sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O erro político da concretização da verdade. A Ferreira Leite.

A Ferreira Leite é uma mulher muito tensa que tem o grande defeito de, partindo de uma verdade genérica que ninguém pode contestar, querer concretizar com exemplos.
O problema da política é que toda a gente concorda que é preciso acabar "com a guerra no mundo" e com o "sofrimento das criancinhas" mas, quanto se concretiza o que é preciso fazer, quando a coisa cai em cima de nós, parou parou parou parou.
Passa-se isso com a situação portuguesa. Toda a gente concorda que é preciso diminuir a despesa pública.
Para o Estado pagar o que gasta precisa cobrar mais impostos. Como ninguém quer pagar impostos - "os ricos que paguem", temos que concordar que o Estado deve cortar na despesa.

Mas cortar onde?
Depois vem a concretização.
Num primeiro patamar fica a Saúde que é uma parcela muito grande da despesa pública.
A primeira pancada foi a descida da comparticipação nos medicamentos.
A segunda pancada foi a subida nas Taxas Moderadoras.
Mas isso ainda não dá para nada. Quais vão ser as medidas seguintes?

Ideias da Ferreira Leite?
Se um velhinho tiver dinheiro, paga e será tratado com tudo que há de melhor no Mundo.
Senão tiver, reza e morre em paz.
Mas isto é terrível de ser dito.

É como aquela imagem
Dos americanos a simular mijar para cima de 4 afegãos mortes. Ninguém quer saber quem os matou. Apenas se preocupam em saber se eles estão ou não a mijar para cima deles. Matem à vontade mas nada de mijar.
De facto eles não mijaram porque no Afeganistão anda toda a gente desidratada. Só ao fim de beber 48 imperiais é que dá alguma vontade.

Quando um pobre morre, aumenta o PIBpc
Se olharmos por esse mundo fora, há países pobres onde, em média, as pessoas duram 45 anos e países ricos onde duram 85 anos.
Como nenhum povo nasce à partida para durar pouco, o mais certo os pobres não terem a qualidade da assistência média que os mais ricos têm . Também por isso é que é melhor viver num país rico que num país pobre.

Fig. 1 - Relação entre a Esperança de Vida à nascença e o PIBpc, ppc

O que é o PPC?
Um leitor perguntou-me o que é o PPC que em inglês se escreve PPP.
Quer dizer Paridade do Poder de Compra.
Existem bens que têm um preço idêntico em todo o mundo, são os bens transaccionaveis, por exemplo, o acuçar e a farinha de milho.
Mas existem outros bens e serviços que, por serem produzidos localmente, têm um preço muito variável, por exemplo, uma refeição num restaurante.
Desta forma, existe uma tendência para que os países mais pobres tenham um nível médio de preços mais baixo.
Então, o rendimento per capita de cada país dá uma medida incompleta do nível de vida porque há grandes diferenças nos preços.
O Banco Mundial usa um índice para corrigir esse efeito.
Supondo um cabaz médio de bens cujo preço são 1000USD nos Estados Unidos da América, no país mais barato do mundo (a Gâmbia) são precisos apenas 333USD para comprar um cabaz equivalente e no país mais caro do mundo (a Noruega) são precisos 1500USD.
Então, ganhar 100USD/mês na Gâmbia é equivalente a ganhar 450USD/mês na Noruega.
Em Portugal serão precisos 840USD.

Mas é preciso fazer alguma coisa
Nas notícias parece que Portugal está uma maravilha. Estão sempre a anunciar descidas da taxa de juro mas são mentiras. Desce um dia mas sobre três seguidos.
Até Junho de 2010, a taxa de juro (a 10 anos) esteve estável nos 5%/ano. Desde então a tendência é um aumento de 0.40 ponto percentuais por mês.
E a taxa de desemprego não pára de aumentar e os nossos governantes perdem o tempo a ver se é mais meia hora, menos um dia de casamento.
Acordem para a realidade que já ninguém se casa.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro (yield) a 10 anos da dívida pública portuguesa

Aquela pequena descida já daria no tempo do Sócrates para aberturas de telejornais.
Pelo menos o Passos Coelho não diz nada.
Tenho andado ocupado
A escrever um roteiro para que um país possa sair da Zona Euro para mandar para  wolfson.prize cujo prémio são 250 mil libras.
A filosofia é a simplicidade. Baseio tudo em apenas duas medidas com impacto local
1. Redenominação dos salários a escudos;
2. Re-indexar os contratos de créditos a uma taxa de juro que traduza as condições de financiamento dos bancos portugueses.
O resto fica tudo igual, incluindo os depósitos bancários e as dívidas que ficam em Euros.
Penso que funciona.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

angelo disse...

depois pode explicar nos. principalmente o Re-indexar os contratos de créditos a uma taxa de juro que traduza as condições de financiamento dos bancos portugueses.
Não percebo nada sobre juro

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