sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Chegou o relatório do FMI e parece um pitbull

Pagar impostos custa muito
então, a oposição olhando para o aumento substancial dos impostos para 2013, gritou por "cortes na despesa".
Sabendo que cortar doí muito, para não ser acusado de "mais papista que o Papa" e de estar para além da Troika, o governo pediu ajuda ao FMI na identificação dos locais onde poderiam ser aplicados os cortes.
Agora que veio o relatório.
- Aí meu Deus que isto não pode ser.
- Eles não percebem nada do que se passa em Portugal.
- O Passos Coelho não tem mandato para tal coisa.
- Isto é acabar com o estado social.

Fig. 1 - Shiiiiiiu, não vale a pena gritar pois a mudança é inevitável.

Mas no que ficamos?
Se não é para cortar despesa então, os impostos têm que subir ainda mais.
A menos que os Angolanos nos dêem petróleo (como a Venezuela faz a Cuba), a despesa do nosso Estado tem que ser paga com os nossos impostos.
O Passos coelho foi eleito para resolver o problema do défice público (mais despesa que receita) e agora ou mata a galinha (aumenta-se os impostos) ou dá fome à raposa (corta na despesa).

Parece fácil cortar 4MM€ na despesa pública.
O problema é que o corte é muito maior.
Coloquemo-nos em 2010 quando a despesa pública foi de 88.7MM€ (relatório do OE2012, p.55) correspondente a 51,4% do PIB.
Corrigindo a despesa de 2010 pela inflação (7.5% entre 2010 e 2013), essa despesa corresponderia a uma despesa em 2013 de 95.3MM€.
Uma poupança de 4 MM € implicaria cortar 4.2% na despesa pública. Bastaria ir a cada rubrica da despesa e, em cada 100€, cortar 4.2€.
Isto até uma criança seria capaz de fazer.

O problema é que o corte é de 21MM€
Se pegarmos na despesa prevista para 2013, 78MM€ (relatório do OE2013, p.91), já incorpora um corte de  17.3MM€ relativamente aos 95.3MM€ da despesa de 2010 (a preços de 2013).
Agora, vão-se somar mais 4MM€ aos 17.3MM€ que já foram cortados com medidas provisórias e que é preciso consolidar.

É muita coisa.
É um corte de "apenas" 22%.

Mas porquê cortar na despesa pública?
A razão é uma cadeia de acontecimentos.
1. Havendo um sistema de pensões, assistência na doença e no desemprego, educação gratuita, e demais "conquistas" do Estado Social Europeu, as pessoas deixam de ter necessidade de poupar.
2. Se as pessoas não poupam, deixa de haver recursos para investir.
3. Para haver crescimento económico tem que haver investimento.

O ESE é bom para o individuo mas é mau para o colectivo.
Para mim, para o amigo leitor e para cada uma das pessoas que nós conhecemos, a existência do Estado Social Europeu, ESE, é bom porque deixa de haver necessidade de fazer sacrifícios para ter umas poupanças de lado para fazer face a uma eventualidade que pode nunca se concretizar.
Mas em termos colectivos, a inexistência de poupança impossibilita o investimento que é o motor do crescimento económico.
Com mais Estado Social, as pessoas vivem melhor no presente mas a economia pára.


Fig. 2 - Poupança Líquida em Portugal (poupança menos amortizações. Dados: Banco Mundial)

Fig. 3 - Crescimento do PIB per capital português, 1961-2012 (dados: Banco Mundial, grafismo do autor)

Hoje o Teixeira dos Santos esteve no parlamento.
Ainda há milhões de pessoas em Portugal que acreditam que o sucesso do nosso país passaria por termos as colónias africanas. Afirmam com violência que "o Mário Soares vendeu as nossas colónias aos comunistas e condenou-nos à pobreza". Vários colegas meus, doutorados em economia, já mo afirmaram.
Em presença disso, não estranhei nada que o meu amigo Teixeira dos Santos (Fernando para os amigos) fosse ao parlamento dizer, com convicção, que o governo do Sócrates foi um período de grande crescimento económico.

Onde é que o homem vê crescimento económico entre 2005 e 2011?
Vamos re-olhar para a Figura 3.
Os 6 anos do mandato do Sócrates foram apenas os 6 anos de menor crescimento económico de que há memória, 0.2%/ano de crescimento do PIBpc.
Foram apenas os piores 6 anos dos últimos 100 anos.

O multiplicador da despesa pública no PIB.
E nesse período, a despesa pública subiu de 41% do PIB para 53% do PIB.
Ora, se for verdade o que os comunistas e socialistas dizem de que o multiplicar da despesa pública no PIB é de 1.3 vezes então, o período do Sócrates teve um crescimento corrigido do multiplicador da despesa de -2.4%/ano.
Ou será que no tempo do Sócrates não havia multiplicador?

É desonestidade intelectual.
O socratismo acabou com Portugal com uma despesa pública acima de 50% do PIB e um crescimento de longo prazo de 0.50%/ano.
Se nada for feito de radicalmente diferente do que foi feito pelo Sócrates + Teixeira dos Santos, o máximo que poderemos aspirar é a termos um crescimento de 0.50%/ano.
É uma miséria.
É uma vergonha vir dizer publicamente que as PPP dão lucro ao Estado (mas esmifram o povo) e que as políticas eram de crescimento.

Afinal o Baptista da Silva não tem falta de vergonha.
É um político.

Dizem as filosofias orientais.
Que não se pode reagir à força da inevitabilidade.
Vai apenas concentrar tensões em locais vulneráveis e consumir a energia que deveria ser usada na preparação da mudança.
quando vem o vendaval, o cedro tenta resistir e parte enquanto que o bambu deixa-se ir sobrevivendo.
Agora, Portugal vai mudar obrigatoriamente porque as fontes de financiamento externo esgotaram-se.
Continuar a batalhar na receita do Sócrates + Teixeira dos Santos é igual a acreditar no 5.º Império em que Portugal, reocupando a liderança dos territórios ultramarinos, vai viver à custa do preto.
Valha-nos Deus.

Fig.4 - Se gostam de mamas boas, nós fazemos na China.

Pedro Cosme Costa Vieira.

13 comentários:

Sergio Pedro disse...

Eu já ouvi muita coisa mas essa do estado social ser o culpado da falta de poupança é demais para ser verdade! Sinceramente Pedro, agora o que está a dar é culpar os "xuxas" e o "Xuxalismo". Antes demais para haver poupança tem de haver dinheiro para poupar e se uma familia com 2 filhos não tem muita margem de manobra com o que é considerado "classe média" fará os pobres. E negar ou omitir efeito do consumismo e o apelo do crédito fácil que veio a crescer no boom tecnológico dos anos 90 é pelo menos digno de uma chamada de atenção, qualquer sociologo de jeito lhe dirá o mesmo. Mesmo tendo saude e reforma "assegurada" (eu já não acredito no pai natal desde pequeno) não deixam de haver 1001 razoes para poupar. Sempre poupei e sempre gritei por os que me rodeiam que fizessem um esforço por fazer o mesmo! Por 1 razão muito simples : "nunca sabes o dia de amanhã o que vais precisar" e não lhes digo isto para o seu próprio bem , mas tambem porque detesto que me pedinchem quando sei que não teriam necessidade se evitassem certos comportamentos. Professor não dê mais lenha aos Fanboys da Ayn Rand, o mercado livre não é muito diferente de outras utopias anarquistas.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Sérgio Pedro,
Pode parecer que sou eu que invento estas ideias (e.g., que a existencia de segurança social acaba com a poupança) mas, infelizmente, eu não sou assim tão bom.
Qualquer livro de Macroeconomia afirma e apresenta prova, em termos teóricos e empíricos, disso isso.
E diz mais, a existência de SS faz diminuir a natalidade.
Se houvesse relação entre rendimento e poupança (taxa), na Índia, que é um dos países mais pobres do Mundo, ela não era muitas vezes superior à portuguesa.

Um abraço,
pc

David Seraos disse...

Parabéns pelo blog!!

Agora podia explicar essa de a SS diminuir a natalidade?

Pedro Renner disse...

Tem sido um enorme prazer, de um ano para cá, parasitar o seu "blog"… bem, o resto da lenga-lenga, já a leu noutra altura.
Infelizmente, o Governador do Banco de Portugal, ao invés de seguir a minha sugestão de lhe ajudar a financiar o seu trabalho, inventou lá de fazer um sitezinho mixuruca para colmatar a tal iliteracia financeira. Onde alguém vai lá aprender alguma coisa com aquilo? Ele ainda não deve conhecer o seu "blog", só pode ser isso.
Mas também eu não procedi à aquisição do seu livro, conforme era meu desejo. Assim, sugerir-lhe-ia que implementasse uma solução que encontrei num outro "blog" relacionado com a economia portuguesa, mas cujo autor, para além de não se identificar nem apresentar seu currículo, é muito fraquinho em teoria económica, tem uma conversa muito "à esquerda", seja lá o que isso for. Tal solução consiste em aceitar, da parte de seus leitores, donativos por transferência bancária, procedimento que também é muito adotado na comunidade do software livre. Se, nas quase 385 mil visitas aos seus textos, recebesse nem que fossem 50 cêntimos, já não precisaria se esforçar para ganhar o tal prêmio Wolfson: nem a raposa morreria à fome, nem a galinha deixaria de pôr ovos (esta última frase há-de ser influência do tal "bloguezinho"). E o senhor tome cuidado com esse Wolfson, que em português vai dar qualquer coisa como "filho do lobo", visto o seu sobrenome ser Vieira, um tipo de molusco lamelibrânquio: é que lobos também comem moluscos…
Tenho observado que a maioria dos seus textos têm uma forte componente de focagem na austeridade, procedimento que na realidade deveria estar sempre na mira das pessoas. É como quando um indivíduo tem um emprego mas, para além de realizar algumas poupanças - ou investimentos -, não incorre em gastos inúteis. Entretanto, se ficar sem este emprego, imediatamente corta mais alguns gastos que podem ser supérfluos para concentrar os recursos naqueles imprescindíveis, entre os quais estão os que lhe propiciarão um novo emprego. E é esta a questão: o que é que a sociedade portuguesa irá ou poderá fazer para arranjar um novo emprego? Ora, o senhor, que é um analista nesta área, tem uma visão da floresta e de outras florestas e sabe as características das plantas que a compõem, penso que poderia se aventurar mais na apresentação de alternativas para o futuro, e fazer menos o papel da Irina para cima do Cristiano só porque o Rajoy lhe foi ao bolso: o que é que o Ronaldo vai fazer para retomar o crescimento no seu PIB? Se ficarmos apenas a pensar que "estamos tristes" é que não vai haver festa nenhuma. Não é possível que a sociedade tenha que realizar novamente todos os investimentos de capital, há-de haver formas de se fazer reconversões daquele existente para desempenhos em novas funções. E, sim, vamos ter que experimentar soluções ousadas para reerguer o portugalzinho. Senão… adeus Irina.
Para concluir, fico feliz que tenha começado a adotar o acordo ortográfico, não o que foi recentemente implementado, mas sim, aquele que entrará em vigor algures lá por 2100, cujas características podem ser vistas aqui em resumo: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/variacoes-linguisticas-o-modo-de-falar-do-brasileiro.htm. Como pode ver, "Afinal os macaco é que são branco. Os branco é que é os macaco" segue uma destas regras. É que quer me parecer que o facto de as pessoas se entenderem nos aspectos da língua possa ser um factor de desenvolvimento económico, talvez não hoje, mas no tempo de seus netos.
Bom trabalho.

Sergio Pedro disse...

Quem sou eu para desdizer o Prof. Pedro (ou a literatura economica). Eu por vezes fico com a sensação de estar na aula de física quando o prof. nos diz que todos os objetos caem a mesma velocidade independente da sua massa, não faz sentido ao principio até que alguem nos explica. Mas olhe que neste caso vou insistir na minha "ignorancia" e dizer que existir (ou não) poupança é uma questão cultural e educacional (de formação social) e o facto de não existir poupança onde há ou não há algum estado social ou não deverá ser apenas coincidencia (vou ter de ir ver os nossos paises nórdicos se eles poupam). Bom digo isto tambem porque compreendendo um pouquinho de "game theory" depois de ler o "Selfisfh Gene" entendo como o sistema "xuxalista" pode ser facilmente (e é) subvertido, mas mais uma vez isto é uma questão disciplinar mais do que o sistema em si! Se calhar devia ir mas é ler um dos seus livros para perceber porque é que "estes dois objetos caem ao mesmo tempo". Se puder recomendar um que seja digerivel ao leigo eu agradeco Pedro!
Obrigado pela resposta, abraços!
Sérgio Pedro

Helder disse...

A existência de um subsídio de desemprego e da reforma cria um sentimento de relativa segurança a qualquer pessoa, pois sabe que, se for despedida, terá, pelo menos, ano e meio de subsídio de desemprego. O tempo suficiente para arranjar "alguma coisa".
Este sentimento de segurança faz com que as pessoas, em vez de viverem numa casa cuja prestação é de 500€, vivam numa de 700. Em vez de um carro de 20k, tenham um de 30k, e assim sucessivamente.

Naturalmente, existe a crença nos jovens de que poupar só quando se chegar aos 40, endividando-se até ao pescoço até lá.

Gonçalo disse...

Num mundo globalizado, em que o capital circula livremente, fará sentido dizer que o investimento depende da nossa poupança?

O facto de a economia estar bastante endividada sugere que não foi por falta de capacidade de investimento que se chegou a este ponto, sendo, no entanto, diferente dever internamente ou ao exterior, bem como ter ou não ter moeda própria.

Não obstante, sobre o estado social, a sua inexistência na China é talvez a maior causa da elevada poupança chinesa ( mais a mais, com tantas famílias só com um filho, precisam MESMO poupar para a velhice).
Por outro lado, nos USA a ausência de um SNS ao estilo europeu é uma das maiores causas do elevado "consumo" americano ( cerca de 18% do rendimento vai para seguros de saúde).
São duas situações em que a mesma causa ( ausência de estado social, pelo menos ao estilo europeu) tem efeitos opostos.

Sendo verdade que o investimento é essencial para o crescimento, não é forçoso que seja nacional. A Auto-Europa é disso exemplo.

Mas há também o investimento no capital humano, de igual importância, e que o estado obriga qualquer pessoa a investir uns bons anos.

Os jovens de 40 anos cresceram num mundo de baixa inflação e baixas taxas de juro. Ao mesmo tempo, os bancos concediam crédito habitação a preços nunca antes vistos, com spreads menores que 1%. Enquanto isso o preço das casas subia, e eram consideradas um BOM investimento. Muitas pessoas compravam para revender poucos anos depois, ao mesmo tempo que muitas empresas se dedicavam à sua construção. Como tal, a pouca poupança foi uma resposta natural a este contexto.

Diogo disse...

Mas porquê cortar na despesa pública?
A razão é uma cadeia de acontecimentos.
1. Havendo um sistema de pensões, assistência na doença e no desemprego, educação gratuita, e demais "conquistas" do Estado Social Europeu, as pessoas deixam de ter necessidade de poupar.
2. Se as pessoas não poupam, deixa de haver recursos para investir.
3. Para haver crescimento económico tem que haver investimento.



1 - Se as pessoas não pouparem nada, gastam o dinheiro todo que ganham.

2 – Se gastarem o dinheiro todo que ganham, as vendas sobem (e os impostos sobre as vendas).

3 – Se as vendas sobem, a produção também sobe (e os impostos sobre a produção e sobre o consumo).

4 – Com a subida da produção, sobem os empregos (e os impostos sobre o trabalho).

5 – Se os impostos forem justos, toda a gente ganha. Ganha o Estado, ganham as Empresas e ganham as Famílias.


a) Se as pessoas pouparem, compram menos coisas.

b) Se compram menos coisas, as empresas produzem menos.

Etc.

vazelios disse...

Caro Diogo,

O primeiro cenário que apresentou (o de consumir tudo) assemelha-se mais com o que se passou nos ultimos 50 anos no mundo ocidental, do que o outro cenário (o de poupança).

Sendo assim, porque estamos como estamos?

A produção sempre aumentou, o consumo idem. Os lucros aumentaram bem como os impostos que foram aumentando (com base nos lucros crescentes e em percentagem de contribuições) para cobrir o endividamento do estado.

Explique-me então, que se essa é a melhor solução, porque não chegámos a dias melhores. Ou melhor, até tivemos dias bons, mas como percebemos era insustentavel.

Como o Prof. já aqui explicou, com gráficos e dados a sustentar a resposta, países com maiores taxas de poupança têm maior crescimento, muito devido ao investimento. Este crescimento do PIB é feito via investimento sob deterimento de algum consumo.

Pode sempre haver consumo, desde que não seja exagerado.

Tal como não deveria haver mais importações do que exportações (sendo que o saldo mundial global tem sempre de ser 0 - Alguém tem de importar mais)

E depois, metendo o OE dos vários países ao barulho, o estado não precisaria de arrecadar tantos impostos, se não tivesse tanta despesa. Se o estado não fosse tão grande, mesmo que os lucros das empresas gerassem mais IRC's, o estado poderia usar esse superavit (desde que mantivesse o estado pequeno) a investir em factores produtivos, em inovação, baixando IRS nas pessoas, enfim, um rol de soluções e oportunidades.

TUDO, claro, se houver superavit e não défices sucessivos.

A grande lição que temos de tirar desta crise civilizacional é:

1º Que os politicos mentem, no matter what. Temos de pensar por nós próprios e exigir a verdade absoluta.

2º Consumo é bom, mas tal como nas nossas familias não consumimos ad eternum como se tivessemos a árvore das patacas no quintal, o estado e todas as familias no conjunto não o devem fazer desenfreadamente. Se todos consumissem 50% do rendimento, haveria na mesma crescimento do consumo ano após ano...

3º A palavra e conceito de POUPANÇA devia ser tão importante como LIBERDADE (mesmo esta está a ser ameaçada neste conjunto de estados socialistas-comunistas sob o manto do capitalismo). Com poupança, podemos precaver-nos de eventos futuros, sejam guerras, crises financeiras, crises naturais, o que seja. Poupança pode melhorar o futuro dos nossos filhos, e não um ML500.

Eu sempre poupei e dou graças a Deus ter este comportamento. Hoje ganho menos que em 2012 que já era menos que em 2011, mas praticamente não alterei o meu modo de vida. Apenas poupo menos.

E há dados curiosos que se vêm no dia a dia: No desperdicio de comida, cada vez menos, na partilha de boleias, cada vez mais, no consumo racional de electricidade, em mais jantares de familia, dividindo o custo das refeições por todos, etc. No fundo, as pessoas adaptam-se e a meu ver, ainda bem.

Nem tudo são rosas mas como já alguém disse:

"Não se pode desperdiçar uma crise"

Cumpts

Gonçalo disse...

Diogo, o problema é que a produção vem de fora. Nós consumimos, e os outros produzem.

Se as pessoas pouparem, é preciso que essas poupanças sejam gastas ( geralmente pelas empresas sob a forma de investimento). De outra forma, o rendimento decresce. De outro a economia retraí-se. Se o sector privado não estiver a "consumir" essa poupança, terá de ser o estado a fazê-lo e terá assim défice.
Ao mesmo tempo, é essencial que haja poupança, para não ficarmos expostos aos "azares", por isso só consumir é perigoso. Mas a poupança, por si só, não é condição suficiente. É preciso que seja "consumida" sob a forma de investimento, que permite aumentar a eficiência, produzindo mais por unidade de tempo.

Com o crescimento há mais rendimento e torna-se possível aumentar o consumo E a poupança, por isso a correlação entre poupança e crescimento pode não significar causalidade.

A razão de estarmos em crise, advém da livre circulação de capital, sem haver também livre circulação de pessoas e de mercadorias.

O que acontece é que os Yens do Japão ( cujas taxas de juro são de quase 0% à muitos anos) fogem para locais onde têm maior retorno como os USA. Como resultado, o dólar fica mais forte em relação ao Yen, e os americanos importam do Japão. Se a FED subir as taxas de juro para arrefecer a economia americana, a maior taxa atraí ainda mais fundos de investimento japoneses.
É a livre circulação de capital que está a exacerbar os défices e os excedentes comerciais.

Mas se não houver quem gaste os excedentes actuais, teríamos uma recessão global.
As nossas menores importações significam também que alguém está a exportar menos.
O necessário seria mesmo que houvesse MAIS consumo nos países com grande excedentes comerciais.

O estado não gasta consigo mesmo, apenas transfere recursos de um grupo - os contribuintes - para outros grupos - pensionistas, funcionários públicos entre outros. Se estas transferências são feitas internamente, não há alteração na riqueza de um país, apenas redistribuição. Só há alteração quando se se financia no estrangeiro.

Que os políticos mentem, não é novidade. Toda a gente mente. Até empresas "fabricam" a contabilidade, como a ENRON.

Que as pessoas querem consumir hoje e não amanhã, também não é novidade. Se as pessoas só consumissem 50% do rendimento, resta saber se as empresas investiriam os outros 50%.

Quando se fala em estar melhor ou pior, a resposta depende do país.
Nos países do sudeste asiático, milhões de pessoas deixaram de ser oficialmente pobres - estão melhor.
Em grande parte dos países africanos, ficaram mais pobres ( a desvantagem de ainda serem países agrícolas) - estão pior.

As pessoas adaptam-se, poupam mais e consomem menos. Isso são boas notícias? Pena o desemprego aumentar e que mais empresas fechem, sem que outras abram,
ao mesmo tempo que os jovens mais qualificados saem do país.





Diogo disse...

Caro Vazelios,

O primeiro cenário que «eu apresentei» é retirado do post do autor do blog. O segundo é que é meu.

Evidentemente que o 2º cenário (o meu) é um exagero. É absurdo induzir as pessoas a consumir à parva só para aumentar a «economia». Mas, em economês, a minha tese parece não sofrer contestação.

Quanto às exportações e importações, têm cada vez menos importância num mundo cada vez mais globalizado. Não me interessa se as calças que eu compro são portuguesas, americanas ou chinesas. Interessa-me apenas ganhar para as minhas necessidades (seja de que nacionalidade for a empresa onde trabalho) e que os impostos que pago me proporcionem uma razoável qualidade de vida (segurança, saúde, educação, etc.)

Diogo disse...

Gonçalo - «Diogo, o problema é que a produção vem de fora. Nós consumimos, e os outros produzem.»


Eu, pessoalmente, produzo e, por isso, recebo um salário. Consumirei de acordo com esse rendimento. É evidente que, se o ordenado der para isso, tento ter uma almofada de segurança para algum azar que o que pago de impostos não cobrem.

Toda esta «Crise financeira Mundial» não passa de embuste brutal da Banca (que é Global e está concentrada em meia dúzia de mãos). Esta Banca cria dinheiro a partir do nada e troca-o pela riqueza produzida pelos cidadãos do Mundo. É o parasitismo levado ao limite.

Gonçalo disse...

Caro Diogo, eu tb produzo.

Mas há quase 1 milhão de portugueses que não produzem.

Se acha a banca o parasitismo, tente poupar para comprar uma casa. Quando tiver velhinho talvez consiga ( a não ser que ganhe bastante bem).
Ou ponha-se do lado de um vendedor de casas: vendia uma casa a um desconhecido sem ser a pronto pagamento, ou confiaria nessa pessoa e deixava-a pagar a prestações? Se a deixasse pagar a prestações, não iria exigir um juro que cobrisse pelo menos a inflação?
A banca não cria dinheiro do "nada". Tem de haver bens e serviços para as pessoas comprarem.

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