quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Alemanha vai abandonar o Euro em 2012

Os PIIGS não vão, vamos, conseguir resolver o seu problema de endividamento.Em teoria, se parassemos hoje de nos endividar, podiamos pagar o que devemos ao exterior. O problema é que todos os dias nos endividamos mais e não conseguimos resolver este problema.
Diz o Povo que para grandes males, grandes remédios e, como vamos continuar a arrantar os pés, com mais buracos na Madeira, no Desporto, na Saude, na Segurança Social, em tudo, com suspensões de TGVs em vez de mudanças de rumo, a Alemanha terá que aplicar um grande remédio: sair da Zona Euro.

Fig. 1 - Pus-me a fazer o que não devia e agora estou toda torcida e com dores de costas.

Eu estou assustado com as minhas previsões.
Quando, em 2010, a EURIBOR começou a bater mínimos históricos, eu previ que o problema da dívida pública ia fazer com que a taxa de juro em Portugal se desligasse da dos nossos parceiros europeus. Previ que os salários e pensões iriam que descer.
E fiz muito mais previsões catastróficas até a saida de Portugal da Zona Euro.
Muita gente, meus colegas incluidos, disseram que eu estava louco.
Estou como o pai daquile assassino norueguês: eu preferia estar louco a ter razão nas minhas previsões.
O grave é que, sem por em causa estar louco, a evidência tem confirmado as minhas piores previsões. 
Fig. 2 - O Sport mais depressa abre falência que torna a ser campião.

Bullshit.
Há teóricos da televisão, esquerdistas e direitistas, que defendem que a Alemanha deve abandonar a Zona Euro. Que, sendo o único país que faz pressão para que a inflação se mantenha nos 2%/ano, como não temos coragem de descer os salários nominais então, eles saindo, os nossos problemas ficam resolvidos.
É quase como os da Madeira pensarem que o Cont’nete saindo de Portugal, eles mais as Berlengas e os Açores passam a poder gastar à força toda. Isto parece ter lógica. É a famosa Lógica da Batata.
Fig.3 - Presidentes da Madeira, Açores e Berlengas recebem o presidente grego.

Num concurso entraram um alemão, um francês e o Bocage. O concurso consistia em meter uma rolha naquele sítio, fazer pressão e ver quem atingia maior distância. O alemão conseguiu 1 m; o francês 1.1 m e veio o Bocage que fez força, força, pumba, e choveu bulshit durante anos.
Ainda hoje, só sai bulshit da cabeça dos portugueses.

A grande guerra que aí vem
Quando, em 1998, entramos na Zona Euro comprometemo-nos que iríamos manter um défice público inferior a 3% do PIB e um endividamento público inferior a 60% do PIB. Acho até que foi o Guterres que assinou isso. Mas não cumpriu nada. Em 2008 ultrapassamos um défice de 10% e em 2010, 9.17% e só estamos a reduzir porque falimos. A dívida já está nos 95% do PIB e não para de crescer.
Mas em Portugal mandamos nós. O que nós queremos agora é que os alemães mandem para cá massa.
Os alemães, naturalmente, não querem dar nada a ninguém porque não são burros e isso só adia o problema. Aconteceu assim no fim de todos os impérios desde o Austro-húngaro ao Soviético. Então, cada vez que falemos aos alemães em ajuda, eles vão responder com comprometimento. Por exemplo, que temos que escrever na Constituição que vamos cumprir.
A mensagem vai ser que os alemães vivem à nossa custa, são umas sanguesugas, são o grande capital imperialista. Que têm que nos dar dinheiro para nós os podermos ajudar mais e ponto final.
Fig. 4 - Parecem grandes mas aqui ninguém mama.

Ai meu Deus o que a Sra. Merkel foi dizer.
Até veio o Cavaco a terreiro dizer que era uma alarvidade.
Portugal é um país com 800 anos de história, descobrimos o mundo, matamos índios, pretos e demais à força toda. Que não precisamos de lições de ninguém, que os alemães já causaram duas guerras mundiais, que são imperialistas, assassinos, que vivem à nossa custa, que são porcos, feios e maus.
A Espanha quer escrever mas já vai tarde.

A Alemanha vai ficar acossada e isolada.
Claro que a Alemanha vai ficar isolada. Todos querem comer à sua custa pelo que, dos PIIGS, haverá 5 votos a favor da Alemanha mandar a massa e os outros vão-se abster porque não lhes aquece nem arrefece. Por este andar, só haverá contra a Alemanha dar a massa a própria Alemanha.
Vai ser uma guerra sem quartel que repete o fim de todos os impérios. Aconteceu isto sempre: os que são pobres alegam que os que são ricos são exploradores.
 Fig. 5 - Pagas as nossas dividas ou a damos cabo de ti.

A Alemanha vai-se fartar e sai.
A Alemanha não vai resistir à pressão e a Merkel fala com o Sarkozy para, em conjunto, criarem a Zona Marco. A França tem muitas dúvidas, muitos medos e receios, alega que se estava a pôr em causa o projecto europeu, blá, blá blá, je ne sai pá bien, come si come ça, blá, blá, …
Pumba, a Alemanha abandona o Euro de forma unilateral. Às 20h de Berlim de uma sexta-feira qualquer, a Sra. Merkel anuncia que a Alemanha abandonou a Zona Euro e voltou ao Marco.
A essa mesma hora dá-se conta o Luxemburgo, a Bélgica, a Holanda, a Áustria e a Finlândia também anunciam o abandono da Zona Euro e a entrada na Zona Marco.
  Fig. 6 - Vou experimentar carregar neste botão.

Ficam os falidos.
Passado um minuto, o Sarkozy vai entrar em directo na TV a dizer cobras e lagartos e que se vai manter na Zona Euro.
Durante o fim-de-semana, vai ser a confusão total. Vai ser um foguetório dos esquerdistas, broquistas, cassetistas dos PIIGS.

Durante a semana.
Saem da Zona Euro a Itália, a Espanha, a Irlanda e França.
Saindo a Alemanha e os outros países cumpridores, os credores vão antecipar uma forte desvalorização do Euro. Na segunda-feira, no mercado secundário, as taxas de juro exigidas à Itália e à Espanha vão saltar para os níveis conhecidos na Grécia e em Portugal, para os 50%/ano, cinquenta. Primeiro, a Itália decide abandonar a Zona Euro e, horas depois, sai a Espanha. A Irlanda também abandona a Zona Euro.
A Zona Euro fica reduzida à França dois falidos e uns pequenotes.
A França está numa situação periclitante (rever, quadro 4) pelo que, apesar da boa vontade do Sarkozy, durante a semana as taxas de juro das obrigações francesas vão explodir. Antes de acabar a semana, a França anuncia o abandono do Euro.

Fica na minha mente apenas uma dúvida
A Alemanha vai ficar com muito mais força na Zona Marco do que tem na Zona Euro pelo que a Sra. Merkel é quem vai decidir quem entra e quem fica de fora. Retirando os 6 membros fundadores da Zona Marco, apenas a França, a Estónia e Malta terão condições para ser aceites na Zona Marco.
A França por ser, nos últimos 60 anos, um aliado muito forte da Alemanha, se pedir a entrada, será aceite. Mas tenho dúvida que a França peça para entrada. Vai preferir ressuscitar o Franco Francês.

As Euro Zone Bonds para os países cumpridores.
A Sra. Merkel anunciou que está aberta a garantir solidariamente a emissão de dívida de países cumpridores do Pacto de Estabilidade. Está, através da televisão, a lançar namoro ao Sarkozy. Quando as taxas de juro da dívida pública francesa disparar, a Alemanha lança este tapete vermelho para a França não poder recusar a entrada na Zona Marco. Provavelmente, o nome da moeda muda para Marcu.

E Portugal?
Vai ter muitos problemas. Vai tentar aguentar-se numa Zona Euro reduzida a nós, Madeira e Grécia.
Não vamos aguentar outra semana.

A Zona Euro acabou
Não podemos ficar à espera da nossa falência e do fim da Zona Euro induzida pela saída da Alemanha. Temos que começar já a preparar a nossa saída do Euro.
Temos que pedir à Sra. Merkel que apoie a nossa saída da Zona Euro antes que seja tarde.

  Fig. 7 - No fim da vida, as coisas ficarão bem. Se ainda não estão bem é porque ainda não chegamos ao fim.

Pedro Cosme Costa Vieira

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