sábado, 15 de dezembro de 2012

Amigo Ricardo, vais pelo caminho do Cabral e vais-te arrepender

Li hoje no Dinheiro Vivo a crónica do Ricardo Reis , reputado macroeconomista e pessoa que muito estimo, sobre a privatização da TAP.
Conhecendo pessoalmente a sua inteligência que é muito superior à minha, o Ricardo, percorre o caminho do tal Cabral da Universidade da Madeira confundindo "valor da TAP" com "valor do activo da TAP".

Primeiro, o Ricardo é keynesiano e, por isso, contra as privatizações. Então, como pessoa séria em termos intelectuais, tinha a obrigação de o tornar explícito. Aquela crónica não é entendida pelo nosso povinho ignorante como uma opinião porque diz lá "professor de economia na universidade não sei quê da América" que não tem qualquer comparação com ser professor na Faculdade de Economia do Porto de cálculo financeiro e informática (como eu me gabo de ser).
Afinal, nem os meus amigos, camaradas e colegas são tão bons como anunciam nem eu sou tão fracote como eles dizem.
Será que alguém acredita no que diz um blog cheio de mulheres quentes? Não me cheira.
Eu não acreditaria.


Segundo,  ao "valor do activo da TAP", que o Ricardo Reis avalia hoje entre 200 milhões € e 1000 milhões €, é preciso retirar as dívidas da TAP (que são quase 2000 milhões €) para obter o "valor da TAP".
E o Ricardo não faz isso. Huups, "that is basic stuff!".

Terceiro, além de fazer copy e past (tão feio) desse erro grave do Cabral, acrescenta o erro de considerar que o Resultado Antes de Amortizações, Juros e Impostos são os resultados da empresa. Mas não estão nem perto. Mesmo que a TAP conseguisse um financiamento a taxa de juro zero, haveria ainda o problema da depreciação dos aviões e do demais equipamentos que não está contabilizada no RAJI.

Quarto, comete o erro de afirmar que "se uma empresa não vale nada, deve ser fechada, não vendida" quando as práticas de boa gestão dizem que a empresa apenas deve ser liquidada se o valor de liquidação for maior que o valor de continuar a actividade. E o Ricardo, não fazendo ideia do que isso é, assume que é zero.

Alguém ouviu o Ricardo a defender a liquidação do BPN? Será agora a favor da liquidação da TAP?
Saiu um gásito mas não me cheira.

Quinto, comete o erro grave de não fazer ideia de que TODAS as dívidas da TAP estão garantidas pelo Estado Português pelo que, se Portugal não quiser declarar formalmente a bancarrota, vai ter que assumir o actual passivo de 2000 milhões € da TAP. Não são os credores que ficam a ganhar com a privatização da TAP mas todos os portugueses que nos libertamos deste fardo.

Sexto, assume erradamente que a TAP actualmente não custa nada aos portugueses quando, bastando uma leitura ligeira das suas contas, vê-se que o encargo líquido do Estado aumentou 80 milhões€ em 2011. Nos últimos 12 anos (que foram os melhores desde o 25-abril-1974), em 8 deles  os encargos líquidos do Estado Português aumentaram.

Porque será que as mulheres se deixam matar pelos companheiros?
Diz o Confucio que é por terem esperança que as coisas, a partir de agora, vão mudar.
Quem nos derrota é a esperança de que vamos ser vencedores pois, quem não tem esperança, evita o confronto.
Nas empresas é igual. Apenas há falências bombásticas como as do BPN porque, quando o valor de continuar a actividade passa a negativa, os gestores têm sempre a esperança que o vento mude quando deveriam avaliar o custo da liquidação.
Muda, mas sempre para pior.
É como o Sporting.

O erro mais grave.
O Ricardo e demais analistas de fim-de-semana pensam que o German, se não comprar a TAP, vai ficar paradinho a ver as ondas do mar e a dar umas voltas com as milhares de putas que a Colômbia exporta nos seus aviões para toda a parte do Mundo.

Võe na Avianca para Cartagena - hot stuff a $19.80 (one way)

Mas existe liberdade de entrada no espaço aéreo europeu pelo que o German, interessado nas rotas da TAP a ponto de enterrar 1000 milhões € para não ter concorrência, vai criar uma companhia de avião numa hora onde esses 1000 milhões vão servir para fazer uma entrada agressiva (bilhetes abaixo do preço de custo) nas actuais carreiras mais rentáveis da TAP.
A facturação da TAP vem por aí abaixo, os custos fixos são enormes, a frota está velha, o Estado está proibido de assumir o prejuizo injectando capital. Naturalmente, dentro de, no máximo, 3 anitos, vamos ter uma falência da TAP mais estrondosa que a do BPN.

Porque será que os intelectuais se metem por caminhos que desconhem?
Como diz Miguel Ribeiro e Silva, (...) this is plainly embarasing (...) this confusion between a valuation based in EBITDA (which includes interest) and EV (disregarding debt associated with that interest) is basic stuff!
( ...) I always feel ashamed for them ... Why? Simple vanity?

Por falar nisso, vou ler o Orçamento de Estado para 2013 a ver se tem tantas inconstitucionalidades como os média que temos , alegadamente mais sérios que os angolanos que afinal são do Panamá, têm. Mas continuam a ser pretos, penso eu de que.


O José Rodrigues dos Santos vai ser substituido por esta jornalista.
Ao menos, o que tem grande não são as orelhas.

Amigo Ricardo, como diz o povo "com amigos como eu, não precisas de inimigos"
Pedro Cosme da Costa Vieira

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