sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A bancarrota Grega

Não se conhecem as condições do "Acordo de Bancarrota" entre a Grécia e os seus credores.
Apenas se sabe que "os credores perdoaram 50% da dívida".
como o credores são pessoas inteligentes, para os o terem aceite é porque não é muito desvantajoso Enquanto não surgem as condições exacta, vou mostrar como a perda de 50% do valor pode não ser tão má para o credores nem tão boa para o país incumpridor como parece à primeira vista.

Fig.1 - Não podes pagar? Mas tens bons activos: duas caixa vazias ..., ora mostra-te de frente...

Swap de obrigações gregas de curto prazo por obrigações europeia de longo prazo
Existia (e ainda existe) um risco muito elevado de a Grécia não pagar nada do que deve. Então, as obrigações gregas (e portuguesas) estão muito desvalorizadas (ou dizemos que as taxa de juro, yields, estão elevadas).

Por exemplo, quem emprestou à Alemanha (sem risco) 100.00€ a um prazo de 10 anos com uma taxa de juro de 2.0%/ano então, a divida grega correspondente (com risco) só vale 19.00€. Quer dizer que os investidores antecipam uma probabilidade de 81% de a Grécia não pagar a dívida.
A divida portuguesa correspondente já só vale 45€ (a probabilidade de portugal não pagar a sua dívida é calculada como 55%).
Se os bancos quiserem reaver hoje o valor emprestado à grécia, por cada 100€ emprestados o "mercado" apenas lhes consegue dar 19€.

A solução, que não acarreta perda para os credores, é trocar, swap, as obrigações grega (a dívida) por obrigações europeias de longo prazo.
Imaginemos a troca de 100€ de dívida por uma obrigação com valor nominal de 60€ que pague um cupão de 3.9€/ano (juros de 6.5%/ano), com uma maturidade de 30 anos e que seja garantida pela Alemanha. Como a Alemanha tem uma taxa de juro de longo prazo de 3%/ano, esta obrigação vale actualmente 100€. Era exactamente isto que o credores queriam.
Como a nova obrigação tem valor nominal de 50€, para as mesmas condições, o credores perdem 15% do crédito que têm sobre a Grécia.
No fundo, é um negócio vantajoso para os banco porque estão a trocar uma dívida de alto risco de 100€ que só vale 19€ por outra dívida de baixo risco que tem um valor actual de 85€.
O cupão de 6.5%/ano foi o valor acordado no  "Resgate Grego 2"

Fig 2 - Mais vale uma na mão que duas a sonhar.

Porque o "directório" não aceitou os 60%?
O resgate dos países falidos tem um custo elevado para o países bem comportados (traduzido pelo aumento da taxa de juro que têm que pagar pela sua dívida). Por exemplo, a taxa de juro da dívida pública alemã aumentou 10% ( de 2%/ano para 2.2%/ano) depois de anunciado o "Resgate Grego 3". Por isso, o valor de 60% pareceu-lhes muito elevado.
Por outro lado, era preciso impor prejuízo aos privados para os usar como instrumento de política.

É muito mais fácil disciplinar  os agentes económicos que os Estados.
Os países bem comportados da Zona Euro não conseguem impor penalizações aos países que se endividam. viriam logo os esquerdista (e direitistas como vemos na Itália e França) dizer que os alemães querem mandar nos países e dificuldade.
Então, a solução é privatizar a função disciplinadora.
Como me disse o meu amigo Samuel, os bancos de um país emprestavam ao Estado, às empresas públicas, autarquias e regiões administrativas todo o dinheiro que eles pedissem. Mais taxa, menos taxa, nunca faltava dinheiro.
Agora vão ter que pensar duas vezes porque, se a coisa der para o torto, é o dinheiro dos accionistas que vai à vida.
No futuro o "mercado" vai ser um agente disciplinador das finanças públicas sem qualquer carga política.

Será que podemos recomeçar o regabofe?
Ninguém mais vai emprestar Dinheiro à Grécia (nem a Portugal). Para a Grécia ter as contas externas desequilibradas terá que se socorrer os dinheiros da Troika. então tem que seguir à rica o programa de estabilidade.
No dia que a Troika disser "não há mais dinheiro", a Grécia (e Portugal) tem que corrigir imediatamente a Balança Corrente. Nem que para isso o porco tenha que tossir.
A cada momento os gregos (e portuguêses) têm que optar entre corrigir as contas em 3 ou 4 anos como acordado com a Troika ou fazê-lo já hoje.

Não está mal pensado.

Pedro Cosme Costa Vieira

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