sábado, 10 de dezembro de 2011

O Seguro e a Constituição

O que quererá a Alemanha?

Aparentemente a Alemanha quer que nós escrevamos na Constituição um limite para o Défice Público (<0.5%) e para a Dívida Pública (<60%).
Antes da famosa reunião anunciada como "salvadora do Euro" do dia 8 de Dezembro, a taxa de juro da nossa dívida pública a 10 anos estava nos 12.944%/ano. Depois da reunião, no fim do dia 9 de Dezembro, a taxa ficou nos 12.994%/ano.
Na véspera da reunião uma obrigação de 100€ Portuguesa (2.2% de cupão) valia 41.57€ e no dia seguinte desvalorizava para 41.41€.
Isto indica claramente que a relevância da reunião foi ZERO VIRGULA ZERO.
A relevância de escrevermos ou não na Constituição é 0,0.
A nossa relevância no mundo é 0,0000.

Também era preciso um milagre. Mas os milagres são como o Euromilhões: há todas as semanas mas nunca sai a mim. A mim é mais o milagre da gaivota: tanta cabeça por aí e calha logo na minha.

Nós somos, em termos colectivos, uns caloteiros
Nós, no fundo, admiramos os Albertos Joões.
Quando Sócrates o Caloteiro diz que "pagar a dívida pública é uma brincadeira de crianças" e o Seguro se cala, é a prova de que é outro caloteiro.
E a Sr.a Merkel sabe isso. Sabe que, metendo aqui dinheiro, a gente sente-se aliviada e manda o PPC borda fora metendo lá um desses que estudaram economia no, no, estudaram economia a a a, quando estudaram economia no no no café da Universidade do Zimbabué.
O grande professor deles foi o Mugabe, o especialista em Finanças Públicas foi o professor Karamba e quem lhes ensinou Ética foi o Mestre Puxa que Gajos Malucos com Crianças tão Terríveis.

Fig. 1 - O mais belo do mundo são as brincadeiras das crianças.

A Alemanha quer-nos fora da Zona Euro.
E se nós não escrevermos na Constituição o que irá acontecer?
Vamos borda fora.
O PP Coelho sabe que vamos ser postos borda fora da Zona Euro.
E sabe que ninguém nos empresta um cêntimo se a Sr.a Merkel disser "ACABOU A MAMA".
Ficamos imediatamente sem gasolina nas bombas.
Por isso, tem que garantir à Sr.a Merkel que vamos pagar tudo o que devemos mais o que ela nos está a emprestar e queremos que continue.

Fig. 2 - Não querem escrever na Constituição? Goodbye, au revoir, auf wiedersehen.

O que têmos que escrever na nossa constituição

1. O Saldo Orçamental tem que ser positivo em, pelo menos, 3% do PIB.
1.1. Havendo desvios adversos na execução orçamental de forma a que não seja cumprida a alínea 1, no OE do ano seguinte o desvio tem se reduzir em pelo menos 2 pontos percentuais.
1.2. Compete ao Tribunal Constitucional avaliar, com prioridade relativamente a todos os outros processos, se o desvio se deveu a incúria do governo. Se o TC julgar que sim, todos os membros do Governo serão imediatamente exonerados e não podem assumir cargos públicos durante 5 anos.

2. A República cumpre sempre todas as sua obrigações financeiras.
2.1. Em caso de falência do Sistema Bancário, a República assume as dívidas do sistema.

3. Procedendo a República ao reescalonando da dívida pública, esta obriga-se a pagar a taxa de juro das obrigações de dívida pública alemã a 10 anos acrescida de uma penalização de 2 ponto percentuais.
3.1 As dívidas emitidas em Euros serão pagas ao câmbio e na moeda oficial da Alemanha na data do vencimento da obrigação.

Vejamos de onde vêm os meus 3% de superávite
Portugal vai ter que sair do Euro. Se fossemos só nós, os nossos parceiros poderiam assumir a nossa dívida, os nossos 200MM€ ou 300MM€. Mas juntando os casos da Grécia, Itália e Espanha, já estamos a falar em milhões de milhões de euros o que é impossível.
Então, temos que nos preparar para o reescalonamento da dívida pública e da dívida dos bancos.
Temos que pegar na dívida toda e transformá-la em nova obrigações de longo prazo com um plano de amortização.

Para pagarmos o que devemos o Orçamento de Estado tem que ter um saldo positivo.
Se pensarmos um cenário de bancarrota em que trocamos a dívida por novas obrigações
     Dívida = 150% do PIB
     Taxa de juro = Alemã (2.2%/ano) mais 2 pontos percentuais de penalização
     Prazo = 50 anos
     Taxa de crescimento do PIB = 1%/ano
     Taxa de inflação = 2%/ano

Precisamos de um superávite de  3.2% do PIB.
Não é um défice de 0.5% do PIB, é um superávite de 3.2% do PIB.
Se o crescimento for de 2%/ano, precisamos de um superávite de 2.5% do PIB

Fig. 3 - Taxa de crescimento do PIB português, 1960-2012 (Fonte: Banco Mundial e OE2011)

Estava uma menina
Encostada numa esquina e passou um cavalheiro.
- A menina não me quer prestar um servicinho?
- Pode ser mas primeiro quero ver 30€ na minha mão.
- Pago-te 100€ se fizeres o que faz a menina Lizete.
- E o que faz a Lizete de tão especial?
- Recebe em títulos de dívida pública portuguesa.

Fig. 4 - Dívida pública portuguesa? Desampara-me a loja amigo.

Pedro Cosme Costa Vieira

6 comentários:

sergio disse...

Quando é que Prof. Pedro vai dizer ao Tio Gaspar (e já agora explique tambem isso ao Tio Xocas) que não se paga uma divida com mais divida!! E que tem de começar a pagar parte dos ordenados em "cetepes" para conseguir isso de forma mais rápida.

Sergio disse...

Já agora no assunto de dividas e pagamentos:

Qual o raciocinio por detrás de estarmos a refinanciar os nossos bancos com o money da troika em vez de lhes pagarmo-lhes o que devemos através da amortização das dividas das empresas publicas?
De lembrar que essas dividas continuam a crescer só pelos juros que vencem.

É aos mesmos bancos(os que vamos refinanciar) que as empresas do estado devem certo?

E o BPN porque seria assim tão mau deixar falir esse banco Zombie!?

Esse dinheiro "refinanciador" depois terá de ser devolvido certo?!?

Bom fim de semana Pedro

Anónimo disse...

o Pedro Cosme percebe muito de economia, e é com grande prazer que leio o económico-financeiro. Mas gostaria de lhe deixar uma simples pergunta.
Afinal qual é a causa da crise?
È que numa crise envolvendo a Grécia, Itália, Portugal e Espanha parece um pouco contraditório considerar que a crise se deva a défices excessivos e á dimensão dos estados.
Até 2008 parecia estar tudo bem, e de repente anda meia europa a gastar de mais.
Também somos responsáveis enquanto cidadãos e enquanto portugueses pela crise do subprime?

Jorge

Anónimo disse...

tamos a mandar dinheiro e fabricas para a china e sem direitos laborais nem pra nos nem pra eles.

jama disse...

Não, não. Ela aceitaria os títulos da dívida portuguesa porque sabe que o médico que lhe colocou os implantes também aceitará ser pago por esse serviço através da dação em pagamento de títulos dessa natureza. Teremos, pois, um problema de inflação.

Económico-Financeiro disse...

Este ponto do meu amigo jama é importante.

Antes da cimeira de Outubro Portugal vendia divida pública aos bancos e estes usavam-na para pedir dinheiro ao BCE.
Agora não. Têm que assumir a desvalorização dos títulos.
pc

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