sexta-feira, 8 de julho de 2011

Será que o Euro destruiu a nossa indústria?

Na radio, jornais e TV estão sempre a dizer que, depois do 25 de Abril de 1974 e especialmente depois da entrada na Zona Euro, Portugal destruiu a sua indústria.

Fig.1 - Fábricas Alemãs, Dresden, 1945
E o povo, naturalmente, acredita.
Como a estimada leitora já estava a prever, o discurso da destruição não corresponde em nada à verdade.

Benzam-se: a produção industrial aumentou 65% desde que entramos na CEE
Depois da crise do 25 de Abril, a produção estabilizou no nível de 1973. A entrada na CEE induziu um aumento de 35% e a entrada na Zona Euro um novo aumento de 20%. No total, relativamente à situação "orgulhosamente sós", a produção industrial portuguesa per capita aumentou 65% (ver fig. 2, dados do Banco Mundial, preços constantes).
Fig. 2 -Valor Acrescentado Industrial (Banco Mundial)

Benzam-se: a produção industrial caiu 13% desde que o SMN aumentou
Está certo que nos últimos tempos (2005/2011), a produção industrial tem caído mas tal deve-se à nossa politica suicida 2005/2010 de aumento do Salário Mínimo em 20% sem olhar à produtividade.
Não tem nada a ver. É o patronato, é a Alemanha, são as agências de rating, é a crise internacional, é o diabo, é do povo fornicar sem pensar em ter filhos, é da China, é da Índia, é do Carlos Queiróz.
Mas o certo é que a coisa estava a recuperar e chega-se a 2005, pumba, vai por aí abaixo.
E ainda não havia a tal famosa crise de 2007.
A subida do SMN em 20% aconteceu ao mesmo tempo que a produção industrial caiu 13%.
São coincidências mas as estatística não perdoam.

Fig. 3 -Índice de produção industrial  (INE)

Como dizem na radio, nos jornais e na tv: empresário que não possa pagar 500€/mês mais não sei quantos impostos e taxas, que deixe essa vida. E eles ouvem e pumba, obedecem. Fecha que se faz tarde.
Os grandes gestores são os das empresas estratégicas, essas que são tão boas que dão milhares de milhões de prejuizo por ano. Os tais centros de decisão portugueses: as empresas públicas.
Ainda anteontem li uma muito boa no JN: os  STCP têm as contas praticamente equilibradas. Só recebem 50 milhões de euros por ano do estado. Quanto receberá a Resende? Nada e ainda paga impostos, taxas e portagens.

Mas o peso da industria no PIB tem diminuído.
Sim mas acontece em todos os países.
Vejamos com um exemplo de um produto completamente industrial o porquê.
Um automóvel
     Valor acrescentado industrial 10000€
     Design                                     2000€
     Publicidade e promoção          3000€
     Margem de comercialização    4000€
     IVA e outras taxas                  7000€
     Serviços bancários                  3000€
                                   Total       29000€
 Valor acrescentado industrial no preço final do automóvel 35%.

Fig. 3 - Beleza: máquina (10%), roupa (30%), dinheiro (30%), plástico (30%) 

Com a sofisticação dos produtos industriais, menor será contabilizado como Valor Acrescentado da industria.
Por exemplo, umas calças de ganga Roskof  têm um VA industrial de 3.00€ e um preço de venda de 4.99€(60% de incorporação industrial). Já umas calças Pierre Cardin têm um VA industrial de 15.00€ e o design, marketing e publicidade, gestão da marca, sofisticação da loja, etc. colocam o preço de venda nos 150.00€ (10% de incorporação industrial) - acrescentado em 10Junho.
Se o automóvel que é um produto totalmente industrial tem apenas 35% de VA industrial então, no total da economia, a industria não pode ter um peso acima dos 30%.
Portugal anda nos 23% e deve aumentar, em termos possíveis, para o patamar dos 25%.

Fig. 4 - Peso da Industria no PIB (Banco Mundial)

Antes de entrarmos na CEE estava no patamar dos 30% com tendência a descer. No Cavaquismo estabilizou nos 28%, com tendência a aumentar (por coincidência, o Cavaco desceu o salário mínimo).
Com o Guterres, com a política de aumento do rendimento, vem por ai abaixo. Ainda há uma pequena estabilização nos 25% até que o Salário Mínimo dispara.

Não é com subsídios, emrpesas públicas, estaleiros navais, ou outras loucuras do Governo que Portugal vai aumentar a produção industrial.
É preciso reduzir o salário mínimo. Acabar mesmo com isso. Quem quer trabalhar, que trabalhe.

Fig. 4 - Sempre que o SM varia (preços de 2010), o peso da industria no PIB varia em sentido contrário.

São só coincidências? Enganos? Erros?
Temos que aproveitar essas coincidências.

Não é o caminho que leva o peregrino a Deus mas o caminhar.
Agora o governo começou a pensar no orçamento para 2012.
Isto é mesmo como o Sporting: derrota após derrota, responde sempre que está a preparar a próxima época. E que essa sim, vão lutar pelo campeonato.
E daqui até 2012 como vamos aguentar com taxas de juro a 3anos nos 20%/ano?
Os do Governo vão passar a vestir de luto? Atacar os árbitros? Os ratinguistas?
Essas técnicas têm levado o Sporting ao fracasso.

Fig. 5 - O Governo tem que tomar decisões rápido. De preferência, boas. Muito boas.

Ai meu Deus, meu Deus, que deixaste Portugal no mato sem cachorro.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

hynek disse...

os senhores banqueiros (e não só) estão indignados com imoralidade das empresas de rating. Eu pergunto - por acaso não é exactamente isto que os senhores banqueiros estão a fazer às pessoas e aos empresários? Desde quando as intenções garantem alguma coisa. Imposto sobre subsídio de Natal - estamos no Verão, ainda falta muito até Natal. As coisas ainda podem levar outro rumo.
Ouvi, outro dia, um dirigente do Sporting a falar - "pois, embora o Sporting tenha uma dívida de 233 milhões de € (n€urónios), temos dois bancos que nos sempre apoiam e nunca nos faltará dinheiro para novas contratações" (os bancos são BES e BCP). Conversas destas justificam descida do rating. Parece que nunca falta dinheiro para especulação, mas para apoiar o sistema produtivo não há dinheiro por causa da "futurologia".
Há muita gente em Portugal com know-how, ideias, até dinheiro para investir, para criar empregos. O excesso de burocracias não deixa. O próprio Estado continua ser o principal obstáculo do desenvolvimento económico. Não são os subornos em forma de subsídios que tornam as empresas viáveis e competitivas. É um mercado justo, não distorcido, onde ganha quem faz melhor, com mais qualidade, melhor produtividade (num ambiente saudável onde o sistema funciona, incluído o sistema judicial). Enquanto isso não endireitar, continuará fuga do capital, das pessoas competentes. O sistema actual é "salve-se quem puder".
Uma boa produtividade justifica um bom SMN, mas uma boa produtividade passa pela boa organização de trabalho, apoiada pelo bom sistema político-económico e judicial. Infelizmente este continua num caos. Não vejo as mudanças. Intenções - há muitas.
Vamos ver para crer.

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