quinta-feira, 28 de março de 2013

Sócrates - O retorno da mentira como estratégia política

Eu não tinha qualquer esperança que o Sócrates voltasse para pedir desculpa ao País.
Depois de ouvir repetidamente os seus tenentes a defender o desvario do socratismo, naturalmente que o general nunca iria, nem irá, algum dia reconhecer que errou.

Seria tão simples se o bicho fosse inteligente.
Eu, Sócrates, enganei-me. 
Um primeiro ministro tem que tomar decisões políticas baseadas em alternativas tecnicamente sólidas. Como eu sou apenas um político, rodeei-me de técnicos altamente reputados como foi o caso do professor Teixeira dos Santos, professor universitário de macroeconomia numa universidade portuguesa reputada, doutorado em economia por uma universidade americana conceituada e com curriculo governativo no governo do António Guterres e na CMVM.

Eu quero vincar que não percebo nada de economia.
Apesar dos currículos, no final do meu mandato dei conta que esses especialistas não eram competentes. Ao não calcularem o verdadeiro impacto das diversas opções técnicas que me colocaram para eu optar politicamente, fizeram com que as decisões que eu tomei estivessem globalmente erradas.
Em particular, foi-me dito que o ultrapassar da crise de 2008  poderia acontecer com um aumento da despesa e do endividamento públicos e veio-se a verificar que isso despertou vulnerabilidades que nos empurraram para a quase-bancarrota.
Errei duplamente. Primeiro porque escolhi as pessoas erradas para me aconselharem. Depois, não aceitei as criticas que apontavam para o facto das pessoas escolhidas por mim me estarem a encaminhar para decisões erradas.
Apesar de haver quem tenha falhado em termos técnicos, a responsabilidade política da incapacidade de Portugal fazer face à Crise das Dívidas Soberanas de 2011 é totalmente minha.

E, se fosse inteligente, como descalçava a questão do presidente?
O Sr. Presidente foi uma das pessoas que me tentaram avisar de que eu, em termos económicos, estava a ser erradamente aconselhado.
Não nos podemos esquecer que a legitimidade do Sr. Presidente para criticar as opções do governo vem de ter sido eleito à primeira volta pelo voto directo do povo português.
Se o Sr. Presidente se acha melindrado por eu lhe ter fornecido dados errados sobre a execução orçamental de 2011, imaginem como eu fiquei pois também fui enganado. 

E ficava-se por aí.
Ai mas as SCUTS, as PPPs, o resgate, o almoço que nunca existiu, e aquelas mentiras todas?
Não vamos falar disso pois são passado e, reforço, foram decisões que tomei tendo informação errada como base de trabalho.
Vamos avançar.

Fig. 1 - Deixem o passado no passado que agora vou vender medicamentos para o Brasil.  Traquilo que vou ganhar 5x o que ganha o Cavaco mais o Passos juntos e não pago sobretaxas de IRS.

O Sócrates é um tirano.
Nunca falou que deixou de ser primeiro-ministro por vontade dos portugueses.
Nunca disse que tinha uma proposta para o país, fosse o que fosse, e que os portugueses, em eleições totalmente livres, optaram por outra solução governativa.
Vê sempre o poder, e o seu apeamento, como um conjunto de intrigas do Parlamento, do Presidente da República, dos Mercados, dos Banqueiros, de todos os f.d.p. que há por aí e nunca refere que houve eleições e o povo não quis seguir o caminho que ele nos indicou.
Nunca em momento nenhum se viu diferença entre a comunicação ao país do Sócrates e aqueles que o Bashar al-Assad faz na sua televisão estatal a dizer que vai esmagar todos os terroristas que ousam desafiar as suas opções políticas.

Fig. 2 - Uma expressão de ódio, de antes terra queimada que dar o braço a torcer, de destruir todos que lhe fizeram frente.

Quem traduzir as últimas intervenções do Kadafi e do Saddam para português, vai rever a entrevista do Sócrates na RTP-1.

Vamos agora ao défice e à dívida.
O Sócrates não percebe nada de contabilidade. Nada e mesmo que percebesse, a sua política é a mentira e a intriga.
Existem as receitas e despesas do Estado que vão ao Orçamento. No final do ano, é calculado o défice que é reportado à Dívida Pública.
Vamos supor que no fim do ano 0 a divida de Portugal era de 70% do PIB, teve um défice público de 10% do PIB e o crescimento económico foi de -3%. Então a dívida pública no final do ano 1 passaria a ser 82.5% do PIB:
     PIB_1 = PIB_0 x (1 - 3%)
     Div_1 = (Div_ 0 x PIB_0 + Défice_0 x PIB_0 ) / PIB_1
     Div_1 = (Div_ 0 + Défice_0 ) x PIB_0 / PIB_1
     Div_1 = (70% + 10% ) x 1/ (1-3%)
     Div_1 = 82.5% do PIB
A dívida aumentaria 10% do PIB por haver défice e 2.5% do PIB por haver recessão.

Então, a dívida pública actual deveria ser muito menor.
Sim.
Pegando nos dados para 2010, 2011 e 2012, devido ao que é orçamentado (o que está no Orçamento de Estado) a dívida pública deveria estar nos 109% do PIB.
Nos 2 anos do Passos Coelho, o défice e a retração económico so fizeram a Dívida Pública aumentar 16% do PIB.

Então, porque estará nos 123% do PIB?
Porque  no tempo do Sócrates o défice foi muito maior que o contabilizado no orçamento.
Nos últimos tempos apareceram dívidas do tempo do Sócrates nos hospitais, farmácias, empresas públicas, autarquias, etc, etc, etc. que fez a dívida pública aumentar 14 pontos percentuais acima do défice. Mas são dividas que deveriam ter sido orçamentadas no tempo do Sócrates. Mas nesse caso, compara 45pontos de aumento do endividamento do Sócrates (7.5 pontos por ano) com os 8 pontos por ano do Passos.
Portanto, a "boa" governação do Sócrates, com "grandes resultados na consolidação orçamental até 2008", não é melhor que a "péssima" governação do Passos e num ambiente de taxas de juro, contracção da economia e bancarrota f.....didos.

Quem serão as vítimas e os beneficiários do re-aparecimento do Sócrates?
No Judo aprende-se que qualquer movimento do adversário pode ser utilizado para nosso benefício.
Se ele nos puxa, fazemos-lhe uma rasteira interior à perna, um ochi gari. Quando nos empurra, aplicamos-lhe uma queda sacrifício, um yoko sutemi.
A questão está na inteligência e no saber de cada um.
No PS há a questão do candidato presidencial do PS (Costa, Guterres, novamente Alegre?) e a guerra terrível pela chefia do partido.
No PSD há o problema dos autarcas, do desemprego e da austeridade.
A minha previsão é que a reaparição do Sócrates vai ser mais benéfica ao Passos Coelho (recordarmos a política de mentira e o olhar de ódio) e para Portugal (o Sócrates querer rasgar o Memorando) que ao PS.
Mas apenas o futuro o dirá com toda a certeza.

Fig. 3 - Qualquer movimento do adversário é uma oportunidade para o levar à própria derrota.

Outra grande mentira: o Passos foi além da Troika.
O Sócrates e os outros esquerditas acreditam que a maioria do povo português não faz ideia do que está(va) escrito no memorando de entendimento que o governo do PS assinou com a Troika.
Nesse memorando diz logo no ponto 1:

"Objectives: Reduce the Government deficit to below ... EUR 7,645 million (4.5% of GDP) in 2012 ... by means of high-quality permanent measures ..."

Se o governo tivesse ido "além da troika", teriamos que fechar 2012 com um défice menor que os 7645 milhões€ acordados mas 2012 fechou com um défice de 10750 milhões€ (sem a privatização da ANA).
O Passos Coelho impões medidas de consolidação orçamental 3100 milhões€ abaixo do que o Sócrates  assinou com a Troika. Por mais mentiras que atirem pela boca foram o Passos Coelho está 3100 milhões€ aquém da troika e não além.
Além disso, muitas das medidas são provisórias quando o sócrates garantiu que as nedidas seriam definitivas.
disse o bicho que no tempo dele "pagava subsídio de férias e de Natal" mas esqueceu-se de dizer que o dinheiro acabou e que ele assinou um acordo que implicava cortar tudo o que o Passos cortou e muito mais.
A boa noticia é que a Troika entende que Portugal está-se a esforçar aceitando este desvio como estando "dentro da margem do possível".

Pedro Cosme Costa Vieira

5 comentários:

Daniel Tomé disse...

Logo no inicio do seu comentário, o Sócrates DISSE que perdeu as eleições...

Económico-Financeiro disse...

Estimado Daniel,
O Sócrates disse:

"Deixei a vida política em 2011 depois de ter perdido as eleições. Afastei-me da vida política porque achei que esse era o comportamento mais decente para um politico que acabou de perder as eleições."

Mas esta referencia é para datar o seu afastamento e reforçar a ideia de que não voltará à vida política activa e não para reconhecer que o povo é soberano para eleger as pessoas que os hão-de governar, mesmo que com políticas erradas.

pc.

Daniel Tomé disse...

Caro Professor,
Eu, por mim, discordo. Mas mais importante ainda, que diz o Professor sobre o comentário do Sócrates, relativo às PPP, que os encargos líquidos se reduziram no seu mandato, e dos números que ele citou para mostrar que deixou menos encargos para o País do que aqueles que recebeu?
Era DISSO que gostava que o Professor falasse, já que isso contraria um bocado a sua "narrativa" (palavras do Sócrates). Confesso que aguardava com entusiasmo uma "rebuttal" sua muito mais séria.
Respeitosamente, um dos seus fans,
Daniel

tiago mota disse...

nao nos podemos esquecer que o ***** +* **** deixou nos um defice de quse 10% e a menos que num só ano ele passa-se para 0 um elevado defice no presente obriga a aumentar a divida no futuro.
ninguem fala do defice externo que ja em 2005 2006 2007 antes da crise eram de 10% e o governo dele numca o reduziu e o defice externo é ou nao é mais importante pra o pais?
tivemos o pior 1ºministro da historia e ainda assim há muitos que gostam dele e isso a mim tira a vontade de lutar por este pais .

temos e tivemos o que merecemos

murphy V. disse...

Sobre os números das PPP, é obrigatório ler isto:
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/03/justica-portuguesa.html

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