quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A transferencia da TSU é uma medida positiva

O PS e toda a gente arregimentada pela comunicação social dizem mal.
Mas estava escrito no Memorando de Entendimento "negociado" e assinado pelo Sócrates que

"o OE 2012 incluirá uma recalibragem do sistema fiscal que seja neutral do ponto de vista orçamental, com vista a reduzir os custos laborais e a promover a competitividade [Outubro de 2011]" (ver um post mais detalhado).


O Sócrates assinou o Memorando mas nunca pensou que o iria cumprir. Recebia a massa e chapéu.
Mal assinou, veio negar que lá estivesse tal coisa rematando posteriormente de Paris que "pagar a dívida é uma brincadeira de crianças".
É como o fulano da Madeira, do PSD, que assinou mas, assim que apanhou lá a massa, recomeçou logo a disparar que quer a independência e que não pensa em pagar aos cubanos.
Está a acontecer o mesmo na Catalunha e na Sicília.
No fundo, a caloteiragem está no nosso ADN latino.

Fig. 1 - O quê? O senhor jornalista deve estar burro porque eu não assinei nada disso.


O Passos, vendo-se apertado, teve que avançar com o corte da TSU para 2013.
Apesar de no ano passado ter conseguido escapar afirmando que o mercado de trabalho iria ajustar por si, agora, de joelhos frente à Troka, fez mea culpa e avançou com um cortesito.
Queria o Passos acreditar que, mesmo estando proibido pela lei, os salários iriam diminuir por si.

Como vai ser a medida que desce os custos do trabalho.
Em 2013 os patrões vão pagar menos 5.75% do salário de TSU (uma redução de 23.75% para 18%) e os empregados pagam mais 7% do salário (de 11% para 18%).
Como, por cada 100€ de salário nominal, o patrão paga cerca de 130€ (porque acrescem o seguro, o subsídio de refeição e a TSU), o corte de 5.75pp representará uma diminuição dos custos do trabalho em certa de 4.5%.
Naturalmente que essa redução implica que os trabalhadores vão receber menos dinheiro.

Teria sido melhor aumentar a meia hora de trabalho por semana.
Mas, há um ano, os esquerdistas berraram, o Passos acagaçou-se e recuou.
Na altura já toda a gente estava preparada para a medida que era má mas esta, em comparação, é muito pior porque mexe directamente no bolso de cada um.
Se o aumento do horário de trabalho avançasse, os que argumentaram contra porque "era um roubo" deveriam ficar mais contentes porque agora alegam que a transferência da TSU é um roubo que vai reduzir o consumo.
O problema é que, o ano passado, a demagogia venceu e este ano a marretada vai cair na mesma mas muito mais pesada porque traz juros.

Os esquerdista e intelectuais da treta querem que a galinha viva e que a raposa não passe fome.
Mas isso só é possível com a ajuda do Pai Natal e da Fada Madrinha.
Se os custos do trabalho precisam diminuir porque não produzimos o suficiente para o que ganhamos então, essa diminuição tem que cair na cabeça de alguém.
Uma hipótese era cair na cabeça dos alemães mas o problema é que eles não deixam.
Então, só sobra aparar a marretada com a nossa cabecinha.

Será que a medida vai aumentar o emprego?
Concerteza que sim.
Mas os comentadores estão completamente errados na análise porque não fazem ideia do que se está a passar na nossa economia e o que se irá passar durante o período de ajustamento.
A Comunicação Social parece que só quer comentaristas ignorantes que possam dizer mal de tudo o que o Passos faça.
E isto aplica-se desde o Bagão Felix, ao Belmiro de Azevedo passando por professores universitários que continuam a anunciar as teorias milagrosas do crescimento que foram tão sabiamente utilizadas pelo Sócrates e o seu mentor Teixeira dos Santos e que nos levaram à bancarrota.
Vejamos os erros conceptuais.

Primeiro erro - O consumo e a produção.
Os comentarista baseiam-se na tese de que o consumo é o fundamental para a economia.
Está errado porque o importante é a produção.
Toda a gente quer consumir mas apenas o pode fazer se houver produção.
Diz o povo na sua sabedoria: Se ninguém fizer filhos, não pode mais haver casamentos.

De onde vem o rendimento disponível?
O rendimento é apenas um mecanismo de distribuir o que se produz tipo senhas de racionamento.
Se se produzem 1000kg de arroz, podem-se distribuir 1000 senhas de racionamento que vão dar a um consumo de 1000kg de arroz.
Se a produção for  500kg de arroz já só se podem distribuir 500 senhas que vão dar a um consumo de 500 kg de arroz.
Se a produção for  500kg de arroz e se distribuírem 1000 senhas, o consumo será na mesma apenas 500 kg de arroz pelo que haverá uma desvalorização das senhas de forma que vão ser precisas 2 senhas para comprar 1kg de arroz: é a inflação que não causa qualquer multiplicação de arroz.


O nosso problema é que se produziam 875 kg de arroz e se distribuíam 1000 senhas.
Para se poder consumir 1000 kg de arroz e não haver inflação, Portugal endividava-se em 125€ no exterior para pagar o consumo excedentário (os 125 kg de arroz importados), que se foi somando até mais ninguém nos emprestar mais um euro.
Agora temos que reduzir de 1000 senhas para 825 senhas (ou menos para podermos pagar as dívidas acumuladas no guterismo-socratismo).
Fig. 2 - Primeiro produz-se arroz e só depois é que se pode comer arroz

Segundo erro - O Estado cobra menos impostos que os serviços que retribui ao Povo.
Nós pagamos impostos mas o Estado retribui à sociedade mais do que o dinheiro que pagamos.
Por isso é que tem défice.
Como ninguém quer emprestar mais dinheiro ao Estado, ou se corta na despesa (na saúde, ensino e nas reformas pois são as rubricas que acumulam as fatias de leão da despesa pública), ou se aumentam os impostos.
Cortar na despesa é muito doloroso e aumentar os impostos é terrível mas alguma coisa tem que ser feita porque não há quem financie o défice do Estado.
Se dizem que o Estado é ineficiente e só dá aos graúdos e aos amigos então, os transportes, a televisão e tudo em que o Estado tem a mão tem que FECHAR.

Terceiro erro - o ajustamento é microeconómico e não macroeconómico
Os comentadores raciocinam em termos macroeconómicos (o desemprego em abstracto) quando tem que ser olhado principalmente no pormenor (o desemprego em cada sector) porque a nossa economia tem que se reestruturar diminuindo a actividade dos sectores para consumo interno (despedindo) e aumentar a  dos sectores para a exportação (contratando novos trabalhadores).
Vejamos com um pouco da história recente como evoluiu erradamente a nossa económica.

Em 1995, o Guterres descobriu um novo tipo petróleo: o endividamento externo
Quando se descobre petróleo, como em Angola ou na Rússia, a sua exportação faz entrar dinheiro na economia o que leva à subida do rendimento da população (salários) que induz uma dinâmica de reestruturação da economia em que o sector exportador definha e o sector dos bens não transaccionáveis aumenta (bens e serviços de proximidade que não se podem importar), por exemplo, fazem-se casas, estradas, centros comerciais, cafés e restaurantes.
O Guterres não descobriu petróleo físico mas descobriu que o Estado se podia endividar no exterior sem limite.
Em termos de balança de bens, serviços e rendimentos, no tempo de Cavaco o défice estava nos 7.5% do PIB (equivalente a um endividamento de 100€/mês por pessoa) que era compensado pelas remessas dos emigrantes e pelas transferências da União Europeia.
O guterrismo-socratismo aumentou o défice para 12.5% do PIB (equivalente a 180€/mês por pessoa).
Quer isto dizer que, em média, nos governos Guterres+Sócrates cada português teve um rendimento de  180€ por mês superior ao que conseguia produzir (ver Fig. 2).

O guterrismo-socratismo passou a injectar 8.5 mil milhões € por ano na economia.
Isto é mais que todo o petróleo e produtos agrícolas que importamos para consumo.
Portugal, directamente pelo Estado ou indirectamente por contratos com empresas, Portugal foi ao exterior buscar camiões de dinheiro que permitiu que a nossa economia passasse a produzir apenas para gasto interno.
Agora obrigaram-nos a cortar com a mama.



Fig. 3 - A balança de bens, serviços e rendimentos foi negativa em 12.5% do PIB no periodo Guterres-Sócrates (Dados: Banco Mundial)

O "petróleo" PUXOU a construção, as lojas, os centros comerciais, os cafés e os restaurantes.
Apesar de as PPPs terem começado no Cavaquismo, com o guterrismo avançaram à força toda. O argumento era que "as obras pagam-se a si próprias pelo principio do utilizador-pagador".
Foi o tempo  do Porto 2001, do Euro 2004 e, rebentou com o Guimarães 2011 onde uma incompetente recebia um ordenado tão grande que, mesmo despedida por incompetência, recebeu 1 milhão de euros num acordo secreto. Até tiveram vergonha que o povo descobrisse como funcionavam as nomeações do socratismo.


Era a política da mentira e da aldrabice.
O problema das PPPs é que, quando acabou a racionalidade económica para tanta obra faraónica feita em locais onde toda a gente sabia que nunca haveria utilizadores (como na Aí-Vai-1que liga Coimbra a Bragança), se começou a martelar os números.
O Seguro não se quer lembrar mas o Sócrates (com altos estudos desses doutores que faziam parte do desgoverno), afirmava que haveria 25 mil passageiros por dia no TGV quando, na altura, menos de 5 mil pessoas viajavam entre o Porto e Lisboa de comboio. E que o tráfego de aviões em Lisboa iria aumentar mais de 10% por ano.
Bem se vê que nada disso se verifica ou verificará algum dia.
Como os investidores não são ceguinhos, sabiam que esses números eram uma aldrabice pelo que o Estado teve que dar garantias de rentabilidade mínima para que houvesse quem fizesse esses elefantes brancos.
Agora dizem que os contratos foram ruinosos.

Um aluno meu.
Extraordinário que apenas não refiro porque está num local com acesso a informação confidencial, disse-me que os contratos feitos no tempo do Sócrates eram tão ruinosos que o Sócrates os dividia por vários instrumentos para que ninguém o soubesse.
Que o seu trabalho era investiga-los mas, havia um contrato que saia em Diário da República mas que remetia para "contratos adicionais" e para "caderno de encargo a melhorar" e com "compensações de serviço público a definir em Portaria posterior". Depois vinham os "trabalhos suplementares", a "concretização de risco adverso às condições técnicas da execução da obra", etc. etc. etc. de forma que ninguém conseguisse calcular à partida quanto ia custar de facto as PPPs.
Isto levava a derrapagens que chegavam a ultrapassar os 400%.
O Sócrates anunciava-se que ia custar 100 sabendo que ia custar 500 mas o povinho só o veio a saber agora e não quer pagar.
Foi a trafulhice política levada ao seu máximo.

Os centros comerciais e os empreiteiros cresceram com cogumelos.
As PPPs e o défice público foram os canais usados pelo Sócrates para injectar  na economia o dinheiro pedido emprestado ao exterior.
Tudo o que era construção civil, distribuição (centros comerciais e lojas), serviços públicos (ensino, saúde, RTP, transportes públicos, etc.) e serviços à população (EDP, PT, vira-ventos, magalhães, etc.) puxou os trabalhadores (aumentando os salários) à custa do sector exportador.
Como o movimento foi de "puxar" (um choque keynesiano), a economia cresceu e o emprego aumentou.
Se repararmos para a Industria, todo o esforço do Cavaco de convergir a estrutura da nossa economia para o modelo alemão (o peso da Industria em Portugal em 1995 atingiu 95% do peso na Alemanha) foi destruído pelas políticas de endividamento externo do guterrismo-socratismo (ver, Fig. 3).

Fig. 4 - Peso da Industria em Portugal versus Alemanha (Dados: Banco Mundial) 

Até vieram 500 000 ucranianos porque ninguém queria trabalhar.
Apesar de haver povo a dizer que estava desempregado, como o subsídio de desemprego era mais compensador que estar a trabalhar, foi preciso mandar vir 500 000 ucranianos para ajudar na construção das obras do regime.

Agora, é preciso reverter o processo.
Agora os empreiteiros, a distribuição e tudo que produzia bens não trasaccionáveis vão reduzir substancialmente o nível de actividade (ou mesmo fechar) mandando centenas de milhar para o desemprego.

Entretanto, o desemprego vai pressionar os salários a descer e as fabriquetas que fazem peças eléctricas e para automóveis, têxtil, vestuário e calçado e demais coisas pequenas que exportamos vão aumentar a sua actividade contratando mais trabalhadores.

Fig. 5 - Alguém carregou no botão de reverter

Esta dinâmica é microeconómica
no sentido que existem sectores que vão destruir emprego e outros sectores que vão aumentar o emprego.
Não é preciso haver crescimento para que se crie emprego. É apenas preciso que os preços e os salários relativos dos bens e serviços se alterem no sentido dos bens exportáveis.
Em termos macroeconómicos a economia continuará a contrair mas, em termos microeconómicos, a nossa economia vai-se tornando mais competitiva.

O ajustamento cria desemprego porque é um movimento de EMPURRAR.
Se tivéssemos moeda, havia uma desvalorização, por exemplo de 25%, os salários e os preços caiam em todos os sectores. Depois, a queda dos preços faria aumentar as exportações e os salários dos seus trabalhadores que puxavam novos trabalhadores do sector não transaccionável reduzindo o desemprego.
Era um efeito PUXAR (keynesiano) tal como aconteceu com o endividamento não havendo tanto desemprego.

Mas agora, como estamos dentro do Euro, o ajustamento faz-se pela redução da procura dos bens não transaccionaveis o que EMPURRA (clássico) trabalhadores para o desemprego que, posteriormente, aceitam salários mais baixos passando a ser contratados pelo sector dos bens transaccionáveis (exportadores) que podem descer os seus preços e exportar mais.

Seria obrigatório a transferência da TSU dos empregados para os patrões?
Não.
Um trabalhador quando vai para o desemprego (porque a escola faliu ou a loja fechou), tendo subsídio de desemprego fraco, vai-se sujeitar a um novo emprego noutro sector e a ganhar menos.
Terá que inicialmente ganhar menos porque a reestruturação, por exemplo, obriga um ex-professor a ser sapateiro ou construtor de automóveis e, inicialmente, não o sabe fazer bem.
Então, naturalmente o movimento de empurra do sector não transaccionável para o transaccionável vai baixar os salários mas apenas porque temos um desequilíbrio das contas externas.

Mas é positivo que aconteça esta medida sobre a TSU.
Porque como o nosso mercado de trabalho tem muita dificuldade em diminuir os salários (a lei proíbe que um trabalhador fique a ganhar menos que o rpevisto no Contracto Colectivo) mais forte tem que ser o EMPURRÃO pelo que maior será a taxa de desemprego e a contracção do PIB.
Mas, quer haja descida ou não da TSU, haja ou não alteração do código do trabalho no sentido de flexibilizar os salários, haja  ou não "neo-liberalismo" do governo, os rendimentos do trabalho vão diminui.
Tal como vão diminuir na França mesmo o Holland pregando que é contra.

Os comunistas nunca referem qual é o salário médio em Cuba ou na Coreia do Norte.
Pela ideia dos comunas, como em Cuba não entra o FMI nem a Troika, por lá o povo deve ter enormes ordenados.
Mas dizem-me que não. A minha colega de gabinete esteve em Cuba numa conferencia e disse-me:

- Tu é que devias gostar de ter ido à conferencia porque és um malandro que não quer fazer nada e a organização arranjou uma estudante para acompanhar cada conferencista. 
- Disse-me um "It has been the best euro I have ever spent in my life. This conference has been fantastic."
- Parece que a organização não podia pagar às meninas e era preciso dar-lhes um euro mas não percebi bem porque ele achou o euro tão bem empregue porque eu não tive direito a ajudante.

Fig. 6 - Se tivesses ido, era esta a estudante que te iria ajudar.

Os comunas nunca referem como tem evoluiu o rendimento das famílias venezuelanas desde que entrou o Chaves. Não têm grande capital, austeridade, Passos Coelho, Gaspar. Aquilo deve ser um fartote.

Ainda acreditam que o Pai Natal vai conseguir passar com aquele cu gordo pela chaminé do exaustor da cozinha e colocar no sapatinho tudo o que nós sonhamos ter e não podemos.

"Nenhuma empresa do PSI 20 vai criar postos de trabalho".
Dizem os comentadores que a descida da TSU não vai criar emprego nas grandes empresas.
E o Belmiro de Azevedo está danado com a medida.

Fig. 7 - Eu sou o típico grande empresário português: compro a 120 dias, meto na prateleira e vendo a pronto sem nada produzir.

Pudera. É que essas empresas são para consumo interno.
São as dos bens não transaccionáveis que viveram do endividamento e que são para mirrar.
Esses pseudo-empresários queriam mais endividamento externo para poderem continuar a vender sem ninguém precisar produzir nada que possa ser vendido para pagar as importações.
É estranhíssimo um país em que as suas grandes empresas não produzem bens exportáveis (ver tabela 1 que está um pouco desactualizada mas que dá uma boa ideia das nossas grande empresas).

EmpresaSectorPeso
Portugal TelecomComunicações15,23%
Galp EnergiaRefinaria15,19%
EDPElectricidade15,01%
Jerónimo MartinsDistribuição10,87%
BCPBanco9,72%
BESBanco6,49%
EDP RenováveisElectricidade4,84%
BrisaEstradas4,44%
ZON MultimédiaComunicações2,93%
SonaeDistribuição2,85%
CimporConstrução2,24%
PortucelPapel2,11%
SemapaConstrução1,82%
BPIBanco1,81%
RENEElectricidade1,29%
AltriPapel0,95%
BANIFBanco0,64%
SonaecomComunicações0,58%
Mota-EngilConstrução0,50%
Sonae IndústriaMadeira0,49%
Tabela 1 - As grandes empresas portuguesas produzem bens não transacciáveis (Março 2011)

A GALP ainda faz uma refinação que vende mas o Valor Acrescentado exportado não é nada de especial.

É tudo construção civil, bancos que financiam imóveis e distribuição.
Isso vai acabar. A comunicação social deveria chamar os que são realmente grandes empresários.
Aqueles patrõezecos que têm uma fabriqueta e que fazem umas merdas que exportam.
Esses, com 10 ou 20 empregadozecos é que são os grandes empresários portugueses.
Não são esses que criaram impérios baseados no endividamento da nossa economia.
Já repararam que o ar condicionado dos centros comerciais está desligado?
A seguir, é fechar de vez.

Porque eu digo que os comentadores são ignorantes.
Porque foi Schumpeter (Business Cycles: A Theoretical, Historical, and Statistical Analysis of the Capitalist Process, 1939), quem avançou com as ideias que usei acima na explicação da dinâmica microeconómica da destruição do emprego que se verifica actualmente em todo o Sul da Europa.
Não saiu da minha cabeça que é, reconhecidamente, oca.
Eles, que são muito mais inteligentes que eu, se estudassem minimamente economia, teriam ideias muito mais sólidas que o churrilho de "senso comum" mas errado que atiram para enganar o povo ignorante.

Mas o povo, mesmo ignorante, não se deixa enganar. Senão, o Sócrates ainda era primeiro ministro.
E NÃO É.
Obrigado meu povo que tanto amo.

Querem a minha análise ao comportamento do Portas?
Quer ser o candidato da Direita às presidenciais de 2016.
Mas o Marcelo também quer.
Então, há uma guerra do Marcelo para juntar os PSDistas contrários ao Passos (que são a maioria dos autarcas que têm o espírito latino de caloteiro à Sócrates) em torno do seu nome.
Por outro lado, o Portas e os CDSistas pressionam o Passos a avançar com o nome do Portas porque é mais firme o apoio do CDS-PP ao governo que o apoio dos próprios do PSD.
Isto é uma guerra para durar e o Marcelo, de forma intelectualmente desonesta, vai usar a sua tribuna de comentador para destruir o governo para arregimentar apoios.
Vão ver como a sua tónica de ataque ao governo vai começar a aumentar de intensidade.

Finalmente a morte do consul americano em Benghasi.
Foi uma covardia do Obama que não deu a ordem de resgate.
O homem morreu porque os helicópteros da sexta esquadra receberam ordens para ficar no solo a aguardar novas ordens.
Só depois de confirmado que o consul já estava morto e a ser esquartejado na rua é que chegou a ordem para o irem salvar.

Tentaram fazer o mesmo  à embaixada de Israel no Cairo em Setembro 2011.
Também o exército e a polícia abandonaram o local até que o presidente do Egipto recebeu um telefonema que foi escutado na wikileaks:

- Está, é  o Marechal Mohamed Hussein Tantawi? Daqui é o Benjamin Netanyahu.
- O meu embaixador telefonou-me a dizer que havia qualquer coisa à volta da nossa embaixada e que não está lá a polícia. Nós estamos daqui a acompanhar a coisa por satélite e por drones e estão lá 1000 gaijos com marretas a atacar-nos e realmente não estou a ver nenhum polícia.
- Será preciso a gente ir lá buscá-los ou fazes alguma coisa?
-  Para nós, mil gaijos não é nada. Basta os nossos da embaixada, se eu lhes doer ordem de saida em força, eles limpam isso num minuto.
- Mas à cautela, já lá estão 5 drones e os aviões já levantaram. Já os deves estar a apanhar no radar.
- Agora Tantawi, como sou teu amigo, dou-te 10 minutos para meteres lá segurança.
- Olha que eu estou calmo mas a gente tem fama de entrar à bruta.

Passados 5 minutos estavam centenas de soldados egipcios a proteger a embaixada de Israel.

Lembram-se daquele filme que relata o resgate dos soldados em Mogadiscio?
O Bush pai deu a ordem "matem quantos for precisos mas que não fique nenhum americano para trás".
Na caminhada, foram mortos entre 1500 e 3000 somalis.
A sequencia foi relatada no filme Black Hawk Down.

Fig. 8 - O Obama é um covarde. Muito discurso mas, na hora da verdade, não presta.

Pedro Cosme Costa Vieira.

14 comentários:

antonio jorge carvalho disse...

Acho que se esta a esquecer que a baixa da tsu beneficia as empresas que trabalham para o mercado interno. Em particular, as que estão em situação de monopólio ou parecido. Por comparação,numa desvalorização da moeda nao só isso nao se verificava com o efeito de perda de rendimento afetaria nao só os trabalhadores como os detentores de outros rendimentos, designadamente de capital ou fundiários. Quando o governo nao mexe ou beneficia o capital, através da tsu, timidez do acréscimo de fiscalidade sobre rendimentos de capital e incapacidade de mexer nas ppp's ou nos vira-ventos, é natural que os trabalhadores se sintam injustiçados. Eu diria que, face a isto, mais justo e mais eficaz para a criação de emprego seria sair do euro...

Gonçalo disse...

Caro Pedro,

Creio que o exemplo do arroz vem no seguimento de um comentário meu.

O Pedro diz que 1t de arroz é como distribuir 1000 senhas. No entanto, isso não quer dizer que se gastem as 1000 senhas, podendo ficar arroz por consumir.
Muitas pessoas preferem fazer um pé de meia e guardar para consumir arroz no futuro.
O problema é quando muita gente prefere guardar as senhas, como acontece numa recessão, com receio do futuro.
"Temos de poupar, que vem aí uma tempestade"
Se se produz arroz e ele não é consumido, então a produção diminuí e menos senhas há, mais receio no futuro e mais se guardam as que há, que passam a ser escassas.
Nesta situação, e somente nesta situação, não fará sentido que haja mais senhas do que arroz?
Claro que produzindo 500kg só vão ser consumidos 500kg. Mas, numa época recessiva, para se consumir 500kg são precisas mais do que 500 senhas. Uma vez que há muitas delas que ficam no bolso há espera de melhores dias, digamos 500 delas, então das 1000 senhas só se vão gastar 500 em arroz, não causando inflação. As outras 500 estão "adormecidas" e há medida que forem "acordando" têm de ser absorvidas pois aí sim o perigo de inflação seria real.

Quando não há senhas "adormecidas", então sim: mais senhas do que arroz daria ou inflação ou importação de arroz

Epicuro disse...

Falta integrar o resto dos efeitos da emissão e injecção de dinheiro através de dívida no mercado interno. Se numa fase inicial isso determina inflação e a transferência de actividades para o consumo interno, a segunda fase dos efeitos dessa operação é a retirada massiva de dinheiro do mercado não financeiro para o mercado financeiro (através do pagamento com dinheiro real do dinheiro que nunca existiu). Temos por isso um efeito de deflação crescente, porque quanto menos dinheiro existir, mais caro se torna. E se isso continua a ser óptimo para quem exporta, determina o que está a acontecer no Japão há mais de uma década. Além disso há a questão do excesso de pessoas indexadas ao trabalho, e a falência do sistema de redistribuição que assentava no trabalho e no estado. Como integra os restantes factores?

financialRS87 disse...

Mas então acha que estas medidas vão permitir a Portugal o pagamento da dívida nos moldes actuais?
Ceteris paribus, isto é, mantendo-se a taxa de esforço tal é impossível, se quiserem que o povo passe fome para o Estado pagar a dívida talvez seja possível.

Mas qual a legitimidade de um Governo em aumentar contribuições aos trabalhadores do sector privado. O Governo tem de gerir o que recebe e adaptar os seus gastos a isso.
Se o sociedade não produz riqueza suficiente para os actuais gastos do Estado é preciso cortar despesa no Estado e não nos privados. Despesa em custos de pessoal, quem não estiver satisfeito com a situação pode sempre sair da esfera do Estado e ir para o sector privado.
Sim senhor, estas medidas são um grande estímulo a produtividade quer dos trabalhadores do sector privado,quer até mesmo das empresas.

O Pedro parece ter alguma coisa contra as empresas de bens não transaccionáveis. O problema de Portugal no desequilíbrio externo está mais na falta de indústrias para substituírem importações que nas exportações.
Não acha que quando um defende uma coisa e todos estão contra, o problema está nesse um e não em todos os outros?

Não sabia que a produção é o fundamental
Viva Angola eles lá produzem muito e a riqueza fica quase toda no partido do regime.
O endividamento externo tem as suas vantagens, mas em excesso também tem desvantagens, aqui dou-lhe razão.

Schumpeter, destruição criativa isso é bonito enquanto modelo conceptual, na realidade não existe. Se algum estado tentasse aplicar isso (ah o Schumpeter era liberal, isto seria algo espontâneo, o Estado não devia entrar nesta equação)esse país ficaria de rastos. No fundo é o que PPC quer fazer usar o Estado para destruição criativa.

Mas proponho o seguinte o nosso desequilíbrio orçamental primário está quase equilibrado, o nosso desequilíbrio externo está quase equilibrado então deixemos de pagar a dívida, saíamos do Euro, teremos o nosso castigo merecido (ausência de financiamento externo durante largos anos) e a médio-longo prazo estaremos melhores do que se continuarmos nesta espiral recessiva e irracional.
Ah,isso não pode ser o sector financeiro português que já está semi-falido aí faliria por completo.

Cumprimentos RS

Helder disse...

há um défice comercial em diversos sectores de actividade. exportações = produção - consumo. há que maximizar as exportações. normalmente o preferível seria através do aumento da produção, no entanto para tal é preciso investimento, coisa que não é possível fazer por falta de dinheiro, portanto há que diminuir o consumo. como? como se está a fazer.

diminuição da tsu do empregador visa a mimetização de uma desvalorização cambial, impossível tendo em conta o facto de não termos moeda própria, além da diminuição dos custos com o trabalho. ou seja, mantendo-se o número de trabalhadores, sobra dinheiro, que será aplicado em investimento, de forma a permitir o incremento da produtividade e a maximização futura de receitas (e minimização de custos).

subida da tsu dos trabalhadores visa a diminuição do consumo -> diminuição do défice comercial.

a produção, por isto, parece-me ser mais importante do que o consumo para uma economia, além das razões históricas de como foi criado e desenvolvido o sistema económico.
além disso, muitas vezes se tem em conta o nível de produção industrial dos países, que geralmente, quando desce, implica um sobreaquecimento da economia ou início de uma contração económica, e vice-versa.


outro aspecto que creio que deva ser apontado deve-se à diminuição do rendimento médio e de um hipotético aumento do emprego com esta medida. apesar do rendimento médio vir a diminuir, o rendimento global da economia subirá, pois com a poupança haverá mais pessoas a ser empregadas (mesmo que a médio prazo).


já agora professor, gostava que um dia escrevesse um post a respeito do federalismo na europa. é a favor?

cumprimentos

André Levi disse...

Professor, concordo em grande parte com o seu artigo, no entanto permita-me a seguinte pergunta...

Não seria melhor o Estado não baixar a TSU a todas as empresas, mas apenas às empresas dos bens transaccionáveis? Já não chega as rendas excessivas que as EDP's e companhia têm, e vai-lhes sobrar mais dinheiro na tesouraria ao fim do mês.

Paulo Andrade disse...

Deve andar desatento mas os salários dos portugueses têm desvalorizado nos últimos anos por várias vias: aumento de impostos, inflação e descida dos valores brutos. Não deve ter reparado para para um mesmo trabalho (setor privado) hoje em dia oferece-se menos dinheiro do que há uns anos... É melhor informar-se sobre esta realidade!

Falam muito da produtividade, mas alguém mediu o efeito adverso desta medida na mesma?

Unknown disse...

bem explicado, parece-me correto. Apesar de ter alguns comentários com pontos de vista diferentes que também devemos ler. No essencial parece-me coerente, lógico e mais do que isso, inevitável. Obrigado porque tenho andado atento a tentar perceber o verdadeiro impacto da medida. Tem alguns riscos, mas continuo convencido que é uma boa medida

Nelson Silva disse...

Realmente não percebo esta afirmação. Parece-me atirar areia para os olhos. "Os comentarista baseiam-se na tese de que o consumo é o fundamental para a economia.
Está errado porque o importante é a produção."
Por amor de deus, é tão importante o consumo como a produção. Mas alguem acha que se o rendimento disponível cair, o consumo se mantem? E se o consumo cair, o que acontece à produção, por acaso mantem-se? E desde quando é que o rendimento disponível vai todo para o consumo? Então e a poupança? Não existe?

Helder disse...

nelson silva, a produção q n é absorvida pelo mercado interno é transferida para o mercado externo (exportações).

Gonçalo disse...

Caro Helder,

Vamos pensar que sou dono de uma revista. Vendo em média 10000 exemplares, antes da crise. Há medida que a recessão avança, passo a vender só 6000. Tenho de despedir pessoal, ou mesmo encerrar. Acha que os 4000 exemplares que deixei de vender internamente vão ser exportados?

Sou agora dono de um restaurante e vendia 1000 refeições/dia e agora só vendo 300. Tenho de despedir pessoal ao mesmo tempo que preciso de menos matéria prima: carne, peixe, legumes, bebidas, pão, sobremesas.
Acha que as 700 refeições em falta vão ser exportadas, ou que estas matérias primas que deixaram de me ser vendidas vão ser exportadas?

Sou agora produtor de arroz. Produzia 1ton/dia, mas agora só consigo escoar internamente 700kg/dia. Antes da crise exportava 100kg/dia. Acha que de repente vou conseguir aumentar a exportação para 300kg/dia?

Sem produção não há consumo, mas sem consumo não vale a pena produzir. É tão importante um como o outro.

Helder disse...

qt à revista e ao restaurante, exactamente por isso é que a alteração da tsu é uma forma de modelar a economia de um país.

restauração é um sector não transaccionável, pelo que obviamente sofrerá, tal como sofre a construção civil. nada a fazer, simplesmente haverá uma transferência de mão-de-obra da restauração para o sector transacionável.

qt às revistas, é uma questão de apuramento da procura de mercado e reajustar a produção. msm numa situação económica boa haverá stock por escoar.

qt ao arroz, n, n aumentará a produção de repente (nem diminuirá, são colheitas anuais). há smp uma parte vendida ao grossista nacional e outra q é exportada.

comércio internacional, de paul krugman. é um bom livro para tirar por completo as dúvidas sobre este assunto gonçalo.

Nelson Silva disse...

Hélder, infelizmente depende de muitos factores, do tipo de bens que a empresa produz e qual a estratégia dessa empresa. Um Pais que, infelizmente, possui uma maioria empresarial composta por PME, muitas das vezes familiares, cujo conceito de internacionalização é uma miragem e com acesso ao crédito inexistente, dizer que a "produção q n é absorvida pelo mercado interno é transferida para o mercado externo (exportações)" é wishful thinking to say the least. Se assim fosse eu seria o primeiro a concordar.

Carlos Ferreira disse...

Há aí muita coisa nesse texto que não me parece que esteja bem analisado, mas vou só dar algumas marcas visto que o seu texto é bem grande.

Primeiro a análise do peso da industria Portuguesa face à Alemã... visto que foi precisamente nos governos de Cavaco que não se viu a maior injecção de capital no sistema financeiro Português vindo de Bruxelas, como também começou os conhecidos "subsídios para não cultivar" o que só posso tirar uma conclusão... é que esse crescimento abrupto, foi à custa do financiamento de Bruxelas... Já agora, não esquecer da liquidação da industria metalúrgica em Portugal...

Outra coisa... se a medida da TSU é considerado um "experimentalismo" e existem estudos académicos onde demonstram que não é viável... como pode considerar que é, uma medida positiva? Não encontro lógica no seu ponto de vista.

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