domingo, 4 de setembro de 2011

Regresso dos políticos ao conflito saudável

O extremar de posições incentiva o desenvolvimento, impede a parilisia
e clarifica em vez de mitigar os  problemas

O mais comum é assistirmos a um comportamento passivo dos partidos do governo quando os ministros vão ao Parlamento. No entanto, não foi isso que aconteceu na última ida de Vítor Gaspar ao Parlamento.Deputados do CDS "puxaram as orelhas" ao ministro pelo parco esforço evidenciado no corte da despesa pública, por comparação com o à vontade revelado no aumento da carga fiscal. Mas os sinais do PSD são também de crítica activa, embora construtiva, ao executivo.

Concorde-se ou discorde-se das medidas concretas (ou ausência de outras), a verdade é que os partidos estão de volta, sendo que alguns dos seus membros se estão nas tintas para a solidariedade partidária e defendem o que acham melhor para o país. Foi preciso estarmos perto da bancarrota para que os barões e opinion makers pensassem a sério no país. Um grande bem haja a todos eles!

Ferreira Leite juntou-se a Marques Mendes e Graça Moura. No CDS, Lobo Xavier e Pires de Lima já vieram dar sinais de discordância dentro da coligação. Manuela Ferreira Leite criticou recentemente a política fiscal do Executivo, juntando-se assim a Marques Mendes e Vasco Graça Moura. Do lado do PS, as críticas eram mais do que expectáveis, mas vale a pena reflectir na sugestão interessante, embora fora do tempo e inviável neste momento, de António Barreto de alargar o prazo de 3 para seis anos o prazo da ajuda externa. As medidas seriam menos violentas para todos e, digo eu, os riscos de recessão bem menores.

Acredito sinceramente que há nas sociedades um conflito permanente, que funciona como uma espécie de promotor do desenvolvimento. A política não é excepção. O conflito é não só visível nos partidos do governo como também dentro do próprio executivo. Veja-se o caso da descida da TSU a cargo do empregador: o ministro das Finanças tem muitas dúvidas sobre a sua eficácia e admite uma descida ligeira, enquanto que o ministro da Economia é defensor de um abaixamento radical, na ordem dos 15 pontos percentuais. Nada disto é necessariamente negativo, bem pelo contrário.

Pedro Palha Araújo


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