segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Afinal qual é a causa das crises económicas?

Um comentarista pediu-me que respondesse a esta questão porque estava confundido com a teoria dos comunas do PSTU do Brasil (ver aqui).
Como já referi repetidamente, o problema das teorias falsas é estarem escondidas no meio de teorias verdadeiras o que lhes dá alguma lógica.
É como o carteirista que se confunde no meio da multidão. Bate-nos a carteira e nós, mesmo olhando imediatamente, já não distinguimos o carteirista das outras pessoas.

Chega de conversa. Qual é a causa da crise?
Houve um erro na análise de risco que levou ao degradar dos activos dos bancos. Os bancos faliram o que levou ao empobrecimento das pessoas equivalente a um desastre natural e isso obriga a uma reestruturação da economia que gera muito desemprego por o salário real não reduzir.
Não faz voltar o que se perdeu mas, se o salário reduzisse, tudo se resolveria de forma mais rápida.
Os comunas não acreditam nisto porque acreditam num conjunto grande de mentiras.

Fig.1 - Sr. Professor, deixe-se de conversa e passe para cá os 500€ para irmos à acção.

Vamos aos pormenores.
O valor das coisas está nas mercadorias (bens e serviços). Verdade.
Eu já expliquei que o dinheiro é a apenas um instrumento que facilita as trocas e que permite guardar valor entre as transacções.

Toda a mercadoria é fruto do trabalho humano. Mentira.
Quando ouvimos alguém falar do funcionamento da economia, onde se incluem os PSTU, a economia parece um circuito fechado.
     1. Os patrões pagam o salário aos trabalhadores, 100€;
     2. Os trabalhadores compram bens e serviços nas lojas, 100€;
     3. Os lojistas pagam aos seus fornecedores que são os patrões, 100€;
     4. Os patrões pagam os salários do mês seguinte fechando-se o circuito económico, 100€.
Este pensamento está errado porque a economia é um circuito aberto.

Fig. 2 - A Economia é um circuito  aberto.

A economia é um fluxo aberto que começa nos recursos naturais (terreno, sol, calor, chuva, mar, petróleo, minérios, paisagens, ar puro, etc.), que são "complexados" com o trabalho (não utilizado no sector de recolha de recursos naturais) e termina na lixeira.
Na Economia Recolectora, não há trabalho excedentário pelo que apenas estão disponíveis os recursos naturais em bruto.
Todos os bens e serviços que consumimos são recursos naturais (transformados pelo trabalho excedentário).

O valor das coisas vem do trabalho. Mentira.
Exemplo 1 - Bens diferentes com a mesma quantidade de trabalho.
Eu vou pintar um quadro. Demoro exactamente o mesmo tempo a pintá-lo que o Picasso demorou a pintar os dele, 10 horas. Pela Teoria do Valor Trabalho adoptado pelos comunas (vem do Marx), os nossos quadros valem exactamente o mesmo.

Exemplo 2 - Bens iguais com diferentes quantidade de trabalho.
Uma pessoa no Porto pede um copo de água no café.
A) O empregado vai à sua torneira e enche o copo. Como nesta operação aplica 15 segundos do seu trabalho que vale 6€/h, o valor do copo de água é de 0.025€.
B) O empregado vai a uma torneira de Lisboa encher  o copo. Como nesta operação usa 6 horas de trabalho então, o valor do copo de água será de 36.00€.
Os dois copos de água são iguais mas têm valor diferente.

Não tem lógica nenhuma dizer que o meu quadro vale tanto como o do Picasso nem dizer que a água trazida de um torneira de Lisboa vale mais que a da torneira do Porto

Fig. 3 - Damos mais valor às mulheres bonitas porque dão mais trabalho a fazer!

O valor das coisas vem da utilidade que retiramos delas.

O trabalho apenas transforma os recursos naturais.
Em termos totais, os recursos naturais contam com 99.999...% e o trabalho 0.000...1% do valor dos bens e serviços que consumimos.
Já pensou qual é o valor da água que bebe? Poderia viver sem beber?
Qual o valor do ar que respira? Poderia viver sem respirar?
Os recursos naturais têm valor infinito porque não poderíamos viver sem eles.
O Trabalho apenas dá uma forma diferente aos recursos naturais. Por exemplo, o Trabalho transforma terreno em trigo, depois, trigo em pão e, finalmente, o pão numa torrada. Mas sem o terreno, por mais trabalho que se usasse, nunca se poderia produzir a torrada.

No entanto, o PIB é avaliado a preços de mercado.
O PIB não mede o valor das coisas mas o preço que pagamos por elas.
O preço do ar sendo zero (quase), o seu valor não é contabilizado no PIB.
Em termos mundiais e a preços de mercado, o valor dos recursos naturais é contabilizado com um peso inferior a 5% do PIB e o valor do trabalho é contabilizado com os restantes 95%.
O circuito económico é um multiplicador do valor dos recursos naturais. Mas essa multiplicação, em termos de valor, é muito pequena. Nós podemos usar um perfume para aromatizar o ar mas o ar é que tem a maior parte do valor.
Em termos de preços, a multiplicação é muito grande, em média, mais de 20 vezes: 1€ de recursos naturais é transformado em 20€ de bens e serviços.
Já imaginaram como diminuiria o nosso nível de vida se deixasse de haver petróleo, carvão e gás natural e que pesam menos de 2% no PIB mundial?
Morreria à fome 90% da população que voltava ao nível de 1700 ( 700 milhões, fonte: wikipedia).

O patrão quer o lucro máximo possível. Verdade.
E o trabalhador quer esforçar-se o mínimo possível.
Por isso é que o empregado não vai buscar o copo de água à torneira de Lisboa e usa a torneira do seu café.
É esta procura da eficiência que faz com que vivamos cada vez melhor. Se as pessoas não procurassem no seu dia-a-dia esforçarem-se o mínimo possível para obter o mesmo resultado, ainda hoje viveríamos nas cavernas.
Queremos obter o máximo salário possível com o nosso trabalho e o patrão quer obter o máximo lucro possível com o seu esforço e capital.
Isso não faz dos trabalhadores uns calaceiros nem dos patrões uns assassinos.
Uns não podem viver sem os outros.

O patrão tem apenas capital. Mentira.
Todas as empresas que passaram para autogestão dos trabalhadores acabaram por falir.
Falta qualquer coisa.
É como pensar que o valor do Picasso está nas tintas ou nas telas. Não, está no seu génio.
O patrão tem, principalmente, ideias novas.
Ainda bem que há pessoas assim, com ideias diferentes, com criatividade.
Eu estimo que 99.9% das descobertas são realizadas por apenas 0.1% das pessoas.
Olhemos para o Steve Jobs. O seu génio foi compensado com lucro mas quanto valor criou para a Humanidade? Criou mais de 1000€ por cada 1€ de lucro que teve.
Porque é que a URSS falhou? Também porque os comunas são invejosos e não quiseram pagar o 1€ aos "Steve Jobs" que lá tinham pois todos tinham que ganhar o mesmo. E eles dedicaram-se a tarefas menores, sem importância.

O investimento e o progresso técnico destroem o emprego. Mentira.
Parece intuitivo que, se um empresário comprar uma máquina que produz mais, írá desempregar pessoas.
Isto é mentira porque essa máquina não afecta a quantidade de recursos naturais que existe.
Realmente, desprezando da análise económica os Recursos Naturais, a conclusão parece evidente, mas se recordarmos que o valor vem dos recursos naturais que não sofrem degradação com o aparecimento da máquina, vemos que, apesar de a maior produção de uma empresa poder levar aí a perda de empregos, em termos globais, a economia vai-se tornar mais complexa e os bens e serviços vão-se tornar mais sofisticados e com mais valor em termos de preços de mercado.

Em 1700 grande parte da população trabalhava na agricultura.
Com o progresso tecnológico, por cada 100 empregos que existia na agricultura, 95 deles perderam-se.
Será que hoje há mais desemprego que havia em 1700?
Não deveria haver hoje 95% de desemprego?

Será que hoje os trabalhadores vivem pior que viviam em 1700?
Quando o arado libertou os trabalhadores agrícolas, desenvolveu-se a industria manufactureira que absorveu os trabalhadores com ganho de bem-estar para todos.
Quando a máquina libertou as pessoas da manufactura, apareceu a indústria dos serviços e do lazer, mais uma vez com ganho de bem-estar.
É esse o caminho do progresso.
Hoje há tantos empregos como havia em 1700 anos apesar de apenas 3% deles serem na agricultura.

A rentabilidade do capital diminui com mais investimento. Mentira.
O Marx disse isso mas já então se sabia que não era verdade e, decorridos mais de 150 anos, sabe-se com mais certeza que não tem qualquer adequação à verdade.
Alguém é capaz de afirmar que a rentabilidade (a taxa de juro) do capital em 1700 era superior ao que é agora?
Não.
A razão é haver um constante progresso tecnológico que deprecia o capital (10%/ano) pelo que, mesmo investindo-se continuamente, a quantidade de capital que existe no Mundo não aumenta significativamente.
A maioria dos países tem uma quantidade de capital entre 100% do PIB e 300% do PIB.
Acresce ainda que o capital é avaliado aos preços de mercado e não ao seu valor intrínseco.

Por exemplo. Quando valem os socalcos do Douro Vinhateiro?
Se formos à contabilidade das empresas de vinho, no seu balanço valem zero.
Estão lá e têm muito valor mas, em termos de preços de mercado, já foram amortizados pelo que, na decisão de fazer novos socalcos, ninguém quer saber da rentabilidade média de cada socalco porque os antigos são contabilizados a zero.

As crises é um mal do capitalismo. Mentira.
Esta perguntei pessoalmente ao Louçã numa conferência.
- Sendo o Louçã um homem de esquerda e especialista em ciclos económicos (eu também era), pode afirmar que na Economia Planificada - na União Soviética, na China ou em Cuba - não há crises económicas?
- Infelizmente não posso dizer isso. Também lá há crises.

Qual a causa da crise económica? 
Na sociedade agrícola
Deriva das variações na quantidade dos recursos naturais. Se um ano chove metade do normal, a produção agrícola diminui significativamente e é um ano de crise. É um ano de vacas magras.
Mais pessoas têm que vir trabalhar para a agricultura (para não morrerem de fome) e a crise expande-se ao resto da economia.

Nas economia diversificadas as crises têm a ver principalmente com  o Futuro.
Apesar de a diminuição dos recursos naturais continuar a ser um factor de crise (a guerra da Líbia, o embargo ao Irão, o acidente de Fukoshima, etc.) nas economias diversificadas as expectativas sobre o futuro têm mais importância.
Apesar de vivermos apenas no dia de hoje, o nosso comportamento está dependente do que pensamos ir acontecer amanhã. Trabalhamos hoje porque pensamos que amanhã ainda estamos vivos. Se antecipássemos que estávamos morto, hoje não trabalhávamos.

Voltemos ao Cantineiro.
Os clientes do Cantineiro, pensando que vão viver até velhinhos, foram criando um saldo positivo no livro. Como o saldo do livro foi crescendo, chegou uma altura em que o Cantineiro não podia guardar toda a mercadoria no armazém pelo que criou uma conta no Entreposto.
Actualmente os clientes têm saldo no livro do Entreposto de 5 000000$00.

A riqueza afecta as decisões dos agentes económicos.
1. Quando se é mais pobre quer-se trabalhar mais horas.
Quando a minha mãe era pequena, em 1940, uma pessoa trabalhava 3300h/ano (11h/dia, 6 dias/s, 12m/ano). Actualmente trabalhamos metade (7.5h/d, 5d/s, 11m/ano) porque somos mais ricos.
2. Quando se é mais pobre, quer-se consumir menos e poupar mais.
3. Quando se é mais pobre, o tipo de bens que se consomem são diferentes (consomem-se menos bens de luxo).

O Entreposto não consegue armazenar 5 000000$00 de mercadoria.
O Entreposto tem que emprestar a alguém o saldo para, daqui a uns anos, recuperar esses activos e poder fornecer os bens aos clientes do Cantineiro.
O Entreposto decidiu emprestar aos da Cidade o saldo do Cantineiro com o objectivo de os jovens da Cidade poderem construir uma casinha e, mais tarde, devolverem os activos emprestado.
O Entreposto especulou que os da cidade iriam ter no futuro rendimentos suficientes para amortizar os créditos. Mesmo que isso não acontecesse, como a Cidade estava a crescer, o Entreposto antecipou que, vendendo as casas saldava a dívida dos que ficassem insolventes.
Os jovens da cidade passaram a ter acesso às mercadorias no Entreposto (cimento, tijolos, etc.) sem pagar e o Entreposto passou a contabilizar esses movimentos como "crédito concedido".

A semente da crise - o Entreposto falhou a sua análise de risco.
A taxa de juro é zero mas, como já expliquei, o Entreposto teria que cobrar uma taxa de juro para cobrir o risco de o devedor não pagar a sua dívida.
Se o risco de não pagar era de 5%, então cada devedor tinha que pagar 5% de juro que ficavam em reserva para a eventualidade de haver falhas nos pagamentos.
No entanto, o analista de risco do Entreposto falhou na análise de risco e cobrou apenas 2%/ano.
E quando foram vender as casas, estas valiam muito menos que as dividas.
No livro do Entreposto (contas de património) constava
    Total de activos - 6 000000$00
          " João, Crédito para a casa, -100000$00"
           ....
          "António, crédito para a casa, -100000$00"
     Total de devedores          - 4 000000$00
     Existências em armazém   -1 000000$00
     Total de passivos + 6 000000$00
          "Pereira, depósito dos clientes, +5 000000$00
     Total de credores             +5 000000$00
     Capitais próprios             +1 000000$00 
 Os sinais são na óptica dos clientes: os activos com sinal menos e passivos com sinal mais.

Os salários aumentaram e a economia alterou-se
(ontem, pelo avançado da hora, esqueci-me deste passo)
Para se fazerem casas foi preciso captar trabalhadores que normalmente trabalhavam na agricultura.
Então os salários aumentaram. A actividade agrícola ficou menos rentável e a produção agrícola diminuiu.
Os stcks do entreposto foram diminuindo (como pretendido).
O aumento dos salários induziu também um aumento da riqueza (aumentaram os saldos no livro do Entreposto) que fez desenvolver o sector de bens de luxo.
Se a economia fosse aberta, haveria aumento das importações e diminuição das exportações. Haveria também valorização da moeda. É a Doença Holandesa.


Fig. 4 - Evolução dos custos do trabalho em Portugal 2000:1-2011:3 (fonte: INE)

Porque a crise aparece de repente.
Os devedores, lentamente, começaram a deixar de pagar e as casas a desvalorizar. Como os gestores do Entreposto eram optimistas (tudo se irá resolver) não quiseram tornar isso publico.
Os créditos começaram a diminuir de valor (as imparidades) até que chegou a uma altura em que ficou evidente que o total de activos era muito inferior aos passivos.

É a falência do Entreposto - da Lehman Brothers.
A crise existia desde o momento em que o analista de risco errou no cálculo da taxa de juro, mas só se deu conta passado estes anos todos quando começaram os problemas de liquidez.
Um dia os depósitos mais o stock foram menores que os levantamentos e foi a rotura de caixa.
Começa a notar-se a crise do Subprime.
Feitas as contas, o entreposto tem de activos de 1 000000$00 para pagar 5 000000$00. Então, perde o Capital Próprio e apenas paga ao Cantineiro 20$00 por cada 100$00 de dívida (por exemplo, transfere as hipotecas para o Cantineiro e os jovens da Cidade passam a pagar directamente ao Cantineiro).

Vamos ver as contas do Cantineiro.
Antes da falência do entreposto
    Total de activos - 10 000000$00
          " Entreposto, -5 000000$00"
          ....
     Total de passivos + 10 000000$00
          "António, depósito, +2500$00
           ....
     Total de credores             +9 000000$00
     Capitais próprios             + 1 000000$00"

Depois da falência do entreposto
O Cantineiro perdeu todo o capital próprio e ficou sem activos suficientes para pagar os saldos de todos os seus clientes. Tem 6 para pagar 9. O Cantineiro tem que impor aos seus clientes um hair-cut de 33.33%.
Por cada 100$00 de saldo, o Cantineiro abate-lhes 33$33.

Os cumunas, os especuladores e os mercados.
Em termos económicos  foi como se acontecesse uma cheia e destruído o armazém.
O valor foi para as casas da Cidade e destruiu-se porque ninguém as quer. Não têm utilidade.
Se pensarmos com a Teoria do Valor Trabalho nunca haveria desvalorização das casas porque o seu valor seria sempre o custo de produção.
Daí os comunas não compreenderem como pode haver crises.
Como pode uma coisa que já está feita, que já lá tem milhares de horas de trabalho, ficar sem valor?
Para os comunas, isso não faz sentido nenhum.
Têm que atirar para coisas abstractas, para os neoliberais, os especuladores, os mercados, sei lá que mais.
Interessante é nunca aceitarem que estão errados.
É como aquele que dá marteladas na cabeça para matar os piolhos e diz que o que lhe faz dores de cabeça é a conversa da sogra.

O Cantineiro faliu mas os seus clientes acham que não teve culpa nenhuma.
Acham que diversificou bem o risco (só tinha metade do activo no Entreposto) e que tinha adequados capitais próprios (10% do activo). Então, os seus clientes aceitaram de forma voluntária o hair-cut ( que remédio) e tudo continuou quase na mesma.

A Crise do Sub-prime, apesar de ter sido na América, como os bancos europeus tinham activos depositados em bancos americanos a crise propagou-se aos bancos europeus.
Não foi apenas a Lehman Brother que tinha activos desvalorizados. Também os nossos bancos e os estados do Sul da Europa tinham problemas mas iam gerindo a situação.
A falência da LM vai-se propagando pela exposição das fragilidades de alguns players do sistema.

Se o Cantineiro não tivesse uma situação relativamente sólida, a crise amplificava-se.
Lehman Brother -> Outros B. americanos -> B. Islândia -> B. Irlanda -> B. Inglaterra -> B. europeus
-> Estados do Sul da Europa -> Pessoas desses países todos

Qual foi o impacto na Economia da crise?
O processo tem que ser revertido
1. Existe necessidade de re-estruturar a economia.
     Menos sector imobiliário.
     Menos sector de bens de luxo.
     Mais sector de bens de primeira necessidade.
     Mais sector de bens de investimento.

2. As pessoas, por ficarem mais pobres, querem trabalhar mais.
    Os salários reais têm que descer para acumular os trabalhadores dispensados na reestruturação da economia mais os novos trabalhadores. Neste caso, a actividade económica vai aumentar porque mais pessoas querem trabalhar.

É necessário descer os salários até ao nível de 2000
Os sectores em redução causam desemprego e os em expansão não vão contratar ninguém.
Mais pessoas querem trabalhar para repor as suas poupanças.
Se os salários não reduzirem, o desemprego vai aumentar muito e vai demorar muito tempo a ultrapassar a crise.

Pedro Cosme Costa Vieira

16 comentários:

Anónimo disse...

reduzir o salario para os 300 euros, mais tarde reduzir ainda mais , ate conseguirmos fazer concorencia com a china em salario e condicoes. ta bom

Económico-Financeiro disse...

Estimado comentador,
Se o horario voltar às 45h/s, o Salário Mínimo precisa voltar aos 410€/mês.
Não é preciso ir para o nivel do SM de Marrocos (agricultura = 75€/mês; industria= 115€/mês).

Nós competimos com a China, Vietname, Marrocos mas também com o Luxemburgo, os USA e a Suiça.
Todos os países competem com todos os países.

Ser mais competitivo traduz-se em salários superiores.
Nós somos mais competitivos que e que a China o que permite termos salários mais elevados.
Mas, actualmente, os nossos salários estão "ligeiramente" acima da nossa produtividade.

Marrocos tem salários muito mais baixos que a China e não nos sentimos ameaçados por eles.

Seria tão bom.
Se fossemos Deus que disse "Faça-se Luz" e fez-se o Dia, diríamos "cresça a economia" e já estava tudo resolvido.
Mas não somos.

pc

sergio disse...

Bom dia Prof. Pedro! perguntas e duvidas !

Defende descer os salarios em 30%, mas mantendo os preços actuais das materias e productos? ou tambem teria de se rever os preços?

E a inflação já não nos anda a reduzir os salários desde 2010?

Sergio disse...

Errata : não era 2010 era desde 1998 prai que não se verifica aumentos superiores á inflação alias ficam bam atrás desta

sergio disse...

Gostei da explicação de sobre como um produto desvaloriza seja ele uma casa ou outra coisa qualquer, mas fiquei com outra duvida. Como no caso do BPN este faliu, mas em vez de morrer foi vendido como lenha queimada por um preço ridiculo. A minha duvida é uma instituição pode deixar de valer um chavo no mercado mas os seu prédios e maquinas ainda valem bastante dinheiro se fossem vendidos! Como explicar então que se possa comprar essa intituição por um preço inferior aos valores que os seus prédios e máquinas se estes fossem vendidos.

Económico-Financeiro disse...

Estimados,
1.Os preços irão descer, menos, mas descerão. Desta forma, exportaremos mais e importaemos menos.
2. Acrescentei a fig.4 para mostrar que os custos do trabalho aumentaram até 2009 e que não têm descido.
3. Os falidos têm activos mas também têm passivos (dívidas). O valor liquido obtem-se subtraindo aos activos (máquinas, carros, imóveis, etc.) os passivos (dividas a clientes, etc.).
O BPN deve muito mais dinheiro (principalmente à CGD) que o total de activos daí o Estado vender com um prejuizo de 3MM€.
pc

Sergio disse...

Algo me incomoda quando diz que os custos de produção aumentaram. então e o aumento brutal do petróleo não tem nada a ver com isso? Compreendo a parte que os salarios tem nos custos e são tambem eles a unica coisa que podemos fazer subir e descer directamente (logo são uma parte da solução). é que eu não vejo ninguem á minha volta a receber + 33% de ordenado desde 1999. Muito antes pelo contrário os ordenados na casa dos 800 a 1000 desceram. (excluindo estado que conseguiram aumentos mas sempre abaixo da inflação) claro que não sou uma fonte dados fidigna e apenas observo uma quantidade restricta de pessoas (posso sofrer de erro de observador), mas não terá um problema de médias vs medianas no seu gráfico?

O prof. sabe bem a história do frango!

Económico-Financeiro disse...

Estimado Sérgio,

Pensando apenas nos custos do trabalho, da subida total,
40% foi a redução do horário de trabalho.
30% foi da subida do SM.
15% foi devido do aumento do desemprego?????
Apenas 15% foi da subida dos outros salários.

O problema da médias com população heterogénia é que a média pode subir sem ninguém aumentar.
Imagine que grande parte dos 13% de desempregados ganhavam o SM.
(5 + 5 + 15 + 15) / 4 = 10
Sai um e a média aumenta:
(5 + 15 + 15) / 3 = 11.67
Sem ninguém ganhar mais, ao tirar da os piores, a média aumenta.

A subida do petróleo reduz o nosso poder de compra mas, como acontece em todo o Mundo, não afecta a nossa competitividade relativa.

pc

sergio disse...

Obrigado Pedro agora percebo a parte dos salárioXcusto do trabalho melhor!

Fernando Ferreira disse...

Gostei do artigo. So faltou explicar que e' o papel de interferencia do Estado na economia o responsavel pelas "bolhas" que inevitavelmente terao de explodir. Faltou explicar que o FED, ao manter taxas de juro ridiculamente baixas e irrealistas e com as suas injeccoes de dinheiro feito a partir do ar, envia falsos sinais para a economia real que depois vao influenciar erradamente pessoas e empresas. A realidade e' que a crise do subprime provavelmente nao teria ocorrido, nao fosse a politica federal norte-americana de subsidiar mortgages atraves do Fannie Mae e do Freddy Mac e da criacao de credito barato pelo FED.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Fernando,
Procuro sempre focar cada texto num conceito da forma mais simples possível.
É o minimalismo.
PErde-se algum pormenor mas, se eu complicasse, ninguém lia.
Obrigado por seguir o blog.
pc

Fernando Ferreira disse...

Caro Pedro,
Sigo o seu blog com muito interesse, ja e tempo de alguem explicar aos portugueses como a politica e a economia funcionam realmente.
Eu entendo que nao se possa falar de tudo, mas considero este ponto essencial. E' preciso que as pessoas entendam de uma vez por todas que nao foram os "mercados desregulados" do "ultra-liberalismo" que causaram a crise do subprime, por exemplo. Quando as pessoas nao entendem isso, acham perfeitamente natural exigir mais "regulacao" por parte do poder politico. Existem milhares de paginas de regulacoes para a banca, nao sao necessarias mais. Na verdade, o poder financeiro so precisava de 2 regulacoes, resumidas em 2 frases apenas:
1-Se fizeres maus investimentos vais a FALENCIA, nao ha bailouts;
2-Se cometeres FRAUDE, vais para a PRISAO.
Estas 2 regulacoes seriam necessarias e suficientes. e sao justamente estas duas que nao sao executadas. Enquanto os portugueses nao compreenderem que eles, como contribuintes, sao como galinhas num capoeiro e o lobo-mau Estado esta a guarda-los. Acharem que trocando de lobo vao resolver os seu problemas, estao verdadeiramente enganados. Cumprimentos.

Anónimo disse...

Como é que na realidade se determina uma taxa de câmbio?
É o banco central que diz é esta e acabou e gere a partir dai. Ou se é no mercado como se determina? Como é que isto acontece. Como é que faz. Não consigo ver

Nas acções nos damos ordem de venda. vendo até 1 euro. e quem da acima de 1 euro inclusiver fica com ela. e a cotação deve ser a ultima accao negociada.


isto é igual para o dinheiro
tenho 1 dolar vendo até 1 euro
e quem da acima de 1 euro inclusiver fica com ele. e a cotação deve ser do dolar em euros é ultimo dolar vendido em euros

É ISTO?

Económico-Financeiro disse...

Estimado leitor,
Eu dei um pouco de luz sobre este asunto no post sobre a bancarrota de portugal.
Mal possa, vou escrever um post a descrever o processo em mais pormenor.
Sem "cambista" é um processo identico à "bolsa".
pc

sergio disse...

Pedro nao sei se lembra de uma das muitas perguntas que lhe fiz, uma delas foi porque estamos a financiar os bancos antes de lhe pagar as dividas que as empresas publicas tem junto dos mesmos?
Qual o raciocinio?

Acabei de ver uma noticia do tio Gaspar dizer que isso seria bizarro mas eu continuo sem perceber porque?

Pedro Costa disse...

Olá,

Antes de mais quero afirmar que não sou comunista - não defendo greves, não as pratico, não me considero um adepto da sociedade governada por trabalhadores- por razões/causas que não pretendo discutir aqui.

No entanto, li Marx e Lénine e não foi pouco.

E vejo aqui muitas coisas ditas justificadas com uma suposta origem em Marx.

Gostava de saber que é que a forma de comunicar do PTSU tem a ver com "as teorias erradas de Marx".

Marx estava tão certo (excepto talvez na análise da sociedade futura) que o próprio capitalismo aplica técnicas baseadas nas suas teorias para evitar o seu próprio colapso.

Podia explicar melhor até que ponto o autor do blog Económico/Financeiro está errado mas fico por aqui por agora.

Melhores cumprimentos

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