sexta-feira, 6 de julho de 2012

A crise do ChISP e a descida da taxa de desconto do BCE

Como Portugal é um país muito endividado face ao exterior, uma descida da taxa de desconto do banco central (a taxa de juro) parece ser positiva. No entanto esta descida é globalmente uma má notícia.

Fig. 1 - Digamos que a coisa está a ficar muito feia.

1. Os agentes económicos portugueses que estão endividados face ao exterior não se conseguem financiar à taxa de desconto do BCE nem à taxa EURIBOR.
Estas taxas são aplicadas apenas a agentes económicos sem risco (de bancarrota ou cambial) que não é o caso do Estado Português, dos bancos portugueses nem das grandes empresas portuguesas.
Apesar de repetidamente os agentes políticos e económicos da área dos comunas dizem que "a yield da dívida pública é no mercado secundário pelo que ninguém a está a pagar", o certo é que as grandes empresas portuguesas já começaram a captar financiamento nas famílias portuguesas a taxas de juro entre 6%/ano e 7%/ano e em crescendo.
Os bancos portugueses conseguirem financiarem-se a essa taxa de juro é uma negociação política com os nossos parceiros na Zona Euro que traduz uma ajuda encapotada e não uma decisão economia racional.
Como a Sr.a Merkel não consegue justificar junto dos eleitores alemães o subsídio das taxas de juro dos créditos concedidos aos PIIGS, usam umas linhas de crédito do BCE para fazer isso. Sem quase ninguém dar conta.

O risco do ChISP é principalmente cambial.
Actualmente, o risco do Chipre, Itália, Espanha e Portugal, é principalmente cambial pois existe uma forte probabilidade de estes países decidirem (por dificuldades em ajustar a economia em câmbios fixos) abandonar voluntariamente a Zona Euro.
A Grécia é um caso perdido que merece ser colocado à parte porque, além do risco cambial, mantém um muito elevado risco de bancarrota descontrolada.
Assim, é conveniente enterrar os PIIGS e passar a falar do ChISP.
No outro dia obriguei os meus alunos a falar sobre "a união monetária" e todos disseram que, "actualmente, Portugal não tem risco cambial face aos nossos parceiros da Zona Euro".
Isto está errado porque, apesar de termos cambio fixo com esses países, existe o risco de sairmos e desvalorizarmos. Este risco materializa-se na taxa de juro e obriga a termos contas públicas e balança corrente sólidas e durante muitos anos.
Por causa do risco cambial é que os negócios da família Soares dos Santos mudou o local de realização dos seus contratos para a Holanda. A generalidade das grandes empresas estão a ser obrigadas a realizar os seus contratos subordinados à lei luxemburguesa, holandesa ou inglesa.
É o descrédito de que manteremos o actual cambio (de 200.482 Escudos por Euro) no médio prazo.

Fig. 2 - Mortos os PIIGS, vivas ao ChISP


2. Vão diminuir a prestação dos créditos à habitação indexados à EURIBOR
porque esta taxa de referência da Zona Euro tem tendência a diminuir quando a taxa de desconto do BCE diminui. Uma coisa não causa a outra mas estão ligadas pelos fundamentais da conjuntura económica.
No entanto, como os nosso bancos não se conseguem financiar a essa taxa, esses os contratos passam a dar mais prejuízo o que obriga ao Estado Português a injectar mais capital no sistema bancário.
Esse capital público é obtido a uma taxa muito superior à EURIBOR e vai-se traduzir em mais impostos e mais austeridade pública.
Por isso, a vida das famílias que estão endividadas melhora pela descida da EURIBOR mas a vida de todas as outras piora por os impostos terem que aumentar para compensar as perdas dos sistema bancário.
É apenas uma transferência de rendimentos das famílias menos endividadas (os mais velhinhos) para os mais endividados (os mais novinhos).


3. A descida para valores historicamente baixos da taxa de desconto antecipa que a Zona Euro vai entrar numa crise historicamente grave.
Como eu já expliquei (O Cavaco Está maluco: o BCE não pode salvar a Itália nem ninguém), quando se antecipa uma crise, os agentes económicos querem ter mais liquidez, mais notas.
Isto, em termos psicológicos, resulta de as pessoas acharem que a moeda é um activo sem risco.
Como aumenta o risco das empresas, famílias, Estados e bancos falirem, as pessoas querem ter mais liquidez.
Claro que existe o risco do poder de compra das notas diminuir mas, se o Banco Central tiver como mandato manter a estabilidade dos preços, esse risco é pequeno.
Se a quantidade de notas se mantiver constante, haverá falta de dinheiro na economia o que faz diminuir os preços, haverá deflação.
Então, olhando para a evolução do PIB e da inflação na "crise do subprime" que começou em 2007 e atingiu fortemente o PIB da Zona Euro em 2009, o padrão está-se a repetir com a crise das "dívidas soberanas" dos PIIGS que começou em meados de 2010 e começou a ter efeito no PIB da Zona Euro no princípio de 2011 e vai, prevê o BCE, ter um impacto terrível em 2012/13.

Fig. 3 - O BCE desceu a taxa de desconto porque antecipa uma crise económica muito grave, com deflação e contracção violenta do PIB (dados: BCE)

Fig. 4 - Vai ser preciso apertar forte em mais algum lado.

3. O BCE não alterou a sua política monetária.
O mandato do BCE impõe uma taxa de inflação de 2%/ano e, indirectamente (porque está dependente do financiamento externo aos Estados e aos privados), uma balança corrente equilibrada.
E isto está a ser perfeitamente cumprido.

Fig. 5 - O BCE mantém, numa mão, a inflação nos 2%/ano e, na outra mão, uma balança corrente nula.

No entanto, colocam-se dois desafios a este mandato:
A) A inflação da Zona Euro está difícil de controlar por a variabilidade da taxa de inflação estar elevada.
Fig. 6 - A taxa de inflação (média de "24 meses" alisada exponencialmente) na Zona euro está em torno dos 2%/ano mas a sua variabilidade aumentou de 0.3 pp em 2006/8 para 1.0 pp em 2009/12

B) Os colaterais usados pelos bancos na obtenção de liquidez são heterogéneos porque são, principalmente, dívida pública dos países onde estão residentes, que tem níveis de risco diferentes.
Por exemplo, uma obrigação de dívida pública portuguesa a 30 anos emitida ao par com um cupão de 3.5%/ano estão a ser negociadas a 40% do valor nominal (por exemplo, 100€, juros de 3.5€ no fim de cada ano, vendida por 100€, estão a ser negociadas no mercado por 40€).
Então, quando um banco pede liquidez ao BCE, esta obrigação com o valor nominal de 100€, servirá de garantia de 100€ ou de apenas 40€?
Antes da "crise" serviriam como garantia de 100€ mas agora, o valor refere-se a 30 de Setembro de 2011.
Mas porquê esse dia?
As obrigações Espanholas, Gregas e Italianas já desvalorizaram bastante desse esse dia.

C) E o mercado interbancário desapareceu.
Os grandes bancos emprestam liquidez entre si sem garantias (sem colaterais). Se, por exemplo, o BCP tinha falta de liquidez porque um cliente transferia electronicamente 1M€ para o Deutch-Bank, o BCP pedia no interbancário (em concorrência) a um banco qualquer e optava pelo que lhe fizesse a taxa de juro mais baixa.
Todos os dias de manhã, os bancos reportam à REUTER as taxas dos seus contractos do mercado interbancário, esta retira 15% das taxas mais elevadas e mais baixas e calcula a EURIBOR como a média dos restantes 70% dos contratos.
Neste momento, os bancos que conseguem obter empréstimos de colegas sem garantias são muito poucos pelo que o BCE tem que funcionar como intermediário do sistema o que aumenta em muito o volume de transacções que tem que fazer diariamente e a necessidade de notas (porque o BCE é menos rápido a fazer transacções que o verificado no mercado interbancário)

Fig. 7 - No último ano, o total de activos do BCE aumentou de 2000MM€ para 3000MM€ (os tais 1000M€ das operações LTRO), fonte: bloomberg


Fig. 8 - Porque os bancos depositaram 750MM€ no BCE. fonte: bloomberg

4. Sobre as gajas boas.
Existem pessoas que dizem que eu, ao endeusar as gajas boas, estou a diminuir as outras.
Que as mulheres devem ser vistas como "o santuário da vida" e "a mãe de toda a Humanidade" e não como gajas boas, boas para carimbar.
Mas ver a mulher como um santuário é reduzir a mulher à função reprodutora. Reduzi-la a uma tecnologia.

Certo dia, numa reunião em Bruxelas, o Bocage encontrou-se com a Sr.a Merkel.
Diz a Sr.a Merkel:
- Na Alemanha fazemos aviões, centrais nucleares, mercedes e muitas mais coisas de alta tecnologia. O Bocage, conhecido homem de argumentação fácil, diga lá o que se faz em Portugal que use tecnologia de ponta superior ao que usamos na Alemanha?
Diz o Bocage:
- Tecnologia de ponta, alta tecnologia, ... bom ... é mais tecnologia deitada.
- Há algo muito sofisticado que fazemos no nosso querido Portugal com tecnologia 100% local.
- Fazemos pessoas ...

Todas as mulheres podem ser gajas boas e apetitosas
Mas dá trabalho e obriga a um grande esforço.
Cortar no que se come, fazer uma caminhada/corridinha de 60 minutos por dia, usar um penteado fixe, ser simpática, aprender uns cozinhados e ter uma conversa construtiva (ao contrário da mulher normal que é rabugenta).
E podem mesmo usar um perfume discreto num sítio estratégico (tipo, atrás da orelha, no umbigo ou mesmo na parte que o decote mostra) para poderem usar a técnica do "cheira aqui a ver se gostas deste perfume novo".
Na primeira vez podem ficar um bocadito coradas mas, pumba, já está engatado no anzol.
Custa mas dá resultado certo.
Garanto que mesmo as que são mais feias ficarão rapidamente boas e apetitosas.
Volte a repare na Fig. 5. Será que é uma mulher feia? Não interessa porque é boa como o milho.

Fig. 8 - Se esta chinoca se transformou numa mulher altamente apetitosa, até uma professora universitária é capaz de o atingir.

5. O chumbo do corte dos subsídios pelo Tribunal de Contas.
A constituição dá ao Governo total liberdade para carambiar o povo com impostos.
Pode-nos carregar com IMI, IVA, IRS, IRC, IPP, TSU, .... .... ... ... ... ... .... ... sem fim.
Pode-nos ainda carregar com taxas moderadoras, de recolha do lixo, de esgotos, ... ... ... ... sem fim.
Mas os Passos Coelho decidiu inventar por dois caminhos.
Primeiro, cortou os subsídios que fazem parte das remunerações do trabalho.
Segundo, aplicou só a alguns porque "os outros não nos interessam já que não têm impacto orçamental".
Foi um erro que eu ataquei desde o princípio.

A redução deveria ter sido pelo aumento da TSU
ou uma sobretaxa no IRS como fizeram no caso dos subsídios de Natal de 2011 aplicada a todos.

A soma obtida nos privados deveria ser devolvida aos empregadores para reduzir os custos do trabalho.
Em termos finais é igual cortar os salaríos ou aumentar os impostos mas o Passos queria dizer que diminuiu a despesa em vez de dizer que aumentou os impostos.
Agora, apenas tem que arrepiar caminho e aplicar o corte a todos com um imposto.

Passos, esta derrota pode ser transformada numa vitória.
Podes usar isto como arma terrível contra os do PS que levantaram a questão. Como convém repor a "legalidade constitucional" o mais rapidamente possível, avanças já para um orçamento rectificativo em que repões o subsídio de Natal aos funcionários Públicos e metes uma sobretaxa de IRS sobre o Subsídio de Natal de todos, públicos, privados, activos, reformados.
Não precisas de excepções nem nada dessa confusão. Até queles que recebem pelos fundos de pensões dos bancos chumbam.
Dirá o Passos:
-Eu não queria cortar mas os do PS, ao levantarem a questão junto do Tribunal constitucional, obrigam-me a faze-lo. A culpa é desses deputados.
E também ajudas o bócó do Seguro.

Fig. 9 - O Governo decidiu inventar e deu um nó cego. Agora, ganha vantagem transformando isso numa atracção de circo.

6. A morte do Yasser Arafat.
Eu sou vitima de muita desinformação. Dizem muita coisa de mim que não corresponde minimamente à verdade. Por exemplo, dizem que sou um génio o que é verdadeiramente exagerado.
Mas isso acontece em toda a parte e com toda a gente.
Um exemplo é a morte do Arafat que, alegadamente, alguém de um laboratório conceituado da Suíça, diz ter sido, possivelmente, causado por Polónio 210.
Isso é totalmente impossível de ter acontecido e só agora se ter dado conta.

O que é o Polónio 210.
É um isotopo sintético de que são produzidos cerca de 100g por ano (quase totalmente na Rússia) em reactores nuclear de muito elevado fluxo, para produzir radiação alfa. E só pode ser produzido em reactores do tipo CANDU (canadiano) ou RBMK (soviético) pela irradiação de Bismuto 209.
Como não pode ser produzido em mais nenhum tipo de reactor e Israelitas não têm reactroes deste tipo, logo, não poderiam ter produzir este isótopo.
Podem produzir bombas nucleares mas não este isótopo.

É uma substancia muito venenosa.
é útil na produção de radiação alfa mas é a substancia mais venenosa que a Humanidade conhece.
Calcula-se que 1g de 210Po é capaz, se absorvida em "condições perfeitas", de envenenar 20 milhões de pessoas matando metade, 10 milhões, dessas pessoas.
Em termos "práticos", se diluirmos 1g de Polónio 210 em 5 tonelada de açúcar, a ingestão de apenas um grau desse açúcar contaminado, teria 50% de probabilidade de causar a morte da pessoa.

Mas o 210Po auto destroi-se.
Por ser muito radioactivo, a cada 138.4 dias, a quantidade de 210Po reduz-se a metade transformando-se em Chumbo 206 que existe em tudo que é sítio (porque a Gasolina usava chumbo como anti-detonante).
O Yasser esteve doente um longo período de tempo o que indicia que a alegada dose foi pequena, da ordem das 0.0000001 g (0.1 micro gramas).
Morreu em Nov 2004, já lá vão 20 semi-vidas o que traduz que a alegada dose se reduziu 2^20 vezes.
Então, a concentração e a radioactividade do material reduziu-se desde então 1 milhão de vezes.
Se a alegada dose já era inicialmente tão pequena que não foi detectada, ao estar 1 milhão de vezes menor, deixou de ser verdadeiramente impossível de detectar.
Acresce que a pessoa excreta 50% da dose inicial pela urina em cerca de 30 dias (tempo que mediou a indisposição do Arafat e a sua morte) pelo que a dose actual está reduzida a 2 milhões de vezes inferior à dose inicial.

Fig. 10 - Se fossem os israelitas, tinham feito com àquele gajo da cadeira de rodas, o Ahmed Yassin.
BUMMMM. Só ficaram duas rodas retorcidas, um pneu rebentado e os chinelos do homem e do que empurrava o carrinho.

Fig. 11 - O Asterix explica porque ficaram os chinelos.


Fig. 12 - O coitado era tão boa pessoa que está no Céu com 70 virgens, uma agarrada a cada pedaço.

Pedro Cosme Costa Vieira.

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