quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Porque estarão as pessoas revoltadas?

A actual instabilidade social resulta da redução do rendimento dos assalariados.
O terrível momento político que se vive nos países do Sul da Europa resulta de os assalariados terem muita dificuldade em aceitar uma redução do seu nível de vida.
Na nossa sociedade, a maioria das pessoas é avessa ao risco preferindo um rendimento mais pequeno mas constante a um rendimento maior mas imprevisível.
Esta maioria de pessoas quer ser trabalhador por conta de outrem com contrato definitivo.

Hoje mesmo perguntei aos meus alunos.
Suponham que ganhavam um prémio de jogo que tinha duas hipóteses de ser materializado:
  H1) Recebiam hoje 350000€
  H2) Recebiam uma mensalidade de 1000€/mês nos próximos 50 anos.
Qual das duas hipóteses preferiam?

Fig. 1 - Eu quero os 1000€/mês.

A grande maioria disse preferir a hipótese dos 1000€/mês.
Sendo que H1 é igual a H2 para uma taxa de juro em euros de 2.415%/ano (a taxa de juro da dívida pública alemã a 30 anos é de 2.31%/ano) então, as pessoas que preferem H2 são avessas ao risco ficando mais felizes se tiverem um salário constante ao longo da vida que arriscarem viver de um investimento produtivo.
Por a grande maioria preferir H2 é que a grande maioria dos portugueses é (somos) trabalhador por conta de outrem.

A redução do rendimento causa muito mal-estar.
Naturalmente que o aumento do rendimento causa um aumento do bem-estar mas, para quem escolheu H2, a sua redução causa uma perda muito maior.
Por exemplo, uma pessoa que se sentia feliz com 1000€/mês, por ter sido aumentada para 2000€/mês, ficou bastante mais feliz. No entanto, se o rendimento dessa pessoa for reduzido de volta para os 1000€/mês, esta ficará miseravelmente infeliz. Assim, o período em que ganhou 2000€/mês faz com que não retorne mais ao nível de felicidade do período em que ganhava os mesmos 1000€/mês.

O cuidado dos governos.
Esta assimetria indica que os governos devem resistir à tentação demagógica de aumentar o nível de vida para obter ganhos eleitorais pois a sua posterior redução será causadora de muito dano social.
Infelizmente, os nossos governos socialistas do período 1995-2011 (e eu votei em alguns deles) foram pelo caminho fácil de nos manter com um rendimento (os salários) superior à riqueza por nós criada.
Esse caminho conduziu a um elevado endividamento externo e à necessidade (por falta de quem nos emprestasse mais dinheiro) de, agora,  reduzir o rendimento das pessoas.

Fig 2 - Nós vamos ser campeões porque, além de saber jogar à bola, existe outro caminho.

Seria a situação do guterrismo-socratismo era mesmo insustentável?
Em termos financeiros, não havia mais quem nos emprestasse dinheiro pelo que nunca seria possível manter o desequilíbrio das nossas contas com o exterior (a balança corrente deficitária).
Assim, o pedido de ajuda à Troika evitou que o ajustamento tivesse que ser feito instantaneamente e esteja a ser feito mais lentamente.
O ajustamento instantâneo levaria à rotura dos nossos pagamentos internacionais o que inviabilizaria a importação de bens imprescindíveis como a energia (petróleo, gás natural e carvão) e os bens alimentares básicos (trigo, arroz, rações para os animais).

Fosse quem fosse a governar aconteceria o mesmo que estamos a viver ou ainda pior.
Fosse o governo liderado pelo Sócrates, Seguro, Louçã, Jerónimo, Hugo Chaves ou por mim, não haveria outra possibilidade senão reduzir significativamente o nosso nível de vida porque não produzimos riqueza suficiente para o sustentar.
O único chefe do governo que poderia alterar a situação para melhor seria o Pai Natal e apenas se a ministra das finanças fosse a Fada Madrinha.
Basta ver o Holland em França ou o Rajoy em Espanha para vermos a falta de alternativa.

Vamos comparar o PIB entre Espanha e a Alemanha.
Se perguntarmos a 1000 pessoas como compara a Alemanha com a Espanha, exactamente 1000 pessoas dirão que a Alemanha é muito mais rica que a Espanha.
Dirão que os alemães têm um PIB per capita superior ao Espanhol porque são capazes de produzir bens de mais elevado valor como, por exemplo, Mercedes e Audis.
Agora vou pegar nos dados e realmente o Banco Mundial indica que o PIB per capita em paridade do poder de compra da Espanha a riqueza produzida é 78% do da Alemanha. Esse valor foi relativamente maior em 2005 mas agora está ao nível de 1998, ano anterior ao inicio de funcionamento  da Zona Euro, (ver Fig. 3).
O PIBpc da Espanha é 22% menor que o da Alemanha.

Fig. 3 - PIBpc, ppc  relativo à Alemanha (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)

Vamos agora comparar os salários médios.
Segundo dados da OCDE recolhidos na wikipédia, o salário médio  em Espanha é 11% maior e na França é 14% maior que na Alemanha (ver, tabela 1).

Rank
PaísSal. Líq.
Rank
PaísSal. Líq.
Rank
PaísSal. Líq.
1 USA17410 Netherlands12119 Germany100
2 Ireland17011 Austria12020 Italy96
3 Luxembourg15712 Sweden11721 Greece88
4 Switzerland14713 Denmark11622 Portugal71
5 Australia14514 Japan11523 Czech63
6 United King.13915 France11424 Slovakia61
7 Canada13516 Spain11125 Poland60
8 Norway12917 Finland10726 Hungary53
9 South Korea12818 Belgium106
Tabela 1 - Salário líquido relativo em paridade do poder de compra (dados: wikipédia)

O quê? Os salários na Espanha são maiores que na Alemanha?
Pois é verdade.
Como é possível que a Espanha com um PIBpc 22% abaixo do alemão tenha um salário médio 11% acima do alemão?
Não é possível e é por isso a Espanha tem uma taxa de desemprego de 25% e a Alemanha de 5%.

Qual a razão do descontentamento dos espanhóis?
Se os salários são maiores na Espanha que na Alemanha, porque dizem os nostros hermanos estar revoltados, em grande crise e em austeridade e os alemães estarem contentes?
E que dizer dos salários na Eslováquia, Polónia ou Hungria serem bastante menores que na Espanha (e em Portugal), e esses países estarem em paz social, ninguém chamando "gatuno" aos governantes e ninguém falando de "austeridade".
É o problema do dano causado pela redução do rendimento.
O mesmo se observa na França.
A França tem um PIBpc 13% abaixo da Alemanha (ver Fig. 3) e tem um salário 14% acima (ver Tabela 1).
Só por milagre mas, pelo menos nas últimas décadas,  os milagres só têm acontecido em problemas médicos.
Antigamente ainda havia milagres que faziam cair alimento do Céu, aparecer peixe depois de repetidamente as redes terem saído vazias, caminhar sobre a água ou ganhar batalhas contra exércitos poderosos. Mas, ultimamente, os milagres têm-se reduzido a curas de doenças tecnicamente incuráveis e terríveis em que o relatório de um qualquer médico diz "não compreender".
Sendo assim, é mesmo um milagre económico pois ninguém compreende como é possível que os salários em Espanha sejam superiores aos salários na Alemanha e pessoas alegadamente inteligentes digam que "há outro caminho" para resolver a crise dos países do sul da Europa que não seja descer os custos do trabalho (leia-se, dos salários nominais).

E como estará Portugal?
Temos um PIBpc de 70% do da Alemanha e temos um salário de 80% do alemão.
Então, para sermos competitivos com a Alemanha, temos que reduzir o salário médio em 15% (os custos do trabalho).
Não é tão grave como a Espanha e a Grécia (onde terá que haver uma redução de 35%) nem a França (uma redução de 25%), mas é grave pois para reduzir os custo médio em 15% sem mexer nos salários abaixo dos 500€/mês, será preciso reduzir em 30% os salários superiores (acima dos 1000€/mês). Uma pessoa que leva actualmente 2000€/mês para casa terá que passar a levar apenas 1400€/mês.

Fig. 4 - Em Portugal está uma maravilha. Está um tempo de praia excepcional.
Isto vai custar muito a digerir.
Mas tem que ser.
O "brutal" aumento dos impostos que vamos viver em 2013 é apenas para tentar aproximar o que pagamos em impostos do que o estado gasta a pagar as reformas, subsídio de desemprego, saúde e educação.
O resto que falam são trocos.
E o que tem que ser, tem muita força.
Isto vai acontecer mesmo que tenhamos no governo o melhor governante do Mundo, o Jorge Nuno Pinto da Costa.
E porque não subir os custos do trabalho na Alemanha?
Isso não faria aumentar a nossa produção nem melhorar a nossa competitividade.
Seria como uma família que gasta mais que o que ganha porque um vizinho rico lhe empresta dinheiro. Se esse vizinho passasse a gastar mais, apenas deixaria de poder emprestar.
A família melhorava as suas contas externas apenas porque deixava de poder comprar mas o seu nível de vida piorava. Seria o ajustamento à bruta defendido pelos da "renegociação" e do "abaixo a Troika".
Se actualmente precisamos descer 15% os custos do trabalho para nos tornarmos mais competitivos, não bastaria melhorar em comparação com  a Alemanha pois, em termos globais (comparando com países desde a China até aos USA passando pelos confins de África) não melhoraríamos a nossa competitividade.
Pelo contrário, a produção alemã deixaria de ser competitiva o que degradaria a situação dentro da Zona Euro prejudicando o nosso financiamento externo.

A desvalorização do Euro.
Desvalorizar a moeda é exactamente igual a descer os salários nominais.
No Irão estão a acontecer manifestações exactamente porque a moeda local desvalorizou 40%.
Não dizem os comunas que isso seria uma coisa boa que tornaria o Irão mais competitivo?
Porque reclamam os iranianos?
É que os preços de todos os bens importados aumentaram instantaneamente 40%.
Nós já temos um cheirinho disso no aumento do preço dos combustíveis.

O nosso problema não é nominal.
Em que havendo ou não mais inflação pudesse resolver mas é um problema real em que o o nosso rendimento (e nos demais países do Sul da Europa) é superior ao que produzimos.
Como não somos capazes de produzir mais que os alemães, temos que ganhar menos.
Esse ganhar menos pode passar pela redução do salário nominal e aumento do horário de trabalho (se nos mantivermos dentro do euro) ou por um aumento generalizado dos preços (se sairmos do euro, desvalorizando o Escudo).
Pedro Cosme Costa Vieira

19 comentários:

Filipe Silva disse...

Concordo consigo, mas penso que a sociedade deveria perceber que um Estado social como o que temos, causa desemprego e uma menor riqueza criada.

Eu penso que o Estado deveria ser apenas Justiça, Segurança e Defesa.

O resto deveria ser deixado ao mercado livre.

Quanto maior os impostos menos riqueza, os salário nominais tem de diminuir, mas ao se aumentar os impostos da forma como foram vão levar a um aumento da despesa.

Sinceramente as novas medidas vão levar há implosão da sociedade, porque Portugal com desemprego acima de 20% a sociedade não aguenta.

Quando estudava na FEP um professor que agora não me recordo do nome, de Globalização e subdesenvolvimento dizia que Portugal não aguentava desemprego acima de dois digítos durante muito tempo, fico admirado que tenha aguentado tanto tempo.

A existencia de estado social aumenta o numero de avessos ao risco, a sociedade tem de se libertar e o Estado social tem de ser desmantelado.

Mas o artigo hoje está excelente, principalmente no aspecto da rejeição da diminuição do salário.

O ser humano tem sempre mais medo do medo de perder do que depois da efectiva perda.

nunca votei no PS, e só uma vez o PSD, nas últimas eleições porque estava convencido que iriam despedir funcionarios publicos cortar fortemente a despesa, reduzir na saúde e na educação, mas fiquei muito desiludido foi muito pouco.

Precisamos de uma constituição nova, não concorda?

Sauron disse...

"O "brutal" aumento dos impostos que vamos viver em 2013 é apenas para tentar aproximar o que pagamos em impostos do que o estado gasta a pagar as reformas, subsídio de desemprego, saúde e educação."

Permitam-me um à parte. Em 2012 vai-se ter um saldo primário positivo, ou seja, as despesas antes de juros da dívida vão ser cobertas pela receita fiscal, e espera-se o mesmo para 2013. Então porquê o aumento de impostos ? Para pagar os quase 8 m il milhões € de juros da dívida pública. Por isso há coisas que se pode fazer para evitar o aumento da carga fiscal, como trocar dívida mais onerosa por dívida do FEEF que actualmente se financia a juros negativos, ou forçar os bancos portugueses nos quais o estado agora tem uma participação a ver reduzidas as suas remunerações. Ambas as alternativas são melhores ao aumento obsceno de IRS, IVA, IMI que aconteceram desde 2012, que apenas estão a provocar recessão e perdas na receita fiscal. Mas parece que o nosso PM e Ministro das Finanças preferem enfrentar (ou fugir) o povo do que a banca.

Diogo disse...

Prof. Pedro Cosme Costa Vieira,

Comprei há meses um excelente livro - Política Monetária e Mercados Financeiros - que me foi aconselhado por um jornalista do Diário Económico. O livro, sintisa a experiência de ensino ao longo dos últimos dez anos, dos autores Emanuel Reis Leão, Sérgio Chilra Lagoa e Pedro Reis Leão, na área da economia monetária e financeira:


A criação de massa monetária

De seguida, passaremos a explicar a criação de depósitos resultante da concessão de crédito pelos Bancos Comerciais (ou de 2ª ordem), por exemplo o Millenium BCP, o BPI, o Santander Totta, o BES, etc., ao sector não monetário da economia - Famílias, Empresas [não financeiras] e Estado:


Concessão de crédito por um banco cria nova moeda na economia

Suponha-se que um Banco-A concede crédito a uma família no valor de 100.000€. Esta operação pode ser registada da seguinte forma:

Isto é, o Banco-A credita a conta de depósitos à ordem da família no montante de 100.000€ (algum funcionário do Banco-A altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando 100.000€ ao valor que lá se encontrava anteriormente). Isto significa que, como resultado desta operação de crédito, passam a existir na economia mais 100.000€ de depósitos à ordem. Uma vez que os Depósitos à Ordem fazem parte da massa monetária, a operação de crédito fez aumentar o stock de moeda existente na economia.

A operação de concessão de crédito é realizada pela área comercial do banco. O facto de, como resultado dessa operação, terem surgido mais 100.000€ de Depósitos à Ordem no passivo do Banco-A, obriga a sua área de tesouraria a tomar medidas para que o banco continue a possuir reservas suficientes para:

(a) Satisfazer eventuais pedidos de conversão de Depósitos à Ordem em notas e moedas físicas pela família,

(b) Fazer face a eventuais cheques que a família venha a usar e,

(c) Cumprir as obrigações legais em termos de reservas (as Reservas Legais de 2% da Zona Euro).

Podemos perguntar se o montante de reservas adicionais que a área de tesouraria do banco vai ter de adquirir é próximo dos 100.000€ ou não. A resposta é não. O montante de reservas necessário para suportar o acréscimo de Depósitos à Ordem é comparativamente reduzido. Senão vejamos.

A exigência referida em (a) diz respeito ao facto de a família poder solicitar a conversão de parte ou da totalidade dos 100.000€ em notas e moedas. Suponhamos que a família decide levantar 1000€. Ora, é natural que a família gaste estas notas e moedas no valor de 1000€ a comprar algo que o comerciante que vier a receber estas notas e moedas volte a depositá-las no banco. No caso de o banco com o qual o comerciante trabalha não ser o Banco-A mas sim o Banco-B, devemos ter em conta que existirá provavelmente uma situação simétrica de outra família que solicitou 100.000€ ao Banco-B, que levantou 1000€ e os usou para pagar a um comerciante que tem conta no Banco-A. Sendo assim, em média, a quantidade de notas e moedas que sai de cada banco é aproximadamente igual à que entra.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Isto não significa que o Banco-A não necessita de notas e moedas para este fim. De facto, mesmo no caso do comerciante a quem a família paga também tem de ter conta no Banco-A, existirá sempre algum tempo durante o qual as notas e moedas estarão fora do banco e, por isso, este é obrigado a possuir notas e moedas parta o efeito. Por outro lado, no caso de o comerciante ter conta no Banco-B, não há garantia de que o outro comerciante, que tem conta no Banco-A (comerciante da situação simétrica), venha a depositar notas e moedas no Banco-A exactamente no mesmo montante. Por esta razão, a área de tesouraria do Banco-A terá de obter alguma quantidade de notas e moedas. Em resumo: em qualquer dos dois casos existe necessidade de alguma quantidade de notas e moedas, embora não muito elevada. Admita-se que, por experiência, o Banco-A sabe que necessita de cerca de 0,5% do montante de Depósitos à Ordem criado em cada empréstimo para fazer face a este tipo de exigência. Sendo assim, o crédito de 100.000€ faz com que a área de tesouraria do Banco-A decida ir procurar 500€ de reservas de cobertura adicionais para responder à exigência mencionada em (a).

A exigência referida em (b - fazer face a eventuais cheques que a família venha a usar), refere-se ao facto de a família poder escrever um cheque, por exemplo no valor de 99 000€, e entregá-lo como pagamento de algum bem ou serviço. Se o comerciante que recebe o cheque possuir conta num banco que não o Banco-A, por exemplo no Banco-C, quando este banco recebe o cheque que o comerciante lá deposita, leva-o à compensação no Banco de Portugal. Com base nesse cheque, o Banco de Portugal moverá 99 000€ da conta de depósito do Banco-A no Banco de Portugal para a conta de depósito do Banco-C no Banco de Portugal. Para estar preparado para esta eventualidade, o Banco-A tem que possuir reservas suficientes na sua corta no Banco de Portugal.

Um raciocínio idêntico ao feito para o caso da exigência de tipo (a) mostra-nos, no entanto, que o montante de reservas necessárias para este efeito não é muito elevado. De facto, tenderá a existir uma situação simétrica, de uma família que obteve um crédito de 100.000€ junto do Banco-C, que passou um cheque no valor de 99 000€ a um comerciante que depositou o cheque no Banco-A. Ao levar este cheque à compensação junto do Banco de Portugal, o Banco-A consegue assim reaver as reservas que perdera para o Banco-C. O Banco-A deve no entanto precaver a possibilidade de desfasamentos entre o montante que recebe e o montante que tem que pagar, facto que o leva a ter reservas preparadas na sua conta junto do Banco de Portugal. Admita-se que, por experiência, o Banco-A sabe que necessita de possuir 1% do crédito concedido para fazer face a este tipo de desfasamentos. Neste caso, o crédito de 100.000€ obriga o banco a obter 1000€ adicionais de reservas de cobertura.


Finalmente, a exigência referida em (c - cumprir as obrigações legais em termos de reservas), decorre do facto de os Depósitos à Ordem fazerem parte da base de incidência. Assim sendo, o crédito de 100.000€ implica um aumento na base de incidência e consequentemente no montante de reservas necessário para cumprir os requisitos de reservas legais. No entanto, sendo a taxa de reserva legal de 2% na Zona Euro, o montante de reservas que o banco precisa para este fim é também comparativamente reduzido: o Banco-A irá necessitar de 0,02 x 100.000€ = 2000€ de reservas para poder cumprir os requisitos legais.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

A conclusão a tirar é que, para fazer face às exigências referidas nas alíneas (a), (b), e (c), o Banco-A necessita apenas de 3.500€ ( 500€ + 1000€ + 2000€ ) em reservas adicionais. Ou seja, para fazer face às exigências referidas em (a), (b), e (c), o Banco-A apenas necessita de um montante comparativamente reduzido de reservas adicionais (reduzido quando comparado com o valor do empréstimo, que foi de 100.000€ e que criou massa monetária também no valor de 100.000€). Se estendermos este raciocínio ao sistema monetário como um todo, chegamos à conclusão de que, para o conjunto da economia, a massa monetária é muito superior à base monetária. Esta ideia é traduzida quantitativamente pelo conceito de multiplicador monetário.



Stock de moeda e operações de crédito bancário

Como vimos, a operação de crédito do Banco-A à família provocou o aparecimento de Depósitos à Ordem - e portanto de moeda que não existia antes - no montante de 100.000€. Vamos agora fazer uma afirmação mais forte: nas economias modernas, a principal fonte de criação de moeda é a concessão de crédito pelos Bancos Comerciais às famílias, às empresas e ao Estado. Repare-se que uma coisa é dizer que uma operação de crédito bancário cria moeda; outra, bem mais forte, é dizer que a maior parte da moeda que existe numa economia nasceu de operações de crédito bancário efectuadas até ao presente.

Note-se que, para que ocorra criação de moeda, a operação de crédito tem de ser de um banco para um agente do sector não monetário; caso contrário, não ocorrerá criação de moeda. Por exemplo, quando uma empresa emite obrigações que são compradas por famílias, as famílias estão a conceder crédito à empresa, mas esta operação não cria nova moeda - implica apenas uma transferência de Depósitos à Ordem já existentes das famílias para a empresa. Outro exemplo: quando um banco concede crédito a outro banco ocorre uma mera transferência de reservas de um banco para outro e nenhuma moeda é criada no processo. Terceiro exemplo: quando uma instituição financeira não monetária (por exemplo, uma locadora) concede crédito a uma empresa, não há criação de depósitos à ordem - ocorre uma mera transferência de depósitos à ordem da locadora para a empresa.

Repare-se também que quando a família paga um crédito que pediu anteriormente (e os juros) fá-lo por débito da sua conta de Depósitos à Ordem e, portanto, esse pagamento destrói depósitos e, assim, moeda. Consequentemente, pode dizer-se que nas economias modernas, a moeda está constantemente a ser criada e destruída: é criada quando os bancos concedem crédito ao sector não monetário e é destruída quando os agentes que pediram crédito aos bancos fazem o pagamento do empréstimo e juros correspondentes.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Em suma

Um banco concede crédito a uma família no valor de 100.000€ para a compra de uma casa, creditando a conta de depósitos à ordem dessa família no montante de 100.000€.

Para essa operação, um funcionário do banco altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando 100.000€ ao valor que lá se encontrava anteriormente.

Esse dinheiro não existia antes em lado nenhum. O banco cria-o a partir do nada digitando essa quantia no teclado de um computador.

Como resultado desta «operação de crédito», passam a existir na economia mais 100.000€ de depósitos à ordem. Uma vez que os depósitos à ordem fazem parte da massa monetária, a operação de crédito fez aumentar o stock de moeda existente na economia.

Ao fim de 30 anos, a uma taxa de juro de 5%, a família pagou ao banco um total de cerca de 255.000€, dos quais 155.000€ são juros.

Resumindo, o banco inventou 100.000€ que emprestou com juros a uma família, e esta, ao fim de 30 anos, entrega os 100.000€ inventados pelo banco mais 155.000€ em juros, estes bem reais. A família foi espoliada pelo banco em 155.000€ de juros sobre um capital que o banco inventou e lhe «emprestou».

Esta fraude sem nome acontece quotidianamente em todos os empréstimos dos bancos comerciais às famílias, às empresas e ao Estado. Haverá roubo maior na história da civilização?

Gonçalo disse...

Caro Diogo,

Quando o banco empresta 1000000 euros o dinheiro existe, não é "inventado" pelo banco. Não existe é em forma de moeda e notas.
Muitas pessoas pensam que os bancos criam moeda do nada. O que acontece é que a as notas e moedas que temos no bolso, todas somadas, não chegam nem de perto nem de longe ao valor da riqueza produzida. Não existem 189 mil milhões de euros nos bolsos de todos os portugueses !!!! Mas é esse o nosso PIB.
Se os bancos se pusessem a inventar dinheiro, e ninguém plantasse nem pescasse nem fabricasse nem construísse nem vendesse, o que aconteceria?

Quando uma família vai a um banco e acorda um empréstimo, é espoliada porquê????
Ou concorda ou não concorda com os juros, é uma decisão que cabe à família fazer. Afinal, o benefício de consumo não é do banco.
Quando compro uma casa, e vou a um banco porque não tenho dinheiro que chegue, o banco empresta-me desde que eu garanta capacidade para reembolsar. Essa capacidade tem um risco, posso ficar doente ou até morrer e é esse risco que pago em forma de juro.

Mais a mais, ao pagar a 30 anos o banco tem de cobrar um juro que cubra pelo menos a inflação: 100000 euros daqui a 30 anos não compram o que conseguem comprar hoje.

Também posso comprar um apartamento por 100000 e vender por 120000 no mês seguinte.

Mas, se o Diogo não quiser contribuir para o que acha o maior roubo da civilização, vá poupando todos os meses até conseguir pagar 100000 a pronto.



Gonçalo disse...

Caro Filipe,

O mercado livre faz seguros a diabéticos?
Acha que o SNS é pior que o sistema de saúde americano, baseado nos seguros?
A taxa de mortalidade lá é menor que cá, ou têm uma esperança de vida muito superior?
Cá, sabe que o SNS não o abandona.

O mercado livre consegue construir estradas ou pontes? Não, sem portagens. Já imaginou a quantidade de portagens necessárias para que o privado recebesse pelo investimento?
O mercado livre consegue garantir que a grande maioria da população seja vacinada?
O mercado livre consegue ser sempre mais eficiente do que o estado?

Imagine que paga uma mensalidade num ginásio em que certamente não utiliza todos os aparelhos que lá encontra. A alternativa seria comprar os aparelhos para utilizar em casa e, nesse caso, pagaria muitíssimo mais.
Ou um clube de vídeo: paga muito menos para alugar um filme do que se o comprasse.

Há muitos casos em que o estado é mais eficiente que o privado.

Diogo disse...

Caro Prof. Dr. Pedro Cosme,
Gosto muito de ler os seus posts, mas não sei quem lhe deu a ideia de que a única maneira de aumentar a competitividade de um país é baixar os custos do trabalho.
Nunca vi o Sr. Professor defender investimentos em educação, por exemplo. Mas claro que o vi defender o fim do salário mínimo!
Para esse fim, o Professor tem que ignorar os mais vulneráveis da sociedade (o que eventualmente eleva ainda mais os custos dos programas sociais do governo), a motivação dos trabalhadores e o estímulo do consumo, etc., tudo isso para termos o seu sonho de uma economia estruturada e baseada em salários baixos! Que "rica" proposta.
Abraço-

Económico-Financeiro disse...

Estimado Diogo,
Agradeço as palavras amáveis.

Uma coisa é o ganho de competitividade pelo aumento da produtividade que é um processo de longo-prazo que, grosso modo, obriga a poupar hoje para investir podendo haver crescimento.

Por favor, veja este post:
http://economicofinanceiro.blogspot.pt/2012/08/a-riqueza-de-israel-pobreza-da.html

Outra questão é termos um desequilíbrio entre o que importamos e exportamos que, por falta de financiamento, precisa de uma correcção imediata. Neste caso existe a solução de uma desvalorização da moeda ou, em câmbios fixos, a uma desvalorização dos custos do trabalho.

Tal como quando uma pessoa está em paragem cardíaca, agora precisamos descer os salários para equilibrar as contas externas no imediato. E depois, logo nos esforçaremos (no ginásio e com uma vida saudável) por nos tornarmos verdadeiramente mais competitivos produzindo mais e com mais valor.

Um abraço, pc

Sergio Pedro disse...

Por falar em poupança, na sua opinião porque ainda não estamos a apoiar os pequenos aforradores! Eu sei que estamos todos de tanga mas pequenas poupanças a multiplicar por muitos seriam beneficas não? Eu sei é uma ideia um pouco infantil! Mas incitar as pessoas a criar habitos de poupança através impostos reduzidos sobre os juros das pequenas poupanças parece-me boa ideia! Outra questão acha que seria positivo baixar os impostos sobre os ganhos de trabalho extraordinario?(especialmente tendo em conta a situação corrente)

Abraço e Bom fim de semana

Sérgio

João Silva disse...

Pode perceber muito de economia mas não tem a noção de quem foi o principal responsável pelo aumento desmesurado dos salários na função pública, foi o Sr. Silva aquele que hoje está em Belém. Em dois anos duplicou o vencimento médio de todos os funcionários públicos e isso causou moça durante estes anos todos. A questão das privatizações também está errada porque os governos sucessivos, PSD, PS tem todos privatizado empresas públicas e o resultado está à vista, cada vez estamos pior. Gostaria de saber se depois de venderem o que nos resta o que é que vai ficar para os próximos governos?
Era bom lembrar que empresas como a cervejeira Galp e outras que davam lucros de milhões foram praticamente dadas aos amigos dos governantes e o que é que nos resta das privatizações, nada! Não é. Por vezes não é suficiente ler a teoria nos manuais, é preciso ir para a rua investigar o impacto real nas nossas vidas das privatizações e das medidas que s\ao tomadas em nome de uma ideologia que impõe dogmas que de nada servem a realidade portuguesa . Aliviam-nos por algum tempo mas no fim estamos sempre pior. E vai ser preciso privatizar mais até ficarmos sem nada.
O nosso problema são mesmo os nossos políticos, que não tem qualquer noção do que custa pôr um prato de comida na mesa todos os dias. Para eles é tudo gratuito nunca produziram nada, nos sentido lacto da palavra, exerceram cargos administrativos não executivos ou deram aulas decorando manuais que nada têm a ver com o nosso país.

Filipe Silva disse...

Caro Gonçalo

Mas quem falou em Seguros, quem falou no sistema americano, etc..??

A melhor característica humana é a sua capacidade criativa, de inventar formas de resolver os seus problemas.

O mercado livre pressupõe um aumento do incentivo a resolver os problemas que afligem os consumidores,a saúde não é mais do que a necessidade de nos alimentar-mos, não vejo muitos a defender este tipo de sistema na distribuição alimentar

Para umas coisas o sistema de mercado funciona para outras já não funciona, e temos de ter sistemas de cariz soviético montado.

O "nosso" SNS é um sistema soviético, e como todos esses sistemas mais cedo ou mais tarde falha miseravelmente.

Até parece que as estradas são grátis, que não se paga impostos.
Bem pelo que li hoje na comunicação social, quem ganhar 7000€ mês fica só para si com 65,5% desse valor.
Que maravilha pagar 54,5% de IRS, a caminho do paraíso na terra.

Olhe qual seria o mal de ter de pagar portagem? garanto lhe que o custo de construção seria menor, e que não ia haver derrapagens de 400%, como é normal existir em Portugal.

O Gonçalo analisa tudo pelo prisma de que tudo é ceteris paribus, que não existe inovação, investimento e desenvolvimento.
Já reparou quanto custava um PC no início dos anos 90 e quanto custa hoje, que capacidades tinha e as que tem hoje?

Pelo seu raciocínio devia ser estatal este negócio, em 1990 comprar um computador era para quem disponha de elevado rendimento, mas lá está a criatividade humana tratou de resolver esse problema.

Digo lhe já que sim, o mercado livre sem dúvida.

Mas o que temos hoje não é economia de mercado livre, antes outra coisa, crony capitalism, look it up.

Revela não saber como funciona o sistema financeiro actual, para dizer o que diz.


Tomando o seu exemplo do ginásio, Eu no ginásio tenho acesso a poder escolher se quero inscrever-me naquele ou noutro, ou até se quero estar inscrito num ginásio.
Isto é, tenho liberdade de escolha total, enquanto no SNS a "escolha" é feita por alguém que não Eu.
Mesmo que não me desloque lá pago e não bufo.

Mas é normal que pense como pense, é o que dá viver numa república socialista, senão se acredita leia a constituição.

djcrik chamadas anonimas disse...

"O "brutal" aumento dos impostos que vamos viver em 2013 é apenas para tentar aproximar o que pagamos em impostos do que o estado gasta a pagar as reformas, subsídio de desemprego, saúde e educação." Quando diz isto, você esquece-se que este aumento de impostos, serve para pagar os juros da divida de 9 mil milhoes, as rendas para as electricas, de 2,5 mil milhoes, e as ppps que custam mil milhoes por ano, isto tudo somado, para nao falar nas juntas de freguesias, e observatorios e esta treta toda, some isso tudo e veja, e como em 2013 vamos ter um saldo na balança comercial positivo, estamos a viver com o que temos cá.

António disse...

As pessoas são muito mais sensíveis à perda do que à não obtenção de um ganho. Isto é, preferem não ganhar 1.000 do que perder 1.000, sendo certo que, matematicamente, é exatamente o mesmo, isto faz parte da natureza humana e esta não pode ser modificada por decreto-lei.
Portugal em relação à Alemanha tem um diferencial salarial de 30% Como pode ser corrigido? Há mais do que uma hipótese:
1. Portugal desce os salários em 30%
2. A Alemanha aumenta os salários em 30%
3. Portugal e Alemanha fazem variar as subidas e descidas em diversas combinações.
Uma teoria económica aponta como forma de corrigir os desequilíbrios salariais através da descida nominal dos salários ou através da desvalorização cambial, como esta deixa de ser possível em contexto de moeda única fica unicamente disponível a outra.
Como chegamos ao diferencial salarial com a Alemanha faz parte da história económica e como quase sempre tem acontecido não são os mais desenvolvidos a sair prejudicados e, na atual crise, isso continua a verificar-se.
Poucos admitiram quando da formação da moeda única que a atual crise se pudesse concretizar, desde países que tinham uma dívida pública e défice orçamental acima dos limites do pacto de estabilidade como o nosso a países que estavam abaixo como a Espanha a crise soberana bateu-lhes à porta com uma violência nunca prevista.
Será que a saída da crise passa exclusivamente pelo empobrecimento dos menos desenvolvidos como diz a teoria económica numa das suas versões ou através de outras soluções como garante outra teoria com maior sensibilidade para os problemas sociais?
Há várias alternativas e as últimas notícias a circular acerca da alteração, por muito poucos admitida como possível, do BCE acerca da compra direta da dívida dos Países em dificuldades, são prova disso e nada nos garante que outras não possam vir a caminho como, por exemplo, a emissão de eurobonds.
Neste contexto não deixa de ser condenável a estratégia assumida por Passos Coelho, perfeitamente coadjuvada pelo seu tutor Cavaco, que considera como culpado exclusivo da crise o povo a que diz pertencer que se comporta como as cigarras e andou anos a fio a viver acima das suas possibilidades. Mesmo que isso fosse verdade um verdadeiro estadista nunca o assumiria dado que fragilizava o seu País perante os estrangeiros e muito menos ainda quando isso foi útil para ganhar eleições mas terrivelmente falso de acordo com os analistas de quase todos os quadrantes de opinião.

Gonçalo disse...

Caro Filipe,

Os USA gastam 18% do PIB em saúde, nós andamos pelos 10%.

A não ser o estado, em Portugal não se consegue fazer um seguro de saúde se se for diabético, por exemplo.

O alimento é baratíssimo. O mercado nos géneros alimentares funciona muito melhor do que qualquer planificação do estado.
Uma operação ao coração custa milhares de euros.

Nunca disse que as estradas são grátis. A sua garantia de que o custo de construção seria menor, esbarra logo em 2 paredes: uma é a de que o estado consegue contrair empréstimos a juros inferiores que qualquer privado, a outra é a de que as derrapagens acontecem tanto no sector público como no sector privado. E se em Portugal os 400% são normais, noutros países não o são.
Pode-se ainda acrescentar a necessidade de pagar a quem recolhe as portagens e de remunerar o lucro do privado.
Da minha parte, a desvantagem maior era estar sempre a parar para pagar portagens. Afinal, quantos kms acha que conseguiria fazer sem a estrada mudar de dono?

O que tem a evolução dos PCs a ver com o que escrevi?
Também o carro foi um artigo de luxo e agora não é.
Uma coisa é iniciativa privada, outra é mercado livre.

Quando o subprime estourou, o governo americano fez um resgate. Quer adivinhar o desfecho sem esse resgate?

Dizer que o estado por vezes é mais eficiente não tem nada a ver com sistema financeiro ou sistema económico ou sistema político.

Não pode fugir ao SNS. Em compensação, se precisar do SNS este não lhe vira as costas, nem mesmo quando a despesa atinge os milhares de euros.
Se prefere não pagar pelo SNS, então ou faz um seguro de saúde, ou então entrega-se à sorte de nunca precisar de ir a um Hospital.
Se fizer um seguro que cubra tudo, acha que paga menos do que a parte dos seus impostos que são afectos ao SNS?
Qualquer seguro paga-se, seja ele activado ou não. O seguro que o SNS lhe faz cobre praticamente todas as doenças e paga sempre.
É como o seguro automóvel: se nunca bater, o seguro não me serve para nada. Mas se bater, ser o seguro a pagar compensa-me bem o que pago por ele.

Não é normal pensar como penso. O Filipe também vive em Portugal ( suponho eu) e pensa de maneira diferente.


Filipe Silva disse...

Mas porque carga de água os USA são para aqui chamados?

Não mencionei este país por isso não compreendo porque insiste em falar nele.

Fala do que existe, é natural que com o sistema montado isso ocorra.

Em relação há diabetes isso tem muito que se lhe diga, dado que grande parte da tipo 2, é possível ser evitada com uma alimentação adequada, e sabe-se hoje que grande parte da diabetes tipo 2 mundial é devido aos muito maus hábitos alimentares.

Os alimentos seriam muito mais baratos, por exemplo, se não existisse a PAC.

Sim isso era verdade, os estados eram vistos como activos sem risco, hoje isso já não é verdade.

Mas vendo o caso português grande parte das PPP foram realizadas com investimento privado, por isso o seu argumento numero 1, já não é assim tão válido.

Mas se o privado efectuar uma derrapagem e se esta for significativa este privado poderá abrir falência, e o Contribuinte não tem de pagar a mau planeamento da empresa, no caso do Estado o contribuinte paga e não bufa.

Podia ser feito um sistema como o actual da via verde, não teria de estar sempre a pagar.

Mais uma vez tem pouca fé, nos empresários, eu tenho mais fé nestes do que em politicos.

O mercado das novas tecnologias é hoje o mais livre que existe,

A iniciativa privada sem mercado livre é coxa.

Não sei o que teria passado, nem você.

Mas convém estudar o processo do bailout para perceber que aquilo foi para safar os Wallstreet e não Main street.

Aconselho a leitura de " A queda de Wall Street" de Michael Lewis
"O Banco-Como a Goldman Sachs dirige o mundo" de Marc Roche.

O Estado nunca é mais eficiente do que o Privado, porque se o privado for ineficiente mais cedo ou mais tarde abre falência, o Estado aumenta a divida, aumenta os impostos,etc...

Já não vou ao SNS há muitos anos, mas esse sistema é mau muito mau.

Durante 10anos a ter deficit e 10% ao ano, não pagar a fornecedores, até o próprio ministério assumir que existe fraude de 10%, o que me diz a mim que deve ser maior, Tenho uma noção de como o esquema opera dado que tenho um irmão que é medico no SNS.

E qual é o mal de não ter seguro ou não quiser ter acesso ao SNS, e querer estar À minha sorte?

O meu problema com o Estado é que este me obriga quer eu queira quer eu não queira a fazer o que "Ele" acha melhor para mim, eu parto do pressuposto que Eu sei o que é melhor para mim.

Se o sistema de saúde fosse verdadeiramente privado, e não existisse regulamentação o mercado iria oferecer um sistema muito mais barato, senão vejamos a ordem dos médicos cria falta de médico, levando a existencia de um pequeno monopólio, aumentando os preços das consultas, por exemplo em outros países os enfermeiros passam receitas e fazem muitos actos que aqui são de exclusiva responsabilidade dos sr doutores.

Medicina 90% não tem nada que saber, é baseado em sintomas fazer determinados testes e em função do teste prescrever o tratamento.
Gostam de fantasiar, mas não são mais que uns meros técnicos (a maioria), no futuro a tecnologia ira tornar los obsoletos.

O Estado obriga a existencia de seguro automóvel, eu sou contra a obrigação de se ter seguro, dirá mas se bater e não tem seguro e se tiver culpa o outro acidentado é prejudicado tem os tribunais e deverá os utilizar, pode argumentar mas se o sem seguro não tiver património, ou se o que sofre o acidente não tiver verba para o levar a tribunal, digo paciência.

A liberdade individual pressupôe responsabilidade.

O meu problema é sempre com a obrigatoriedade e consequente coerção.

Repare as empresas de transporte estatais tem prejuízos prestam um mau serviço,etc... em Bragança pagam impostos a mais para os de lisboa terem o serviço e aí não tem transportes. E muitos mais exemplo poderia citar.

Sinceramente acho que a sua forma de pensar é bem normal, já agora é keynesiano ou socialista (apesar de a diferença hoje estar algo esbatida)?

Gonçalo disse...

Caro Filipe,

Não sou socialista, mas creio que Keynes está mais perto da realidade do que Friedman e a escola de Chicago e bem mais perto da realidade do que a escola austríaca.
Mas não sou nem de esquerda nem de direita. Sou pelo cada caso, um caso.
Por exemplo, não cabe ao estado fabricar sapatos ou roupa, o mercado resolve bem esse problema.
Nem toda a gente tem a capacidade económica para pagar uma escola privada, por isso faz sentido que haja escolas públicas ( e não, não sou como os da esquerda ideológica que se dizem contra a escola privada por favorecer os meninos ricos. Quem pode e quer pagar no privado, que o faça, mas quem não pode, que tenha acesso à escolaridade).

Os libertarianos não gostam da acção do governo, convencidos que distorce o mercado. A derrocada de 2008 é a prova que o mercado financeiro, supostamente o mais competitivo, está muito longe da eficiência e do equilíbrio defendida pela escola económica moderna. E no entanto Greenspan sempre defendeu não ser necessária qualquer regulação.
Acaso o Filipe quer um mercado livre de armas? Ou de escravos? Ou de droga?
Acham, também, que cada pessoa TEM de ser responsável, mas as pessoas NÃO agem de forma responsável.
Basta conduzir um carro para perceber isso.
Basta ver a quantidade de condutores alcoolizados que há na estrada. Paciência, tiveram um acidente e mataram 2 ocupantes de outro carro com o qual colidiram.
Tal como na alimentação. Não cabe na minha cabeça que os diabetes não sejam tratados, porque fulano não se alimentou bem. Como se toda a gente tivesse de saber o que comer para não ter diabetes.
Falando ainda em carros, se a pessoa não tiver património para pagar um acidente o ISP paga. O acidentado não é lesado.

Os de Bragança pagam impostos. Com isso têm centros de saúde, escolas, transportes públicos ( é verdade, têm disso lá também), teatro, biblioteca.

Não sou fã do PAC, mas o raciocínio de que sem o PAC haveria menos produtores, logo menos oferta, logo preços mais altos parece-me válido.

Grande parte das PPP's foram feitas com dinheiro privado. Uma estupidez, sem dúvida.
Não digo que o estado não faz asneiras, porque as faz, e por vezes bem grandes.

Já imaginou os custos de montar bancas de via verde em cada cruzamento? É que na auto-estrada as saídas são escassas, numa estrada normal, as saídas são muito mais.

O mercado das novas tecnologias é aquele em que a Apple e a Samsung gastaram milhões em processos judiciais por violação de patentes?

Por falar em Justiça, porque é que o Filipe não defende que ela seja privada? Ou a defesa?

Afinal, a Justiça a Segurança e a Defesa não teriam de ser pagos com impostos?

Há quase 2 anos a madrinha da minha filha morreu. Tinha 35 anos e entrou no Hospital numa 4ª e faleceu uma semana depois no IPO.
Fez dezenas de testes, mas os médicos não conseguiram descobrir o que se passava.
Realmente a medicina não tem nada que saber...




Nuno Ferreira disse...

Tudo paleio muito bonito de economista. Esquece-se é que o povo também está mais revoltado porque continua a ver gastos no estado e nada de cortes. Está revoltado porque vai/está a pagar uma factura de algo que não "consumiu". Quem é que ganha o que não deve? Quem é que ganha demasiado para aquilo que faz/produz? Quem é que andou a gastar aquilo que não tinha? Eu não sou/fui. Por isso é que estou revoltado...

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code