segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Stiglitz é Prémio Nobel mas está errado - 2

Já referi que a teoria de que o salário não ajusta o mercado de trabalho está errada.
Vou agora mostrar, em mais uma dedução aborrecida, porque a teoria de Stiglitz de que
2.ª Que os países falidos apenas podem pagar a dívida soberana investindo de forma a fazer crescer o produto.
Está completamente errada.

A relação entre Investimento e Crescimento económico.
A valor acrescentado no processo produtivo/transformador de bens e serviços precisa de Capital e Trabalho.
Se considerarmos a análise feita por trabalhador, quanto mais capital houver, maior será a sua produtividade.
Então, quando há investimento, o capital aumenta (por trabalhador) o que faz aumentar a produção por trabalhador.
Para aumentar o investimento é preciso aumentar a poupança.
Como o Stiglitz não quer que se aumente a poupança interna (as tais políticas restritivas), só sobra o endividamento externo.
Como devemos muito dinheiro ao exterior, temos que pedir mais dinheiro ao exterior para investir, aumentar o produto e pagar o que anteriormente devíamos.
Brilhante.
A relação entre o Crescimento Económico e o endividamento Externo.
A primeira questão é que, como ainda não podemos pedir dinheiro aos Marcianos, para uns países se poderem endividar, outro país têm que se tornar credores.
Se é um acto de inteligência um país endividar-se então, nenhum país se vai querer tornar credor: não haverá ninguém que empreste.
Isto parece ter lógica.
Mas existem burros desses. Por isso, Portugal sendo um país de gente fina, aproveitou e endividou-se (ver Fig. 1). Nos últimos 20 anos, Portugal foi dos países da OCDE que mais aumentou o seu endividamento externo: 86% do PIB, 9.4%/ano. Fomos ainda mais inteligentes que a Grécia (6.0%/ano) e que a Espanha (3.1%/ano). O país mais burro de todos foi o Luxemburgo que, em média, emprestou 4.3%/ano do seu PIB. Em média, os países da OCDE endividaram-se 0.96%/ano.
Grandes asnos.
Fig. 1 - Evolução do endividamento dos países da OCDE (1990-2010, Banco Mundial).

Por outro lado, há o crescimento económico (ver fig. 2). Por mais estranho que pareça, Portugal, o país dos inteligentes, está lá para baixo no crescimento económico: nos últimos 20 anos, crescemos a uma média de 1.9%/anos.

Fig. 2 - Evolução do PIB dos países da OCDE (1990-2010, BM).

Para que o endividamento externo fosse a salvação, o crescimento económico teria que ser maior que 1 para 1: Por cada 1% de endividamento, acontecesse um crescimento do PIB maior que 1%, aí 1:2.
Mas isso não corresponde minimamente à verdade.

Pegando em todos os países da OCDE é fácil estimar a relação entre o aumento do endividamento anualmente e a taxa anual de crescimento do PIB (Fig. 2). Portugal, nos últimos 20 anos, teve um desempenho económico ainda pior que a Grécia.
Nós não somos como a Grécia, somos piores. Até somos piores que a Islândia que faliu (não estando na Zona Euro que tem servido de desculpa para estarmos na bancarrota).

Fig. 3 - Relação entre o PIB e o endividamento nos países da OCDE (1990-2010, BM).

Usando GLS na estimação (o ponderador é a população), obtém-se a relação
                   Taxa de Crescimento = 2.1% + 0.1 Endividamento corrente.

A relação é de 1 para 0.1, muito menor que 1 para 1.

Como Portugal se endividou em 9.4%/ano então, tivemos um crescimento económico 0.94 pontos percentuais maior que teríamos se tivéssemos a balança corrente equilibrada.
Grand'a merda para estarmos agora endividados até ao tutano.

Para aumentarmos o PIB em 10%, temos que duplicar o nosso endividamento externo.
Alguém acredita que Portugal, tendo dificuldade em pagar a divida actual, consegue pagar o dobro aumentando o PIB em 10%?
Há muita gente que acredita que se fossemos a Fátima a pé, Portugal salvava-se.
Eu não acredito.
Nem eu nem ninguém. 
Bullshit.

Fig. 4 - A asneira também serve para fertilizar a criatividade.

Há uns meses fui a um jantar de despedida de um funcionário da minha faculdade que se aposentou: o sr. Correia. E estava lá uma pessoa informada que afiançou que o Cavaco estava com Alzheimer.
Desde ai, dou um desconto a tudo o que Cavaco diz.
Como pode o país ganhar credibilidade com um presidente que é catedrático de economia a desviar-se tanto da verdade?
Com quase toda a gente numa negação total da realidade?

Ainda mais grave: chegou a hora de pagar.
O endividamento chegou de mansinho e não custou nada. Agora que é preciso pagar, haverá a diminuição normal de as fontes financiamento estarem cortadas (-1%/ano) e ainda do necessário para pagar a divida acumulada (.1%/ano). Assim, a brincadeira do guterrismo-socratismo vai diminuir o nosso crescimento potencial em 2%/ano durante muitos e muitos anos.

Era como dizia o Catroga:
Cadeia com eles.

Fig. 5 - Atraca-te a mim. Algema-me com o fio do teu bikini.  Prende-me com o teu charme.

O que irá acontecer à Zona Euro?
Vai rebentar.
Hip.1 a Alemanha (mais a França e Benelux) saiem e deixam o Euro para nós.
Hip.2 o plano de resgate inclui a saida de Portugal e da Grécia do Euro (e eventualmente de outros).
Hip.3 o plano de resgate entra em colapso e Portugal a Grécia fica sem liquidez e têm que emitir moeda própria (saindo, pelo menos parcialmente, do Zona Euro).

Depois dos resultados conhecidos da execução orçamental da Grécia mais a crise Italiana/espanhola, não há qualquer hipótese de Portugal ter sucesso.

Fig. 6 - Álvaro, já estás preparado para o insucesso?

Pedro Cosme Costa Vieira

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