quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Madeira ou a república das bananas

Alberto João Jardim apanhado... sem calças


O Governo Regional da Madeira alterou a lei de concessão de avales cinco dias antes de Portugal pedir ajuda externa. O novo regime jurídico, que entrou em vigor a 1 de Abril, tornou mais fácil a concessão de garantias e possibilitou avales a empresas públicas sem a apresentação de contra-garantias e para outros fins que não os de investimento na região. Sem esta alteração, o empréstimo avalizado de 220 milhões de euros contraído pela Electricidade da Madeira já este ano, que vai causar buraco nas contas públicas, não teria sido possível. Este facto noticiado hoje pelo DE é apenas mais um episódio de um autêntico filme de horror que pode ser resumido a alguns números. Estamos nós perante uma república das bananas? Veja o que é uma república das bananas no Wikipedia.


37,7%
da população empregada na Madeira trabalha para o Estado (35 mil). Extrapolando para o país em função da população (268 mil habitantes na região autónoma), teríamos 1,4 milhões de funcionários públicos e não 750 mil.

8 mil milhões de euros
da dívida pública madeirense corresponderiam a 188% do PIB a nível nacional

568 milhões de euros
é o défice público da Madei37,7%ra apurado. O défice público nacional deste ano vai sofrer um desvio por causa da Madeira, não de 277 milhões de euros como disse a troika a 12 de Agosto, mas sim de 568 milhõe. Inicialmente, pensava-se que seriam 500 milhões, mas no dia 16 de Setembro o INE e Banco de Portugal precisaram melhor o valor. Extrapolado para o país, o défice nacional não seria de 5,9% em 2011 mas sim de 12%.

1681 milhões de euros
é o valor acumulado das dívidas na Madeira ao longo do últimos anos (1113 milhões desde 2004 + 568 milhões ), aos quais ainda se podem acrescentar mais 220 milhões em garantias prestadas (aval) à Empresa de Electricidade da Madeira.

250 milhões de euros
que o Orçamento do Estado português transfere anualmente para Madeira. O buraco deste ano é mais do dobro: 568 milhões de euros.

4, 9 e 16%
são as taxas de IVA na Madeira. No continente, as taxas são de 6, 13 e 23%.

2%
é o acréscimo salarial de um funcionário público nas regiões autónomas (subsídio de insularidade). 2% é também o corte no número de funcionários públicos previsto no memorando da troika.

3576 milhões de euros
Desde 2000, o Estado português transferiu esta quantia para a região, 2796,2 milhões directamente ao governo regional e o restante às autarquias e freguesias.

2101 milhões de euros
chegaram à Madeira desde 2000 provenientes dos fundos comunitários (914 milhões do QREN 2007-2013).

7,7 mil milhões de euros
foram as receitas fiscais cobradas pela região autónoma nos últimos 11 anos e que ficaram na Madeira.

32,8% do PIB
é quanto vale o buraco de 1681 milhões de euros, tendo como referência o PIB madeirense de 2009 (5,1 mil milhões).
--
Pedro Palha Araújo

1 comentários:

Anónimo disse...

Não entendo a admiração de alguns políticos e até mesmo comunicação social, com a verdadeira dimensão da divida madeirense.
Para não recuar muito no tempo, e sem entrar nos relatórios do TC, recordo que foi o proprio Sr.Alberto que, qd confrontado com as novas regras ao financiamento das RA impostas pelo governo de Sócrates, veio para os OCS afirmar que não havia problema pois as obras não iam parar pois já tinha encontrado uma solução para se contibuar a endividar - é só verificar nos arquivos.
Mais recentemente, aquando da vinda da Troika, o mesmo Sr.Alberto fez finca pé para ser recebido pois existiam muitas empresas publicas na madeira (cerca de 70, salvo erro) em risco de insolvência.
Por isso, não sei qual o actual espanto. Penso mm que as manchetes deviam ser feitas com a admiração à ignorancia dos políticos e da comunicação social.
Paulo Moreira

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