sexta-feira, 29 de junho de 2012

A santa ignorância do Seguro sobre os 1%/ano.


Portugal está numa crise terrivel e, com ignorantes como o Seguro a candidatos a governantes do nosso país, estamos perdidos.
Os governantes deveriam ter vergonha de em público dizerem "eu não sei". Iam estudar, pediam pareceres a especialistas e depois falavam.

Vejamos a argumentação lógica do Seguro:
"Eu não sei porque o BCE empresta dinheiro aos bancos à taxa de juro de 1%/ano."
"Também não sei porque, em média, estamos a pagar 5%/ano pela nossa dívida pública."
"Sei que o Estado Português deve 200 000 milhões de euros e que paga 10MM€/ano de juros."
"Sei que, se em vez de pagar 5%/ano pagasse 1%/ano, o Estado só pagava 2MM€/ano."
"Posso concluir que não sei porque Portugal não pode poupar 5MM€/ano." (sim, a conta está mal feita).
"Posso também concluir que não sei porque Portugal paga juros e amortiza a dívida pública."

Diz o Seguro ao Galanda.
- Queres que te conte uma novidade fresquinha?
- Diz lá.
- Não sei se tens mulher e filhos.
- Não, não tenho nem mulher nem filhos.
- àhhh
- E qual é a novidade?
- É essa. É eu não saber se tens mulher e filhos.

Então Seguro amigo, vou-te explicar.
Há uma total diferença entre dinheiro e crédito.
Sei que parece a mesma coisa o BCE emprestar dinheiro aos bancos e conceder crédito mas são coisas completamente diferentes.
Eu já referi isso em vários postes mas é uma coisa tão contranatura que não é fácil de compreender pelo que a tua ignorancia é aceitável.
Também não deves saber porque os aviões voam.
Por isso é que não te abalanças a fazer aviões pois nunca levantariam voo.
Mas porque raio fazes força para governar o nosso querido país quando as consequencias da tua ignorância são muito mais graves que o avião não voar?

Devias-te dedicar à filosofia
Antes de destruires ainda mais o nosso querido país e não como a tua sombra que o fez apenas depois.

O que é o crédito?
Eu e o meu vizinho temos "5 alqueires de semeadura" de terra de regadio na qual cultivamos milho.
Na minha terra um alqueire de semeadura são 750m2 e produz, em média, "1 carro" que são 40 "alqueires de peso", 600 kg de milho.
Um ano, por causa do granizo, o meu vizinho produziu 100 alqueires e eu produzi 210 alqueres.
Depois de aturadas negociações, eu concedi-lhe um crédito de 50 alqueires de milho à taxa de juro anual de 2%/ano, amortizável em 5 prestações pagas no fim de cada ano, iguais.
O meu vizinho terá que me entregar 50 x 2%/(1-(1+2%)^-5) = 10.61 alqueires por ano nos próximos 5 anos.

O crédito é sobre bens e serviços que foram produzidos e que podem ser consumidos por uns (os devedores / investidores) em prejuizo de outros (os credores / aforradores) com a promessa de que mais tarde os devedores vão devolver bens de valor equivalente mais um juro.

Eu acredito que o meu vizinho vai honrar o seu compromisso.Eu conheço-o há 40 anos e nunca pregou o calote a ninguém.
Porque é uma pessoa honrada. Não é um caloteiro. É digno da minha confiança.
O meu pai já contava que o pai dele era uma pessoa séria.
Que, durante a guerra, até passou fome mas pagou sempre o que devia.
Se o meu vizinho alguma vez tivesse calutado alguém, eu exigiria uma taxa de juro que me compensasse, em termos estatísticos, do risco de ele voltar a calotar.
Exigiria uma taxa de juro muito mais elevada.

E o que é o dinheiro?
São papeis ou registos "no livro do cantineiro" que nós podemos usar para pagarmos as coisas que compramos.
Se eu tenho uma nota de 20€ no bolso então, posso ir ao mercado e comprar bens e serviços cujos preços somem até 20€.
Inicialmente, o dinheiro serve apenas como unidade de conta que permite que haja um preço para cada bem e serviço. Assim, as quantidades podem ser uniformizadas usando o preço e serem registadas no livro de Deve e Haver ou traduzidas em notas.
O dinheiro também vai ser um intermediário nas trocas tornando independente o que vendemos agora do que vamos comprar no futuro mais ou menos próximo.
Vendo agora milho a uma pessoa e, com o dinheiro recebido, compro amanha galinhas a outra pessoa.
Assim, o dinheiro também servem como reserva de valor entre as transacções, "acumulando" o valor do bem vendido enquanto não nos apropriamos do valor do bem que vamos comprar.

E daqui é que surge a confusão entre crédito e dinheiro.
Mas o dinheiro não são bens nem serviços pelo que é diferente do crédito que trata do empréstimo de bens e serviços.

Mas emprestar dinheiro não é conceder crédito?
Se eu vender os meus 50 alqueires de milho por uma nota de 200€, emprestar essa nota ao meu vizinho que vai ao mercado e compra 50 alqueires de milho, a minha nota apenas serviu como intermediário no contrato de crédito de milho.
Por isso, este empréstimo da nota vai materializar um crédito.
É como a igualdade entre trabalhar uma jorna em troca de 5 alqueires de milho ou receber uma nota de 20€ e ir ao mercado comprar 5 alqueires de milho. A nota é apenas intermediário na troca.
Quando o Estado Português precisa pagar salários, medicamentos, obras, etc., tem que entregar bens e serviços para os funcionários públicos e demais usarem no mercado para comprar os bens e serviços que precisam consumir no seu dia a dia.
Assim, o dinheiro entregue ao Estado, por ser um meio intermédio de uma transacção, tem que ter uma contrapartida real: a economia tem que produzir bens e serviços em quantidade suficiente para que as pessoas possam ir ao mercado e comprá-los.
Como em Portugal se produzem menos bens e serviços que o total consumido (é o défice da balança comercial), é preciso que pessoas do estrangeiro nos emprestem bens e serviços para nós consumirmos. Neste crédito de bens e serviços o dinheiro funciona com intermediário.

E o dinheiro emprestado aos bancos a 1%/ano?
Tem que existir uma determinada quantidade de dinheiro (traduzido em notas e em saldos das contas à ordem) para que a economia funcione bem. Como o dinheiro é intermediário, se houver pouco, os preços diminuiem (é a deflação) e, se houver muito, os preços aumentam (é a inflação).
A quantidade de notas em circulação é cerca de 10% do PIB na Zona Euro e 8% do PIB nos USA. Sim é verdade, na América existem menos notas em circulação que na Zona Euro porque na América as pessoas recebem os salário no fim de cada semana e na Zona Euro recebem no fim de cada mês.
Sendo os salários 60% do PIB, o pagamento do salário no fim de cada mês em notas e a sua utilização ao longo do tempo implica a necessidade de 60%/12/2 = 2.5% do PIB. O pagamento semanal implica a necessidade de 60%/52/2 = 0.6% do PIB.

A estabilidade dos preços
O Banco Central tem que zelar para que a quantidade de moeda em circulação seja a adequada mantendo-se os preços estáveis (uma inflação de 2%/ano).
No caso da Zona euro, o BCE utiliza a "taxa de desconto" para injectar e retirar notas de circulação.
Se o Banco Central precisar de aumentar a quantidade de moeda em circulação, diminui a taxa de desconta (a tal que está na Zona Euro nos 1%/ano).
Se, daqui a um mês, precisar de diminuir a quantidade de moeda em circulação, o BCE aumentará a taxa de desconto.
A taxa de desconto está baixa mas já atingiu nos anos 1990, no overnight, mais de 100%/ano.

Então este dinheiro não é crédito?
Também é mas não como o outro.
Imaginemos que nós, normalmente, temos 100€ no bolso.
Ao determos dinheiro no bolso, estamos a conceder um crédito no valor de 100€, a preços de mercado, ao BCE sem juro.
De facto, essa nota é um crédito mas que o detentor da nota faz ao BCE e sem juros.
No entanto, a nota ao mudar da nossa mão para a do nosso vizinho, não altera esse crédito original feito pelos particulares ao BCE.

É ao contrario do que pensam.
Quando o BCE emite nota, esta-se a tornar devedor e nós é que estamos a conceder um crédito ao BCE. Não é como os comunas e o senso comum parece indicar.
Mas o BCE está muito atento à vontade das pessoas deterem notas no bolso.
Quando a nota sai do meu bolso porque eu vou faço uma compra no mercado, se o vendedor não quer ter essa nota, o contrato de crédito original que eu fiz com o BCE extingue-se pelo que essa nota tem que ser absorvida pelo banco central.
Claro que o BCE não detecta exactamente que essa nota está a mais mas, em termos estatísticos, vai absorve-la de circulação aumentando a taxa de desconto.

Os bancos são quem guarda a maior parte das notas.
Quando nós temos um depósito bancários, os bancos guardam parte desse valor como notas, são as reservas.
Supondo que temos 10000€ na conta à ordem e que as reservas são 25% então, o banco guardará no cofre (do BCE - Banco de Portugal) 2500€ por nossa ordem.
O BCE nos últimos meses detectou que havia pouco dinheiro em circulação. Detectou que as pessoas do Norte da Europa começaram a ter muito "dinheiro no bolso" (depositado em contas à ordem do BCE) e que começou a faltar dinheiro no Sul da Europa.
O mandato do BCE obriga a que a liquidez (a quantidade de notas em circulação) se mantenha em todas as partes da Zona Euro.
Mas esses empréstimo de notas não se traduzem em compra de bens e serviços.
As pessoas querem as notas para as ter guardadas.
Se o BCE não injectasse liquidez nos países do Sul, haveria deflação significativa no Sul da Europa e uma descida da taxa de desconto para zero no Norte da Europa.

E se o BCE emprestasse notas aos Estados?
No dia seguinte, os Estados iriam entregar as notas aos funcionários públicos e aos empreiteiros que iriam para o mercado comprar bens e serviços a pessoa que não queriam deter mais notas. Então, o BCE teria que, no dia seguinte, absorver essas notas de novo aumentando a taxa de desconto para as tais do mercado de crédito (entre 6%/ano e 7%/ano para a Espanha e a Itália).

E se o BCE a taxa de desconto se mantivesse em 1%/ano?
A quantidade de notas aumentava para a mesma quantidade de bens e serviços pelo que os preços (a inflação) aumentaria.
Isso é mau porque nos países que têm uma taxa de inflação mais elevada, o risco é maior pelo que a taxa de juro é mais que proporcionalmente maior.
Em média, quando a taxa de inflação aumenta 1 ponto percentual, a taxa de juro paga pelos agentes económicos aumenta 1.55 pontos percentuais.
Se para uma taxa de inflação de 2%/ano a taxa de juro for 4%/ano, para uma taxa de inflação de 5%/ano, a taxa de juro será 8.7%/ano.

Fig. 1 -Relação entre a taxa de inflação e a taxa de juro real (dados: Banco Mundial, 2005/10)

Para taxas de inflação elevadas a taxa de juro média fica plana porque as pessoas passam a usar outra moeda (dólar, euro, etc.) nos seus contratos. 

Nota final: tenho dado passos à volta da candidata a minha amante.
Já meti conversa e tal, disse que ela estava com muito bom aspecto, que estava mesmo uma brasa.
Contei, como as mulheres gostam, que tive uma juventude muito dificil, blá, blá, blá,
Vamos lá ver como a coisa avança.
Vai ser mais dificil porque cortaram-me substancialmente o ordenado.
Provavelmente vou ter que mudar para uma mulher simpática, sensível e boa companheira (uma feia e gorda).


Fig.2 - Vejam esta fotografia da minha futura amante.

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

tiago mota disse...

será que estamos a passar por uma situaçao identica a crise de 1929 que a economia so voltou a crescer de uma forma rapida com a guerra.
a europa ja esta com fraco crescimento a 4 anos o USA estao super individados e o japao tambem nao estao na sua melhor fase de crescimento, sera possivel esta situaçao leva- nos a uma guerra .

porquê que a economia do mundo e principalmente a do USA começaram a crescer com a guerra? e ja agora se a poupança é que leva ao crescimento porquê que a maior economia do mundo é o USA que é um pais consumista, será que portugal nao é um pais com uma poupança mais elevada ao longo do sec XX e do sec XXI.
no fundo a pergunta que coloco ao professor é se a poupança justifica que os paises mais ricos sao os USA canada norte europa e japao? foram estes paises que mais pouparam mais nos ultimos 100 ou 200 anos?

Fernando Ferreira disse...

O Pedro disse: "Tem que existir uma determinada quantidade de dinheiro (traduzido em notas e em saldos das contas à ordem) para que a economia funcione bem. Como o dinheiro é intermediário, se houver pouco, os preços diminuiem (é a deflação) e, se houver muito, os preços aumentam (é a inflação)."

Mas umas quantas falacias do Keynesianismo e a idea que burocratas, sejam eles politicos ou economistas, mesmo armados de complexas formulas matematicas, sao capazes de "calcular" quando dinheiro precisam "injectar" na economia, de modo a que esta "funcione bem"... Assim se ve o que os economistas keynesianos tem feito nestes anos todos: So sabem injectar dinheiro (para eles a deflaccao e' o completo fim do mundo) e ve-se o estado em que a economia mundial se encontra.Quem concordar que o keynesianismo tem "produzido" uma boa economia, levante o braco.

Na realidade, para que uma economia funcione equilibradamente, QUALQUER QUANTIDADE DE DINHEIRO E' SUFICIENTE. O que varia 'e O PODER DE COMPRA dessa mesma quantidade de dinheiro.

O unico "problema" e', num sistema com uma quantidade de dinheiro mais ou menos fixa ou que varia pouco, os politicos ficam IMPOSSIBILITADOS de criar dinheiro-papel a seu belo prazer e de acordo com as suas agendas politicas de reeleicao. Nao tem NADA A VER com as "necessidades" da economia.

No entanto, eles continuam a querer passar a mensagem ao povinho de que, sem a sua accao timoneira e "benfeitora", o mundo estaria perdido.

Muito antes de haverem politicos e economistas neste mundo, ja existiam trocas comerciais e dinheiro. A economia NAO DEPENDE DE POLITICOS NEM DE ECONOMISTAS!

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