terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cortar o horário de trabalho acabará com o desemprego

Existe quem pense que se poderia acabar com o desemprego diminuindo o horário de trabalho. 
Imaginemos o actual caso português em que o horário de trabalho é 40h/s, o salário médio anda nos 900€/mês e a taxa de desemprego é 16% da população activa. Reduzindo o horário de trabalho para 35h/s (e o ordenado, proporcionalmente, para 787.5€/mês), o desemprego reduziria para 4% porque

Mantinham-se os custos do trabalho: 
(1-16%) x 900 = (1-4%) x 787.5

Mantinham-se as horas trabalhadas (e a produção):
(1-16%) x 40 = (1-4%) x 55

Fig. 1 - Em pequenino, a minha mãe dizia-me que, por ser um malandro, tinha que me tornar funcionário público, de preferencia, professor.


Esta tese foi levada à prática pelo Sócrates (que afirmou que a redução de 45h/s para 40h/s iria acabar com o desemprego quando aumentou sempre) e na França que foi reduzindo o horário de trabalho até às actuais 35h/s (desde 2000).

Fig. 2 - Evolução do desemprego na França (1983-2012)

Em Portugal sabemos que o desemprego não diminuiu mas antes pelo contrário e, no caso da França, reduziu natural atingindo em 2002 o nível de 1991 mas nunca mais atingiu um valor abaixo dos 8% e já está outra vez acima dos 10% da população activa (Ver, Fig. 2).
A diminuição do horário de trabalho serviu apenas para fazer diminuir a taxa de crescimento do PIBpc de 1.7%/ano para 0.5%/ano (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Evolução do PIBpc na França (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)


Sendo que decisores políticos baseados em gabinetes de estudos cheios de doutorados em economia a levaram avante este erro, naturalmente (mas com reserva), o Carlos Neves defende num comentário que poderia ser a solução para acabar com o nosso desemprego.
Esta medida seria errada pelo lado dos trabalhadores e das empresas.

A) O lado dos trabalhadores 
Porque trabalhamos?
Se trabalhar fosse bom, as pessoas trabalhariam o máximo teórico de 14.3h/dia (100h/semana, 5200h/ano). Mas a realidade mostra que trabalhamos muito menos.
Os mexicanos, coreanos e chilenos trabalham cerca de 40%, os portugueses, espanhois e japoneses cerca de 33% e os alemães e holandeses cerca de 27% do máximo teórico.
Isto acontece porque trabalhar é um sacrifício que aceitamos porque precisamos pagar os bens e serviços que queremos (ou podemos) consumir.


Quantas horas devemos trabalhar?
Quanto mais trabalharmos, mais sacrifício faremos mas mais bens e serviços poderemos consumir.
Trabalhar muito permite-nos consumir muito mas deixa-nos exaustos.
Trabalhar pouco é "boa vida" mas ficamos esganados de fome.
Então, há uma quantidade de trabalho (horas por semana) óptima algures entre trabalhar 14.3h/dia e não fazer nada.
Há muitas variáveis que justificam alguém que conhecemos ser malandro ou trabalhador mas, em termos de tendencia, as principais variáveis são: 


1) Mais riqueza implica querer trabalhar menos.
Se trabalhamos para poder comprar bens e serviços, naturalmente que se fossemos mais ricos e tivéssemos mais rendimentos de capitais, não nos sacrificávamos tanto a trabalhar.
Quase toda a gente diz que "se me saísse o Euromilhões, deixava de trabalhar".


2) Mais salário horário implica trabalhar menos.
Se nos aumentassem o salário por hora para toda a vida (permanente), passaríamos a trabalhar menas horas.
Como a pessoa pode comprar mais bens e serviços com menos horas de trabalho então, também vai "comprar" mais horas de descanso reduzindo o tempo de trabalho.
Verifica-se que nos países com maior PIB per capita há a tendência para as pessoas trabalhar menos horas. Por exemplo, em Portugal trabalhamos mais horas que na Alemanha e menos horas que no Brasil (44h/semana e menos dias de férias).
Se o aumento do salário for temporário (por exemplo, um emigrante que vai apanhar maçãs para o Canadá), um aumento de salário faz as pessoas quererem trabalhar mais horas (provisoriamente) para descansarem depois (quando o salário voltar ao nível normal).


3) Maior taxa de juro implica trabalhar mais.
Nós antecipamos que vamos continuar a trabalhar e ter salário no futuro pelo que podemos fazer compras hoje com os nossos salários do futuro. Mas "trazer" os salários do futuro para o presente implica endividarmo-nos hoje pagando juros.
Os nossos salários futuros são equivalente a ter uma determinada riqueza que se obtém somando todos os salários mas descontados ao presente à taxa de juro (denomina-se por valor actual dos salários).
Se o salário for S e a taxa de juro for J, constantes, e trabalharmos uma infinidade de anos, a riqueza dos salários vem dada por
       Riqueza = S/J

Por exemplo, se ganhamos 15mil€/ano e a taxa de juro é 3%/ano, os nossos salários são equivalente a ter uma riqueza de 15000/3% = 500mil€.
Se a taxa de juro subir para 6%/ano, a riqueza diminui para 250mil€.
 Como só trabalhamos 40 anos, a riqueza é menor mas continua a diminuir com o aumento da taxa de juro (diminuiu de 347mil€ para 226mil€).
Como a riqueza diminui com o aumento da taxa de juro, pela razão 1), as pessoas querem trabalhar mais quando a taxa de juro aumenta.


Os portugueses querem um horário de trabalho maior.
No caso da nossa crise, tudo indica para que as pessoas queiram trabalhar mais horas porque


1) Houve uma perda da riqueza das famílias. Os imóveis desvalorizaram e os activos financeiros (acções) caíram a pico;


2) Antecipa-se uma diminuição dos salários. Já houve uma pequena redução dos salários reais (no meu caso, de cerca de 30%) e antecipa-se que essa descida vá perdurar muitos anos.


3) As taxa de juro aumentaram muito. E não se vê, a médio prazo, que as taxa de juro voltem a ser o que eram.
Então, em termos individuais, as pessoas querem trabalhar mais horas para compensar a quebra de riqueza, diminuição do salário e aumento da taxa de juros.
Desta forma, mesmo que o horário de trabalho diminuísse por decreto, os actuais trabalhadores iriam tentar fazer horas extraordinárias e serviços extras.
Assim, nenhum trabalhador aceitaria que fosse contratada outra pessoa para ficar com parte do seu horário e salário.

A) O lado dos patrões 
Os turnos e os empregos não são divisíveis.
65% das nossos empregos por conta de outrem são em empresas com menos de 50 trabalhadores que, naturalmente, trabalham em apenas um turno e em que a maior parte das tarefas são únicas.
A redução do horário de trabalho obrigaria automaticamente a reduzir a duração do turno de trabalho desperdiçando as máquinas e as instalações que ficariam mais horas sem ocupação.
Nunca seria possível fazer um turno com apenas uma hora ao fim do dia.
Reduzir, por exemplo, o horário do empregado de escritório que é único, não tornaria possível meter outro a trabalhar apenas 5 horas por semana.


As pessoas desempregadas não saberiam executar as tarefas.
Primeiro, um pedreiro, trolha ou picheleiro que perdeu o seu emprego porque a construção civil acabou, não pode ir substituir facilmente um sapateiro ou costureiro porque não sabe.
Segundo, não é por acaso que umas pessoas mantêm o emprego enquanto que outras o perderam. Numa empresa, os primeiros a perder o emprego são os menos produtivos pelo que a substituição levará à perda de produção.
Terceiro, o desemprego é um problema de re-estruturação da economia em que uns sectores têm que diminuir para que outros possam aumentar pelo que os desempregados não têm capacidades e saberes para rapidamente substituirem quem está empregado. Esse processo leva tempo e tem custos (perda de salário entre empregos).
Iríamos substituir tempo de trabalho de pessoas competentes e produtivas por tempo de trabalho de pessoas incapazes.


As empresas são equipas.
Nem todas as empresas são simples como ser caixa num supermercado.
É preciso dominar máquinas e processos de fabrico, conhecer clientes e as tendências de moda do mercado.
São como as equipas de futebol que têm que estar rotinadas para serem competitivas, para conseguirem "subir a linha" na hora exacta para deixarem os adversários em "fora de jogo".
Não se podem substituir uns trabalhadores rotinados das empresas competitivas por outros porque cada um já sabe qual a sua função.
As equipas das empresas demoram muitos anos a criar (a resolver conflitos pessoas, a determinar qual a função de que cada pessoas é mais capaz, a aprender a fazer as coisas) não sendo possível meter actuais desempregados a substitui-las.
Seria como arranjar 36 pessoas para substituir a falta do Hulk no FCP (5minutos do jogo por pessoa).


Concluindo,
Amigo Carlos, em Portugal deve-se aumentar o horário de trabalho mantendo o salário e não diminuir o salário diminuindo o salários.
Os desempregados serão absorvidos pelo mercado de trabalho para se juntarem a equipas competitivas mas isso vai levar muito tempo porque esses trabalhadores não podem trabalhar a um salário mais baixo por causa da nossa lei.
Não existe nenhuma forma de instantaneamente acabar com o desemprego.
Melhor que diminuir a TSU empregadores era, além do aumento do horário de trabalho, alargar o conceito de "capacidade diminuída de trabalho" (que se aplica a casos de deficiência física) para os trabalhadores menos produtivos poderem vir a ter emprego e não ficarem condenados a uma vida de miséria e RSI.


Pedro Cosme Costa Vieira

8 comentários:

Carlos Neves disse...

Bg pelo esclarecimento, a análise das curvas dos gráficos (sim, porque das outras curvas desta vez nem vê-las), fica clara a sua explicação.
Sem querer contrapor, o problema é que o desemprego tem enormes custos sociais, que também se reflectem em percas económicas.
Nunca pensei em diminuir o trabalho, no ponto 3 falava de incentivar o espírito empresarial individual para criar uma alavancagem na economia real.
Acho que assim poderíamos ter pessoas os pobres a trabalhar 4 dias por semana e os ricos a trabalhar 3 dias...lol para que o restante tempo fosse ocupado com a realização de projectos pessoais, quer fossem lúdicos ou de carater empresarial.
Vou digerir
Carlos

Fernando Ferreira disse...

Essa ideia de que, diminuindo o horario de trabalho diminui o desemprego utiliza exactamente a mesma logica keynesiana e politica de que redistribuir riqueza aumenta a prosperidade.

Ben Bernanke vai a Pizza Hut e pede uma pizza media. O rapaz atras do balcao pergunta-lhe: "Sr. Bernanke, quer a sua pizza partida em 6 ou 8 pedacos?"
Bernanke pensa keynesianisticamente e responde: "Pode ser em 8 pedacos. E' que hoje estou MESMO com fome"

Diogo disse...

A vossa conclusão é completamente errada.

Está (já há um bom par de anos) a acontecer uma evolução tecnológica exponencial. E a tecnologia está exponencialmente a substituir o trabalho humano.

Ou seja, sem emprego não existem salários. Sem salários não há consumo privado. Sem este não há vendas. Sem vendas não há lucros. Sem lucros não há produção. A propriedade privada dos meios de produção deixa de fazer sentido.


Por outro lado, o custo do trabalho tem um peso cada vez menor na produção. Donde, se aumentarmos os salários há mais vendas e mais produção e, por conseguinte, melhor nível de vida

Está na altura dos meus amigos começarem a pensar em mudar de manuais…

Gonçalo disse...

Caro Diogo,

A evolução tecnológica, exponencial como diz, vem desde a revolução industrial.

Sendo verdade que na indústria o homem tem sido substituído pela máquina, isso libertou-o para os serviços.

Num serviço, por exemplo um professor ou massagista, os custos são essencialmente de mão-de-obra.

O Diogo acha que a máquina vem do ar? Ela é produzida com uma mistura de mão-de-obra e de outras máquinas ( estas também produzidas pela mesma mistura). No limite, chegamos aos recursos naturais.

O robô que está na linha de montagem na Auto-europa teve de ser projectado pelo homem, construído pelo homem, e é o homem que lhe faz a manutenção.

Quanto propõe aumentar o salário? 1000 euros a mais para cada um chega? E de onde aparece esse dinheiro? É que se nós tivéssemos impressoras podíamos fazer isso, mas não temos.

Além do mais, só é inteiramente verdade que sem salário não há consumo privado se considerarmos que o RSI, o subsídio de desemprego, as pensões, os rendimentos de jogo, entre outros, são salário. Para além de estar a excluir quem produz somente para si.

E se toda a gente trabalhasse por conta própria? Vamos supor uma comunidade de 10 agricultores, em que cada um produz um legume diferente. Consomem quase o que produzem ( alguns legumes vão apodrecer), sem haver salários.

Empregos podem haver os que quisermos: podemos trocar os combustíveis por parelhas de pessoas a empurrar carros. Matávamos 2 coelhos: reduzíamos a importação de petróleo e deixava de haver desemprego. Nas bombas, em vez de gasolina, estariam pessoas dispostas a nos levar ao nosso destino. Magnífico!

O Diogo diz:

"sem emprego não existem salários."
certo

"Sem salários não há consumo privado."
errado- posso produzir e consumir o que produzo

"Sem este (consumo) não há vendas."
certo

"Sem vendas não há lucros."
errado- se eu produzir batatas para mim tenho o lucro de as comer

"Sem lucros não há produção."
errado- sem produção é que não há lucros

"A propriedade privada dos meios de produção deixa de fazer sentido."
errado- a queda da USSR devia servir de lição.

O Diogo devia saber que a produção tem um limite: o da capacidade de extracção dos recursos naturais. Por exemplo, não é por haver mais dinheiro que as pereiras dão mais pêras. Talvez o dinheiro servisse ao produtor de pêras como incentivo a plantar mais pereiras, mas o terreno onde se podem plantar também é finito.






Económico-Financeiro disse...

Eu agradeço os comentários e acrescento que o rendimento das famílias não é apenas os salários.
Os LUCROS, juros e royalties também são rendimento das famílias mesmo que não seja da nossa família.
Por exemplo, a PorData indica que em Portugal os salários são 50.3% do PIB mas o rendimento das famílias é 73.4% do PIB (o que falta são as amortizações do capital).
No final, o rendimento líquido é sempre igual à produção líquida pelo que, havendo mais produção (mesmo que caida do Céu), haverá mais rendimento (de quem apanhar o que caiu do Céu) que dará a um maior consumo na medida exacta em que há produção.
No cálculo do PIB chama-se a um procedimento "a óptica do rendimento" e a outro "a óptica da produção" e são sempre iguais.

pc

Diogo disse...

Caro Gonçalo,

«Bem pensado – mas nunca substituirão o cavalo», disseram os cépticos quando viram os primeiros automóveis.


Uma resposta aos que se agarram desesperadamente a um paradigma que surgiu com a revolução industrial – O Emprego – quando se percebe que este está a agora desaparecer em todo o lado a uma velocidade vertiginosa. Tudo devido à evolução tecnológica exponencial a todos os níveis.

O fim do emprego trará também o fim do capitalismo e, a cereja em cima do bolo, o fim do parasitismo financeiro.


Nos primeiros tempos da aviação, o astrónomo americano William Pickering, que predisse a existência de Plutão, preveniu o público de que: «A mente popular imagina frequentemente gigantescas máquinas voadoras atravessando o Atlântico a grandes velocidades e transportando numerosos passageiros como um moderno paquete… Parece-me seguro afirmar que tais ideias são totalmente visionárias, e mesmo que uma máquina conseguisse atravessar o Atlântico com um ou dois prisioneiros, os custos seriam proibitivos…» Três décadas mais tarde, em Julho de 1939, foi inaugurada a primeira linha aérea transatlântica com um hidroavião Boeing 314, o Yankee Clipper da Pan American, transportando 19 passageiros.


Em 1924, o engenheiro electrotécnico inglês Alan Archibald Swinton, um dos pioneiros do de raios catódicos, fez uma palestra na Radio Society da Grã-Bretanha sobre «Visão à Distância». Diria então: «Provavelmente não valerá a pena que alguém se dê ao trabalho de consegui-la.» Quatro anos mais tarde, a General Electric Company inaugurava, no estado de Nova Iorque, a primeira rede de televisão do Mundo.


A automação e a inteligência artificial têm tido um desenvolvimento avassalador. A máquina, de forma crescente, possui mais dados, mais conhecimento e melhor capacidade de decisão. Cada vez é mais inteligente e mais autónoma. E cada vez menos precisa de ser dirigida pelo homem.

A tecnologia está cada vez mais próxima de produzir sozinha. O desenvolvimento tecnológico é exponencial em todos os campos que se considere. Donde, no binómio homem-máquina na produção, o homem tem cada vez menos peso. Em breve não terá praticamente nenhum e a máquina produzirá sozinha.

Nessa altura, a fábrica totalmente automatizada não poderá ser privada. Porque não existirão trabalhadores com salários, e sem salários não há poder de compra. Sem poder de compra não há vendas. Sem vendas não há lucros. Sem lucros não há empresas privadas. Qualquer empresa automatizada, seja o que for que produza, terá necessariamente de pertencer ao grupo, à comunidade, à sociedade.

O número crescente de desempregados a par do desenvolvimento exponencial do hardware e do software estão aí para prová-lo. Vamos acelerar a transição ou vamos permanecer agarrados a um passado de emprego condenado ao desastre social?

É a tecnologia que está a substituir o homem no trabalho. É por isso que o velho paradigma do emprego está moribundo. É necessário criar rapidamente, com o auxílio da tecnologia, um mundo mais justo, mais redistributivo e mais humano.

Gonçalo disse...

Caro Diogo,

O emprego também desapareceu durante a grande depressão, e voltou a reaparecer.

A substituição do cavalo pelo automóvel, representa um aumento enorme de empregos: vendedor, mecânico, operários, construção civil, portageiros, segurança rodoviária, transportes de mercadorias, até se perde a conta!

O mesmo se pode dizer para os aviões e para a televisão.

Num mundo tão automatizado, quem produz as máquinas? Irão ser elas próprias, desde a extracção de metais até ao seu "nascimento" ? E como irão acoplar novos avanços tecnológicos? Irão elas próprias investigar e desenvolver novas tecnologias? E as quantidades a produzir, serão definidas como? Quantas camisas amarelas deverão ser produzidas? E em que tamanhos?

Uma adega cooperativa é uma empresa sem fins lucrativos, e não deixa de ser privada. Sem lucros pode haver, e há, empresas privadas. Além disso, nem tudo é produção de objectos. A indústria do cinema ou do desporto são exemplos de que muita da produção tem a ver com lazer.
Os serviços representam mais de 70% da actividade, é desta destruição de emprego que fala?

A tecnologia sempre substituiu o homem, felizmente. É por isso que há crescimento económico, porque a máquina trás maior eficiência. Os teares do séc XIX eram revolucionários. A máquina a vapor era alta tecnologia, agora está obsoleta. Passámos do vapor à combustão. A seguir veio a revolução electrónica. Por esta altura, já devíamos estar com desemprego elevado já que o homem tem cada vez menos peso, mas não é isso que se verifica: o pós 2ª guerra assiste a um crescimento continuado, durante longos anos. As fábricas tornam-se cada vez mais automatizadas, e capazes de produzir para mais pessoas no mesmo espaço de tempo ( onde, num mês se produzia 10, passa-se a produzir 1000). Os rendimentos crescem na mesma proporção: o carro e a TV deixam de ser um luxo.

O Diogo parece considerar que só existe emprego fabril, quando nem metade dos empregos representam.


Joao F. disse...

Caro Diogo,

Para produzir e manter em funcionamento as máquinas e equipamentos são necessárias pessoas e conhecimento, porque um hardware ou software não se criam nem se desenvolvem sozinhos, têm origem na mente e mãos humanas (que se podem, ou não, apoiar em tecnologia criada pelo Homem).

Essa tecnologia busca satisfazer necessidades do ser humano, que derivam de uma busca por um menor esforço físico e mental na produção de bens e serviços úteis à população, e por um maior bem-estar material.

Este é um processo contínuo que não se esgota no tempo, porque as necessidades do Homem estão em constante mutação. Precisamos só de encontrar um sistema mais justo e sustentável ambientalmente, simplificando as necessidades das pessoas.
Graças a milhares de mentes e pessoas ao longo de décadas ou mesmo séculos, podemos congratular-nos de estarmos hoje, tranquilamente sentados na cadeira ou no sofá, a trocar umas ideias malucas e pertinentes através de máquinas e equipamentos entretanto desenvolvidos e aperfeiçoados pelo mesmo Homem.

Resumindo,

A preguiça e ambição são o verdadeiro motor da inovação e do desenvolvimento das sociedades e têm marcado as grandes transformações ao longo dos séculos.
E o ser humano tem um papel central neste processo.

João F.

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