmente mas a queda deveu-se à diminuição dos preços dos produtos agrícolas (induzida pela liberalização do mercado europeu) e não à diminuição da quantidade produzida em Portugal.

Como será a agricultura nos outros países?
Comparando a produção agrícola per capitaPortugal tem uma produção agrícola 32% maior que a Alemanha que tem uma balança comercial superavitária. E a Grécia, em pior situação que nós, tem uma produção agrícola bastante maior que a nossa.
Então, temos que concluir que o défice comercial não tem nada a ver com a nossa produção agrícola que está relacionada com a existência de terrenos aráveis e não com a vontade política.

Fig. 3 – Produção agrícola per capita (1970-2010, Banco Mundial)

E como é o défice comercial destes quatro países?
Os opinion makers portugueses querem fazer crer ao povo que primeiro foi a Grécia, depois Portugal e finalmente será a Espanha. Que os "mercados" penalizam de forma irracional Portugal e perdoam à Espanha a sua situação igualmente crítica.
Nada disto é verdade.
De facto, a Espanha teve sempre um défice comercial inferior ao português e reduziu-o de 7% em 2007 para praticamente zero em 2010 e preve-se supeavitária em 2011. Portugal mantem-se nos -8% e a Grécia nos - 10%.
 Fig. 4 – Défice comercial (1970-2010, Banco Mundial)
Podemos ver na fig.4 que a taxa de juro exigida aos países não tem nada de obscuro e tem uma correspondencia directa com o saldo da balança comercial: saldos mais negativos, taxas de juro mais elevadas.Garanto que se Portugal conseguir equilíbrar a balança comercial, vai conseguir taxas de juro abaixo dos 4%/ano.

Em que mais nos assemelhamos à Grécia e nos distanciamos da Alemanha e da Espanha? 
A nossa produção industrial tem um peso no PIB bastante mais baixo que a Alemanha e a Espanha e próximo da Grécia.
 Fig. 5 – Peso da Indústria no PIB (1970-2010, Banco Mundial)


Será que o Pedro vai conseguir?
A Espanha conseguiu em 3 anos reduzir o défice comercial em 7 pontos percentuais (2.3 pp/ano) o que indica ser tecnicamente possível reduzirmos 14 pp em 10 anos (1.4pp/ano).
Eu quero ter esperança mas as informações que têm circulado nas últimas horas são muito preocupantes.
Parece que lá para os lados de Lisboa, não sabem o que fazer. O Pedro transpira seriedade mas está completamente perdido.
E as taxas de juro traduzem isso: estão a tocar os 12%/ano o que tem implícito que
A probabilidade do Pedro  falhar é de 95%.
 Fig. 6 – Ainda não começou e já falhou
Pede-se um milagre urgente. Um sinal do firmamento.
Pedro Cosme Costa Vieira

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