quarta-feira, 20 de julho de 2011

BPN: Carta aberta ao Sr. Ministro da Finanças

Ex.mo Sr. Ministro das Finanças
Av. Infante D. Henrique, 1
1149-009 Lisboa


Assunto: Reprivatização do BPN - Proposta de compra

Ex.mo Sr. Ministro,
Venho, respeitosamente, fazer uma proposta de compra de 95% das acções representativas do capital social do BPN – Banco de Negócio Português, detidas pelo Estado Português.
Sendo que sou muito crítico relativamente à capacidade do Governo resolver os gravíssimos desequilíbrios de que a economia portuguesa padece, dizendo publicamente na blogosfera que o destino certo de Portugal é a bancarrota, não me posso esconder no conforto da minha vida simples e ficar apenas a observar de longe o fracasso português.
Assim, nos limites da minha capacidade, abalanço-me a tentar resolver o problema BPN.

O estado do sector bancário e a sua evolução futura
O sistema bancário tem mais de 100 mil milhões de euros no crédito à habitação com taxas de juro indexadas à EURIBOR; mais de 50 mil milhões de euros no crédito a empresas públicas falidas; mais de 50 mil milhões de euros no crédito a empresas privadas públicas falidas; mais um incalculável valor, milhares de milhões de euros, emprestados a “grandes devedores” que estão insolventes. Estes activos com rentabilidades negativas fazem com que o sector bancário português esteja falido.
Contrariamente à desinformação que corre, não é por acaso que todos os bancos portugueses foram excluídos do mercado interbancário EURIBOR, todos têm a cotação muito abaixo do par e nenhum se consegue financiar no mercado de obrigações.
Acresce que se tem observado nos últimos 4 anos uma grande contracção do negócio bancário quer em volume quer em margem e com tendência para se agudizar.
Com estes dados são negativos, prevejo que, a curto prazo, encerrem 75% dos balcões existentes e haja uma redução proporcional no nível de emprego.

O BPN é inviável.
Sendo que numa situação normal o BPN dificilmente seria economicamente viável, na situação que se vive é completamente inviável.
Quem prometer o contrário procura enganar alguém.
Tendo eu a certeza de que todas as propostas de aquisição têm disfarçada uma enorme perda financeira futura para o Estado Português, acho-me na obrigação de avançar com uma proposta que, à primeira vista, pode parecer desproporcionada mas que é a melhor opção que o Estado Português tem para proceder à reprivatização do BPN.
O certo é que, aconteça o que acontecer, o Estado Português ainda vai perder muito dinheiro no BPN.
Por exemplo, na proposta publicitada pelo BIC, o Estado Português dá ao comprador 400 milhões de euros.
Eu não me enganei: O Estado Português reforça o capital do BPN em 470milhões de euros e, depois, recebe 70 milhões de euros.
Além do mais, não existe qualquer garantia de que o CGD receba os 5500 milhões de euros que emprestou ao BPN.
O que vai fazer V.Ex.a quando o BPN privatizado ameaçar falir? Vai lá meter mais dinheiro.

A) As condições que proponho para adquirir o BPN são as seguintes:
1.       Será feita uma avaliação da situação líquida do BPN por um grupo independente.
2.       À excepção de 50000.00€ (que passarão a ser o capital social), o Estado Português converte o valor apurado em Obrigações Perpétuas com Cupão Zero mas capitalizáveis à taxa EURIBOR.
3.       As acções representativas do capital social do BPN serão reduzidas a 1 milhão acções com o valor nominal de 0.05€ cada.
4.       Eu compro 95%, 950 mil, dessas acções ao preço de 0.05€ cada.

B) Objectivos a que me comprometo:
1.       Trabalhar com lealdade para que o prejuízo do Estado Português seja o mínimo possível;
2.       Procurar, o mais rapidamente possível, liquidar o volume de negócio do BPN de forma a respeitar o Core Tier 1 necessário;
3.       Pagar, na medida do exequível e o mais rapidamente possível, as obrigações perpétuas.
4.       Lutar para que a liquidação do BPN seja feita o mais suave possível.
5.       Lutar para que os direitos dos trabalhadores e dos credores sejam, tanto quanto possível, respeitados.
6.       Informar continuamente e com total transparência o Banco de Portugal sobre a evolução da situação.

Os meus pontos fortes
Não tenho experiência na gestão bancária. Recordando que os que têm muita experiência levaram os bancos à falência. Então, a minha falta de experiência é a minha principal mais-valia.
O preço líquido da minha proposta é a mais vantajosa.

Ninguém deve aceitar promessas que toda gente sabe serem impossível de cumprir.
Porto, 20 de Julho de 2011

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

j disse...

Se o primo Cosme me permite, eu também pretendo alinhar na sua proposta. Porém, dado que sou um completo teso, apenas me posso comprometer com 1% das acções e, consequentemente, com a mesma percentagem em esforço para evitar ao Estado um desastre maior.

Cumprimentos, estimado primo.

Zé Cosme

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