sexta-feira, 8 de junho de 2012

Um ano depois, é urgente baixar os salários

Chegou ao fim o primeiro ano do governo do Pedro Passos Coelho.
Na tomada de posso eu achei que o governo não ia a lado nenhum.
A meio do ano, previ que o governa não chegava ao Natal.
Depois veio o Orçamento de Estado 2012 que implementou muitas das ideias que eu defendo neste blog.
Apenas faltaram dois grandes pormenores:

A) A subida das taxas de juro para os nossos bancos não irem à falência; 

B) A descida dos salários para combater o desemprego.
A teimosia do governo em não actuar nestas variáveis macroeconómicas vão levar o PPC ao fracasso total.
Prevejo que, assim, não se vai aguentar mais um ano.


Fig. 1 - Dizem que eu sou parecido com o Gaspar a ponto de já me terem pedido um autógrafo. Mas eu sou mais bonito.

O que levou o Marcelo Caetano ao fracasso?
Fez quase tudo bem.
Começou por aumentar as liberdades individuais, reduzir a censura e as prisões arbitrárias.
Acelerou a liberalização e a internacionalização da economia portuguesa.
Durante os 6 anos do seu reinado, o nosso PIB cresceu, em média, 8.2%/ano.
Mas bastou não fazer uma coisa, que implicou outra e que o levou ao fracasso total.

Mas não teve coragem para acabar com a Guerra de África e proceder à descolonização.
  -"Quem falar nisso comete um crime contra Portugal. É um traidor à pátria."
  -"Portugal é inviável como país sem África"
  - "Portugal é do Minho a Timor"
  - "Só diz isso quem não conhece o povo português nem percebe nada de geopolítica."
  - "Enquanto houver portugueses, Angola será Portugal".
Mas era Angola ou era Portugal? Faria mais sentido a musica cantar "Enquanto houver portugueses, Portugal será Portugal".

Não acabando a guerra, não podia haver democracia porque nas colónias havia mais pessoas que em Portugal. Se o Soares não cortasse a coisa, o nosso primeiro presidente teria seria o Samora Machel.
A democracia deveria ter avançado nas eleições legislativas de 1973.
Não pode avançar, o Caetano caiu passados uns meses na desgraça total.
E quem perdeu mais foi Portugal.

Agora estamos na mesma com a história dos salários.


Fig. 2 - A irmã do Gaspar é melhor que a irmã do Ronaldo

O povo intelectual de esquerda
e o Cavaco (porque está alzheimado) dizem não compreender como a descida do salário pode resolver os problemas que Portugal enfrenta.
Se não compreendem isto então, não compreendem porque não se aumentam os salários para o dobro.
A conclusão de que reduzir os salários é mau para resolver a crise portuguesa, implica directamente que aumentar os salários vai resolver a dita crise.
Se aumentar 50% não resolver, aumentam-se 100% ou 200% ou 1000%.

Se os salários de toda a gente aumentarem para 50000€/mês,
   => 1) As pessoas vão aumentar o rendimento disponível
   => 2) O consumo aumenta
   => 3) As empresas vão aumentar as vendas
   => 4) Aumenta o IRS e o IVA
   => 5) O PIB aumenta
   => 6) A crise acaba.
O amigo não acredita nisto?
Então acredita que é preciso descer os salário só não sabe porquê.

A relação causal está errada
A) Os salários sobem
=> 1) As empresas ficam com custos de produção mais elevados
=> 2) As empresas não conseguem aumentar o preço porque estão a concorrer com os nossos parceiros da Zona euro que não aumentaram os salários
=> 3.1) As empresas diminuem a produção concentrando-se nas actividades em que têm maior margem despedindo os trabalhadores das actividades menos produtivas.
Lá se vão os 4.a classe e 12.º Novas Oportunidades para o desemprego
=> 3.2) As empresas pretendem manter o nível de actividade ou não têm actividades suficientemente produtivas. Como não conseguem aumentar o preço, têm prejuízo indo à falência.
Lá se vai o resto.

=> 4) Aumenta o desemprego  
Apesar do rendimento das pessoas que continuam a trabalhar aumentar, como há muitas mais que são despedidas

=> 5) O Rendimento das famílias diminui.
Aumento dos salários => Aumento do desemprego => Redução do rendimento disponível
A partir daqui vem o que já tinha antecipado: a tragédia

A descida dos salários funciona de forma simétrica
=> 1) As empresas ficam com custos de produção menores
=> 2) Como o mercado da ZE é muito grande, as empresas baixando o preço vão aumentar mais que proporcionalmente os lucros.
=> 3.1) As empresas aumentam a actividade quer nas actividades mais lucrativas quer contratando  trabalhadores menos produtivos
Os 4.a classe e os jovens arranjam emprego
=> 3.2) Nascem novas empresas.

=> 4) Diminui o desemprego  
Apesar do rendimento das pessoas que continuam a trabalhar diminuir, como há muitas mais que são contratadas

=> 5) O Rendimento das famílias aumenta.
Diminuição dos salários => Diminuição do desemprego => Aumento do rendimento disponível
A partir daqui vem a resolução da crise.

Mas os meus colegas comunas que se armam em grandes sabedores em economia perguntam

E onde pára a descida do salário?
Para quando a taxa de desemprego atingir "Zero".
Em termos técnicos este "Zero desemprego" não aparece nas estatísticas como o número zero sendo uma taxa de desemprego próxima dos 5% da população activa.
A taxa de desemprego a que corresponde o "Zero desemprego" varia de país para país e depende de como as pessoas respondem aos inquéritos "se estão ou não à procura de emprego" e se se inscrevem ou não na Segurança Social.
Se, por exemplo, os inscritos tivessem automaticamente isenção no IMI (os dois membros desempregados corresponder a zero e um desempregado corresponder a 50%), a taxa de desemprego em Portugal ultrapassaria os 25% da Espanha.
Por isso, os 25% de desemprego da Espanha não são maiores que os nossos 16%.

 Mas aí os socialistas, esquerdistas, cavaquistas e outros alzheimado atacam com esta 
Uma senhora gorda foi ao médico, ao dr. Cavaco.
- Sr. doutor, estou mal do castrol, diabetes, gota, pelo que tenho que emagrecer senão morro.

- Minha senhora tem 2 alternativas.
1) Comer menos fazendo o mesmo exercício físico que faz (descer os salários)
2) Fazer mais exercício físico comendo o mesmo (trabalhar mais horas pelo mesmo salário)
- Mas sr. doutor, nenhuma destas me serve porque eu sou esquerdistas.

- Bem, pode experimentar um caminho que os esquerdistas dizem dar resultado
Ficar mais alta (aumentar a produtividade)
- aí sr. dr., vou então ficar mais alta.
Morreu.

Aumentar a produtividade não é uma brincadeira de crianças.
Se fosse fácil, não havia países pobres. Éramos todos como o Luxemburgo e a Suíça.
E mesmo países aumentavam ainda mais o seu nível de vida.
Há alguém que pense que na Guiné-Bissau é uma miséria porque eles gostam?
Pegar de marcha-a-ré ainda há quem goste mas de viver na miséria, nem os que acreditam que é um caminho para ir para o Céu.

Fig.3 - Subir os salários é boa ideia mas é uma ilusão. Não passa de um monte de areia molhada.

Depois vou falar dos bancos, da taxa de juro e da recapitalização.

Pedro Cosme Costa Vieira

8 comentários:

Anónimo disse...

Concordo, a descida dos salários é inevitável. Juntamente com a descida dos preços. Também a esperança média de vida deve descer, afinal, reformas são despesas. Mas atenção- nem tudo é negativo! Algumas extravagancias são aceites (ou ignoradas?) - como por exemplo as imaginativas remunerações dos nossos deputados. Não hão de os Gregos andarem revoltados com as confusões democráticas herdadas dos avós.

Mas vou calar-me porque amanhã a selecção joga. Nisso é que somos bons!
Pena que não se possa pagar dívida aos pontapés à bola.

Anónimo disse...

Caro P.C. diga-me o seguinte:
Temos 2 hip:
-Reduzir Salários: 8h trabalho + 8h dormir + 8h lazer (rendimento 400)
-Aumentar Horas: 10h trabalho + 8h dormir + 6h lazer (rendimento 500)

Na maior franja da população o dinheiro é reconduzido para a economia, pq simplesmente não existe margem para poupar.
Caso existisse uma redução dos salários, imagino que a total diminuição do salário (neste caso 100), não fosse reconduzida para a produção. Parte iria fugir do ciclo habitual. E assim não iria ser reconduzido na contratação de novos trabalhadores, no aumento de produção, etc.

Outro caso é o facto das pessoas não retirarem assim tanto do lazer que prefiram, racionalmente, trabalhar o mesmo e ganhar menos. Aquelas 2horas que se passam a ver novelas da TVI não serão melhor aplicadas no trabalho? Isto é, podemos realmente achar que o bem-estar aumenta com a manutenção do lazer e diminuição dos salários?

Verdade seja dita: A minha opinião, e o melhor eticamente falando, seria realmente a diminuição dos salários que levasse à diminuição do desemprego. Tiramos 100 de 4 pessoas que recebem 500 para 1 receber 400. No entanto, do ponto de vista teórico e económico, isto não é exactamente igual?

Anónimo disse...

Muito boa tarde. Não teria nada contra o reduzir salários mas, então, como é que os assaridos iriam pagar os seus créditos bancários? Poderá haver uma redução dos créditos bancárioa na proporção da diminuição de salários?

Jorge Estêvão disse...

O problema não são bem os salários. São os factores produtivos. Como os outros são inelásticos (o governo já nem manda na EDP, se alguma vez mudou), o factor trabalho sofre as consequências.
Por outro lado, estando uma grande parte da economia assente em empresas por sua vez trabalho-intensivas de baixo nível (recorrendo a muita mão-de-obra pouco qualificada), o problema ainda é mais grave.

RS disse...

Já se falou aqui da situação da Ucrânia e de facto o que está a acontecer em Portugal e em outros países é uma situação semelhante à vivida na Ucrânia . Os sistemas financeiros estão insolventes e vai haver o dia em que a Alemanha vai ordenar ao BCE o fim das LTRO e aí o euro acaba (o sistema financeiro colapsa).
Isto é um tema, agora outro totalmente diferente diz respeito à repartição da austeridade. A austeridade apenas existe fora do Estado porque dentro do Estado a festa continua. Basta ver o que se passou no dia da FEP em que um reputado pianista foi lá fazer uma demonstração (nada contra o pianista, bastante bom até e que se dedica a fornecer um serviço) mas todo aquele fausto num país falido foi absolutamente indigno. Isto tudo sob o olhar do ministro das Finanças.

Anónimo disse...

Não concordo.

As empresas mais bem sucedidas contra toda a concorrência têm em seu uso as mentes mais brilhantes do mundo. exemplo: Microsoft, google.

A economima é um jogo, quem for o melhor ganha muito, quem for o pior ganha pouco ou nada.

Se as melhores mentes sairem de portugal(já saiem muitas), portugal não tem qualquer hipotese contra a concorrência exterior e a economia vai completamente abaixo. Nem a mão-de-obra barata nos salva.

Portugal não consegue concorrer contra o estrangeiro em termos de salarios e energia para produzir os produtos, quando o preço real que paga é 0.45€ por kwh nas eolicas(50% da energia é bem mais cara que 0,14€kwh) e o ordenado de mao-de-obra barata é muito superior à estrangeira.
Portugal tem de apostar em trabalhadores que desenvolvam tecnologia, inovação, criatividade para concorrer ao estrangeiro.

Porque são os mais inteligentes e caros que fazem uma empresa vencer a concorrência e a zona onde essas pessoas vão gastar o dinheiro é onde surge mais dinheiro.

Exemplo: se eles gastarem muito dinheiro em serviços num local, esse local fica com mais dinheiro, e com isso, as pessoas desse local sentem-se mais motivadas em comprar e investir por terem dinheiro.

Mas a base da crise não está aqui, vem das jogadas de alguns bancos com empresas. Offshores para levar o dinheiro e depois culpar os creditos, que é tudo uma jogada. Algumas empresas têm culpa em influenciar as politicas em favor dos bancos.

Gonçalo disse...

Pedro, em resposta ao comentário do anónimo de 17/06, desafio a que nos diga qual o peso na economia mundial (e na nossa) da tecnologia de ponta.

Quanto aos nossos cérebros, segundo Álvaro Pereira, em 2008 35% de jovens com idades entre os 18 e os 24 anos abandonaram o ensino secundário sem o completarem, enquanto na faixa entre os 24 e os 65 só 28,2% concluíram o secundário. Ou seja, a mão de obra portuguesa é, na sua esmagadora maioria, pouco qualificada. Mais ainda, muitos dos licenciados entram para o mercado de trabalho muito mal preparados.

Anónimo disse...

A solução mais rapida para agora:
oferecendo cursos profissionais.

Problema:
O governo não apoia os cursos profissionais, que daria emprego a milhares de desempregados.
perfere antes reduzir o salario minimo e ajudar algumas grandes empresas, como exemplo o financiamento das de energias renovaveis (pelo menos de 85 milhões por mês só da parte das eolicas).

Com este andar, o país vai ter salarios muito baixos e grandes empresas a ganhar furtunas.

Devido ao euro e à vantagem das trocas entre países optamos por competir no mercado mundial.
Agora, se o mercado mundial "cair" e não poder vender os produtos, nós também "caímos" como eles. Porque não temos a preparação para fabrical para todos. Incluindo o produto mais essencial que precisamos.

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