terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como classificar os nossos resultados olímpicos?

Pode parecer estranho que eu fale de desporto mas, como quero ser como o prof. Marcelo que fala de tudo, meti-me ao caminho para responder a duas questões.
P1 - O que distingue os países que têm bons resultados olímpicos dos que têm maus resultados?
P2 - Como podemos classificar os nossos resultados olímpicos? São bons, médios ou maus?

Fig. 1 - As minhas colegas que são contra este blog ter mulheres boas, devem ter protestado violentamente contra o comité olímpico por ter provas de voleibol de praia feminino.

Por incrível que pareça, o que distingue os países com campeões dos outros é o vil metal.
Fui ao wikipédia e retirei as medalhas atribuídas nas olimpíadas de 2000, 2004, 2008 e 2012. No total foram atribuídas 2151 medalhas (1206 de ouro, 1208 de prata e 1264 de bronze).
Somei as medalhas de cada país considerando que a prata vale metade do ouro e a bronze uma quarta parte.
Depois fui buscar a população e o PIB per capita.
Nos países que tiveram nas últimas quatro olimpíadas pelo menos uma medalha de bronze (um total de 100 países), observa-se que

Quando a população de um país é o dobro, o número de medalhas é 68% maior.
Quando o PIB per capita de um país é o dobro, o número de medalhas é 47% maior.

Ln(medalhas) = -0.710 + 0.470 Ln(PIBpc) + 0.683 Ln(Pop),  R2 = 0.46             (eq. 1)
                                        (5.1)                       (8.4)

Uso agora apenas o PIB como variável explicativa:

Quando o PIB de um país é o dobro, o número de medalhas é 59% maior.

Ln(medalhas) = -0.657 + 0.593 Ln(PIB),  R2 = 0.44                                           (eq. 2)
                                        (8.7)


 Fig. 2 - Relação entre o PIB e o desempenho olímpico. Portugal é a bola vermelha, estando abaixo do valor médio (a tracejado). Entre as linhas finas estão os países médios, 50% do total.
(Dados: Banco Mundial e Wikipédia, grafismo do autor)

Afinal, no nosso mundo mercantilista, tudo tem a ver com economia.
Mesmo aqueles que dizem que a meditação transcendental é a fonte última da felicidade, para nos dizerem isso obrigam-nos a pagar uma mensalidade.
Como as provas olímpicas femininas não chamavam audiências nem patrocínios, toca a OBRIGAR as atletas dos desportos onde elas são boas a descascarem-se. 

Fig. 3 -Esta ainda é mais boa. Atenção que isto deu na TV e as criancinhas estavam a ver.
Mais camiões de cartas de protesto contra o director das olimpíadas.

As nossas atletas, pelo contrário, se tiram a roupa, o televisor funde.

Fig. 4 - Força nisso Vanessa. És o nosso helicóptero, gira e boa.

Os resultados portugueses são normais mas para o lado do fracote.
Para o nosso nível de rendimento e a nossa população, acertar exactamente no valor médio do modelo seria ter 8.9 medalhas mas as nossas 3.75 estão dentro do intervalo [Média menos um desvio padrão; Média mais um desvio padrão] pelo que, em termos estatísticos, os nossos resultados são médios.
Prova que é muito difícil obter mínimos para as olimpíadas é que, num país em que tantas verbas são canalizadas para o futebol, só lá fomos em 1996 (4º lugar) e 2004 (14º lugar).

Fig. 5 - Valha-me Alá que esta Egipta quer fazer um filho com o tapete das olimpíadas.
Mais camiões de cartas de protesto para o Mubaraque que vai ter o ataque final. 

Fig. 6 - Esta sim, esta vai bem. Esta não leva cartas de protestos.

Como pode Portugal melhorar os resultados olímpicos?
Uma hipótese é ir buscar mais Obikwelos. É mandar alguém buscar aqueles Camarões que "fugiram" nas olimpíadas e naturalizá-los portugueses pois um fulano do meio de África chegar às olimpíadas mostra que tem potencial para nos dar algumas medalhitas.
A outra hipótese é apostar no desporto escolar e em modalidade em que haja classes de peso porque se adaptam à nossa pequenez física (não vale a pena apostar no Basquetbol) e tem muitas medalhas.
Judo: tem 7 categorias  = 7 medalhas de ouro, 7 de prata e 14 de bronze por género
                                        = 56 medalhas, 5.8% das medalhas totais atribuídas em Londres
taekondo: 4 categorias  = 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 8 de bronze por género
                                        = 32 medalhas,  3.3% das medalhas totais atribuídas em Londres
Boxing: 10 H e 3 M       = 13 medalhas de ouro, 13 de prata e 26 de bronze
                                        = 52 medalhas,  5.4% das medalhas totais atribuídas em Londres
Luta: 14 H e 4 M           = 18 medalhas de ouro, 18 de prata e 18 de bronze
                                        = 54 medalhas,  5.6% das medalhas totais atribuídas em Londres

No total, os desportos de combate atribuem 196 medalhas, 20.1% do total
Como o futebol só atribui 3 medalhas e o judo 56, é natural que tenhamos mais possibilidade de os nossos judocas serem seleccionados para as olimpíadas e trazerem uma medalhita.

Portugal deve apostar nos desportos de combate  porque 1/5 das medalhas atribuídas nas olimpíadas são para estes desportos e adapta-se muito bem à canalhada brava e pouco escolarizada dos bairros periféricos das grandes cidades.
São desportos baratos, desenvolvem a disciplina e autocontrole, combatem o uso das drogas e a evidencia diz que também combatem a violência de rua.

Se não for feita uma análise custo/benefício de cada modalidade olímpica, nunca sairemos do marasmo com que já estamos a ficar conformados.

(15.08.2012) - Esqueci-me da halterofila que atribui 45 medalhas (24H e 21M), 4.7% do total.
As 5 modalidades com categorias de pesos atribuem 1 em cada 4 medalha das olimpíadas. 
E quanto tempo a nossa televisão dedicou a estas 6 modalidades?
Não me lembro de nenhuma transmissão de um combate de boxing, taekondo, luta greco-romana, luta livre ou prova de halterofilia.
Assim, nunca poderemos desenvolver atletas capazes de ganhar medalhas.
Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

Fernando Ferreira disse...

Ate no desporto pensa-se que o "central planning" funciona. Fazemos uns graficos, calculamos umas medias, modas e medianas, e pimba, toca a "investir" dinheiro dos contribuintes nestas e naquelas modalidades, para "bem" e "prestigio" da nacao...

Gonçalo disse...

Sobre este tópico, num Jornal desta semana li que o COI recebeu 14,8 milhões de euros nos últimos 4 anos, a que se juntam 13,6 milhões entregues a outra instituição do estado ( não me lembro qual). Tudo somado, e dividido por 4 anos dá 7,1 milhões/ano. A dividir por 5 milhões de contribuintes ( e até somos mais) e depois por 12 meses dá 0,12 cêntimos/mês por contribuinte. A mim, não me pesa nada no bolso e até posso dar um euro por mês, a "bem" do desporto português. É que faltam muitos ídolos, e bons exemplos, a este povo, tais como foram o Joaquim Agostinho, o Carlos Lopes, a Rosa Mota entre outros.

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