quinta-feira, 7 de março de 2013

Hoje estive no ICBAS

Há uns dias recebi um e-mail da Carolina Tintim a convidar-me para fazer uma apresentação no ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. A Carolina é aluna do 2.º ano de medicina e membro da comissão de ano e desafiou-me a que eu falasse de algum assunto que interessasse aos colegas.
A organização foi extraordinária o que se traduziu por terem conseguido o Salão Nobre e por terem (ligeiramente) mais de 100 pessoas a assistir.
Quando cheguei ao ICBAS, no ex- CICAP, não reconheci o terreno. Entrei num edificio totalmente novo e, conforme instruções da Carolina, dirigi-me à segurança onde lhe falei que ia por causa de uma apresentação que ia haver no Salão Nobre.
- "Não, aí não é possível porque vem um professorão da Faculdade de Economia" 
Era eu mas não parecia.

Depois veio a Carolina
E lá fomos para a sala.
Eu quase sofro de agarofobia pelo que, quando cheguei lá, comecei a suar.
Mas tirei a roupa, contei umas graças e lá controlei a coisa.
A minha apresentação foi muito extensa (mais de 90 minutos) mas as pessoas mostraram-se sempre atentas.
No final ainda houve muitas perguntas interessantes.
Safei-me.
A apresentação foi filmada pelo que, qualquer dia, está disponível algures na Net.




Fig. 1 - Até fizeram um poster todo bonito

Poupança, Investimento e Taxa de Juro
A apresentação em Power Point está aqui.

Falei de um pouco de Economia para justificar a razão de as pessoas pouparem.
    1 - O ciclo de vida;
    2 - O risco de problemas futuros (e.g., desemprego e doença)
    3 - Precisarem de comprar bens duráveis.
Referi ainda que a Segurança Social, por diminuir o risco e pagar reformas, é a principal causa da diminuição da nossa poupança e natalidade.

Fig. 2 - A poupança tem diminuído desde que entramos na União Europeia (dados: Banco Mundial)

Fig. 3 - Ter filhos também é um poupança/investimento (dados: Banco Mundial)

Apresentei conceitos à volta daa taxa de juro
Apresentei o conceito de TAE- Taxa Anual Efectiva como a uniformização dos juros a uma taxa anual e referi a taxa nominal.
Distingui taxa bruta de taxa líquida.
Falei da diferença entre juros (bem fungível), aluguer (bem móvel não fungível) e renda (bem imóvel não fungível).

Fiz uma aplicação a um investimento
Penso que seria este o interesse maior dos alunos.
Fiz uma pequena análise de um investimento em que calculei, em directo no Excel, a TIR-Taxa Interna de Rentabilidade.

Fig. 4 - Um pequeno investimento

Finalmente, falei dos bancos.
Como já estavam a ficar cansados, só dei um cheirinho do sistema bancário referindo que os bancos (e a moeda) são apenas intermediário nos contractos de crédito.
Tal como as bombas de gasolina só podem vender combustível se o camião da Galp vier atestar os tanques, também os bancos apenas podem conceder crédito se alguém for depositar lá dinheiro.
Como a poupança tem diminuído, não é possível que os bancos respondam aos pedidos dos esquerdistas de conceder mais crédito às empresas.
Não se pode pedir que aumente o consumo (e diminua a poupança) e que aumente o investimento pois o investimento é sempre igual à poupança.

Isto tudo faz parte da minha militância política.
Em 2010 dei conta que Portugal estava a caminhar para o abismo e que o povo português continuava não dava conta disso. Mas não me achava capaz de alterar as coisas.
Depois, pensando nas pessoas desses países distantes que dão a vida a combater o que acham errado, identifiquei que este blog poderia ser a minha arma de intervenção cívica.
Desde então tenho dedicado centenas de horas à escrita e, de vez em quando, vou falar aqui e alí.
No fundo, no meio de África, trabalhando o mesmo que trabalho, o meu rendimento seria muito inferior pelo que eu tenho que retribuir à sociedade que permite eu ser mais produtivo (?). É este o meu pequeno contributo para a sociedade.
Por isso, muito obrigado à Carolina e às colegas que organizaram este evento.

(Amanhã vou falar à secção do PSD de Paranhos sobre novos modelos de financiamento do ensino público)

Pedro Cosme Costa Vieira

4 comentários:

Diogo disse...

Parabéns Professor! Espero poder ver a apresentação na Net. A julgar pelos slides + o seu sentido de humor, deve ter sido muito interessante.

Boa sorte na sua palestra amanha!

Newton Pessoa disse...

Parabéns, professor! Quando tu virás ao Rio de Janeiro nos brindar com uma palestra dessas?

Sonat disse...

Caro Pedro, uma dúvida:

De acordo com a sua figura 4, porque é que pago juros sobre o investimento que estou a fazer? Não devia pagar juros apenas quando peço um crédito? Ou estes juros são uma medida da inflação?

Obrigado.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Sonat,
Nesta pequena análise da fig. 4 não está explicitada a estrutura de capital (se é meu ou pedido emprestado).
Deposi há a alvancagem. Se a rentabilidade for de 15%/ano e eu pedir metade do dinheiro emprestado e pagar 10%/ano, a rentabilidade do meu dinheiro (o que recebo pelo meu investimento e não o que eu pago) será de 20%/ano.
Um abraço,
pc

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