segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Será possível criar um Euro 2 para os PIIGS?

Um leitor que vive na Alemanha colocou esta questão que se discute muito por lá.
A minha resposta é NÃO por questões políticas, geográficas e económicas.

As questões políticas.
Ao longo dos ultimos 1500 anos, a  Europa tem sido terreiro de luta entre 6 super-potências
     A Rússia
     A Alemanha
     A França
     O Reino Unido
     Os Otomanos
     Os Árabes

Na União Europeia degladíam-se três dessas superpotências que deveriam dar origem a 3 zonas Monetárias.

Fig. 1 - Zonas de influência cultural das super-potências europeias

O Reino Unido sempre lutou (e luta) para que não se criasse a Zona Euro.
Os Alemães não queriam mas sentiram-se obrigados pelo que é conhecido como "Vergonha pela II Guerra Mundial".
Os Franceses usaram a fragilidade moral alemã para criar a Zona Euro na qual eles se querem assumir como lideres.

Vamos pensar no Euro 1.
É um Zona Monetária completamente viável.
Em 2012 a Alemanhã vai abandonar a Zona Euro e criar a Zona Euro 1 na qual vai ter total poder de condução da politica monetária.
Nessa altura a Áustria, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Estonia e Finlandia vão pedir para aderir.
E vão ser aceites.
As condições de pertenca à Zona Euro 1 serão mais restritivas que as actuais condições. Os países vão ter que fazer um plano para ter, num prazo de 10 anos,
      1. Dívida Pública menor que 40% do PIB
      2. Endividamento externo menor que 40% do PIB
      3. Défice Público Zero
      4. Contas externas (Balança Corrente) Equilibradas.
Eventualmente, outros paíse podem vir a aderir ao Euro 1
    Letónia, Lituania, R. Checa, R.Eslovaca, Suécia, Dinamarca e Polónia. Mais remotamente poderão entrar a Roménia e a Hungria.

A inviabilidade política do Euro 2
A Françã é contra a existência do Euro 2 porque, por um lado, não quer pertencer ao Euro 2 pois seria uma demonstração de fraqueza.
Por outro lado, não quer ficar no Euro 1 com a Alemanha a marcar as condições de acesso e de condução do BCE1.
Como a França precisa dos PIIGS na Zona Euro para ter contra-peso político para afrontar a Alemanha, vai semrpe torpediar a criação do Euro 2.

A inviabilidade económica do Euro 2.
A França defende muito os PIIGS porque são a sua zona de influência mas não vai querer ficar numa Zona Monetária com eles e sem a Alemanha.
Se ficasse no Euro 2 teria que fazer o papel actual da Alemanha e resgatar a Grécia, Portugal, Itália e a Espanha.
Diz logo o Sarkozy: NEM PENSAR NISSO.

Porque não avançam já com as Euro  2 Bonds?
Prova de que estamos todos a querer mamar na Alemanha é que a França não avança com, juntamente com os PIIGS, a emissão obrigações solidárias.
As tão faladas Euro Bonds não precisam da assinatura da Alemanhã. Os PIIGS mais a França podem emitir obrigações solidárias e, caso um país não as pague, os outros países pagam-nas.
Diz logo o Sarkozy: NEM PENSAR NISSO.
O que a França quer é, caso algum país falhe, que a Alemanha pague.
  
Fig. 2 - As francesas são muito bonitas mas é sabido que não têm onde mamar.

A França não quer ficar no Euro 2 com os PIIGS.
E depois, a Espanha também não quer ficar associado aos caloteiros,
E a Italia vem logo dizer que "nós não somos como os gregos",

As questões geográficas
Depois fica Portugal com os Gregos.
Aquilo é tão longe. Nem temos o mesmo papa.
Escolhe outro, amigo.
NÃO QUEREMOS

Concluindo.
No final de 2012 haverá o Euro 1 com a Alemanha como decisor com um número restrito de países.
Depois, cada um dos outros países da actual Zona Euro, incluinda a França, terá a sua própria moeda.

Será que o Fim do Euro vai ser o fim da UE?
Vai dar problemas porque a saida da Zona Euro do PIIGS vai ser em bancarrota.
E a França vai ter que pagar taxas de juro altíssimas. E pode entrar em Bancarrota.
Os PIIGS mais a França vão-se lançar num discurso  muito violento contra a Alemanha.
O actual discurso da "falta de legitimidade democrática" que começa a ganhar volume nos comunas e nos faxistas (o Freitas do Amaral e outros) é o princípio dessa guerra de palavras.
Por isso, a UE vai ter um retrocesso muito grande.
A Alemanha vai-se virar a Leste (à Russia e China) e nós vamos ficar encostados uns aos outros.

Pedro Cosme Costa Vieira

6 comentários:

iurikorolev disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
iurikorolev disse...

Mas gostei de sua análise.
Infelizmente o euro não deu certo, pelo menos é o que aparenta...
Mas inegavelmente a União Européia é melhor experiência de um bloco até hoje no mundo.
Isso não se perderá.
Fica com Deus.

iurikorolev disse...

As potências do futuro, como deve saber, serão os EUA e os BRIC.
Jim oNeil do GoldSachs é categórico : O Brasil será GRANDE potência (não será média) sem dúvida alguma (embora muitos não queiram). Isso ninguém tira dele ! Suprirá o mundo com alimentos e biocombustíveis.
Mas não só : desenvolver-se-á tecnologicamente em vários setores e eliminará a pobreza em 20 ou 30 anos.
Neste caminho, as taxas de investimento vs consumo adequar-se-ão.
O Brasil achou seu caminho. Em plena crise mundial a agencia Stnd&Poors elevou em novembro a nota do Brasil para BBB+.
Segundo O'Neill não importa que as taxas de crescimento sejam baixas : se controlar a inflação o Brasil chegará lá.
Quer vocês queiram quer não !

mgomes disse...

A previsão de bancarrota para os PIIGS parece contrariar a sua tese de que se pode reerguer Portugal.Também o seu interlocutor iurikorolev contesta que o Brasil esteja a caminho da bancarrota,muito pelo contrário.E eu também acho que o Cavaco não tem Alzheimer,só conclui de forma diferente.Pior está o Soares, que prevê a revolução.Ou terá razão? Quanto às francesas,meu caro,há de tudo.Lembre-se que a BB tinha uma boas mamas...

Francisco disse...

Caro iurikorolev, obviamente que qualquer português se alegra em saber que o Brasil está no bom caminho. Contudo o império atlântico vai-se recompor. A mafia lusófona nunca estevetãoactiva e bem integrada...

McMan disse...

Excelente análise professor! Por coincidência, encontrei este texto no livro "Os Próximos 100 anos", de Geroge Friedman: "(durante 500 anos) Existiam muitas razões para a incapacidade dos europeus em unir-se, porém, no final, tudo se limitava a uma simples característica geográfica: o canal da Mancha. Primeiro, os espanhóis, depois os franceses e, por fim, os alemães conseguiram dominar o continente europeu, mas nenhum deles conseguiu atravessar o canal. Uma vez que ninguém conseguia derrotar a Grã-Bretanha, conquistador após conquistador, ninguém foi capaz de manter a Europa unida. Os períodos de paz eram apenas tréguas temporárias. A Europa já estava exausta quando começou a Primeira Guerra Mundial, na qual morreram mais de dez milhões de homens - grande parte de uma geração. A economia europeia ficou destruída e a confiança europeia destroçada. A Europa emergiu como uma sombra demográfica, económica e cultural do que fora outrora. E, a seguir, as coisas pioraram ainda mais." Será que a Alemanha (...e porque não também a França?) querem repetir a História? É que a Sr.ª Merkel veio há uns tempos propor a perda de soberania aos países que falharem os critérios de estabilidade e ontem veio com a conversa de que o Euro só se salva se Berlin mandar nas contas dos outros Estados... não sei não, mas se a Europa cair, a zona de influência da Rússia irá aumentar...

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