sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A austeridade, o consumo e a recessão

Portugal vive em austeridade.
Naturalmente, a austeridade consiste em gastar menos pelo que, naturalmente, a austeridade nos faz viver, no presente, pior.
Existem muitas pessoas que anunciam (os comunas, os socialistas, professores universitários e demais malucos e caloteiros) que a "política" de austeridade não é necessária. Neste poste, por ser um dos malucos, vou provar que a "politica" de austeridade tem alternativas que devem ser imediatamente seguidas.

Fig. 1 - Poupa-me que estás em austeridade.


A austeridade, o consumo e a recessão.
A Procura Interna de um país (o total de coisas compradas) é dada pela aquisição de bens de consumo (o consumo strictum sensu) mais a aquisição de bens de investimento. Assim, quando se diminui o consumo ss, não se diminuiu o total adquirido (a procura agregada) mas apenas se  muda de bens de consumo para bens de investimento.
Vamos supor que um país tem as suas contas externas equilibradas. Se, colectivamente decidir consumir menos desviando a produção para o investimento então, passará a crescer a uma velocidade maior.


É a austeridade expancionista.  
É o que se passa com a China e a Índia. Em média de 2008-2010, a China poupou 52% do PIB e cresceu 9.2%/ano; a Índia poupou 31% do PIB e cresceu 6.2%; Portugal poupou 13.1% do PIB e cresceu -0.5%/ano.
Um país que previlegie o consumo em detrimento do investimento está condenado à estagnação.
Como eu, por mostrar fotografias de mulheres nuas, não tenho credibilidade, quem diz isto são Solow (1956) e Swan (1956).

O grave problema de Portugal é que, desde o início da Guerra de África (1961) que a soma do consumo mais o investimento mais os juros pagos ao exterior é muito maior que a totalidade dos bens e serviços que produzimos. Entre 1975 e 1985 (o PREC), gastamos mais 13%, entre 1985 e 1995 (o cavaquismo) gastamos mais 5% e, entre 1995 e 2010 (o guterrismo - socratismo) gastamos mais 11% do que produzimos (ver Fig. 1).

Fig. 2 - Excesso de consumo português (linha a azul) em % do PIB (fonte: Banco Mundial e Porbase)

Este excesso de "consumo" interno pode ser corrigido de quatro formas diferentes.

1) Se houver tansos por esse mundo fora que "já estão a tremer das pernas" que nos emprestem mais dinheiro para mantermos o nosso nível de consumo e investimento maluco sabendo que nunca lhes vamos pagar nada então, podemos investir o que aumentará o PIB. Mas, para investir é preciso poupar (a tal austeridade crescente) ou arranjar os tais tansos.
Esta é a opção preferida dos esquerdistas e que tem o seu guru no sócrates, o caloteiro. Argumentam que são os credores (a quem não vamos pagar) que mais têm a ganhar com isto. Destruimos estradas com utilidade (como fizeram no IP4 para Bragança, na linha da Trofa e de Coimbra - quem fez tamanhos crimes merece 25 anos de cadeia) e fazemos estradas para lugares que não têm ninguém e assim fazemos um Portugal rico.
Como é que emprestando dinheiro a alguém que não me paga me pode beneficiar. Irei para o Céu?
Como é que destruindo o que está feito nos faz viver melhor? Será a terapia de dar uma martelado num pé para passar a dor de cabeça?

O Sr. é o da dor de cabeça?
Calma sr. dr.! Eu sou apenas o dador de sangue.
Eu devo ser muito burro mas não tenho disso consciência exactamente por causa de o ser. A prova final de que sou burro é que seria impossível o povo português eleger para primeiro ministro o sócrates se ele fosse tão burro como eu penso.

b) O povinho faz uma mala e vai trabalhar por esse mundo fora mandando o dinheiro para cá.
Os esquerdista dizem que é um indignidade mandar o povo fazer-se à vida. Têm exactamente o discurso do salazar que não dava passaporte a ninguém com medo que o povo "fugisse". O salazar, realmente, dizia ser um homem de esquerda, um progressista.

c) Fazemos como os navegadores quinhentistas que ainda hoje nos enchem de glória. Vamos por esse mundo fora roubar tudo o que consigamos carregar para os barcos. Caçar pretos no golfo da Guiné e vende-los como gado para as américas.
Esta é a minha preferida.
Mas eu falei em quatro hipóteses. Qual será a quarta que não me estou a recordar?

d) Cortamos à boca.
Se calhar, como não há mais tansos por esse mundo fora que mandem dinheiro para aqui, como o povinho quando vai trabalhar para o estrangeiro não manda para cá o dinheiro e como, se tentarmos roubar, mandam-nos a traineira ao fundo então, só fica o cortar à boca.
Se os do PS, da CGTP, os demais comunas e professores universitários meus colegas e outros burros conseguirem especuladores sanguinários, mercados agiotas ou o diabo que os carregue que mandem (não é emprestem é mandem) para cá dinheiro, não será preciso austeridade.
Afinal não há alternativa senão cortar.


O PIB é um número
que, por sí, não tem grande significado. Por exemplo, o PIB diz que cada português cria 16236€/ano de riqueza por ano. Então, uma família de 4 pessoas terá, em média, 65000€/ano de PIB. Mas o salário médio líquido está nos 12000€/ano pelo que pensando a população activa como metade do total, resulta a conta dos comunas de que "o peso dos salários é actualmente apenas 36%, ficando 74% para o grande capital".
Mas isto é um erro terrível.
     17% fica para a depreciação do capital (pois o PIB é calculado em termos brutos e o capital envelhece)
     38% fica para impostos e a crescer
     Restam para o capital, apenas 9%.
Se retirarmos a depreciação e os impostos, os salários ficam com 80% e o capital com 20% do total distribuído para os agentes económicos privados.
O cálculo do PIB tem falhas mas pode ser usado para comparar o nível de bem estar das populações ao longo do tempo. Por exemplo, por cada 1€ de PIB de 1970, hoje existem (no PIB) 2.65€. Hoje realmente vive-se, em termos materiais, muito melhor que em 1970. E, se o leitor não sofrer de amnésia, temos um nível de vida mais que 2.65 vezes o nível de de vida de 1970.
O PIB tem dificuldade em captar o progresso tecnológico. Por exemplo, não consegue incorporar a utilidade do Multi-Banco, das vacinas, dos medicamentos genéricos, etc., pelo que o PIB sub-avalia o crescimento económico.
Como se pode o preço comparar um televisor actual com um televisor de 1970 (a preto e branco)?


A recessão que aí vem.
Como gastamos mais 11% do que produzimos e vamos ter que deixar de o fazer (porque ninguém nos dá mais dinheiro), naturalmente vamos passar a viver pior.
E o PIB, sendo que pretende medir o bem-estar material, vai ter que descer.
Em teoria, se tudo fosse feito de forma perfeita e não houvesse custos de ajustamento, a diminuição do PIB teria que ser 11%.
No entanto, como existem falhas na limitações no PIB, a contracção será maior.
A Finlândia, país modelo de boa gestão, em 2009 contraiu o PIB em 8.2%.
Por isso, será natural nós termos em 2012 - 2013 um recuo na ordem dos 20% no PIB.


Temos que abandonar a austeridade.
Berrar, fazer greves, partir tudo, meter o governo em tribunal, morder os móveis, queimar carros e, se necessário, declarar guerra à Madeira, que assim os alemães vão mandar para cá dinheiro à força toda.
HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR
O estimado leitor acredita nisto? Muitos dos meus colegas acreditam.


Ainda falta a Madeira.
Porque será que o jardim não declara agora a independência?
Primeiro dizia "se não tivesse gasto o dinheiro, agora tínhamos que fazer austeridade na mesma e os meus amigos não estavam ricos".
Agora está caladinho. Diz que não assina.
Vai à tua vida, arranca com a independência e junta-te à Guiné-Bissau, ficas a fazer parte do Arquipélago dos Bijagós. Ainda ficas rei daquilo.
Ou junta-te a Cuba e chama pelo Tarzan.


As taxas de juro e o acordo da concertação.
O Gaspar e o Álvaro estão a ficar como o sócrates.
As taxas de juro não param de subir batendo todos os dias recordes;
O desemprego está em explosão;
A balança corrente não corrige;
E eles vêm com "estamos próximo de um ponto de viragem".
É a viragem mas é do barco, como aquele italiano. O país vai virar de pernas para o ar.
Há a descida de rating e a taxa de juro implícita da divida pública Espanhola e Italiana descem, a Áustria emite dívida a 50 anos (3.837%/ano) e a Portuguesa bate recordes. Até meados de Julho 2011 a taxa de juro Irlandesa estava acima da portuguesa e hoje (20 Jan2012) Portugal fechou 6.36 pontos percentuais acima da Irlanda.
Vamos no bom caminho, para o inferno.

Fig. 3 - Não compreendo como alguém pode dizer que Portugal está no bom caminho. Só se for para a bancarrota. Mais um que vai estudar Ciência Política para França.


Pedro Cosme Costa Vieira

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