sexta-feira, 23 de março de 2012

Estive na Universidade de Aveiro - Parte I - a bancarrota

O NEEC-AAUAv convidou-me para dar uma comunicação sobre a saída do Euro.

"Tratou-se de um gesto de confiança dos Portugueses que muito me honra. Senti, naturalmente, o peso desta responsabilidade histórica." (retirado do tal prefácio do Cavaco). 
Aceitei e lá fui com toda a alegria.
Tinha que estar lá às 16h00 e, como saí um pouco atrasado da FEP (às 15h12), fui pela auto-estrada à velocidade supersónica de 120km/h. Nem sabia que a minha máquina dava tamanha velocidade. Estacionei a minha nave espacial (sim, move-se no espaço) em frente à reitoria às 16h03 e ainda tive que correr a toda a velocidade, sempre a perguntar onde ficaria o edifício de Economia, para chegar à hora, mais ou menos.
    - É lá ao fundo, depois daquela curva. 

Mamã, porque será que o Moisés andou 40 anos perdido?
Em pequenino fiz esta pergunta à minha mãe. Sendo o a Península do Sinai  um território relativamente  pequeno (200km de largura e 350km de altura) e sem rios nem montanhas, parecia-me impossível o Moisés ter andado por lá perdido 40 anos. Ainda mais estranho é, logo a seguir à sua morte, a viúva ter  descoberto como se saía dali.
   - Meu filhinho, o Moisés era como o papá que, por mais perdido que esteja, nunca pergunta o caminho.
Dizem historiadores que os pastores que por lá andavam viam aquele povo a caminhar de um lado para o outro sem tino mas pensavam que eram de uma dessas provas de "ultra-maratonas no deserto".
Quando perguntavam ao Moisés "que destino devemos tomar?" respondia como os nossos políticos: "a culpa é de Deus que me confunde os caminhos" (actualmente Deus dá pelo nome de "Santa Crise Internacional").
Mas não, a razão está nos homens não procurarem, em diálogo com os outros, um rumo.
   - Mal o Moisés morreu, a viúva, que era uma Etíope habituada ao deserto, fez uma perguntas aos pastores e passada meia hora já estavam a cruzar o Jordão.

O povo da organização já estava aflito.
Às 14h07 cheguei a um local onde estava uma pequena multidão. Pensei que estivessem alí por ser intervalo das aulas mas não. Por estranho que pareça, estavam ali para me ouvir.
Foi uma demonstração do extraordinário dinamismo das raparigas do NEEC. Mandaram e-mails, afixaram cartazes, intersectaram o povo na rua e, assim, conseguiram arregimentar cerca de 100 pessoas para me ouvir (87 assinaram a folha de presenças).
Foi um recorde para o meu guinness.
A primeira coisa que notei é que o departamente de Economia fica num sítio muito bonito, dando directamente para a Ria de Aveiro.

Fig. 1 - Saindo do edifício de Economia da UA, tirei esta fotografia.

Estará na hora de Portugal sair da Zona Euro?
Foi este o título da comunicação e o pensei para seu objectivo que "está na hora de tomar  uma decisão" (sair ou tentar ficar) mas para isso "precisamos de informação".
A minha comunicação iria apresentar toda a informação "objectiva" necessária à tomada de decisão quanto à saída do Euro.
Prometi não haver nenhum enviesamento a favor da saída mas apenas informação. Apesar de a objectividade ser muito difícil de alcançar, temos que fazer um esforço e, no caso de não o conseguirmos, devemos explicitar que temos uma certa queda para um dos lado.
Se nós estamos certos, se temos confiança no que afirmamos então, a objectividade indicará a nossa opinião. Se temos que esconder alguma coisa, é sinal de que estamos errados.

Então, será preciso saber o que é necessário fazer para nos podermos manter no Euro.
Não basta dizer que queremos ficar, que temos que ficar ou que será uma tragédia sair.
Para podermos ficar temos que fazer coisas e é preciso saber que coisas são essas.
Eu pensava que iria expor o meu caso em 30 minutos mas não consegui.
Falei como uma picareta durante 90 minutos. É obra o povo ter aguentado. Por ser tão extensa, vou dividi-la em 2 postes. No primeiro, este, vou falar como chegamos à bancarrota e na segunda parte, a fazer qualquer dia, vou explicar como vamos sair da camisa de forças em que nos metemos.

PARTE I - Como chegamos à bancarrota

A Teoria das Zonas Monetárias
A Moeda serve principalmente para que exista um preço nominal para cada bem e serviço transaccionado na economia. Sem moeda, havendo 1000 bens e serviços, seria preciso que houvesse 999 preço para cada bem e serviço da economia. Isso daria 499500 preços relativos.
Com moeda (como unidade de preço relativo), só será preciso haver 1000 preços porque com os preços nominais é possível obter qualquer um dos 499500 preços relativos.
Por exemplo, se temos milho = 0.15€/kg e galinha = 1.65€/kg, então calculam que 1 kg de galinha = 13 kg de milho.

Se uma zona monetária for maior, haverá vantagens.
Em termos financeiros é evidente que:
   1. Diminuem os custos de câmbio das moedas;
   2. Diminui o risco cambial (nos contratos que prevêem pagamentos futuros em moeda estrangeira).

Estas vantagens têm implicações económicas positivas:
   3. Aumenta o comércio entre os países o que favorece a exploração das vantagens comparativas;
   4. Abre novas oportunidades de investimento transfronteiriços o que favorece o crescimento;
   5. Aumenta a mobilidade dos factores de produção o que favorece a convergência real.

Mas a evidência histórica diz que cada país tende a ter a sua moeda.
Tirando o exemplo da Zona Euro (que dura há apenas 13 anos e, prevejo, não durará muito mais), as zonas monetárias com mais que um país têm um país grande (por exemplo, a Índia) e um pequeno (por exemplo, o Nepal).
Pegando nos países (que representam as zonas monetárias) e regredindo o PIBpc contra a dimensão do país em termos de população, não vemos nenhuma tendência de aumento do PIBpc com a dimensão da zona monetária (ver Fig. 2).

Fig. 2 - Relação entre PIBpc e dimensão das zonas Monetárias

Apesar de não ser um resultado estatístico forte, os dados (Fig 2) parecem indicar haver uma dimensão óptima para a ZM que estará entre os 35 e os 100 milhões de habitantes. Na Europa, 65% das pessoas vive em países com esta dimensão "óptima" o que não deve ser só coincidência.

Porque falham as Zonas Monetárias multi-país?
Como a teoria parece indicar que uma zona monetária maior é mais eficiente e isso não se verifica, tem que haver razões teóricas para esse "fracasso".

As vantagens são pequenas.
Os custos de câmbio reduziram-se a quase zero.
Actualmente, com os meios electrónicos de pagamento é possível fazer pagamentos automático (com Visa ou Maestro) com um câmbio instantanêo que tem reduzidíssimos custos. É apenas um conta feita por um computador e meia dúzia de bits por um canal de Internet.
Tem menor custos de produção que pagar a portagem numa ex-SCUT em que se passa por um pórtico, a câmara capta a nossa matricula, o computador vai a uma base de dados e lança lá um movimento a débito. Já está.
Se há pórticos que cobram 0.25€, naturalmente que os custos de cobrança são extremamente baixos, menores que 0.05€/transacção.
Num movimento de 100€, são 0.05%.
Isto não é suficiente para ser considerada uma vantagem.

O risco cambial pode ser coberto com instrumentos financeiros (swaps de divisas).
Supondo um contrato de fornecimento de um navio que será pago daqui a 5 anos em Dólares Americanos, USD, o fornecedor pode fazer hoje um contrato de troca entre USD por Euros a executar daqui a 5 anos a um cambio previamente acordado.
Assim, mesmo vendendo em USD, com o contrato de troca tenho o meu preço em Euros. Então, consigo cobrir o risco cambial.
Tem custos mas, como são movimentos electrónico, são diminutos, os tais 0.05%.

As desvantagens
Os ciclos económicos são desfasados
Ao longo do tempo a economia oscila entre períodos de "vacas magras" e de "vacas gordas". Faz parte da realidade económica e não há nada a fazer. É mesmo assim. É como no Verão fazer calor.

Fig. 3 - Evolução do PIBpc ao longo do tempo (fonte: Banco Mundial)

O ciclo económico não está perfeitamente em fase em toda a parte do mundo. Quanto mais distante em termos económicos estiverem dois países, menor é a correlação entre os seus ciclos económicos. Em termos de correlação linear entre o PIBpc temos, por exemplo (1970-2010, fonte: Banco Mundial):

     Portugal / Espanha             0.704
     Portugal / Alemanha           0.569
     Portugal / Coreia do Sul     0.233
     Portugal / Paquistão          -0.122

Como os países não estão na mesma posição do ciclo económico então, as políticas macroeconómicas de estabilização das condições económicas médias da Zona Monetária irão instabilizar os países pequenos e periféricos.
Mais instabilidade implica ajustamentos mais violentos que apenas serão possíveis de fazer se as economias forem muito flexíveis (se houver a possibilidade de, nos períodos de "vacas magras",  ocorrerem descidas nominais nos salários e nos preços).

A evolução da economia portuguesa, grega e alemã no contexto europeu
É repetidamente afirmado que
  Q1. A entrada na União europeia e na Zona Euro foram positivas para Portugal e para a Grécia;
  Q2. O país que mais ganhou foi a Alemanha.
Mas isto é senso comum que precisa ser avaliado com os dados.
Então, peguei no PIB por cada pessoa em idade activa (com idade entre 15 anos e 65 anos, fonte: Banco Mundial) e fiz um gráfico da sua evolução em Portugal e Grécia (os países em bancarrota) e a Alemanha (o tal país que alegadamente nos suga).
Para avaliarmos o dinamismo económico de um país penso ser importante retirar da análise as pessoas sem capacidade de trabalhar (os menores que 16 anos e os maiores que 65 anos).

Fig.4 - Evolução do PIBpcia 1960-2010 (fonte: Banco Mundial, cálculo meu)

O choque petrolífero.
Antes do choque petrolífero de 1973, Portugal e Grécia cresceram à taxa de 7.5%/ano enquanto que a Alemanha cresceu à taxa de 1.8%/ano.
Se tivéssemos continuado a crescer assim, atingiríamos o estado de desenvolvimento da Alemanha em 1985. Mas tal não aconteceu.
Mas, depois de 1973, o nosso crescimento reduziu-se a 0.85%/ano.
O crescimento da Alemanha parece pouco mas é equiparado ao dos USA e leva à duplicação da riqueza produzida por cada pessoa em idade activa a cada 40 anos.

A Entrada na União Europeia
Portugal, com o Cavaco, aumentou o crescimento para 3.3%/ano. E a Alemanha continuou serena no seu "lento" crescimento de 1.8%/ano.
Mais grave para Portugal foi que, depois da nossa entrada na Zona Euro, o crescimento caiu para (considerando 2011) 0.4%/ano.
Apesar das arrancadas, no período 1973-2010, o nosso crescimento foi exactamente igual ao da Alemanha, 1.64%/ano.
Apenas de no período pós-Choque Petrolífero de 1973 a taxa de crescimento da Alemanha ter diminuído,  manteve-se estável nos 1.64%/ano. E a entrada na Zona Euro não teve qualquer efeito positivo perceptível.

A evolução relativa.
Como a Alemanha manteve o seu crescimento lento mas certo, no final acabou por ganhar muito terreno à Grécia (que passou de 68% do PIBpcia alemão em 1973 para 50% em 2013) e manteve-se taco a taco com Portugal (que passou de 48% para 55% mas que vai voltar em 2013 para os 48%).
Faz lembrar a história da lebre e da tartaruga. A gente adormeceu.
Fig. 5 - Em relação à Alemanha, em 2013 voltamos ao nível de 1973 (fonte: Banco Mundial, cálculo meu) 

Conclusão
    Q1. NÃO. Em termos económicos, a entrada na Zona Euro não foram positivas para Portugal nem para a Grécia (ver Fig. 5). Para a Grécia a entrada na União Europeia foi muito negativa e a entrada no Euro foi inicialmente positiva mas foi sol de pouca dura (foi devido ao endividamento).
    Q2. NÃO. E a Alemanha continuou o seu "lento" caminho, não parecendo ter aumentado nem diminuído a taxa de crescimento da sua economia com a entrada no Euro (ver Fig. 4).

Por que diminuiu tanto o crescimento de Portugal e da Grécia em 1973?
Atingimos a fronteira tecnológica ou fizemos de conta que sim.
Os países menos desenvolvidos podem aproveitar a tecnologia dos países ricos para se desenvolverem por imitação. Para isso têm que se deixar os sonhos do Choque Tecnológico, a maluqueira do Sócrates de nos transformarmos nos líderes mundiais das energias alternativas, e procurarmos tecnologia adequadas ao nosso nível de desenvolvimento e que estejam disponíveis a preço de saldo.

As eólicas
Agora os esquerdistas (onde se encontram os que assinaram os contratos com as eólicas e a co-geração) querem que o Passos rasgue os contratos. Eu já tinha avisado em 2006 que a energia "alternativa" era cara (ver, Nuclear reduziria em 50% factura da electricidade). Chamaram-me maluco. Que metesse o reactor em minha casa.
Agora berram que a electricidade é cara. Já me sinto como o Cavaco ("eu bem tinha avisado").

A importação da tecnologia automóvel.
O projecto de um automóvel e o desenvolvimento das prensas e robôs que fazem automóveis demorou dezenas de anos e custou milhares de milhões de euros às contrutoras pelo que não seriamos capazes de o fazer. O Cavaco, aproveitando os fundos estruturais, negociou a instalação em Portugal da fábrica de automóveis da AutoEuropa em Palmela (1991) e a expansão da Peugeot-Citroen de Mangualde (por volta da mesma data). Hoje, Portugal exporta quase tantos automóveis e peças (5.4MM€) como Têxteis e Vestuário (4.1MM€) mais Sapatos (1.5MM€).
A partir de 1973, apesar de termos um nível de rendimento na ordem da metade do da Alemanha, passamo-nos a comportar como se fossemos ricos (apareceram as férias, os subsídios de férias e Natal, houve a redução do horário de trabalho das 48h/s para 40h/s, o aumento da proporção do PIB afecto a salários e a redução da poupança).
 - Também temos direito
Então, ficamos pobres porque faltam factores de produção (falta investimento físico e escolaridade).

Por "coincidência", em 1973 o Japão igualou os USA.
Foi exactamente em 1973 que o Japão deixou de crescer como um país atrasado (+7.3%) e passou a crescer como um país na fronteira tecnológica (+1.7%/ano). A partir desse ponto, o país já não consegue crescer por imitação pelo que se passou a comportar como as economias mais desenvolvidas.
Notar que o Brasil nunca teve o crescimento próprio de uma economia em desenvolvimento tendo, no máximo, atingido um crescimento do PIBpcia de 4%/ano.
Para digerir a tecnologia importada a preço de saldo, o povo não pode classificar as ideias do exterior como "colonização" mas antes como "ajuda ao seu desenvolvimento".

Fig. 6 - Em 1973, o Japão atingiu o PIBpcia dos USA (fonte: Banco Mundial, cálculo meu)

Os preços aumentaram.
A entrada na Zona Euro iniciou um processo de alteração dos preços relativos. Alguns países acumularam inflações mais elevadas que a média (os que estão agora em dificuldades) e outros ficaram abaixo da média
      Alemanha   119.1
      Portugal      134,0       +11.1%
      Ireland         136,9      +13.0%
      Spain            139,4      +14.6%
      Greece         146,7      +18.8%
(2010, 100 em 1998, fonte: Banco Mundial)

Os salários aumentaram (e o horário de trabalho diminuiu).
Desde que entramos no Euro, a redução do horário de trabalho (de 45h/s para 40h/s) induziu um aumento dos custos do trabalho em 12.5%. Acresce que, por exemplo, o Salário Mínimo Nacional aumentou no período 2005-2010 15% acima dos aumentos da produtividade.

Fig. 7 - Comparação entre a evolução do PIBpcia e o Salário Mínimo Nacional

O Dólar Americano desvalorizou significativamente
Relativamente à cotação média do USD no período 2000/2002 (0.90USD/Euro), o USD desvalorizou um máximo de 42% em finais de 2008 (para 1.55USD/Euro) estando actualmente em 1.35USD/Euro que representa uma desvalorização de 33% relativamente à data da nossa entrada no Euro.
Esta desvalorização prejudica as nossas exportações denominadas em USD e representa uma concorrência acrescida nos mercados denominados em Euros.

Fig. 8 - Evolução da contação do USD/Euro (fonte: FED)


A Balança Corrente desequilíbrou-se
O aumento dos preços, dos custos do trabalho e a desvalorização do USD criaram dificuldades acrescidas às nossas exportações e tornaram mais atractivos os produtos importados.
Naturalmente, as nossas contas com o exterior desequilibraram-se.
Importarmos mais que exportamos aumenta a nossa qualidade de vida mas ficamos endividados.

Fig. 9 - Evolução da balança corrente portuguesa (Fonte: Banco Mundial e Banco de Portugal)

Os desequilíbrios externos persistiram e foram-se acumulando ao longo dos anos atirando-nos para a zona de "perigo de bancarrota" juntamente com a Grécia. ficamos mesmo encostadinhos um ao outro.

Fig. 10 - Défice Corrente acumulado nos países da Zona Euro (Fonte: Banco Mundial)

No espaço de 13 anos, Portugal e a Grécia acumularam (acumulamos) um défice corrente próximo de 120% do PIB e nos últimos 3 anos (a resposta à crise do "subprime" tivemos défices próximos dos 12% do PIB por ano).

Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.
Com um Défice Corrente persistente de 10% do PIB (rever Fig. 8) algum dia iríamos ficar sem crédito.
Nunca nenhum país, em tempo de paz, conseguiu a proeza de acumular um défice corrente de 120% do PIB em tão curto espaço de tempo.
Nós, juntamente com os gregos, somos povos pioneiros da grande calotice. Vamos para o Guinness por esta proeza.
Mas algum dia isto iria acabar. E acabou em Janeiro de 2010.
Nessa altura, as taxas de juro dispararam dos 4%/ano para os actuais astronómicos 13.5%/ano
Agora, apenas temos algum dinheiro porque os países nossos amigos nos estão a ajudar.

Fig. 11 - Evolução das taxas de juro a 10Y (implícitas) da dívida pública.

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

Anónimo disse...

por que os paises amigos nos querem ajudar? por que nao nos dao canas de pesca?

Anónimo disse...

Boa tarde professor Pedro Cosme, sou aluna da Universidade de Aveiro e adorei e sua palestra. Só lhe queria dizer que é incrível mesmo... Obrigado pela motivação que nos transmite. Parabéns por todo o seu trabalho e pela pessoa descontraída e simpatiquíssima que é... Esperamos uma nova visita sua na UA :)

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code