quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Eu sou contra a greve

A teoria económica diz que o Monopólio é mau para a sociedade.
O monopolista não se preocupa em produzir de forma eficiente, não melhora a qualidade dos produtos e cobra um preço muito elevado.
Normalmente, se existir liberdade de entrada no mercado o monopólio acaba.

As leis contra a anti-concorrência.

Se os vendedores (ou compradores) se combinarem, concertando o preço ou as áreas de influência, funcionam em conjunto como se fossem um monopólio.
Como isso é mau, todos os países têm leis que tentam proibir o surgimento de monopólios (carteis).
Esta é uma das lutas dos esquerdistas: combater a concertação de preços.

O mercado de trabalho é concorrencial.
No mercado de trabalho temos, de um lado, milhares de empregadores e, do outro lado, milhões de trabalhadores. Mesmo que nos concentremos nos concelhos, existem sempre vários empregadores e vários trabalhadores.
Imaginemos um trabalhador que ganha um salário de mercado de 1000€/mês. Se o trabalhador exigir ganhar mais fica sem o emprego porque existem outros que fazem o mesmo trabalho por esse salário. 
Se o patrão exigir pagar menos fica sem o empregado porque existem outros empregadores que contratam o trabalhador pelos 1000€.

Fig. 1 - A arma das mulher sérias perde-se no meio da concorrência desleal.

Os sindicatos e a greve são contra a concorrência.
Se os trabalhadores se combinarem todos passam a funcionar como um monopólio.
Isso faz com que o salário médio aumente, o horário de trabalho diminua mas também faz aumentar o desemprego e diminuir a produção.
Por outro lado, aumenta a probabilidade de as empresas irem à falência.
A generalidade dos trabalhadores já sabe isto pelo que a percentagem de sindicalizados e as greves, nas empresas privadas, tem pouca expressão.

As empresas públicas
As empresas públicas existem para fornecer "serviços imprescindíveis para a população".
Justifica-se a sua existência e darem prejuízos milionários é os privados não serem capazes de produzir os bens imprescindíveis para a população.
Então, quando fazem greve, há um prejuízo irreparável para a população.
Se os bens que produzem são imprescindívies, não deveria poder haver greve nas empresas públicas.
O direito constitucional à greve colide com o direito constitucional das outras pessoas aos "bens imprescindíveis".

Os funcionários públicos têm o país como refém
Portugal vive num regime parecido com Angola só que os militares do MPLA foram substituídos por funcionários públicos e funcionários de empresas públicas.
Como produzem "bens imprescindíveis", greve após greve, nos fomos apropriando da riqueza do país.
Ainda hoje recebi um e-mail de uma funcionária pública aposentada que dizia "receber apenas 1730€/mês".
Qual é o reformado do privado que tem uma reforma destas?

O gráfico da inflação
Um comentarista pediu um gráfico da evolução da inflação.
Na Zona Euro a inflação tem sido de 2%/ano . Em Portugal a inflação, no período 1999:1/2011:10, foi de 1.86%/ano.
Apesar de no período 2000:6 - 2003:6 ter estado próximo dos 4%/ano, depois aproximou-se dos 2%/ano.

Fig. 2 - Evolução da taxa de inflação em Portugal, 1996:1-2011:10 (fonte: INE)

Pedro Cosme Costa Vieira

6 comentários:

jama disse...

Se amanhã todos comparecessem ao trabalho, se até mesmo os trabalhadores menos assíduos fizessem um esforço e fossem trabalhar, eu começaria a acreditar que seria possível mudar as coisas. Tenho a certeza de que, perante uma tal manifestação, os governantes olhariam o Povo de outra forma, e o seu respeito por ele seria outro. Todavia, as pessoas continuam a não ver que estão a servir quem não as serve, e os governantes vão limitar-se a olhar para a greve como mais uma (a que outras se seguirão).

Anónimo disse...

Todos os dias ouvimos falar de corrupção de políticos, de injustiças, de incumprimentos, de anarquia governamental, mas isso não têm problema nenhum. Agora quando surge um dia em que as pessoas tem oportunidade de mostrar que estão descontentes e revoltadas com a política e os maus políticos em Portugal, logo surge alguém apressado a dizer que é contra a greve. Diga-me já agora, se é só isso que é contra!

Económico-Financeiro disse...

Estimado Leitor,

Eu sou contra muita coisa.
Sou contra a guerra, a fome das criançinhas, o mau tempo, os dias de verão chuvosos, as mulheres feias e gordas, o Cavaco, o Guterres ... Até sou contra quem é sistematicamente do contra.

Mas Portugal está refém das empresas públicas. Não basta darem um prejuizo terrivel como, volta e meia, param.

Sou contra.

Se é para parar que parem para sempre não é parar quando precisamos delas e, quando não precisamos, temos que pagar o prejuizo.

É a minha opinião.

pc

Sérgio Pedro disse...

Mas Pedro, no caso das empresas de transportes estas foram criadas para funcionar a prejuizo! quero dizer são obrigadas a fornecer serviços a um preço que é manifestamente inferior ao seu custo de produção ! Basta comparar o valor de um passe que seja apenas para um operador privado para um social, exemplo disso o passe metro\carris que é mais barato que o da rodoviaria equivalente (Rl123). Já para não falar que não se pode comparar a estructura da rodoviaria com a carris sequer quanto mais metro e carris combinado. Parece me obvio que se o estado não pagar efectivamente a diferença estas empresas tem de dar prejuizo... Sou de acordo com o Pedro de ser contra greves mas por outra razão, como ainda sou um pouco ingenuo gostava mais de que elas já não fossem necessárias e já tivessem sido substituidas por conversações sérias entre pessoas intruidas e sérias tambem de forma a encontrar compromissos satisfatórios para ambas as partes... Mas esse não é o nosso pais sniff

Anónimo disse...

E um texto sobre o chile de 1973 a 1990 e o reino unido de 1979 a 1990. Com uns dados estatísticos era uma boa ideia

Anónimo disse...

não existe verdade na afirmação: "O mercado de trabalho é concorrencial.".
o problema é que a maior parte das pessoas não tem outra hipotese de sobreviver a não ser trabalhar. logo o trabalho não tem concorrencia.
se eu achar que o preço das batatas está alto eu posso comprar massa, se eu achar que o preço da massa está alto eu posso comprar arroz e por aí fora. se eu achar que o preço do trabalho está baixo eu não tenho outra opção a não ser continuar a trabalhar.
há muitas ilusões que nos são embutidas a partir do momento que nascemos e só é nosso dever quebrar essas ilusões utilizando ferramentas muito importantes como a crítica, a lógica e a dialética.
sendo que não temos alternativa ao trabalho porque não nascemos ricos a nossa única arma é a greve que é exatamente cortar a oferta de mão de obra para que o preço do trabalho possa desta forma subir valorizando assim o nosso trabalho.
logo quem trabalha e é contra a greve está só a remar no sentido contrário, ou seja está a lutar por salários mais baixos e empregos mais precários.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code