segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Será possível a oceanocultura?

A maior inovação tecnologia da humanidade foi a agricultura. 
Apesar de ter sido um processo muito lento, acumulando os ganhos ao longo de milhares de anos, a domesticação das plantas e dos animais teve um enorme impacto no nosso mundo.
O processo de desenvolvimento da agricultura aconteceu pela destruição das plantas menos produtivas estando referido na Bíblia.

     " - Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho.
       - Corta-a." ( Lc 13:7)

processo de selecção que levou à agricultura iniciou-se muito antes de Darwing ter racionalizado que as espécies evoluem por mutação aleatória seguida por selecção das características que aumentam a probabilidade de sobrevivência da espécie.

A Tourada e a caça.
Hoje tenho que falar da tourada por causa de Viana do Castelo.

    Qual a lógica de tourear animais bravos quando seria muito mais fácil brincar com um touro manso?
    Qual a lógica de caçar coelhos bravos quando estão no talho a 3.49€/kg?
    Qual a lógica de pagar milhares de euros para caçar elefantes ou leões em África quando poderiam, por tuta-e-meia, passar uns bons tempos em casa com uma que "faça moradias"?

Como só sobreviveram as comunidades que tinham o espírito de caçar os animais mais bravos e de destruir as plantas menos produtivas, esse "gosto" por tourear e destruir o selvagem tornou-se parte dos nossos genes e foi sendo teatralizada na tourada e na caça.

Os que se dizem mais civilizados só aceitam a morte dos animais de forma higiénica e indolor. Mas este mesmo argumento foi usado pelo Hitler para justificar os seus campos de extermínio: não tinha mal nenhum porque eram usados métodos indolores.
Assim que se aceita termos o direito de matar os animais, vai dar tudo no mesmo.

Fig. 1 - Estas duas pistolas mereciam uma bandarilha.


O que distingue Portugal do resto do mundo?
Com 0.14% da população mundial não deveríamos ter nada que fosse único no mundo.
Países maiores como Moçambique ou Angola, não se lhes conhece nada de único.
Mas Portugal tem varias coisas:
     A língua portuguesa;
     Ter ligado, juntamente com a Espanha, a América à Europa;
     O Vinho do Porto;
     A cortiça;
     O Fado.
Mas também tem

A tourada à portuguesa.
Os forcados e a tourada a cavalo são únicos de Portugal.
Se há pessoas que procuram preservar, desde a antiguidade, os animais de lide a cavalo, ninguém tem o direito de, alegando o sofrimento dos animais, condenar essas variedades à extinção. E esse risco é grande pois o efectivo de gado bravo já é muito pequeno.
Tudo tem o seu lugar e se é aceitável que homens ganhem a sua vida em combates de MMA-Full Contact, também é aceitável que variedades e espécies animais existam porque alguém gosta de os ver ser toureados ou de os caçar.
Não podemos, como defendem esses que se dizem amigos dos animais, exterminá-los para evitar que sofram. Ou será que defendem que paguemos um subsídio para que mantenham essas variedades?
São como o Mata Sete que exterminou a mulher e as filhas para evitar que sofressem mais. Mas esse sabe-se que é completamente maluco.

Fig. 2 - A pega de caras da tourada portuguesa é uma característica só nossa, única no mundo

Lentamente, o crescimento económico vai somando
Se imaginarmos que o processo de desenvolvimento da agricultura induziu um crescimento económico de 0.035%/ano, passados 25000 anos o PIB terá aumentado 6300 vezes.
Se em Portugal havia alimento para sustentar 500 recolectores (50 famílias), decorridos 25000 anos já existiria capacidade produtiva para sustentar 3.15 milhões de agricultores.
Cada uma das 50 famílias de recolectores que viveriam em Portugal na Idade da Pedra teria que se alimentar dos frutos selvagens que encontrava percorrendo continuamente um território com 50 km de diâmetro.

Nos tempos anteriores à agricultura, a humanidade viveu milhares de anos no limiar da extinção (com um PIB per capita de meio dólar por dia), razão porque é tão raro encontrar esqueletos humanos antigos.

Escolhi o valor de 0.035% para simular o crescimento pré-agrícola porque é 100 vezes menor que o crescimento económico mundial observado nos últimos 50 anos. Com a taxa de crescimento per capita dos últimos 50 anos de 1.87%/ano, daqui a 100 anos, cada pessoa terá um rendimento 6.4 vezes o actual.

A produção de alimento.
Os alimentos apenas podem ser produzidos pela fotosíntese que acontece nas plantas e algas.
Não é possível criar alimentos que não seja pelo processos biológicos.
O problema é que a quantidade de terreno arável é fixo e a população mundial tem estado em constante crescimento (na última década, 1.1%/ano). Apesar da constante evolução da agricultura estar a conseguir aumentos de produção maiores que o aumento da população (Por exemplo, na Indonésia a productividade por hectare do arroz tem aumentado 3.3%/ano), as políticas dos "combustíveis renováveis" e a degradação dos solos ameaçam desestabilizar a equação.


Fig. 3 - A maioria dos solos agrícolas está em risco de degradação (fonte: FAO)


Não é ético os países ricos usarem produtos biológicos como combustível.
Como não existem formas alternativas de produzir alimentos que não a biológica, a sua destruição para alimentar a apetência insaciável dos países ricos por energia é um crime contra a humanidade e a natureza.
Se o amigo leitor passou uma tarde quente há mais de 30 anos numa floresta, lembra-se do barulho ritmado tock, tock, tock tock, tock, tock que ecoava à distância? Acabou.

Fig. 4 - O tock tock característico do pica-pau deixou de se ouvir.

O pica-pau precisava de árvores velhas, troncos mortos e já meios podres onde se desenvolviam insectos que eles comiam. Veio a loucura de limpar os matos de tudo que era madeira podre e os pica-paus extinguiram-se sem ninguém dar conta.
Onde estão os da Quercus que falam tanto contra tudo e não vêm que a politica de limpar as matas pode dar combustível para essas merdas renováveis, pode diminuir o risco de incêndio, mas destroi todo o ecossistema. Morre tudo.
E depois dizemos que os brasileiros têm que conservar a floresta deles, e nós a comprar bio-fuel que vem de onde? Nasce no ar?

Para substuir a energia de 1 barril de petróleo (159 litros) são precisos 900 kg de milho.
Como a média mundial é uma produção de 4400kg/ha de milho por ano, para substituir 1 barril de petróleo é preciso dedicar a bio-fuels 0.205ha.
A produção de petróleo são 90 milhões de barris por dia.
Para incluir 5% de bio-fuels, seria equivalente a substituir 4.5milhões de barris/dia.
Então, são precisos 4.5-M x 365 x 0.205 = 336 Milhões de ha.
Isto é 25% de todo o terreno agrícola que existe no mundo (1365Mha, dados do Banco Mundial).
Realmente, nós fomos governados durante 6 anos por loucos, o Sócrates e companhia.


Onde se poderão criar alimentos sem o impacto negativo da agricultura?
Agora vou entrar no campo da ficção científica.
Os alimentos têm que vir dos oceanos que ocupam 71% da superfície do planeta Terra.
Apesar de pensarmos os oceanos como algo cheio de vida, de facto é um ambiente maioritariamente estéril.
Existe mesmo uma área de oceano na Zona Tropical com cerca de 100 milhões de km2 em que praticamente não existe vida.
Apesar de termos a sorte de sermos vizinhos do Atlântico Norte onde a produtividade primária ser superior a 800g/ano/m2 (fixação de 1g/dia/m2 de carbono, zona vermelha da Fig. 5), na maior parte do oceano a produtividade é praticamente zero (zonas escuras da Fig. 5).    

Fig. 5 - Os oceanos são, na maior-parte, estéreis - a azul (fonte: Ocean Produtivity, 2004) 


Os oceanos são estéreis por duas razões.
A) Águas frias e sem luz (oceanos Árctico e Antárctico) onde não existe potencial para a produção de alimentos.

B) Águas sem nutrientes (zonas tropicais dos grandes oceanos) onde existe grande potencial (porque a produção de alimento precisa de luz solar e temperaturas entre 15ºC e 35ºC) e que formam grande parte da superfície do planeta Terra (ver Fig. 5).
Os nutrientes da água dos oceanos têm tendência a afundar ficando aprisionados na água profunda e fria dos oceanos (porque a água fria é menos densa, a temperatura da água profunda é de 1.6ºC).
Então, apenas nas zonas onde as correntes oceânicas chocam fazendo as águas profundas subir à superfície é que existe produção de alimento (peixe).

Como podemos cultivar os oceanos.
Tem que se cercar de forma estanque um volume de água salgada.
A ideia é controlar as características da água numa porção do oceano o que apenas é possível se a água estiver aprisionada.
Para evitar a fixação de algas no fundo do aquário, o volume de água cercada deve ter um mínimo de 30 m de profundidade.
A profundidade não pode ser maior para facilitar o trabalho de manutenção do fundo do aquário (por mergulhadores).

Num aquário com 10 km de diâmetro (que terá uma área de 78.5 km3 e um volume de 2356hm3) se a produtividade for 0.5kg/m2/ano de peixe fresco, serão produzidas 40000 toneladas/ano de peixe.
Um aquário com 10 km de diâmetro é um ponto perdido no meio do oceano e a sua produção compara com o total de peixe pescado no mar português (75000 t/ano, fonte: DGPA- Fig. 21 das estatísticas de pesca 2010).


Tem que se bombear água do fundo do oceano para o aquário.
Para substituir a água que se vai evaporando e transportar os nutrientes das águas profundas, é necessário bombear água do fundo do oceano para o aquário.
A água entra no aquário com a temperatura de 1.6ºC (e densidade de 1.028) distribuindo-se pelo fundo. Depois, vai aquecendo e misturando-se com a água superficial onde vivem as algas e os peixes.

Existem pequenas experiências com cercas em rede mas, para ser uma fonte primária de alimentos, terá que ser estanque para aprisionar a água profunda que, por ser mais densa, escapa se o receptáculo for em rede.

O peixe ideal para povoar o aquário é a sardinha.
Porque alimenta-se de plâncton, um individuo produz centenas de milhares de ovos e tem uma esperança de vida de vários anos o que permite a constituição de stocks.

Quanta água será preciso bombear?
Se se pretender a renovação da água a cada mês, serão precisos bombear 900m3/s.
Se for usado um tubo com 50 m de diâmetro, a perda de carga em 2000 m será de apenas 4 mm que é negligenciável.
A bombagem será necessária para vencer a diferença de densidade entre o fluido profundo e o superficial que será na ordem dos 1.5 m hidráulicos.
Elevar 900m3/s os 1.5 m necessários para contrariar a diferença de densidade precisa de uma bomba de 15Mw.

Será possível construir um aquário com 78.5 km3?
O material de construção do fundo do aquário terá que ser um plástico resistente, barato e muito delgado.
Se for possível construir um filme com 0.1mm de espessura, o aquário precisará de 7800 t de material.
O filme de plástico, além de ter que durar pelo menos 10 anos, tem que resistir à perfuração por animais marinhos que contaminem o espaço.
Em termos de investigação, poderá começar-se com um aquário mais pequeno, por exemplo, com 1km de diâmetro.

Apesar de não ser trivial construir aquários de grandes dimensões, por as áreas disponíveis para a sua instalação serem enormes, penso que o futuro da humanidade passará por instalações deste tipo.
Pedro Cosme Costa Vieira

15 comentários:

Sérgio Lau disse...

Boa noite,

Achei este artigo e os ultimos muito interessantes pois abordam outros temas que não acrise etc...,

Gostaria de sugerir que escrevesse um artigo soburdinado ao tema: Quantos habitantes deveria Portugal ter neste momento, dados os recursos que têm, mantendo uma economia saudavel?

Fernando Ferreira disse...

Ola Pedro,
Tambem gostaria que escrevesse um artigo que tente explicar como e' que a passagem de cacadores e recolectores para o sedentarismo e o consequente processo de desenvolvimento da agricultura pode ser possivel sem a "mao benefica e directora" do planeamento central (governos) e sem a imensa "sabedoria" dos economistas mainstream.

E ja agora, a linguagem, tambem. Como e' que raio a linguagem apareceu e se desenvolveu quando nao exixtiam governos para determinar o que e' "certo" dizer-se ou escrever-se...

Cumprimentos!

Gonçalo disse...

Caro Sérgio,
A população de um país não é função dos recursos, mas antes o contrário. Quantas mais pessoas criam riqueza, mais ela existe. Claro que se pode dar o caso de o terreno deixar de ser fértil para a agricultura, os rios secarem, etc., mas isso é futurologia. Há cidades muito mais pequenas que Portugal e com mais população.

Gonçalo disse...

Caro Fernando,
digo eu que a ordem está trocada. O homem ao descobrir a Agricultura, torna-se sedentário e não o inverso. E ao tornar-se sedentário, passa a viver "concentrado". Em vez de tribos nómadas a guerrear umas com as outras por territórios de caça, inicia-se um processo de formação de aldeias, vilas e cidades, que tornam necessário um modelo organizativo de modo a harmonizar os interesses individuais e a zelar pelo bem comum ( construção de muralhas, de sistemas de rega, de celeiros...) . Acresce que o homem, como qualquer animal social, tem uma hierarquia. A mim parece-me impossível um grupo de pessoas não ter um líder; há sempre quem se destaque, pelas mais variadas razões. Daí à existência de um governo, é um passo.
Quanto à linguagem, ela não é exclusiva do Homem, mas é antes uma característica evolutiva de uma enormidade de espécies. Quem tem um cão ou um gato sabe bem que eles comunicam.

Fernando Ferreira disse...

Caro Goncalo,
A questao aqui e' perceber como e' que coisas complexas surgem e evolvem sem a previo planeamento central dos politicos. A agricultura nao apareceu em todo o lado ao mesmo tempo, surgiu no crescente fertil e expandiu-se para a Grecia, Italia e resto da Europa. Felizmente, na altura nao havia leis de patentes e direitos de autor, senao a agricultura nao tinha passado do crescente fertil.

As tribos nomadas depressa perceberam que, em vez de garrearem umas com as outras por territorios de caca, poderiam comecar a guerrear com os sedentarios, pelos produtos que estes produziam. Foi entao que surgiram os governos, num modelo nao muito diferente da Mafia: "Eu protego-te dos agressores se me entregares o que eu te exijo". Os sedentarios concordaram, nao percebendo que, para nao terem de governar agressores, tiveram que continuar a serem agredidos pelos "defensores".

Quanto a hierarquia, ha 2 tipos de hierarquia:

1-A voluntariamente aceite, aquela que o lider se destaca pela sua sabedoria, idade, destreza, etc. e que normalmente NAO ERA CANDIDATO ao lugar. Os liderados VOLUNTARIAMENTE ESCOLHEM O LIDER e seguem-no. Este era o tipo de hierarquia que existia no passado.

2-A hierarqui FORCADA, resultado do processo democratico, em que, se 51% da populacao escolher um lider entre um grupo de CANDIDATOS (NAO NECESSARIAMENTE O MAIS APTO, O MAIS QUALIFICADO, O MAIS INTELIGENTE, O MAIS JUSTO), este lider e' completamente IMPINGIDO aos restantes 49%.

Lideranca IMPINGIDA nao e' lideranca. Lideranca impingida e' esravatura, e' a submissao as vontades de um individuo ou grupo de individuos, normalmente do pior backgroud possivel (por isso eles candidatam-se a mandar nos outros), que nunca fizeram nada na vida a nao ser gravitar a volta dos partidos politicos, para que possam aspirar a, um dia, mandar nos outros.

Quanto a linguagem, nao duvido que os outros animais comunicam. Nao era esse o ponto a que eu queria chegar. O ponto a que eu queria chegar era dizer que sistemas complexos de organizacao surgem SEM O PLANEAMENTO CENTRAL dos governos, ideia da qual os politicos nao gostam. Para eles, uma sociedade complexa como a actual nao seria possivel sem a "mao directora" e o planeamento central deles. Basta olhar para o mundo a nossa volta para compreender a porcaria em que estamos enfiados, gracas as suas decisoes planificadoras.

Cumprimentos!

Gonçalo disse...

Caro Fernando
Não sendo historiador, não vou contestar que o governo tenha surgido por protecção. No entanto, creio que a criação de um sistema de rega, ou de manter a ordem pública sejam motivos igualmente válidos. Indo ao reino animal, grande parte dos pequenos grupos sociais têm um macho dominante cuja função primeira é defender o grupo mas, aos mesmo tempo, as organizações de insectos não se baseiam nisso.
Quando um líder é "natural" não o será para 100% da população e não vejo porque seja voluntário a sua escolha. Por tradição podem ser os mais velhos a liderar, mas haverá jovens a contestar o rumo seguido. Voltando aos animais, o macho dominante está constantemente a ser desafiado. A hierarquia forçada é válida na Monarquia, na Ditadura, etc e não apenas na Democracia. Na Monarquia, o Rei é impingido a toda a população não significando que não seja deposto.
No Oeste selvagem, valia a lei do mais forte ( ou do que sacava mais depressa). Há alternativa a 10 milhões de portugueses não terem um governo? Qual? Serem precisos mais de 50,1% dos votos? Então qual a % mínima? Para não haver "escravatura" teria de ser 100%.
O governo não deve ser mão directora, mas deve ser mão reguladora. Quando o governo quer manipular o mercado está a fazer asneira, quando deixa o mercado sem rédea está a fazer asneira também. O mundo à nossa volta é o mais rico de sempre, e os governos têm nisso um papel essencial. Seria possível termos uma esperança de vida de 80 anos sem subsídios à investigação? Os pobres terem saúde e ensino se não fosse pago pelo governo? Mesmo nos negócios, se uma parte se sentir lesada, pode recorrer à Justiça. O mundo está numa crise exactamente por excesso de liberalismo, pela crença religiosa nos mercados eficientes e nas expectativas racionais, que começou nos anos 80 e soltou demasiado as rédeas do sector financeiro.

Fernando Ferreira disse...

Caro Goncalo,
Obrigado pelo seu comentario.

Nao me vou esticar muito. So vou focar algumas das suas falacias, comuns a todos os estatistas:

Primeira, a ideia que, sem governo, nao haveria ordem nem lei. Nada de mais errado. O estado tem o monopolio do fornecimento de servicos de seguranca e aplicacao da lei. Todos conhecemos os resultados quando monopolios prestam servicos: Ma qualidade e demasiado caros. Olhe para a seguranca e justica publicas e diga-me se sao eficientes e se as pessoas, na generalidade, estao satisfeitas com os servicos prestados e pelos quais pagam DEMASIADO CARO.

Segunda, a ideia de que os seres humanos nao podem ser deixados livres para estabelecerem contratos voluntarios(ao fim ao cabo estabelecerem um mercado livre) com outros seres humanos, dado a sua natureza "maligna e egoista". Para evitar este problema, os seres humanos precisam ser regulados. Ora, para conseguir isto, a maioria escolhe um grupo constituido por SERES HUMANOS, com certeza com a MESMA NATUREZA "maligna e egoista", que controlarao a natureza "maligna e egoista" dos primeiros. Esta idea nao poderia ser mais tola e sem sentido, ja que os politicos nao sao seres humanos com carasteristicas "especiais" e isentos dos sentimentos "malignos" dos restantes seres humanos. Na realidade, os que geralmente acabam no governo, sao aqueles que mais usarao esse poder para exacerbar a sua natureza "egoista e maligna".

Terceira, acho incrivel como o meu amigo acredita que todo o avanco tecnologico e cientifico do qual usufruimos apenas existe gracas ao "investimento publico". Ha uns tempos atras o Obama ate disse que foi o governo que inventou a internet. Meu amigo, o progresso e conforto do qual usufruimos nao foi conseguido gracas ao governo, foi conseguido APESAR do governo. Imagino quanta tecnologia e novos medicamentos, por exemplo, nao poderiam ter surgido nao fossem as carradas de regulacoes e leis ridiculas que os politicos fazem para favorecerem as grandes farmaceuticas, por exemplo.

Quarta, para finalizar, o mundo esta em crise por FALTA DE LIBERDADE e por EXCESSO DE ESTATISMO, CORPORATISMO e INFLACCIONISMO, pela crenca religiosa nos GOVERNOS "BENEVOLENTES E REGULADORES", com poder de CRIAR DINHEIRO, com o poder de resgatar bancos e empresas falidas, a custa dos restantes cidadaos. Esta e' a verdade!

SO nos EUA, por exemplo, existem as seguintes entidades "reguladoras":

SEC, FINRA, CFTC, FED, FDIC, FINRA, OCC, NCUA e CFPB, para alem das 50 autoridades bancarias dos estados. Quantas mais entidades "reguladoras" o meu amigo acha que sao precisas? Mais 5? Mais 10? Mais 100?

O CFR, codigo de regulacoes federais (o conjunto de todas as leis que existem para "regular" o comportamento dos individuos, dada a sua natureza "maligna"), contem um total de 134.723 PAGINAS, em 21 VOLUMES. SO o indice do CFR tem mais de 700 paginas! Em 1970 o CFR tinha 54.834 paginas. Nestes ultimos 42 anos, o numero de paginas do CFR aumentou 246%. Acha o meu amigo Goncalo que isto e' o evoluir de uma sociedade "liberal"?

Cumprimentos!

Gonçalo disse...

Caro Ferreira,

Ser o estado ( e NÃO o governo) a ter o monopólio da justiça é apenas e só porque é a única maneira de a tornar credível. Que credibilidade há num contrato entre nós dois, fora de um sistema legal? Se o Ferreira me emprestar 1 milhão de euros que eu prometo devolver com juros e eu der o calote, como ficamos? Vou levar um tiro? E se eu fugir para bem longe antes de perceber que levou o calote, vai atrás de mim? Isso sim, seria caro. Num contrato mediado pela isenção de 3ºs, se eu não cumprir não me safo com essa ligeireza, e não é o Ferreira que vai ter de ir atrás de mim, ou contratar alguém para o fazer. O estado tem pessoas para fazerem isso ( ou pode contratá-las a privados), para que os contratos sejam cumpridos.

Se nos movemos pelo interesse próprio e achamos que isso é suficiente para a sociedade, isso não significa que não haja ladrões e oportunistas. Nem significa que o resultado final seja o melhor possível. Por exemplo a evolução das árvores: é do interesse próprio delas crescerem um pouco para maximizar a captação de luz solar. Mas isso faz sombra às vizinhas e, por isso, elas também vão crescer. Ao fim de uns largos anos, as árvores têm dezenas de metros de altura. No entanto, quanto mais crescem mais difícil fica levar os nutrientes até às folhas, e mais frágeis ficam. A piada é que se tivessem ficado quietas recebiam exactamente a mesma luz solar, mas sem qualquer desvantagem do crescimento.
Quanto aos governantes, na realidade a maioria das pessoas não é, por assim dizer, marginal. Não significa que não os haja, mas são uma franca minoria. Nos políticos será o mesmo. Aliás, o amigo Ferreira demonstra tanta fé na liberdade individual, porque não a mantém quando o individuo tem um cargo político?

O avanço tecnológico não depende de "investimento público", não foi o que quis dizer. No entanto, como seria a comercialização de fármacos sem uma entidade reguladora que se certificasse e que desse a todos a garantia que o fármaco é seguro? Vendedores de banha da cobra há muitos, de elixires milagrosos é que já nem tanto.
Sobre o FED, antes dele existir o sistema bancário sofria de corridas aos bancos. De 1870 a 1900 a economia dos USA teve 8 ciclos e 5 pânicos na banca. Após o crash da grande depressão, em 1933 criou-se a FDIC. Desde então, em mais de 70 anos, praticamente não houve corridas aos bancos comerciais. O problema é que os bancos de investimento não foram regulados, e houve leis criadas na década de 30, como resposta à grande depressão, que foram revogadas.
O tamanho das leis é directamente proporcional à riqueza, havendo muitas que são alterações parciais a leis anteriores.

Fernando Ferreira disse...

Caro Goncalo,

Estado e governo e' a mesmissima coisa;

Numa sociedade livre, todas as relacoes entre seres humanos sao contractuais e mediadas por terceiros. A diferenca e' que os terceiros sao privados, e nao publicos e sao varios e nao apenas um monopolista. Concorrem entre si e comepetem, resultando em mais eficiencia e em cada vez mais baixos precos. Ja a justica publica, monopolista, e' cada vez mais cara e ineficiente.

A accao por interesse proprio esta escrita no genes humanos e nao ha mal nisso. O meu amigo ao decidir levantar-se do sofa para ir fazer uma sandes, esta a agir em interesse proprio. Todos nos agimos em interesse proprio, quando criamos uma empresa ou quando trabalhamos para outrem. Nao ha mal nisso, ao contrario do que os socialistas-estatistas apregoam.
A beleza do capitalismo livre e' que, ao agirmos em interesse proprio, temos de necessariamente beneficiar os outros, gracas a divisao de tarefas. Isto daria pano para mangas e nao quero transformar o blog do Pedro num forum.

Quer dizer que so temos medicamentos seguros gracas a mao "reguladora" do estado, caso contrario as farmaceuticas ja tinham envenenado todos os seus clientes. Ve-se mesmo que esse seria o interesse deles, nao sei a quem eles venderiam os medicamentos depois.

O meu amigo sabe porque e' que nao ha corridas aos bancos americanos desde 1913, ano em que o FED foi criado? Porque desde ha 100 anos a esta parte o FED IMPRIME DINHEIRO QUE NEM UM DOIDO, como se nao houvesse amanha e resgata bancos falidos, iludindo assim os clientes, impossibilitando-os de diferenciar bancos conservadores, que praticam investimentos cuidados e cautelosos (bons bancos), dos bancos que arriscam demasiado (maus bancos). Qual e' o resultado? Abre-se um precedente moral. Qual e' o interesse do banco cauteloso em continuar a ser cauteloso, se o FED resgata o que arrisca demasiado, se alguma coisa correr mal? O banco cauteloso, agindo em completo interesse proprio, vai comecar a arriscar. 100 anos de FED nao trouxeram mais "solidez" ao sistema bancario, trouxeram foi uma perda de poder de compra do dolar de 96%!!! Eu repito: 96%!!! E' este o "sucesso" conseguido pelo FED.

O tamanho das leis nao tem absolutamente nada a ver com riqueza, isto porque a nocao de riqueza e' absolutamente subjectiva e, portanto, nao pode ser medida (por favor, nao confunda quantidade de dinheiro com riqueza). O tamanho das leis e' apenas um indicador do quanto os politicos controlam e regulam a vida dos cidadaos.

Cumprimentos!

Gonçalo disse...

Caro Ferreira,

Estado e governo não são a mesma coisa, tanto que existem limites na constituição que o governo tem de cumprir, como podemos ver recentemente.

Quem são os 3ºs que mediariam um acordo comercial entre nós? E que imparcialidade têm? Quem os escolhe, o Ferreira ou eu?

Agir em benefício próprio beneficia todos? Se houver uma corrida bancária, eu tenho interesse em ser o 1º a conseguir retirar o $, mas se todos o fizerem o banco vai à falência. Os 1ºs safam-se até acabar o $, os outros ficam sem nada. Se o Ferreira lavrar a terra e produzir 1 kg/dia, e eu lhe roubar 0,5kg cada um fica com 0,5kg. Se a minha terra tb desse para retirar 1kg, se ambos lavrássemos tínhamos 2kg. Mas como eu sou preguiçoso, em vez de lavrar roubo. Ficamos só com 1kg. Especializei-me em roubar. O meu interesse próprio beneficia todos?

O amigo Ferreira sabe porque é que os pobres da África morrem com diarreia e outras doenças? Não é porque não haja remédios a preço acessível, no caso da diarreia basta juntar umas gotas de cloro antes de a beber. E no entanto, eles morrem. Muitos são demasiado pobres para saberem ler, terem televisão ou informarem-se do que quer que seja. Sabem lá o que são vacinas! E mesmo que alguém lhes explique que é para o bem deles, como fazem muitas organizações humanitárias, não chega para que não morram. Mas nós, por cá, não precisamos de meter cloro na água, isso já é feito. As vacinas são obrigatórias, não podemos pôr as crianças na escola se não estiverem vacinadas.
O Ferreira já fez algum seguro de saúde? Se já, é porque não tem diabetes pois se tivesse nenhuma seguradora lhe fazia o seguro. No fundo a seguradora está a seguir o seu interesse próprio, mas isso beneficia todos? Só os que não têm doenças como Diabetes.
Uma farmacêutica pode vender trampa, fechar e reabrir com outro nome, vender trampa, fechar reabrir e por aí fora. Quem impede?

Sobre o FED, os bancos durante a grande depressão não foram resgatados. Faliram mesmo. Foi a penúria. Na Argentina a corrida aos bancos não foi resgatada e os argentinos ficaram depenados. Mais recentemente, a FED não resgatou o Lehman e viu-se o resultado.
O que faz um banco ser bom é ter lucros, seja arriscando ou de forma conservadora. Mas se o risco é grande, o tombo pode ser gigantesco. Durante a grande depressão foi criada uma lei para limitar o risco. Essa lei foi abolida já neste século, a bem da não interferência do governo e dos mercados livres, com resultados devastadores.
O interesse próprio de um banqueiro em maximizar o seu próprio lucro e não o dos accionistas, não foi benéfico para todos, que o digam os depositantes e investidores em produtos tóxicos.

Sobre o poder de compra do dólar, que relevância tem que há 100 anos 1 dólar chegava para comprar umas calças, e agora sejam precisos 96 dólares? Só tinha relevância se o rendimento das pessoas não tivesse subido pelo menos 96%. Pela quantidade de calças que o meu avô tinha e pela quantidade de calças que eu tenho, diria que o meu poder de compra é escandalosamente superior.

90% das leis respeitam à propriedade privada, e as pessoas têm cada vez mais posses. É por isso que comprar casa é uma tortura burocrática. No entanto, nunca ninguém alegou que uma casa que não lhe pertencesse era sua. Os registos prediais não mentem.
As leis são como uma relação pai-filhos: há regras que os filhos têm de obedecer, para BEM deles. O interesse deles é ver TV até às 4 da manhã, não ir à escola, não estudar, não comer verduras... Mas cá por casa não dou hipótese: há regras, impostas por mim e pela minha esposa, e são para cumprir, senão ficam de castigo. Pode dar-se o caso das regras serem más, mas estou apenas a seguir o meu interesse próprio em educar da maneira que julgo ser a melhor.

Fernando Ferreira disse...

Ola Goncalo,
Nao vale a pena estar a bater em pedra dura, esta claro que o amigo Goncalo e`um estatista, gosta de ser governado e ainda aplaude.

Ao algumas breves respostas a alguns dos seus comentarios.

Numa sociedade livre nao ha corridas a bancos. Ha corridas a bancos porque ha reserva fraccionaria. A reserva fraccionaria e`uma fraude.

Numa sociedade livre, continuariam a haver criminosos. No entanto, os seres humanos teriam mais incentivo em nao escolher o crime, porque para sobreviver, todos precisamos de cooperar com outros seres humanos. Nao vale a pena me esticar mais.

Africa e` pobre porque e, provavelmente, o continente menos livre do planeta. A prosperidade so e`alcancavel com a liberdade, mais nada.

So para finalizar, gostei dessas de as leis sao como pai-filho.

Os filhos devem obedecer aos pais porque existe uma relacao de amor e verdadeiro interesse de bem estar de pais para filhos. E eles sao criancas. Tanto que chegam aos 18 anos e os pais deixam de `mandar`neles.

Agora, o que aconteceria se o seu vizinho lhe impusesse uma regra qualquer, para seu proprio "bem" (de acordo com a opiniao dele)? Voce obedeceria ao seu vizinho? Claro que nao, provavelmente mandaria o seu vizinho para um sitio.

Isto porque o seu vizinho e' um homem como outro qualquer e so o Goncalo e' que sabe o que e' melhor para si, nao o seu vizinho.

Mas se agora o seu vizinho concorrer a um lugar publico (ele continua a sr o mesmo homem), for eleito, e comecar a legislar, impondo-lhe certas regras que ele ache que sao "melhores para todos", porque razao o Goncalo passaria a obedecer-lhe?

E' uma consequencia engracada da democracia, que nao e' mais do que uma outra forma de colectivismo: Todos os seres humanos sao iguais, sem poder uns sobre os outros, excepto se forem eleitos pelo colectivo. De algum modo, se forem eleitos pelo colectivo, passam a ganhar o papel de "pais" de todos os "filhos" do estado: Estes decidem o que e' "melhor" para todos e os filhos simplesmente obedecem...
Cumprimentos!

Gonçalo disse...

Caro Ferreira,

Pensar de maneira diferente não é ser pedra dura nem mole.

Sem reserva fraccionada, em que um banco tem 100% de reservas, se um banco emprestar dinheiro e levar o calote, o que acontece? Fica com saldo negativo. Se o calote for mesmo grande, o saldo fica mesmo negativo. Suponhamos que tinha emprestado 30% das reservas, e ficou sem eles. Se isto chega aos ouvidos dos outros depositantes, não vai haver uma corrida?

Acreditar na cooperação é a mesma coisa que acreditar no grande abraço fraterno. Utopias ideológicas. Afinal, qual é a diferença entre cooperar individualmente ou colectivamente?

Se todos temos o interesse em cooperar, porque é que o meu vizinho iria impor-me uma regra?
Seria por necessidade? Uma mania dele, que pensa que é mandão?

Todos os seres humanos são iguais? Na verdade não há espécie em que os membros da mesma raça sejam tão diferentes!!
Há muitos maridos que têm enorme poder sobre as esposas, e não foram eleitos pelo colectivo. Foram eleitos pela esposa.

Todas as sociedades são hierarquizadas, sejam de humanos, de leões, de macacos, de abelhas.
Se não restringirmos a eleição a um acto formal realizado numa urna, vemos que o leão/macaco dominante foi "eleito" e que a abelha rainha foi "eleita". Até um rei e a sua descendência foram "eleitos". É uma realidade social, e não uma consequência da democracia.

Só não há hierarquia nas espécies em que os membros vivem sós e esses sim, vivem livremente de acordo com o seu interesse próprio, que é a sobrevivência.



Gonçalo disse...

Pedro,

Sendo verdadeiro o crescimento do PIB e da população após a agricultura, o PIB per capita manteve-se praticamente constante.
Tal significa que em 1800, em média, não se vivia melhor que no império romano.

Económico-Financeiro disse...

Caro Gonçalo,
O PIB não permite comparar entre períodos tão distantes no tempo (entre o ano 400 e 1800) porque o tipo de bens e serviços produzidos e a sociedade alteram-se substancialmente.
É equivalente a imaginar como se vive na Guiné-Bissau com um PIBpc igual a 1.44% do Português (e na R.D.Congo com apenas 0.95%).

Apenas algumas diferenças:
1. Em 400 a maior parte das pessoas eram escravos e, apesar de os "cidadao romanos" terem sido parcialmente substituidos pela nobreza e clero, em 1800 havia uma percentagem muito maior de pessoas livres.
2. O ensino era muito mais democratico em 1800 (já havia universidade importantes).
3. Era possível viajar de barco para o Novo Mundo.
4. Os conhecimentos médicos eram muito superiores em 1800 (a esperança de vida em 400 era 28 anos).
5. O norte da Europa melhorou muito mais entre 400 e 1800 que o sul.

Por isso, mesmo que em 1800 o PIBpc fosse igual ao de 400 em algumas zonas do Imperio Romano, a "Europa" alargou-se.

pc.

Gonçalo disse...

Caro Pedro,

Ao referir o Império Romano, não queria comparar a vida de 1800 com o império. Queria dizer que o PIBpc a nível mundial entre a data do Império Romano e o PIBpc a nível mundial de 1800 manteve-se praticamente constante. Mea culpa.

1. Em 1800 havia muitos mais europeus livres, em África nem tanto.
No império romano, muitos escravos eram libertados, enquanto na sociedade medieval os camponeses não viviam melhor que muitos escravos romanos.

2. É verdade. Mas os gregos também tinham universidades.

3. Para azar dos Índios.

4. A Europa foi devastada pela peste negra. A esperança de vida em Inglaterra, em 1800 era 37 anos, a mesma do Zimbabué no virar deste século. Os cuidados médicos são uma das causas do baixo PIBpc de uma sociedade agrícola.

5. A Alemanha foi constante palco de guerras. A Península Ibérica dominou o mundo durante os descobrimentos.

6. Numa sociedade agrária ou recolectora, os bens e serviços não se alteram tão substancialmente quanto isso. A grande parte dos bens produzidos são alimentares e militares.



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