domingo, 17 de março de 2013

O desemprego, o salário e a ignorancia dos comentadores

O conhecimento ciêntífico é o guia das solução técnicas eficientes.
A Economia é uma ciência que ao longo dos anos permitiu que compreendêssemos como as coisas económicas funcionam. Em particular, sabemos hoje muito bem como se relaciona o desemprego com o salário. Mas, de forma incrível, as pessoas que aparecem na comunicação social, muitas deles apelidando-se de reputados economistas, apresentam apenas algumas ideias de senso comum demonstrando que não sabem absolutamente nada sobre Economia.
Absolutamente nada.

Até o meu ex-amigo.
Que se zangou comigo quando me deveria ter agradecido eu ter evitado que ele se enterrasse em merda até ao pescoço na sua análise da TAP, veio no outro dia dizer que "o mercado de trabalho português não precisa que se faça mais nada porque já é muito flexível". Interessante o dito cujo como não conseguiu explicar como, sendo alegadamente tão flexível, a taxa de desemprego involuntário está tão elevada. É que a teoria económica (que afirma ele perceber muito mais que eu) diz que num mercado perfeitamente flexível, a taxa de desemprego involuntário é zero.
Sim, o desemprego é involuntário pois refere-se a pessoas que querem ter emprego e não conseguem arranjar.
Eu nem digo o nome dele para não pensar que eu persigo a sua ignorância. E tenho que ser democrático pois há muitos mais como ele.

Fig. 1 - Anda cá meu filho que, como se vê, o meu forte é Teoria Economia.

Vamos então ver o que desenvolveu a teoria económica.
Aqui vamos ter que perceber um pouco de derivadas e de maximização.

A produção.
O valor acrescentado (facturação das vendas menos preços dos produtos intermédios) de uma empresa, Y, é conseguida com os factores produtivos Trabalho, N, e Capital, K.
Em termos matemáticos, a função produção f transforma os factores produtivos em valor acrescentado segundo uma proporção:

     Y = f (N, K)

Mais capital e mais trabalho implicam maior valor acrescentado (as derivadas parciais de f são positivas) mas a cadência decrescente (as derivadas parciais de segunda ordem são decrescentes):

      f 'N > 0;   f ''N < 0
      f 'K > 0;   f ''K < 0

Esta forma funcional traduz que usando mais factores de produção consegue-se produzir mais mas que há congestionamento:
Se eu tenho 10 trabalhadores e contracto mais 1, mantendo o número de máquinas que tenho então, a produção aumentará mas menos que 10%.

O lucro.
As empresas querem maximizar o seu lucro, L, que é a diferença entre o custo de produção e a facturação.
Se o preço de venda unitária é P, o salário é W e a taxa de juro (e de depreciação) é I, o lucro vem dado por:
     L = f (N, K).P - N.W - K.I

Qual a quantidade de mão de obra que maximiza o lucro?
A primeira condição de maximização, a derivada do lucro em ordem ao número de trabalhadores, L'N, é zero, implica que:
     L'N = 0  ->   f 'N = W/P

A segunda condição de maximização, a segunda derivada do lucro em ordem ao número de trabalhadores, L''N =  f ''N  <0 permite concluir que, quando o salário real, W/P, aumenta, a empresa despede trabalhadores (e vice-versa).
     N'W < 0

Também se conclui que, aumentando a taxa de juro, o investimento diminui (e vice-versa).
     L'K = 0  ->   f 'K = I/P ->   K'I < 0

Será preciso ser um génio para perceber esta argumentação?
Como esta argumentação é simples e as pessoas que comentam são mais inteligentes do que eu então, tenho que concluir que essas pessoas não falam como economistas mas como defensores de ideologias políticas e com o fim de induzir os ouvintes no erro.

E o que dirá a evidencia empírica?
O máximo que poderiam dizer era que "a Teoria Económica está errada" mas isso era como ir a um médico e este dizer-nos que "coma carne intermeada e beba vinhaça à vontade, continue a fumar e a sua vida sedentária que a sua saúde vai melhorar porque a medicina está toda errada".
Se o meu médico de família me dissesse isto, eu mudava logo de médico.
Se alguém que se afirma economista diz que a Teoria Economia está toda errada ou vai ser brevemente prémio Nobel em Economia ou não percebe nada da poda.
A evidencia empírica indica que, na Alemanha, por cada 1% de diminuição dos custos do trabalho, a taxa de desemprego diminui 1 ponto percentual (Fig. 2). Em Portugal, os custos do trabalho têm aumentado e, por cada 1% de aumento, a taxa de desemprego aumenta 0.7 pontos percentuais (Fig. 3).

Fig. 2 - Na Alemanha, a descida dos custos do trabalho em 1% induziu uma redução de 1 ponto percentual na taxa de desemprego (dados: Eurostat e Banco Mundial, cálculos do autor)

Fig. 3 - Em Portugal, os custos do trabalho têm estado sempre a subir. A descida dos custos do trabalho em 1% induz uma redução de 0.7 pontos percentuais na taxa de desemprego (dados: Eurostat e Banco Mundial, cálculos do autor)

Penso que estamos conversados.
Não vale a pena apresentar aqui dados para mais países mas em todos se observa uma relação entre o aumento dos custos do trabalho e a taxa de desemprego.

Para reduzirmos o desemprego para 10%.
Como está em 20% (o valor de equilíbrio já será este), será preciso reduzir rapidamente os custos do trabalho em 15%.

Será que alguém quer que o desemprego diminua?
Tenho muitas dúvidas que os esquerdistas e PSDistas tipo Alberto João da Madeira, queiram que a taxa de desemprego diminua.
Querem é que o país rebente para depois aparecerem como os salvadores da pátria.
Se queremos que o desemprego diminua, é preciso diminuir os custos do trabalho.

Porque é que o nosso mercado de trabalho não é flexível?
Ser flexível não é ser haver despedimentos facilitados como pensa o meu ex-amigo.
Se eu tenho um empregado e preciso reduzir os custos do trabalho, não me vale a pena despedir trabalhadores pois, pelo Contrato Colectivo de Trabalho, o novo trabalhador que eu contratar, terá exactamente o mesmo salário que o anterior.
Ser flexível é eu poder reduzir o salário dos meus trabalhadores e haver flexibilidade no horário de trabalho.

Mesmo que o empregado queira, a Lei proíbe-o.
Vamos supor que eu vou aplicar despedimento colectivo aos meus trabalhadores e que estes, em alternativa, dizem querer ficar a ganhar menos 15%.
Isto é pproibido por Lei.
Podem-se despedir trabalhadores contra a sua vontade mas diminuir os salários abaixo do Contrato Colectivo de Trabalho é proibido.

Passos, como sou teu amigo, aqui vai a minha solução.
Tens que propor a suspensão parcial e temporária dos Contractos Colectivos de Trabalho.
Se é constitucional os despedimentos de trabalhadores com vinculo definitivo por mutuo acordo, é menos grave a redução temporária dos salários por mútuo acordo.
Primeiro, fazes uma campanha a dizer que tem que ser mas apenas por mútuo acordo e quando esteja em causa um despedimento colectivo.
Depois, falas com o Álvaro e apresentas uma proposta de Lei que permita que, de forma voluntária, os salários possam provisoriamente ser reduzidos até 15% abaixo do previsto como mínimo no Contrato Colectivo de Trabalho.
A duração da redução acordada será um ano, podendo o acordo ser renovado enquanto a taxa de desemprego for superir a 8%. 
Se, por a taxa de desemprego for menor que 8%, a redução não puder persistir, haverá uma reposição de 0.25% do salário por mês.

Vou terminar com Chipre.
Eu sempre defendi que a saída do euro não poderia passar pelo congelamento das contas bancárias porque isso introduz risco nos outros países que estão em dificuldade.
Provavelmente, Chipre vai sair do Euro, fazendo uma desvalorização forçada das poupanças depositadas nos bancos.
Cobrar um impostos sobre o património é aceitável mas sobre os depósitos parece-me injusto pois não atende à riqueza líquida das dívidas das pessoas.

É o caminho que o Seguro nos tem apontado.
O que se está a passar em Chipre é o que nos aconteceria se lá tivesse continuado  o Sócrates e é o que nos vai acontecer se tivermos o Seguro a desgovernarnos.
Gastar mais dizendo que com isso, ficamos a dever menos. Parece de loucos mas há muito povo que quer acreditar nisto.
É como o Chaves que acreditava que num país do terceiro mundo, Cuba, ia encontrar a imortalidade. Morreu.
Mas não é só o Seguro e de mais esquerdistas. Também o Alberto João e muitos outros do PSD e CDS (como o Bagão Felix) prometem mundos e fundos pensando safarem-se com as mordomias que têm acumuladas. Estão centenas do PS, PSD e CDS ao cruzar da esquina a ver se tomam conta do Poder, custe-nos o custo que custar, nem que seja a bancarrota.

Fig. 4 - Custa, mas depois até sabe bem.

Fui caminhar e voltei com a proposta de lei (20h07).

Lei n.º XXX/2013
Dado que o desemprego é o maior flagelo que vive a sociedade portuguesa, é necessário utilizar medidas de emergência no combate a esta calamidade.

Art. 1-º - Aplicabilidade da Lei.
1 - A assinatura de acordos baseados nesta lei apenas é possível A) se a taxa de desemprego apurada pelo INE referente ao trimestre anterior for superior a 8%; B) o contrato de trabalho for a termo incerto ou a termo certo com vínculo reforçado.
2 - O contrato a termo certo com vínculo reforçado, é inicialmente de 30 dias e, se não for denunciado pela entidade patronal, o seu termo avança 1,5 dias por cada dia trabalhado, com um máximo de 24 meses. Por exemplo, se o trabalhador já cumpriu 6 meses de trabalho então,  o contrato tem o seu termo a 4 meses de distância.

Art. 2-º - Limitações à liberdade contractual.
1 - O salário pode ser reduzido até 15% relativamente ao previsto no Contrato Colectivo de Trabalho aplicável.
2 - O acordo tem a duração de 1 ano, renovável sempre que exista vontade das partes e se verifiquem as condições previstas no par. 1.º do art.º 1.º desta Lei
3 - Uma vez denunciado o acordo de redução de salário e não havendo acordo para o período de transição para o salario anteriormente auferido, a entidade patronal é obrigada a aumentar o salário 0,25% do salário inicial a cada mês.

Art. 3-º - Salário acordado inferior ao SMN.
1 - O salário acordado pode ser inferior ao SMN mas tem que ser pelo menos igual ao IAS.
2 - Se o salário acordado for inferior ao SMN, o trabalhador terá um crédito de 44,5%  da diferença que abaterá na TSU do trabalhador.
Pedro Cosme Costa Vieira

10 comentários:

Alberto Paiva disse...

O Pedro defende que o conhecimento científico é o guia das soluções técnicas eficientes e o conhecimento científico em economia sobre consolidações orçamentais diz o seguinte: Consolidações orçamentais só devem ser implementadas em expansões e nunca em recessões visto originarem uma degradação da actividade económica e pela via dos estabilizadores automáticos um aumento do défice precisamente o oposto do que se pretende.

O Professor não me vai dizer que esta Teoria Económica está errada pois não. O problema está na receita, o doente irá morrer não pela doença, mas pela cura.

Cumprimentos,

AP

Económico-Financeiro disse...

Estimado Paiva,

Isso que diz é verdade sob o pressuposto de
H1) os diversos países/regiões não são igualmente afectados pela crise (os choques são assimétricos) e
H2) é possível o endividamento externo.

No caso português,o pressuposto H2 não se verifica pelo que é preciso implementar politicas restritivas mesmo a meio de uma crise.

Mas nunca nos podemos esquecer que isso é por culpa do Sócrates + Teixeira dos Santos(que implementou 6 anos de política expansionista até ficarmos na bancarrota) e não do coitado do Passos Coelho + Gasparzinho.

Um abraço,

pc

aroso disse...

Alberto Paiva,

Esse modelo pressupõe que se poupe durante os anos de vacas gordas para se poder gastar durante os anos de vacas magras. Se se gastar sempre (que foi o que nós fizemos durante 30 anos) o dinheiro acaba e nem o Sr. Keynes nos pode salvar.

O doente na verdade não vai morrer nem da doença nem da cura, vai é morrer da cirrose que apanhou por andar bêbado durante 30 anos.

Fernando Ferreira disse...

A economia e' uma ciencia... SOCIAL. Nao e' fisica, nem quimica. Podem-se criar modelos matematicos dos comportamentos de particulas e corpos inanimados porque estes nao tem mente propria e comportam-se sempre da mesma maneira.

Pela mesma razao, nao se pode modelar o comportamento de 7 bilioes de seres humanos ou sequer tentar adivinhas o que vao querer produzir ou comprar, poupar ou consumir.

Esta e' a grande falacia do keynesianismo. Lamento informa-lo, Pedro, se e' que ainda nao compreendeu isso. Toda essa patranha de equacoes que o meu amigo foi obrigado a engolir na universidade, nao serve absolutamente PARA NADA. O meu amigo perdeu o seu tempo.

Repare no sucesso que as ciencias exactas tem. Os seus modelos matematicos fornecem exactamente aquilo que esperamos deles: Temos medicamentos, computadores, avioes, telemoveis, internet.

Agora repare no INsucesso da modelacao matematica aplicada a economia. Temos divida, booms, busts e um sistema monetario e financeiro que esta prestes a rebentar. E tudo isto apensar de tantos "modelos matematicos" keynesianistas, que prometem que os politicos sao capazes de controlar a economia bastando para isso a analise de meia duzia de equacoes.

Caro Pedro, tera chegado a altura do meu amigo procurar outra profissao?

Cumprimentos respeitosos!

Nemo disse...

Fernando Ferreira,

Todas as ciências implicam um grau de incerteza. Tudo aquilo que afirmam medir ou prever não são mais que aproximações. O Homem foi à Lua com base em aproximações, que não se pense outra coisa!
Agora, é verdade as conclusões retiradas na economia têm por base um grau de incerteza muito superior ao daquelas de ciências como a física. Tal deve-se à complexidade inerente à organização social e ao comportamento humano. Não peça à economia que acerte sempre, porque isso é impossível até para as ciências exatas; peça, sim, que tenha uma probabilidade de insucesso o mais baixa quanto possível! Sem a modelação matemática (que se reparar não afirma produzir certezas absolutas), resta a retórica, o simples "bitaite" ou a mera sorte.
É verdade que as equações acima têm imensas simplificações. Por exemplo, está a assumir-se que todos os trabalhadores e todos os tipos de capital são iguais, bem como que só há um salário na economia e uma taxa de juro. Contudo, em grande parte dos casos, a introdução de complexidade nos modelos pouca diferença faz.
Por último, peço-lhe que analise o comportamento das principais variáveis macroeconómicas desde as primeiras medições. Verá que, graças ao "insucesso" da modelação matemática, as economias desenvolvidas foram muito mais estáveis. Por último, dívida, por si só, não é um problema: depende do caso!

Fernando Ferreira disse...

Nemo,
Obrigado pelo seu comentario.
Nao esta em causa se as ciencias ditas exactas sao aproximacoes ou completamente exactas. O ponto importante em causa e' entender os objectos de estudo em causa.

Particulas sub-atomicas, bolas, projecteis, foguetoes comportam-se sempre do mesmo modo porque nao tem mente propria, nao tem vontade, nao mudam de opiniao, nao valorizam as coisas do mesmo modo.

Ja os objectos de estudo da economia sao os seres humanos e as suas accoes. Sao completamente imprevisiveis e e' esta imprevisibilidade que os estatistas e quem tem o poder nao quer admitir. Admitir que nao conseguem "controlar e dirigir" a economia e' o mesmo que admitir que eles nao servem para nada e isso nao pode acontecer. Mais vale continuar a fingir que se eu mexer no x da segunda derivada parcial disto e daquilo, vou ter uma economia mais "saudavel"

Para finalizar, o meu amigo afirma que "graças ao "insucesso" da modelação matemática, as economias desenvolvidas foram muito mais estáveis."

Muito mais estaveis comparadas com o que? Quando eu digo "isto e' mais estavel do que aquilo, tenho de estar a comparar com algo.

Nao vejo onde tenham existido economias nao reguladas no mundo, ao mesmo tempo que existiram economias reguladas. So assim poderiamos comparar as duas e concluir alguma coisa.

Na realidade, podemos comparar economias menos reguladas e economias mais reguladas. Podemos comparar as economias de Hong Kong, EUA (nao na epoca de Obama), Suica, Australia, Canada, Escandinavia, Japao, Coreia do Sul - Tradicionalmente menos reguladas - com economias mais reguladas - URSS, China, Cuba, Bloco de Leste, Coreia do Norte e tirar as conclusoes.

Tenho a certeza que os economias sovieticos devem ter aplicado todas essas equacoes e ve-se o resultado final.

Pior do que aceitar a realidade de que nao se consegue controlar algo e aceitar essa realidade e' continuar a fingir que se consegue "controlar" e criar maiores problemas do que aqueles que nos propomos resolver.

Cumprimentos!

Nemo disse...

Fernando Ferreira,

A ideia de que o comportamento é totalmente imprevisível é falsa. Pela sua frase relativa à USSR, presumo que se julga capaz de prever razoavelmente o que acontecerá a uma economia que opte pela mesma via; isto é, o resultado cumulativo de comportamentos individuais. Se sabe o resultado global, pelo menos, consegue obter informações sobre o comportamento do cidadão médio. Como é evidente, não conseguiu nada específico a cada indivíduo, mas aquilo que sabe permite-lhe afirmar várias proposições com um grau de certeza razoável.

Lembre-se, também, que o político não comunica para pessoas com formação matemática. Além disso, todos eles têm na base do seu discurso uma ideologia, na qual, presumivelmente, acreditam. Quer vê-los a dizer aquilo que consta nas fichas técnicas das sondagens? Quer vê-los a apresentar estudos econométricos em público, onde é explícito o grau de incerteza das conclusões?

As economias têm-se tornado mais estáveis relativamente às do século XIX e início do século XX.

A regulação é uma forma de intervenção estatal na economia, mas não é única. Os Estados Unidos desde há vários anos que aplicam formas de estabilização macroeconómica, baseadas em modelos matemáticos que desdenha; e a Suécia tem uma política de redistribuição massiva, para referir alguns exemplos.

Quando o Estado intervém não está necessariamente a controlar. Pode, por exemplo, estar a reduzir incertezas ao punir o não cumprimento de contratos ou ao ter políticas de estabilização). Não vejo de que forma isso é um controlo.

Gonçalo disse...

Caro Ferreira,

Regulação não é o mesmo que planeamento central. Regular não determina o que produzir, apenas o como, ao contrário das economias de Cuba, USSR, China e Coreia do Norte. Na China, o PC chinês determina o que se produz.

Os modelos matemáticos não são "keynesistas". Aliás, o Ferreira parece catalogar tudo como Keynesiano.

Podemos comparar a economia ao longo do tempo, e dizer que a economia tem sido mais estável do que era no passado. Não preciso de comparar com outro tipo de economia. Talvez o Nemo queira ter dito, que por exemplo as corridas bancárias praticamente cessaram quando se instituiu o seguro bancário, enquanto nos finais do séc XIX eram uma constante. Ou que a inflação se manteve estável nas últimas décadas, nas economias desenvolvidas.

Quanto aos pressupostos do Pedro:

A cadência decrescente, ou congestionamento, não dependerá de se tratar de produção de bens? Se eu produzir serviços, por exemplo de contabilidade, o 11º trabalhador não irá aumentar a produção 10% ?
E se for um trabalhador extraordinário, daqueles que valem por 2??

As empresas quererão maximizar sempre o lucro? Muitas empresas, mesmo a perder dinheiro, mantêm-se no activo por razões afectivas, outras há que não aceitam despedir os seus trabalhadores. E quando estão endividadas, querem maximizar o lucro ou amortizar as dívidas?

Se cortarmos 15% nos custos do trabalho, é de esperar que aconteça o quê? Que a procura interna aumente, ou que aumentem as exportações? Como é que se consegue exportar, se os nossos principais compradores estão todos a cortar nas importações ( tal como nós...).

Entretanto, o Gasparzinho já fala em recessão superior a 2%...

Económico-Financeiro disse...

Estimado Gonçalo,

A cadência é decrescente porque se mantém o capital fixo.
Mais 1 contabilista com o mesmo escritório, os mesmos 10 computadores, etc.,
Se já tivermos 10 trabalhador extraordinário e acrescentarmos mais 1 ...

Maximizar o lucro não implica que o lucro seja positivo. Mesmo dando prejuizo, o empresário procura que esse prejuizo seja o mínimo possível.

Se cortarmos 15% nos custos do trabalho, é de esperar que os preços diminuam (10%) o que fará aumentar as exportações e reduzir as importações, o que puxa pela produção.

Também aumenta a procura interna porque aumenta o consumo e o investimento.
Quando a taxa de desemprego é elevada, a redução dos salários faz aumentar o rendimento das famílias (a elasticidade do emprego ao salário é inferior a -1).
80% x 1 < 95% x 0.85

Por outro lado, aumenta o investimento para responder a melhores margens de lucro.

As vendas para exportação são ilimitadas pois a economia mundial é 300 vezes maior que a nossa.
As nossas exportações são apenas 0.1% do PIB mundial.

pc

Gonçalo disse...

Obrigado pela resposta Pedro,

Se eu tiver 2 máquinas e um trabalhador, e com isso as máquinas só funcionam cada uma metade do tempo que podiam, então contratando mais um trabalhador as máquina podem operar ambas a 100%. O capital continua fixo...
Enquanto o capital fixo estiver subaproveitado, a contratação de pessoas tem uma cadência crescente.

A maximização do lucro ( ou minimização do prejuízo) é um mito. Existem n empresas que não procuram o lucro. Na verdade só as cooperativas de mutuários, como as SA, procuram maximizar lucros. As cooperativas de fabricantes, de clientes e de fornecedores não o fazem necessariamente.

Se cortarmos 15% aos custos, por via de redução de salários, então a contração da procura interna seria tão abrupta e brutal, que seríamos engolidos por uma espiral recessiva devastadora.

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