sábado, 22 de setembro de 2012

Quais as alternativas à transferência da TSU?

As manifes são o último fôlego da ilusão do gratuito.
A Contituição Portuguesa dá a todos nós o direito à saúde, educação, apoio no desemprego e na velhice, habitação, transportes, serviço público de televisão, um salário dígno, segurança, vias de comunicação rodoviárias, casamento e constituir família, etc., etc., etc., sem afirmar quem tem a obrigação de dar cumprimento a esses direitos constitucionais.
Os constitucionalistas do 25 de abril deram conta, ou eram muito tapadinhos da cabeça (penso que esta última hipótese é a mais provável), que não havia a quem atribuir as obrigações.

Bem, aqui e ali, dizem que compete ao Estado.
Mas o Estado não seremos todos nós?
Como podemos ter direito a tudo gratuito se depois temos o dever de pagar tudo que nos é fornecido de forma gratuita?

A demagógica constituição
lançou na mente pequenina da maioria dos portugueses que, na parte de pagar, o Estado eram os outros, uma minoria qualquer que não se possa defender em termos eleitorais.
Para os comunas são os patrões, é o grande capital, são os ricos, são os políticos, são os da Europa, são os alemães.
Para os mais favorecidos, são os do rendimento mínimo, são os malandros dos bairros, são os pretos, são os ciganos.
Para os católicos são os paleneiros, são os fodilhões, são os que não vão à missa.
Para os islâmicos, são os que fazem caricaturas do Mamede.
Para o Seguro, "líder" do PS (de jure pois de facto não lidera nada), é a Troika e "o mais tempo" que vai realizar os nossos direitos.

Nunca acreditei no Pai Natal
Desde que tenho memoria da minha existência, nunca acreditei que houvesse pai Natal.
Mas, pelos vistos nas manifes, há muitos milhares de portugueses que acreditam que o Pai Natal vai largar da sua saca vermelha os milhares de milhões de euros que faltam a Portugal para ser dado cumprimento aos direitos que a constituição afirma serem nossos.

Fig. 1 - O Pai Natal, esse lorpa que vem do Norte da Europa, vai permitir que se cumpram todos os nossos direitos constitucionais.

Os do Conselho de Estado.
Acreditam maioritariamente que existe Pai Natal. Ouvir aquelas pessoas que já governaram Portugal, compreende-se porque chegamos à bancarrota.
São demagógicos, incompetentes e mentecaptos.

Os custos do trabalho têm que descer.
Quando estou doente vou ao médico pois esse profissional estudou e sabe.
Mesmo sabendo que muita gente vai à bruxa, se a nossa economia está num caos, tenho que procurar uma solução no que diz a ciência económica.
O Belmiro de Azevedo não tem obrigação de saber economia porque é engenheiro e gere uma mercearia há tempo demais pelo que já esqueceu tudo o que aprendeu.
Mas é por demais evidente que, se existe desemprego, os custos do trabalho têm que diminuir.

Há um salário de equilíbrio.
Nós não ganhamos o mesmo que os da Alemanha nem de Marrocos porque produzimos menos que os alemães e mais que os marroquinos.
O salário tem que traduzir a riqueza que produzimos. Nem pode ser mais (haverá desemprego) nem menos (haverá escassez de trabalhadores).
Eu já ouvi professores universitários meus colegas dizerem que "se não podemos ganhar o que ganhamos, então vamos ficar a ganhar zero".
É gente burra e ignorante.

O salário é como uma corrida.
Vamos imaginar um etíope que percorre 42km em duas horas (é o trabalhador alemão). 

Quero o mesmo salário.
Como eu sou fracote, se quiser percorrer os mesmos 42 kilómetros, tenho que correr durante mais tempo. Enquanto o etíope corre 2 horas, eu tenho que correr 6 horas.
Se quero o mesmo salário que os alemães, como produzo menos a cada hora, tenho que trabalhar mais horas. Se actualmente o horário são 40h/s, tenho que aumentar para as 45h/s do "antes do Sócrates".
Recordo que nos governos comunistas do 25 de abril e socialistas do Mário Soares, as pessoas trabalhavam 45h/semana e era constitucional.
Então, os comunas não podem ser contra o horário de trabalho voltar a ser 45h/s.
Se quero o mesmo salário que os alemães, tenho que trabalhar mais horas.

Quero o mesmo horário.
Como eu sou fracote, se quiser correr as mesmas 2 horas, só vou percorrer 20 kilómetros.
Vou ter que me contentar com um salário menor.

Não existe a possibilidade de sermos iguais aos alemães.
Se fosse possível, todos seriamos capazes de correr 42km em 2 horas.
e todos aceitamos que tal não é possível.
O povinho tem que meter na cabecinha que, tal como não somos capazes de correr 42km em 2hora, não somos colectivamente capazes de produzir tanto como os alemães.

Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes. Não somos capazes.
Não somos capazes. Não somos capazes.

Fig. 2 - Vontade temos nós muita mas não somos capazes.

A política do Sócrates
Os tais constitucionalistas de trazer por casa criaram a ilusão dos direitos adquiridos (o princípio da confiança).
O Sócrates, por ser um ignorante e ser assessorado nas questões económicas por professores de economia que somos, genericamente, uns ignorantes, diminuiu o horário de trabalho e aumentou o salário mínimo.
O povo e os nossos empresários, naturalmente mais burros e ignorantes que os membros do governo socialista, acharam muito bem pelas mesmas razões que agora acham mal descer os custos do trabalho.


Não houve manifes porque a maioria do povo achou-se beneficiado e o resto que se dane.
Os trabalhadores.
Pensaram que iriam receber salários mais elevados, ficando com mais poder de compra. Nunca poderia sair prejudicados pelo aumento dos salários e diminuição do horário de trabalho.

Os empresários.
Pensaram que iria aumentar o rendimento das famílias, logo ia aumentar o consumo interno e, cada um, via as suas vendas mais aumentadas que os custos do trabalho.
Como os empresários da distribuição e produção de bens para consumo interno têm mais voz que os pataqueiros do salário mínimo que exportam, ficou a ideia que subir os custos do trabalho seria bom para todos.
Vieram dois slogans que perduram:
"Os empresários que não podem pagar mais de 400€/mês, que fechem as portas". Ouvi isto dos que se dizem representar os patrões e os trabalhadores.
"O desemprego só se combate com crescimento económico". Só que não dizem que os salários elevados evitam o crescimento.
Veio a  Ferreira Leite.
Dizer que Portugal não aguentava um aumento do salário mínimo em 25% e uma redução do horário de trabalho em 11%.
O aumento do SM transmitiu-se ao resto dos salários via os Contratos Colectivos de Trabalho.
É que foi um aumento de 33% dos custos do trabalho sem ter havido qualquer aumento da produtividade.
Será que essa FL é a mesma que agora é contra tudo o que faz o Passos Coelho faz para corrigir esse erro colossal?
Não pode ser.

Depois desse aumento, Portugal deveria ter ficado uma maravilha.
O problema é que a teoria dos trabalhadores e dos empresários estava errada.
Lentamente, dia após dia, semana após semana, mês após mês, a política que ia beneficiar todos foi destruindo empregos, reduzindo o rendimento das famílias e levando à falência milhares de empresas.
O desemprego e falências em massa levaram à contracção do PIB.
Depois do PIB veio a contracção dos impostos, o aumento do subsídio de desemprego e do RSI o que levou ao descontrolo das contas públicas.
Nem podia ser de outra maneira senão, em todos os países os salários seriam de pelo menos 1 milhão de euros por hora.

Agora os custos do trabalho têm que descer.
Vou então traçar vários cenários possíveis.

Cenário Base - Nada é feito.
Como existem pessoas mais produtivas que outras, todas as pessoas com produtividade abaixo do seu actual salário serão despedidas.
Lentamente, cada semana mais 4000 pessoas irão para o desemprego havendo 2000 trabalhadores desses que não vão tão cedo.
O PIB por pessoa empregada ter subido 0.9%/ano no período 2000/2010 quando o PIBpc não cresceu traduz que as pessoas menos produtivas perderam o seu emprego (ver, Fig. 3).
A política do salário mínimo elevados afecta exactamente as pessoas mais desfavorecidas da sociedade, os pobres, mandando-os fora do mercado de trabalho quando, dizem os comunas, o objectivo é melhorar a sua vida.
Sem pobres, acabam as pessoas na missa e no partido comunista.

Fig. 3 - O PIB por pessoa empregada cresceu 0.9%/ano em preços reais (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)
Variação 1 - os salários nominais ficam constantes
Se o governo não seguir a tendência populista de subir ainda mais o SM, os salários vão ficar constantes em termos nominais, desvalorizando cerca de 2% por ano (a inflação média da Zona Euro).
O desemprego vai aumentando mais e mais ultrapassando os 20% mas, daqui a uns 5 anos, começará a diminuir (com uma quebra dos salários reais de 10%) para, daqui a 10 anos, voltar aos 6% da população activa de 2005, o tempo em que o Sócrates desgovernou o país.

Variação 2 - os salários nominais aumentam
Se o governo entrar num desvario, tipo PS, de aumentar o SM induzindo aumentos salariais ou se as manifes a isso o obrigarem, o número de empregados por conta de outrem vai diminuir e as pessoas passarão a trabalhar "por conta própria" a recibos verdes e passando mesmo à ilegalidade.
Pensando que se está a proteger os trabalhadores, vai-se destruir o mercado de trabalho como o congelamento das rendas destruiu o mercado de arrendamento.

Mesmo não fazendo nada, os salários vão descer
Tal qual como o Eusébio deixou de jogar, também o rendimento dos portugueses, vai diminuir significativamente.
Vá para a TSU, o IRS, o IVA ou cortes (aumentos dos pagamentos do povinho) na Saúde, Ensino ou restrições no acesso ao Subsídio de Desemprego, o povo vai ficar a viver muito pior porque actualmente temos maior rendimento que o total produzido na nossa economia.

O Eusébio bem queria continuar a jogar mas as pernas já não davam para mais.
É como as pessoas que vão ao médico sabendo que acabarão por morrer.
A economia vai sempre atingir o equilíbrio em que o rendimento é igual ao consumo. A única diferença é o tempo que vai demorar a atingir o equilíbrio e o nível de riqueza que teremos quando esse nível for atingido.

Os comunas não têm o exemplo da URSS?
Eles bem queria destruir as forças que levam a economia ao equilíbrio mas apenas conseguir caminhar para um equilíbrio de pobreza.
É uma impossibilidade material um povo viver para todo o sempre consumindo mais que o que produz.
É impossível e apenas o Pai Natal pode tornar isso possível.
As boas políticas serão aquelas que permitirão que a economia ajuste mais rapidamente e em que o nível de riqueza final seja maior.

Alternativa 1 - o aumento do horário de trabalho.
Esta era a medida avançada pelo Passos Coelho o ano passado e no meu entendimento, é a melhor alternativa.
Afecta todas as pessoas da mesma forma e permite não termos uma redução tão grande do rendimento. Trabalhar mais horas, implica que poderemos produzir mais tendo mais rendimento.
Caiu mas poderá ser retomada.

Alternativa 2 - A TSU passa do patrão para o empregado.
Esta era a medida avançada pelo Passos Coelho este ano.
Estar razoável.
Caiu definitivamente.

Alternativa 3 - Acabar com o Contrato Colectivo de Trabalho.
É inconstitucional.
A revisão da constituição precisa de 2/3 dos deputados pelo que caiu antes das eleições com a oposição do Sócrates que continua.

Cenário 5 - Outro caminho.
Os comunas (e sócios) dizem querer outro caminho, mas não dizem qual é esse caminho. É outro.
Será outro qualquer?
É como dizia o António Variações.
     Eu só quero ir onde eu não vou
     Eu só estar onde eu não estou

É como, quando perguntamos a um transeunte como ir para um determinado destino, ouvirmos:

 - Aaaaaaiiiiii, o senhor está perdido.
 - Mas por onde é o caminho?
 - Aaaaaaiiiiii, o senhor é que está perdido, não sou eu.
 - Eu só lhe posso dizer que o melhor e sentar-se aqui à minha beira e ficarmos a jogar umas cartas.

Alternativa 4 - Sair do Euro
Os comunas são a favor e o povinho não vê uma equivalência entre desvalorizar a moeda e descer os salários pelo que vai achar bem.
É o retomar da soberania nacional.
Esta alternativa é a mais forte em termos de longo prazo.
Mesmo que entre de novo um governo à Sócrates, o cambio flexível responde às políticas demagógicas alterando instantaneamente o câmbio que leva a uma alteração instantaneamente dos salários e dos preços que equilibra a economia.
O Passos Coelho deve mandar alguém, começando pela Sr.a Merkel, dar uma volta pelas capitais europeias, a preparar a nossa saída da Zona Euro e o retorno ao Escudo.
Estando provado que não temos povo para estar numa zona monetária com as economias do Norte da Europa, o governo tem que resolver esses problema que perdurará no longo prazo.

Fig. 4 - Já estou cansado pelo que vou até ao Sr. da Pedra.


Pedro Cosme Costa Vieira.

10 comentários:

Carlos Madeira disse...

Estimado,

Fiz as tuas ideias minhas e partilhei-as noutro blog:

http://dinamizarportugal.blogspot.com/2012/09/tsu.html

Abraco,

Carlos

antonio jorge carvalho disse...

Gosto muito do que escreve, e confesso que custa-me a aceitar como há tanta falta de coragem ou de perspetiva nos supostos sábios que aparecem a perorar na comunicação social, não dizendo que, para o desemprego baixar os salários têm de baixar.
No entanto, creio que nas suas analises falta o enquadramento do problema português na questão europeia, porque parece manifesto que, pelo menos, todo o Sul da Europa parece sofrer do mesmo. Reduzir tudo a uma questão de miopia dos políticos de esquerda ou à nossa proverbial malandrice parece-me algo limitado e pouco cientifico. Tenho também sérias duvidas que ter uma moeda seja um mecanismo tão perfeito de ajustamento, como sabe. Ou seja, às análises como a sua parece-me faltar o devido enquadramento nos efeitos radicais de alteração resultantes da recente globalização. No limite, nas economias do Sul da Europa, na impossibilidade da existência de um verdadeiro mercado de trabalho europeu, que permitisse um mais rápido equilíbrio via emigração, resta-nos caminhar alegremente para uma chinenização do sistema económico. Não lhe parece também inevitável que o pessoal se revolte, manifeste? Será assim tão estúpido? E será que o problema do crescimento nos EUA não encontra explicação também nos efeitos desta globalização? Repare, o pessoal manifestou-se sobretudo porque achou injusto uma medida que literalmente significa um aumento dos ganhos do capital à custa do trabalho - já agora, num cenário de desvalorização capital e trabalho "levavam" da mesma forma; mas isso não será o que se está a verificar a nível global, resultado sobretudo da globalização? Os accionistas da Apple ganhariam tanto dinheiro se produzissem os seus produtos no iowa? E não será que a crise económica que o mundo atravessa não é mais do que resultado do excesso de endividamento nos países ocidentais verificado para obviar à perda de rendimento que deveria resultar da perda da capacidade competitiva?
Em suma, da mesma forma que olhar para o problema português sem olhar para a questão dos custos salariais excessivos face à produtividade é cuspir para o céu, olhar para o problema português sem olhar para a questão global é apreciar um filme vendo apenas o trailer...
Agora vou ver o FCP, aproveitando enquanto ainda podemos dar-nos ao luxo de ter na equipa o Joao Moutinho ou o James, apesar do Vitor Pereira. Abraço.

Manuel Martins disse...

Como leitor e apreciador dos seus textos vou deixar a minha contribuição.

As opções para a resolução do (des) equilibrío do OE 2013 e seguintes são poucas e todas vão bater principalmente no trabalhador. Até aí nada a fazer tendo em linha de conta a pesada herança da década passada em matéria de finanças públicas efectuada pela nossa elite.

Contudo no séc XXI continuar a bater na tecla que só seremos competitivos exclusivamente com salarios baixos, é uma mensagem que só serve as elites da nossa república, essa mesmo que nos afundou com todos os instrumentos possíveis e imaginários. A mensagem deve ser global e responsabilizando as classes dominantes que exercem (ou exerceram) o controlo sobre a maioria dos portugueses.

Mantendo a referência alemã, devo assegurar que alemão individualmente não é melhor que o português. Eu trabalho com alemães diariamente e eles individualmente não são melhores do que eu. Eles alcançam os objectivos não porque são estrelas ou atletas mas porque cada um contribui para uma equipa. Em paralelo as instituições alemãs funcionam e estaleçem limites à ambição predadora humana. Em resumo, os alemães alçançam objectivos porque o sistema integrado o permite (educação, saúde, empresa, sindicato, banca e muito Estado).

Em Portugal, temos um sistema desintegrado. Um Estado sem estratégia adaptada a realidade portuguesa, a contribuição de alguns funcionários públicos deixa muito a desejar (na sáude, no ensino, no poder local,...), patrões sem vocação, sindicatos e políticos que só contribuiem para o protagonismo pessoal, banqueiros que não correm riscos. Ora isto tudo somando dá cacos. Portugal jamais sairá deste estado onde só sublinha-se essencialmente o custo do salário mínimo.

Mais, o fabrico de um produto tem essencialmente duas grandes componentes, a parte humana e a parte tecnológica. Nos dias que correm o acréscimo na produção ( a tal melhoria da competividade) é essencialmente resultante da parte tecnológica. Não chega bater no salário mínimo portugês porque os salários mínimos mensais do Cambodja, Bangladesh, Sri Lanka, India... não devem ultrapassar os 30€, 50€ para o Vietname,.. e com os custos reduzidos de transporte marítimo, jamais seremos “competitivos” na era da globalização mesmo com salários no limite da sobrevivência.

Para concluir, as alternativas imediatas são poucas para os governantes mas inúmeras a médio e longo prazo. Também é necessário autoestima para que uma nação se possa levantar e sem esqueçer a atribuição de responsabilidades, se possível criminalmente, à nossa elite.

Melhores cumprimentos e muita energia nestes tempos cinzentos.

Hugo C disse...

Vivo e trabalho na Bélgica e partilho da mesma opinião de Manuel Martins. Sou ainda tentado a dizer que o Português trabalha melhor que o Belga ou Alemão na medida em que as suas capacidades de adaptação e improviso são superiores. Os trabalhadores do centro da Europa, têm boas prestações dentro da máquina muito bem oleada onde vivem, mas como tudo, viver em condições favoráveis não permite desenvolver competências que o Português foi obrigado a desenvolver no seu país. Julgo que esta opinião não é só minha, é partilhada por muitos portugueses que trabalham no centro da Europa bem como respectivos empregadores. É muito importante desconstruir ideias feitas, para que a ciência económica possa ter resultados mais realistas.

Filipe Silva disse...

Ninguém diz que o trabalhador é melhor ou pior do que os dos outros países, a realidade é que estes produzem bastante mais do que nós.

Mas o interessante é que em Portugal poucos cumprem horários, a maioria chega atrasado.

Enquanto que nos países como Alemanha o patrão chega À mesma hora que o trabalhador, que se é as 8 para começar começa-se a trabalhar as 8, enquanto por cá é as 8 mas falar sobre o jogo de futebol do fim de semana, etc.. e começasse a trabalhar lá para as 8:20

São pequenos exemplos.

A realidade é que o rumo que as elites nacionais escolheram foi votado e apreciado pelo grosso da população, não convém esquecer que em 2009 a situação já se via ser insustentável, e um dos candidatos disse expressamente que a divida era um problema e o que prometia TGV, Aeroportos e subsidios para todos ganhou as eleições.

As pessoas gostam de se desculpar, mas a realidade é que a maioria da divida foi criada para a população usufruir de condições que sem esta nunca teriam tido acesso.

O que os meus caros colegas querem é mais planeamento central? mais do mesmo? já não chega 40anos de ser o Estado a dizer onde se investir, o que se deve ensinar, etc...


Não se pode esperar que tenhamos a organização Alemã, somos diferentes destes, nem nunca vamos ser parecidos.

A realidade é que nunca seremos tão produtivos porque a nossa cultura não o permite.

Devemos aceitar isso, e fazer o nosso melhor dentro das nossas capacidades e condições.

O salário tem de diminuir isso é claro, mas não para produzirmos os produtos da China, Índia, etc... porque não conseguimos competir no preço e muito em breve em qualidade.
Devemos apostar na nossa identidade e em nichos que consigamos ser competitivos.

Os salários tem de baixar em relação à Alemanha e aos países ricos do Norte.

No Zerohedge vi um gráfico muito interessante em que demonstram que quem foi mais beneficiado pelo Euro foram os países do Sul, foi nestes que o rendimento disponivel das familias mais cresceu nos primeiros 10anos de vida.

Carlos Neves disse...

A dura realidade... no entanto penso que poderia haver outra solução:
1-reduzir o horário de 45h semanais para 30h semanais (calma, leia até ao fim), com o respectivo ajustamento do salário.
2-penalizar em sede de IRS as horas extras
3-flexibilizar o recibo verde para dinamizar o empreendedorismo, e converter as Novas Oportunidades em ninhos de empresas.
Obviamente havia que fazer contas a isto... e criar uma transição de modo a assegurar a estabilidade social, mas, e como micro-empresário debato-me com dificuldades tão absurdas como por exemplo querer fazer uma formação em Joomla e não haver cursos, ou aquando os há são a preços proibitivos...
Ke acha?

Dr. Fly disse...

É pah excelente blog muito bem escrito devias concorrer a PM o problema é que tinhas a malta toda a perseguir-te por acharem que era uma tentativa de implementar um neo nazismo sem escrúpulos para o povo :D

Hoje em dia faz falta a guerra se isto fosse à meio século atrás já andava tudo largar bombas por todo lado depois a economia ressurgia com a reconstrução das nações.

Hugo C disse...

Estimado Filipe Silva,

Eu julgo que foi posto em causa que o trabalhador Português era menos produtivo (e pior trabalhador) que o Alemão. Mas deixo espaço e liberdade para a sua análise pessoal. Pessoalmente acredito pouquíssimo em gráficos por muito que possam parecer muito interessantes. Eu posso construir o gráfico que me interessar... e estou em crer que este é um dos grande problemas actuais : controlo da produção de informação.

vazelios disse...

Gráficos refletem histórico, na sua maioria.

Sem historico e sem história, não podemos aprender com erros.

Aa arte é saber ter tacto e bom senso, e saber ler os gráficos e aprender com a história.

Muitos fazem bem umas coisas ou outras, mas muito poucos ou nenhuns fazem bem os dois.

Assim de repente só me lembro do Dr. Medina Carreira, e claro está, conhecido por profeta da desgraça.

Não é preciso dizer mais nada.

Parabéns pelo artigo!

Pena as pessoas nunca aprenderem.

Mas para isto tudo ser feito tem de se cortar, cortar, cortar na despesa, para ser mais compreensivel.

Falta esse tacto e coragem no governo.

Cmpts

Hugo C disse...

Caro Professor Pedro Cosme,

Li hoje uma noticia que pelo que vou observando parece-me mais do que simples especulação, e gostava se possível de uma análise sua sobre a mesma, uma vez que eu não detenho competências suficientes. A ser verdade esta noticia, só irá fortalecer a ideia do Professor (e também minha) de que Portugal deve abandonar o Euro, mas não porque não somos trabalhadores. Apenas pelo facto de a economia que se tem vindo a aplicar na Europa não ser mais que ficção a favor de meia dúzia de países.

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=580731

Cumprimentos,
Hugo

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code