sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O prémio Wolfson - 300000€ por uma saída ordeira do Euro

O Simão Filho do Lobo.
Simon Wolfson é um inglês de uma familia de tradição mas pobretana (o pai é Barão de Sunningdale). Dizem ser uma pessoa apagada, sem sal ("with lack of passion"), extremamente tímida, reservada e pela qual ninguém dá um tostão. Aos 23 anos, em 1991, foi trabalhar para a Next plc, que é uma empresa de venda de roupa, como Consultor de Vendas (por cunha do pai). No entanto, demonstrou no silêncio do seu gabinete uma enorme competência tendo atingido a posição de topo, CEO, na empresa em 2001 (com 33 anos, o mais novo do FTSE 100).
Apesar da venda de roupa ser um mercado altamente competitivo, durante os últimos 10 anos com Wolfson como CEO, a Next plc passou de um lucro anual de 250Milhões€ para 885Milhões€ (+11%/ano) o que o torna o melhor CEO da década de 2000 do Reino Unido. É tanto o reconhecimento da sua competência que a Rainha o fez Barão de Aspley Guise em 18 de Junho de 2010 passando a ser membro da Câmara dos Lordes.

Fig. 1 - A única diferença entre este e o Wolfson é que este não é o Wolfson.


Bem, mas em Angola é ainda melhor.
Wolfson recebeu em 2011 em salário e prémios cerca de 1 milhão de euros que é só mais 60% do que o Catroga "ganha" na EDP, um gestor de meia tigela do qual ninguém conhece qualquer feito na gestão de  empresas.
Mas o Catroga disse estar  no "mercado internacional".
Vamos, por exemplo, a Angola que faz parte desse "mercado". A Troika da Sonangol, Kopelina + Nascimento + Vicente, com os seus salários e prémios conseguiram comprar, entre outras coisas, 24% do BES-Angola por 254Milhões€
Supor, como em Portugal, 40% de impostos, dividindo só esta compra por 30 anos, dá 4.7Milhões€/ano para cada um, 336000€/mês mas subsídios de férias e Natal.
No mercado internacional de "Sacar Dinheiro aos Estados e ao Povinho", o Catroga está a ganhar muito pouco (só 0.63Milhões€/ano), tal como outros portugueses que estão nesse mercado, por exemplo, o Fernando Esquecido Gomes (Galp-Angola) e o Armando Robalo Vara (Camargo Correia - Angola).

A liberdade de expressão.
Eu digo repetidamente aos meus alunos que a liberdade de expressão é o direito mais difícil de exercer. Que vamos sendo vencidos pelo receio de perder as pequenas coisas que conquistamos na vida e pela esperança de comer qualquer coisa na babuge.
Alguém se admira do contracto do Pedro Rosa Mendes não ter sido "renovado"?
Alguém acredita que não houve pressões seja lá de quem for?
Até eu que vivo num país 100% livre, não digo nada de polémico e tenho vinculo definitivo com o meu empregador, já fui muito prejudicado por dizer o que penso. E tenho que estar sempre a olhar para um lado e para o outro. E não estou a brincar.

Vamos ao prémio do Filho do Lobo.
Eu penso que qualquer país tem o direito de sair do Euro. Tanto penso que escrevi um texto no qual proponho um roteiro para a saída que enviei para uma revista científica em Agosto de 2011. Nessa altura os "avaliadores anónimos" disseram que recusavam a publicação porque era um assunto tabu. Não é que tivesse algum erro, apenas que era um assunto do qual não se podia falar.
Mas o tempo foi correndo e, no dia 18 de Outubro de 2011, o Lord Wolfson ofereceu 300 mil€ do seu bolso para que alguém desenhasse um roteiro para que um país possa sair do Euro da forma mais suave possível.
A maioria das pessoa ficou em choque dizendo isso ser impossível mas eu avancei com o meu roteiro.

Fig. O Wolfson é este. Eu sou muito mais parecido com este que com aquele outro.


Vamos ao roteiro.
Identifiquei na teoria económica como se faz o ajustamento macroeconómico de um país.
Eu julgo que as pessoas acham uma missão impossível um país sair do Euro de uma forma ordenada porque têm em mente o quadro keynesiano. Deitei isso fora e fui aos clássicos, ao que aprendi com o Fernando, ao Barro, depois estudei mais uns artigos sobre o Mercado Monetário ao mesmo tempo que fui construindo um modelo em equilíbrio geral de uma sistema financeiro que partilhei neste blog nos postes do Condado da Negralhada, do Cantineiro e naqueles de como os salários e a taxa de juro equilibram a economia. Os comentários que recebi foram muito importante para construir o meu pensamento. Obrigado.

Condensei tudo e simplifiquei o máximo que pude.
Fiquei com o mercado Poupança-Investimento conhecido como "modelo IS em economia aberta" (Fig. 1, Esquerda) onde o défice da Balança Corrente resulta de a poupança interna, S, ser inferior ao investimento interno, I. Para anular o défice da BC torna-se necessário que a taxa de juro real aumente de i0 para i1 (Fig.3, Esquerda).

Fig 3 - O modelo macroeconómico que utilizei

Fiquei ainda com o mercado de trabalho. Os keynesianos metem o mercado de monetário "modelo LM". A evidência empírica (e os clássicos) diz que o LM é irrelevante no equilíbrio macroeconómico de uma economia mas eles, esquerdistas, insistem no erro.
No mercado de trabalho há a oferta de trabalhadores, S, e a procura de trabalhadores, D. Partindo de uma situação sem desemprego (Fig. 3 - Direita, ponto S0/D0), a subida da taxa de juro real, se o salário for fixo (em W0), causa aumento do desemprego e diminuição do PIB. No entanto, se o salário real diminui (para W1), o desemprego diminui e o PIB aumenta (Fig. 3 - Direita, ponto S1/D1).
A descida do salário real combate o efeito negativo da subida da taxa de juro real.

Fig. 4 - O Ruben Rua foi meu aluno. Um bacano. Mas foi o trabalho que o pôs assim.
Tal qual as minhas colegas de judo em topless, com umas mamoquitas sequitas.


Quais as variáveis em que é preciso actuar?
Para a economia equilibrar é preciso deixar a taxa de juro real subir e o salário real descer.

Como ficou a minha proposta.
Características gerais
1. A decisão deve ser pré-anunciada. Um dia o Passos diz que "vamos sair do Euro" e explica como vai ser o processo. Mostra o modelo e, como numa aula, explica ao povo a necessidade da medida.
2. Deve haver um período de transição, previsionalmente de 3 anos, durante o qual a nova moeda, o Escudo, vai desvalorizando 0.15%/semana (8.1%/ano).
3. Deve ser anunciado o critério que vai decidir quando a desvalorização pára. Terá em conta o défice da balança corrente, a taxa de juro a que os bancos se conseguem financiar em Euros e a taxa de desemprego.
Equilíbrio = 0.50 (défice BC) + 0.3 (L.EURIBOR - EURIBOR) + 0.2 (Taxa de desemprego - 6%)

Preços e salários
3. Os salários e os preços passam a estar denominados em Escudos (ao câmbio fixo actual) e serão posteriormente alvo da desvalorização da moeda.
4. Em contratos de fornecimento futuro de bens e serviços de longo prazo (por exemplo, contratos das eólicas) haverá um tribunal arbitral para ponderar a parte importada (que manterá a denominação em Euros) e a parte local (que passará a ser em Escudos) na estrutura de custos.

Mercado de crédito
5. Os depósitos bancários, dividas e demais contratos, continuam denominados em Euros.
6. Nos contratos de crédito o indexante da taxa de juro deixa de ser a EURIBOR e passa a ser a taxa média a que os bancos locais se conseguem financiar.
7. Prevendo que possa haver um aumento muito significativo da prestação dos créditos, proponho que, no máximo, o aumento poderá ser de 2%/mês (em Escudos), que as pessoas ficam com a liberdade de trocar de banco sem custos e que o Estado terá um plano de apoio às famílias de mais baixos rendimentos.

Mercado monetário 
8. O mandato do Banco de Portugal será uma inflação em Escudos de 3%/ano no período de ajustamento e a sua posterior descida para 2%/ano.

Penso que funciona.
A saída não anunciada de um país levaria ao colapso da Zona Euro.
Nunca aconteceu uma saída de uma zona monetária pré-anunciada mas, como a Zona Euro tem vários países em dificuldade, ou saem todos em simultâneo o que é impossível (Quem são todos? Portugal e Grécia certamente mas, e depois? Itália? Irlanda? Espanha? Bélgica? França? ...) ou tem que haver um mecanismo que se possa repetir sempre que um país precise sair do Euro.

Uma desvalorização instantânea induziria dificuldades no ajustamento orçamental das famílias.
As pessoas vão-se preparando e ajustando as suas decisões de forma a poderem adoptar um padrão de consumo que permita, por uma lado, viver com menor poder de compra e, por outro lado, com um aumento das prestações dos empréstimos.
As empresas também terão algum tempo para irem resolvendo os contractos. A grande maioria dos contractos de fornecimento de bens e serviços tem um prazo de execução inferior a 6 meses pelo que o impacto da sua manutenção em Euros será muito pequeno, menos de 4%.

Os bancos.
Se os depósitos fossem redenominados em Escudos, instalava-se o pânico e haveria uma corrida aos bancos.
Se os contratos de crédito fossem redenominados em Escudos os bancos entravam instantaneamente em falência e perdíamos os nossos depósitos.
Se a taxa de juro dos contratos de longo prazo não fossem alteradas, a economia não ajustaria e os bancos iriam à falência (e o povo perderia os depósitos).
Os bancos apresentam este ano 1100000000€ de prejuízo (mas foi ainda mais mas está escondido na contabilidade). É uma perda de 1/3  da actual capitalização bolsista dos bancos portugueses. Se nada for feito, em 2013, vamos assistir à falência deles todos.

Acabei a minha proposta assim
“With confidence” that this will adjust the labor market (decreasing unemployment), that this will balance the current account and that this will preserve the bank system solvability, “we will gain the inevitable triumph, so help us God” (Roosevelt, 1941).

Eu vou ganhar os 300000€.
Eu tive a lata de perguntar se tinham tido muitas submissões e se havia mais alguma portuguesa. A resposta foi
     Dear Mr. Cosme,
         Many thanks for your email.
         We have had over 200 submissions from all over the world.
         Kindest regards,
     Policy Exchange


Mas eu vou ganhar nem que seja ex-aequo com os outros todos. É que eu não consigo imaginar uma alternativa ao meu projecto. Pensei, pensei, pensei, já me virei milhares de vezes na cama e não imagino alternativa superior à minha proposta (senão tinha-a adoptado).
Será que penso que sou um génio porque, sendo burro, estou enganado ou porque, sendo génio, o sei?
Será que os meus colegas da academia dizem que eu sou limitado porque são eles limitados e não reconhecem um génio ou porque são génios e eu sou mesmo limitado?
Esta é a oportunidade de o ficar a saber.
E por isso é que eu queria saber se tinha havido mais submissões de portugueses pois só um que se julgue génio, como eu, é que teria lata para submeter uma proposta.

Fig. 5 - Aquele desfocado sou eu a gozar os 300000€ na minha sabática nas Maldivas


Pedro Cosme Costa Vieira

8 comentários:

Francisco Nunes Pereira disse...

Espero que consiga ganhar!

Francisco Nunes Pereira

Joaquim disse...

Estimado Pedro, faço minhas as palavras do anterior leitor. Votos de sucesso para si, naturalmente. Li este seu plano com a atenção e análise empírica e amadora que me é possivel, consequência da limitação económica da minha formação politécnica. E repare que não estou a por em causa a validade destas teorias. Pelos vistos, e aparentemente, a manter-se o rumo assim e com toda a máquina a vante, vamos todos alegremente ao fundo mais tarde ou mais cedo como o Costa Concórdia. Pelos seus escritos (que tenho sempre lido atentamente) fácilmente já chegámos à conclusão que a para saír deste atoleiro é o relançamento da competitividade económica, garantindo dessa forma a dinamização do nosso mercado exportador. Aparentemente, por mais que puxemos pelos cabelos, tal não será jamais possível enquanto nos mantivermos na zona Euro, visto a mesma limitar-nos a liberdade de impormos uma adequada política monetária que seria o garante primeiro desse dito relançamento. Penso que já estamos todos mais que convencidos disso e só esperamos um sinal de alerta de que o país regressará ao Escudo(p. ex: a saída da Grécia da zona Euro) para corrermos aos bancos e pôrmos todos os nossos tão dificilmente Euros ganhos ao fresco. E nessa altura, tendo conseguido salvar alguma coisita (vão-se os aneis mas que fiquem os dedos, não é?), preparamo-nos para o impacto. Que, certamente, será violento.
Isso leva-me aos seus pontos 6 e 7. Como muitos portugueses, sou feliz proprietário de uma casa que não é minha mas do banco. E pela qual (abençoada Euribor em declínio) estou neste momento pagando 460 Euros de prestação mensal. Resolvi fazer umas contas para ver como me iria adaptar ao seu plano e descobri, aterrado, que ao final dos trinta e seis meses do período de transição a minha prestação já estaria nos 920 Euros (mais arroba, menos quintal). Ou seja, estaria pagando uma prestação ainda mais alta que há cerca de quatro ou cinco anos atrás, no tempo aínda das vacas gordas e quando a Euribor atingia níveis históricos. Nessa altura estive nos oitocentos e troca-o-passo Euros mensais. E, acredite-me, já não estava nada satisfeito com a brincadeira. E estávamos numa altura durante a qual ainda não me tinham gamado (e a tantos milhares de portugueses), por decreto, o décimo terceiro, o décimo quarto e dez por cento do ordenado mensal. E, honestamente, Pedro, ainda me considero um privilegiado. Mas não consigo deixar de pensar em todos os restantes, que são a maioria de todos nós. Os que hoje, mesmo com a inflacção e as taxas de juro fortemente açaimadas pela UE, já desesperam para pagar a prestação da casita. Qual o quadro macroeconómico onde iremos integrar então o grosso da nossa população, à vista deste seu estudo, quando a inflacção começar a galopar e os juros idem idem aspas aspas (embora a um ritmo controlado de dois por cento ao mês). Se a isso associarmos a mais que previsível desvalorização/redução salarial(não nos iludamos, ainda não batemos no fundo, ainda nos podem sugar mais um bocadinho), que será de nós Pedro?
Face a este drama, no qual qualquer cura me parece cada vez mais pior que a doença, só me lembro da nossa máxima lusitana: Foge cão que te fazem Barão! Para onde? Se me fazem Visconde?
Um seu atento leitor.

McMan disse...

Professor Pedro Cosme Viera: há muitas coisas na vida de que tenho pena não ter usufruído, no seu devido tempo! Mas uma delas certamente é a de não tê-lo tido como meu professor! Boa sorte e votos de sucesso. Ficaria deliciado se ganhasse o prémio!

Económico-Financeiro disse...

Estimado Joaquim, a sua conta que resulta em 920€, infelizmente está correcta. Crise não é só uma palavra mais é algo que vai custar muito a ultrapassar.

Estive na Segunda no funeral de um primo meu (para quem a crise já acabou) e vi que grande parte dos meus familiares, prncipalemnte a joventude, está no desempregado.

Espero não chegarmos à situação da Ucrânia que parecia um país riquinho e onde hoje se morre congelado por falta de dinheiro para o gás.

Obrigado a todos pelas palavras de incentivo. pc.

Sérgio_Peter81 disse...

mas pedro juntar descidas de salario pela inflação + as subidas da prestação a esse nivél não levaria a uma massiva falencia das familias, que por sua vez vez levaria á queda do mercado imobiliario e insolvencias dos próprios bancos pois as casas perderiam grande parte do seu valor tal e qual a bolha dos USA?!? A mim quer me parecer que este raciocinio é uma das razões pelas quais tal ideia não avançou já na forma como a apresenta. mesmo que o emprego suba, as familias mesmo que a trabalhar não teriam rendimentos suficientes para pagar juros a esse nivél.agora os imprestimos já foram feitos as casas tambem! nesse cenario ninguem conseguem viver nem nas casas nem nos impréstimos (cidades fantasma na china)!

Sérgio_Peter81 disse...

Já me esquecia! Muitos parabens e sinceros votos de sucesso!!

Económico-Financeiro disse...

Pois Sérgio, é isso, terrivel.
Se a N.S. de Fátima (a Sr. Merkel) nos ajudar, podemos dividir os problemas por 50 anos. Senão vai ser tipo Ucrânia. O Sérgio pergunte a uma ucraniana como foi terrivel a bancarrota do país.
pc.

Sérgio_Peter81 disse...

Não foi ataque(nem ao prof nem às suas ideias), mas sim uma pergunta ou duvida sobre como iriam funcionar Pedro. Eu tambem não acredito muito que se consiga ultrapassar um problema apenas pelo poder do pensamento positivo e reza a jezuis!!! eu estava era á espera de ver o Pedro responder que haveriam mecanismos que apoiariam uma boa parte das situações para evitar a bolha imobiliaria e respectiva bancarrota de muitas instituições bancárias devido há mesma. Mas não! O pedro manda-me rezar à N.S. de Berlim!!! O Pedro por vezes deixa-me mais intrigado com o seu humor do com os seus post's. de qualquer forma parte da solução tem de passar pelo post "da pressa trama portugal" é facto. e quanto à bancarrota desde apenas sei o que passei e vi em criança aqui em portugal nos finais de 70 inicio de 80, mas esses tempos eram outros...Agora somos todos ricos. Escreva mais qualquer coisa sobre a madeira acho que nos iriamos todos pelo menos divertir sobre o que pensa o Pedro sobre a guerra do Jardim contra Merckel!

Grande Abraço
Sérgio

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