sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Alvancagem da banca, o Cavaco e a Troika

Volto a pensar que o Cavaco está com Alzheimer.
O Cavaco disse que a Troika deve relaxar as exigências que está a fazer aos bancos portugueses e que o BCE deve ceder liquidez sem limite aos Estados em apuros.
O Krugman disse o mesmo pelo que ambos estes economistas estão completamente malucos.
Parecem o Dominique quando via um copeira, o Strauss-Kahn, não dizem coisa com coisa.

Outro que está maluquinho, sempre esteve, é o Otelo. Fazer outro 25 de Abril? Então ele não lê os jornais? Não sabe que a estratégia é reduzir os feriados? Só se esse outro 25 de Abril calhar no dia de Páscoa.

Num manicómio
Um maluco diz para o outro
   - Oh Jóny porque é que o Cavaco, o Otelo e o Krugman não estão aqui connosco?
   - São as modernices pá. Estão a fazer o nosso curso pela internet.

O que é a Alvancagem dos bancos
Um banco tem o capital do banqueiro e o dinheiro dos seus depositantes.
O banqueiro pega nesses recursos e empresta a outras pessoas.
Por exemplo, tem 10€ de capital, 100€ de depósitos e empresta 110€.
A relação de transformação, normalmente denominada por alavancagem dos depósitos, será 110€/100€ que é 110%.
Uma relação de alavancagem maior que 100% não quer dizer que o "banco cria crédito". Diz apenas que o crédito não resulta apenas dos depósitos. Mas o total de créditos é sempre menor (ou igual) ao total de recursos.
Por exemplo, um banco em que os depósitos sejam pagos a 2%/ano e o banco empreste a 3.5%/ano (retirando os custos administrativos e os incobráveis), o banqueiro terá uma rentabilidade de 18.5%/ano.


Fig. 1 - Será que metia ali a alavanca? Ali à beira da bota ou no volante como nos citroens?

Tenho que fazer aqui um pequeno esclarecimento (2 de março 2012)

A alavancagem tem a ver com os capitais próprios, CP, e os capitais alheios, A.
Em termos anglosaxónicos denomina-se por Debt to Equity Ratio, DER.
    DER = (CP+CA)/CP
De forma inversa temos a Autonomia Financeira, AF: 
    AF = CP / (CP + CA)
Por exemplo, uma empresa que tem activos de 1 milhão de euros que financia com 250 mil euros de capitais próprios (dos sócios) e 750 mil euros de capitais alheios (empréstimos dos bancos, de fornecedores e de clientes) terá uma relação de alavancagem de 4 para 1 e uma autonomia financeira de 25%.
No caso bancário, a autonomia financeira condensa-se no Core Tier 1 que tem que ser 9%. Então, nessa altura os bancos terão uma relação de alavancagem de 11.1 para 1.

O Rácio de Tranformação dos Depósitos é vulgarmente denominado nos media por relação de alavancagem mas, de facto, é algo diferente. Traduz o racio entre o total de depósitos, D, e o total de crédito concedido, C.
    RTD = C/D

Uma relação de alavancagem de 160%
Captar depósitos tem custos. É preciso ter balcões, funcionárias simpáticas e gastar dinheiro em campanhas publicitárias. Então, pensaram os génios da finança, o mais rentável é pedirmos dinheiro a outros bancos europeus, o mercado interbancário, à taxa EURIBOR que não tem limite.
Se o banqueiro emprestar à taxa EURIBOR + Spread, tem um negócio, aparentemente, da China.
Em média, os bancos portugueses trabalhavam com uma relação de alavancagem de 160%
   10€ + 100€ +  50€ no interbancário  = 160€ de crédito
Sendo as mesmas condições de mercado, para uma EURIBOR de 2%, o volume de negócios aumenta pelo que a rentabilidade do capital aumenta para 26%/ano.
Há bancos em Portugal que tinham (têm) uma relação de alavancagem maior que 350%
Capital 10€, depósitos 40€, inter-bancário 100€. Total de créditos, 150€. Alavancagem = 375%.

Mas aumentou o risco do negócio
Dizia a minha tia minha:
 - Uns 20 metros antes do local onde tens que parar o carro, dás um gás no travão a ver se está a funcionar.
 -Se a coisa falhar, ainda tens uns metros para pensar uma solução, buzinares, meteres pisca e dares um desvio.
Morreu velhinha, diz o povo que com 102 anos.
Os banqueiros não pensaram nisso e, de repente, ficaram sem capacidade para se financiarem no mercado interbancário.

Fig. 2 - Meu menino, não abras a janela do carro porque a corrente de ar mata e, volta e meia, dá um gásinho no travão a ver se ainda o tens.


Quem está a financiar os bancos portugueses
O BCE. Está a emprestar 50 mil milhões de euros aos bancos portugueses porque eles não se conseguem financiar no mercado interbancário.
Como o BCE não foi feito para emprestar dinheiro aos bancos falidos, é preciso resolver este problema.
O BCE tem que reduzir a exposição ao risco de Portugal porque senão funciona como  um resgate incondicional de um país falido.
Por isso, o Cavaco pensa que a Troika está a ser mázinha para os bancos portugueses quando, de facto,o BCE está enterrado até ao pescoço e não pode emprestar mais.

A nacionalização da banca portuguesa
O total dos bancos portugueses está com uma capitalização bolsista miserável.
Por exemplo, o BCP tem 6500 milhões de acções cotadas a 0.10€.
O Estado precisa meter no BCP 1750 milhões de €.
A primeira questão que se põe é se o Estado vai comprar as acções a 1€ ou à cotação do dia.
Se for a 1€, fica com 21.2% do BCP e será um bom negócio para os accionista do BCP. Em princípio, a cotação subirá para uns 0.25€.
Se for a 0.10€, fica com 72.9% do BCP e será um péssimo negócio para os accionista do BCP.
Algures no meio ficará uma cotação que será neutra para os accionistas.
Trata-se de uma nacionalização injusta porque a degradação do capital dos bancos deriva, principalmente, de haver o risco de o Estado Português não pagar o que deve à banca.

O Estado deve muito dinheiro à banca
100 mil milhões de € em divida pública e das empresas públicas e diz "vocês estão falidos porque eu não posso pagar. Por causa disso, obrigo-vos a aumentar o capital. Como vocês não têm capital, eu compro-vos o banco com dinheiro emprestado.

Mas é um negócio ruinoso para o Estado
Os bancos têm 100 mil milhões de € em divida pública e das empresas públicas, mais 100 mil milhões de € em crédito à habitação com taxas de juro muito baixas e prazos muito longos. Uma taxa média na ordem dos 3.5%/ano.
Os bancos não se conseguem financiar a menos de 10%/ano. Temos aqui um prejuízo de 6500 milhões de € por ano. E não estou a contar com os incumprimentos.
Em 2012, os 12 mil milhões de € do Estado vão-se reduzir a 6 mil milhões. Isto é 3.5% do PIB.
Este valor vai ser um buraco do Orçamento de Estado para 2012.
E outro buraco igual para 2013.
E não tem mais conserto.

E como está o BPN?
Aquilo não deu em nada. A minha ideia de que era melhor liquidar o banco estava correcta. Aquele monstro vai continuar morto mas a comer à mesa do orçamento.
E os Estaleiros Navais de Viana do Castelo?
Tanta coisa que era preciso fazer e que não fazem.
Se calhar, por o governo não fazer nada é que a taxa de juro não desce dos 12%/ano.

Já imaginou se tivesse que pagar a prestação da sua casa a 12%/ano?
Se deve 100mil€, amortiza em 30 anos, teria que pagar 982€/mês.
Para os bancos não irem à falência as prestações têm que subir para estes valores.

Fig. 1 - Tenho que poupar na roupa porque estou a pagar 12%/ano da casa dos meus pais.
Ai que, mesmo desnuda e toda rotinha, se vê que és muito boa, filha.

O BCE não pode comprar dívida pública para resgatar a Itália.
Já tenho o post meio escrito para explicar isto mas ainda falta um pouco. Ver aqui.

Pedro Cosme Costa Vieira

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