sábado, 23 de julho de 2011

Resgate I jaz morto. Vivas ao Resgate II.

O Resgate, desde o nascimento, estava condenado ao fracasso por diversas razões que já apresentei noutros posts. Durou 2 meses.
O Estado Português deve 200MM€ e precisa, em 2011, mais 10MM€ (acordado com a Troika).
O país, Estado mais Particulares, deve ao exterior 400MM€ e precisa, em 2011, pelo menos 12MM€.
Assim, mesmo correndo bem o processo de ajustamento das contas externas, que tenho (e os nossos credores também) 95% de convicção que vai correr mal, nunca seria possível o Resgate I ter sucesso por três razões. 


Prazo de amortização muito curto:
Era uma alucinação pensar que Portugal poderia amortizar os 78MM€ em 10 anos (11MM€ por ano). Apenas o conseguiria se alguém nos emprestasse esse dinheiro.
Valor global muito pequeno:
Tornava-se obrigatório que Portugal, em 2 anos, conseguisse reduzir o risco de incumprimento em 80%. Só assim, seria possível arranjar quem nos emprestasse dinheiro a taxas de juro razoáveis (<5%/ano).
Apenas seria possível se descobríssemos Petróleo.
Pouca convicção do governo.
Sendo que o equilíbro da Balança Comercial obriga a reduzir os custos do trabalho.
Sendo que o equilíbrio das Contas do Estado (défice) obriga a subir os impostos 20%.
Não se vê coragem para o fazer.
Morreu o Resgate I, sucede-lhe Resgate II.

O que é uma obrigação.
Quando alguém empresta dinheiro, faz-se um contrato que se chama Obrigação:
O devedor obriga-se a pagar uma soma cada ano, o Cupão, e uma soma no fim do prazo.
Por exemplo, emprestam-me 1000€, pago 50€ no fim de cada ano e, ao fim de 30 anos, pago mais 500€.
No total vou pagar 50 + 50 +50 + ... + 550 = 2000€
O valor que se paga no fim chama-se valor nominal ou valor facial mas o nome técnico é o Par.
O contrato tem uma taxa de juro implícita que se obtém comparando os recebimentos com um depósito a taxa de juro fixa e constante. No exemplo, a taxa de juro implícita é
    50/ r . (1 - (1+r)^-30) + 500 . (1+r)^-30 = 1000
    r = 4.127%/ano

Cada um tem a obrigação de tratar bem a sua mulher

O que ficou acordado com a Grécia.
A Grécia deve 160% do PIB.
A convergência para o equilíbrio será numa trajectória em que a Grécia, daqui a 30 anos, deva 60% do PIB. Isto está bem.
Planeando que nos próximos 30 anos a Grécia vai crescer 1%/ano, que a taxa de inflação na Zona Euro vai ser 1.6%/anos, então, por cada 100€ que a Grécia deve agora, só pode ficar a dever daqui a 30 anos 80€.
A) O valor nominal das novas obrigações será 80% do valor nominal das obrigações actuais.
Isto não quer dizer que os credores vão receber menos. Apenas que daqui a 30 anos vão receber 80€. O resto recebem no Cupão.

Como vai ser a amortização (o Cupão).
A taxa de juro actual das obrigações gregas é superior a 25%/anos. Mas isto acontece porque há um risco muito elevado (>95%) de a Grécia não pagar o que deve.
Como os países da Zona Euro se responsabilizam solidáriamente pela dívida, esta fica sem risco (quase).
B) Foi decidida uma taxa de juro nominal de 4.826%/ano a 30 anos que é o normal/bom para este prazo.
Por exemplo, a Alemanha contratou 3.3%/ano em 21Jul2011.
Combinado o valor nominal com a taxa de juro resulta
C) O Cupão será de 6.42%/ano.
Atenção que a taxa de juro é de 4,826%/ano e não 3.5%/ano como dizem por aí nem 6.42%.
Próximo dos 3.5% será para os valores já acordados no Resgate I.

Será esta operação voluntária ou há incumprimento da Grécia?
Os investidores institucionais vão ser obrigados a trocar os seus créditos por estas novas obrigações.
Técnicamente é um incumprimento porque os investidores não podem continuar com as obrigações gregas até à maturidade. Têm que as trocar.
Mas, de facto, é uma boa solução para os credores pelo que não há necessidade de os obrigar.
Apanhasse a nossa banca transformar os seus créditos nestas obrigações. As cotações das acções voltavam ao nivel de 2006, isto é, multiplicavam por 10.
Só fica a perder quem comprou dívida a taxas de juro mais altas. Mas esse valor já está perdido há muito.

E os particulares?
Ficam com estão mas, como as obrigações estão desvalorizadas, a O Fundo da Zona Euro vai comprar as obrigações gregas no mercado secundário até a taxa de juro (implícita) descer (para os 4.826%/ano?).
Tecnicamente é um incumprimento.
Aparentemente não há qualquer incumprimento porque as pessoas recebem o dinheiro que as obrigações valem hoje mas os Estados estão eticamente proibidos da recompra da dívida para não se sentirem tentados a ameaçar os credores com a bancarrota para assim lhes desvalorizar os activos que depois compram em saldo.
Dai, denominar-se por incumprimento selectivo.

Quais os riscos desta operação?
Sendo que os gregos e os portugueses estão com dívidas colossais porque vivemos como nos países mais ricos do Mundo sem nada produzir, queimando o povinho mais uns carros, elegendo novos gutérres e sócrates,  a coisa descarrila outra vez para o fracasso.
Assim, se não houver ... o quê? Não faço ideia como se pode obrigar povos relaxados a ser sérios.
Ameaçar-nos com quê?
Não sei.
Cheirando a dinheiro, voltam já as greve como no tempo do Cavaco e o Passos vai dar um volta.
Os do PSD tiram-lhe o tapete.
Vamos continuar com défices públicos e correntes colossais.
A Grécia vai voltar a não cumprir com os acordos.

Onde estás meu amor, prometo-te que agora vou fazer dieta.

Porque estou eu sempre a falar de Portugal?
Estas condições vão-se estender a nós. Já começou com a alteração da taxa de juro (perdoaram-nos a penalização dos 1.95pp) e aumentaram o período de amortização.
Daqui a uns dois meses, aplicam-se a nós.
Os 200MM€ que devemos também vão ser passado para o Fundo de Resgate da Zona Euro.

Vou mudar de nome.
O meu nome não é muito apelativo.  Muito grande e com pouca informação.
Tenho que mudar de nome.

O meu nome é Milho, Boa como o Milho.
Ora vejam se não fica melhor:
Cosme da Costa

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