sábado, 24 de setembro de 2011

Os problemas da Zona Euro parecem culturais

Contrariamente ao que dizem os americanos, a Zona Euro está globalmente bem.
Em 2010, por cada 100€ que se produziram na Zona Euro, houve um superávite corrente relativamente ao exterior de 0.35€ (fonte: Banco Mundial). Assim, globalmente a Zona Euro está equilibrada o que traduz que o Banco Central Europeu é governado de forma perfeita. Não se lhe pode apontar o mais pequeno reparo.
Por oposição, por cada 100€ que se produziram nos USA houve um défice de 3.23€.

Então, qual é o problema da Zona Euro?
A Zona Euro, padece de uma doença que tem duas faces.
Por um lado, há 9 países que gastam mais do que produzem o que obriga a que os outros 8 países gastem menos do que produzem.
Em todos os países há regiões deficitárias e outras que têm superávite. Normalmente nas regiões mais centrais (por exemplo, a região de Lisboa e Vale do Tejo) produz-se maior quantidade de riqueza havendo um processo de transferência de recursos para as regiões menos produtivas (por exemplo, para Trás-os-Montes). Esses mecanismos são diversos e vão desde as transferências da Segurança Social até às Obras Públicas. Mas o mecanismo de transferência não pode tornar as regiões estruturalmente mais pobres num pesado fardo para as regiões mais ricas.
Em termos de países, o défice das contas externas mede-se pela Balança Corrente.
Nos últimos 10 anos, houve Zona Euro 11 países deficitários (Estónia, Irlanda, Eslovénia, França, Eslovaca, Itália, Espanha, Malta, Chipre, Portugal e Grécia) financiados pelos 6 países superavitários (Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Finlândia, Áustria e Bélgica).
O mais grave é que, dos 11 deficitários, apenas 2 seguiram um processo firme de correcção do défice corrente (Estónia e Irlanda).
Olhando aos últimos 10 anos, Portugal está ainda pior que a Grécia.

     País                        2010       2001/2010
Luxembourg         +7,96           +9,11
Netherlands          +7,18           +5,79
Germany                +5,69           +4,51
Estonia                    +3,61           -8,30
Finland                   +3,13           +5,13
Austria                    +2,81           +2,42
Belgium                  +0,96           +1,83
Ireland                      +0,47           -2,27
Slovenia                  -0,81           -2,07
France                     -1,74           -0,28
Slovak Republic   -3,38          -4,72
Italy                          -3,47          -1,80
Spain                      -4,57           -6,17
 Malta                       -4,72            -5,70
 Cyprus                   -5,28            -6,45
 Portugal                 -9,89           -9,81
 Greece                  -10,61          -9,55
Tabela 1. Balança Corrente dos países da Zona Euro 2010 e média de 2001/2010 
(% do PIB, fonte: Banco Mundial).

Parece uma questão cultural.
Se repararmos na tabela 1, parece haver uma separação geográfica entre os 8 países que têm as contas externas controladas e os 9 que as têm deficitárias (ver fig. 1). É pá, que coincidência terrivel: em 2010, por cada 100€ produzidos na Zona Euro, esses 8 países bárbaros pouparam 2.27€ (dos quais, 1.51€ foi a Alemanha e 0.45€ a Holanda) enquanto que os países Romanos gastaram a mais 1.93€. A Eslovaca é o único país bárbaro da Zona Euro com défice em 2010.
Não pode ser só coincidência.

Distribuição geográfica dos saldos da Balança corrente na Zona Euro (2010, fonte: BM)

Já estão a ver as fronteiras da Zona Marco e como vai ficar a Zona Euro?
Os dados dos últimos 10 anos indicam que, afinal, estas duas culturas são mesmo diferentes e estão-se a mostrar incompatíveis de pertencer à mesma Zona Monetária.
Os Bárbaros, que representam 46% do PIB da Zona Euro, são diferentes dos Romanos e sentem-se cercados.
Os Bárbaros defendem baixas taxas de inflação e equilíbrio nas contas externas. Em termos de teoria económica são "Clássicos". Em termos dos esquerdista, broquistas, cassetistas são Neoliberais.
Os Romanos defendem elevadas taxas de inflação e regabofe. Em termos de teoria económica são Keynesianos.  Em termos dos "Clássicos" são Xulos que querem viver à custa deles.
Por causa destas diferêncas culturais, a Alemanha vai sair da Zona Euro em 2012.

E os da Madeira?
São keynesianos, deveriam dizer os esquerdista, broquistas, cassetistas.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

Epicuro disse...

"Normalmente nas regiões mais centrais (por exemplo, a região de Lisboa e Vale do Tejo) produz-se maior quantidade de riqueza"
Importava-se de fundamentar a sua afirmação. O que é que Lisboa e Vale do Tejo exportam? O que é que essa região produz? Lol Se o problema do país é manter o que essa região gasta como é que essa região produz riqueza? Já viu a região de onde é proveniente o grosso da dívida? Lisboa e Vale do Tejo exportam dívida. O facto de ficarem com os fundos que deveriam ser entregues ao país, e com os impostos do país, faz essa região ter muito dinheiro, mas isso não quer dizer que é uma região onde se produz riqueza.
Confundir uma região com dinheiro com uma região produtora de riqueza é um erro de palmatória.

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