segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Krugman deu-me razão quanto a descer os salários

Em finais de 2009 a taxa de juro da dívida pública portuguesa tinha descido de 4.8% para 4.0%/ano e o país estava entretido no "choque tecnológico" do Sócrates. Era o tempo das eólicas, dos carros eléctricos, dos magalhães, das obras da Parque Escolar, do TGV e da famosa "isto está bom para não dizer que está óptimo".
Mas eu estava a re-estudar o Barro e vi que havia sinais de que um tsunami se aproximava de Portugal. Então, escrevi um texto que publiquei em Fevereiro de 2010:
Escrevi, penso que fui eu o primeiro em Portugal, que os juros iriam subir e que o endividamento sem tino de então iria obrigar a descer os salários.

O Krugman era, até ontem, o ideólogo dos esquerdistas.
Nem imaginam o que os meus colegas da academia disseram de mim.
O ataque foi, e continua a ser, de tal magnitude que fui praticamente proibido de abrir mais a boca.
Como já relatei, até este blog é vítima constante de tentativas de silenciamento post 1 post 2.
Mas eu continuei a pregar que o futuro do socratismo seria a descida generalizada dos salários.
O Krugman e o Stiglitz vieram a terreiro dizer repetidamente que isso seria uma aberração. Eu disse que estavam errados e repeti que estavam errados.

A autoridade das ideias não vem de quem as diz mas das próprias ideias.
As pessoas têm cabeça para pensar e, analizando a argumentação, são capazes de tirar um conclusão quanto à razoabilidade das afirmações. Mesmo que uma afirmação venha de um ou dois prémios Nobel, eu pensei sobre o assunto e conclui que estavam errados. Confiante na minha argumentação, disse-o publicamente sem medo do ridículo.
Hoje, 30 de Janeiro 2010, o Krugman vem afirmar no Le Monde que os salários em Portugal têm que descer 20%.
O que irão agora dizer aqueles que tanto mal disseram da minha argumentação?
Vão dizer que o Krugman enlouqueceu.

Fig. 1 - Qualquer parte da ideia é boa mas a moça não pode abrir a boca.


Agora vamos ver a taxa de juro.

Ontem de madrugada observei que o pânico estava a crescer e aumentou hoje com a explosão da taxa de juro implicita da dívida pública portuguesa a 10 anos para 17.4%/ano. As pessoas do governo gostam de dizer que a culpa é dos outros, que é da Grécia, da Merkel do Sarkozy ou dos Mercados mas o mal está em nós.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro implícita 10Y nos últimos 6 meses (bloomberg)

No trimestre Set-Nov 2011 a taxa de juro esteve estável entre os 11%/ano e os 12%/ano. Uma obrigação portuguesa equivalente a uma alemã de 100€ já estava desvalorizada para 46€. Depois veio a greve da CP e das outras empresas pública e a taxa de juro saltou 2 pontos percentuais (para entre 13%/ano e 14%/ano).
Depois, a intervenção do BCE fez descer ligeiramente a taxa de juro mas no dia 13 de janeiro de 2012 veio a bomba "acabou a meia hora". A taxa de juro aumentou imediatamente de 12.5%/ano para 14.5%/ano e, decorridos 15 dias, já vai nos 17.4%/ano (ver Fig. 2). Em oposição, a taxa de juro de toda a gente diminuiu, até a da Grécia. É preciso ser mesmo mau. É obra.

A minha proposta para uma redução de 15% dos custos do trabalho.
Primeiro, os horários aumentam para 45h/semana e o salários aumentam 12.5% para não ser inconstitucional.
Segundo, a TSU do trabalhador de todos os salários aumenta de 11% para
20%                                          para salários <= 675€/mês (que corresponde a um salário actual de 600€)
20% + 12%(salário-675)/675    para salários > 675€/mês e <= 1350€/mês . 
32%                                          para salários >= 1350€/mês

Esta TSU inclui o corte dos subsídios de Natal e de férias da mesma forma que foi aplicado aos empregos públicos.
Terceiro, a TSU do empregador diminui de 23.5% para 5%.
A TSU dos recibos verdes fica na mesma pois esse mercado de trabalho é perfeitamente flexivel.

Esta contabilidade de TSU diminui os custos do trabalho
Aumenta os salários em 12.5%;
E faz aumentar automaticamente o PIB em pelo menos 5% (é a contabilização dos salários);
Aumenta o horário de trabalho para o nível de 1995 (pré-socratismo);
Corta os subsídios de férias e de Natal sem mexer nos contratos (a equidade do Cavaco);
É constitucional.

Se lerem aquele texto chato que escrevi vão ver que
Esta diminuição dos custos do trabalho faz diminuir o desemprego (e não aumentar como dizem os esquerdistas).
Faz diminui o rendimento dos empregados mas aumenta o dos desempregados. Ponderando empregados e desempregados, aumenta o rendimento disponível das famílias.
É um factor de crescimento económico fazendo aumentar o PIB (e não diminuindo como parece óbvio).
Mas estas conclusões não são óbvias  
Pois. Mas nem tudo é óbvio. Por isso é que o povo tem que estudar.
Não é nada óbvio que a radioactividade cure o cancro mas é isso que fazem na Radioterapia.
Não é nada óbvio que meter carne de porco crua 15 dias em vinhadalho e depois dependurá-la um mês no fumeiro dê algo comestivel e bom.
Não é nada óbvio que caminhar uma hora por dias não gaste as articulações mas antes pelo contrário.
Não é nada óbvio que bater nas mulheres as faça gostar mais de nós. Bem, esta não deve funcionar.





Quanto mais se estuda mais se sabe
Quanto mais se sabe mais se esquece
Logo, quanto mais se estuda, mais se esquece.
Isto é óbvio.

Pedro Cosme Costa Vieira

4 comentários:

Ao serviço da República disse...

O meu francês não é dos melhores mas a desvalorização que Krugman propõe não é aquela feita por inflação? Um pouco diferente da que propõe, não acha?

Económico-Financeiro disse...

Manter o salário nominal e subir os preços em 25% é igual a descer o salário nominal em 20% e manter os preços fixos.

Ganhar 1€ e as coisas custarem 1.25€ é igual a ganha 0.8€ e as coisas custarem 1€.

Quando as pessoas emprestam dinheiro à Alemanha a 30 anos à taxa fixa de 2.47%/ano e à Austria a 50 anos a 3.43%/ano, vê-se que nos proximos 50 anos não há qualquer hipotese de a inflação nesses países ser maior que 2%/ano.

Se Krugman ou outro antevê no futuro Portugal com uma inflação maior que 2%/ano está a antever que não estaremos na Zona Euro.

pc

Ao serviço da República disse...

Mas está a sugerir que a desvalorização salarial se faça ao mesmo ritmo que se faria a valorização da inflação? Pensava que propunha uma desvalorização salarial imediata. Sendo assim, sim é a mesma coisa. Se não, é a mesma coisa mas apenas ao fim de algum tempo. O que fazia com que o ajustamento por parte das famílias e empresas fosse mais dócil e não tão colossal!!
A economia só funciona com as pessoas, caso contrário as medidas e os modelos não servem para não pq pressupõem certos e determinados comportamentos por parte dessas mesmas pessoas. É um pouco como injectar dinheiro na economia. Não se sabe se as famílias vão gastar ou poupar. E se poupam, o fazem debaixo do colchão ou no sistema financeiro. E se gastam, se o fazem em produtos nacionais ou não. São tantas as duvidas que já ouvi alguém dizer que a economia é uma ciência não exacta.

Anónimo disse...

Boa tarde,

Espero que tenha visto a entrevista do Krugman ou pelo menos a ter lido. Nela, poderá finalmente perceber o porquê da sua afirmação neste post e a sua pretensão, tal como está descrita, em baixar os salários em 30% não tem qualquer fundamento com a realidade nem com o que o Krugman afirmou. Ficava-lhe bem (para além das sugestivas fotos que todos apreciamos) assumir que errou. Cumps.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code