quinta-feira, 11 de abril de 2013

A saida do Euro, o empobrecimento e a inflação.

O retorno do Escudo e o empobrecimento.
Eu não li (ainda, pois não o tenho) o livro do meu amigo João Ferreira do Amaral, mas uma das ideias que ele apresentou na televisão fui eu que lha transmiti numa conversa tida aqui no Porto numa conferencia do NIFIP. Não me estou a gabar como o Sócrates (de que foi o melhor aluno do Mundo) mas apenas a fazer um pouco de "história do pensamento": como certa ideia surgiu e o que traduz.
O que eu disse é que, a saída do Euro não implica empobrecimento relativamente a ficar no Euro.
Fiquemos ou não no Euro, o nosso rendimento vai diminuir. Mas a diferença é somente da dinâmica de ajustamento. Como dentro da ZE, o ajustamento se está a mostrar mais difícil (diria mesmo, impossível), a destruição de postos de trabalho e de riqueza serão menores se voltarmos a ter escudos.

Pensará o Amaral que
 os salários podem subir de forma a compensar o aumento da inflação?
Esta dúvida também foi colocada pelo Diogo e vou apresentar as implicações de o salários estarem indexados à taxa de inflação: a economia não ajusta e o nível de preços instabiliza-se o que faz a moeda deixar de ser usada como unidade de valor.
É o que se passa, por exemplo, em Cuba onde os salários acabaram por ser em espécie (bens básicos com um preço próximo dos 35€/mês) e em moeda estrangeira (7USD/mês = 5€/mês).
Como já disse, não posso responder a esta questão que sim nem que não porque não li o livro.

Fig. 1 - O João está um bocadito gordo mas é muito boa pessoa.

O que eu quis dizer.
Nos últimos anos, nós tivemos um nível de vida artificialmente elevado porque cada português estava a endividar-se ao exterior à média de 150€/mês. Cada um de nós pode julgar que não se endividou mas o acesso a ensino, saúde, segurança, etc. gratuitos e transportes, vias de comunicação, electricidade, etc. altamente subsidiados obrigou o Estado a endividar-se em nosso nome.
Nós somos responsáveis por essa divida porque votamos nos políticos que, implicitamente, disseram no programa eleitoral que se iriam endividar.
Como era o Estado que se endividava (para mantermos o nosso conforto), parecia que o nosso nível de vida resultava do esforço do nosso trabalho mas não. Também resultava do endividamento feito pelo estado no exterior e que um dia teria que ser pago com juros.
Esse dia, infelizmente, chegou em 2011. Tivemos que parar o endividamento e, nos anos que aí vêm, teremos que começar a amortizar a dívida ao exterior.
Então, estamos a começar a sentir uma diminuição do nosso nível de vida que, pensamos, é empobrecimento quando não é. De facto, temos menos rendimento disponível não por produzirmos menos (que também acontece) mas porque não temos o oxigénio do crédito externo.

Fig. 2 - O que eu quis dizer foi que muito boa, mesmo, é esta pessoa

Comparar o empobrecimento com Euro vs. com Escudo.
Ter Euros ou Escudos é, em termos estáticos de longo-prazo (sem atender à dinâmica de ajustamento), exactamente igual. É o modelo de Mundll-Fleming.
Se os mercados de trabalho (salários) e de bens e serviço (preços) fossem perfeitamente flexível, poderia haver apenas uma zona monetária no Mundo (a mesma moeda poderia ser usada por todos os países, por exemplo, o Ouro).
Salários perfeitamente flexíveis seria, por exemplo, ter uma economia em que todos nós fossemos trabalhadores por conta própria. Se o campo não desse batatas, ficávamos sem salário.
Num patamar mais sofisticado, também teríamos salários perfeitamente flexíveis se a nossa empresa distribuísse o lucro/prejuízo pelos trabalhadores da empresa (depois de pago um juro pelo capital).
Porque os salários não são flexíveis.
Porque há uma especialização das pessoas.
Por um lado, temos os trabalhadores por conta de outrem, uma massa de pessoas (mais de 90%) que quer ter rendimento fixo. Pretende uma actividade em que, mesmo ganhando menos em termos médios, não tenha risco de ver o seu rendimento diminuir de um mês para o outro.
Por outro lado,  temos os empresários, uma minoria de pessoas (menos de 10%) que não se importa de ter rendimento variável. Como são uma minoria, em média o rendimento dos empresários é superior ao rendimento dos trabalhadores, mas tem risco.
Fig. 3 - Para ficarmos na ZE, os nossos trabalhadores têm que ser assim flexíveis
Se tivesse dois empregos à escolha.
Imagine uma empresa cuja margem mensal (depois de pagar juros, e demais coisas mas antes dos salários que considero incluir a TSU) por trabalhador segue uma distribuição normal com média 1000€ e desvio padrão também de 1000€. Essa empresa vai-lhe propor que escolha um de dois contratos de trabalho.
Contracto 1 - Salário fixo de 750€/mês.
O lucro do empresário será uma variável aleatória com média 250€ e desvio padrão de 1000€. Quer isto dizer que existe uma probabilidade de 40% do empresário ter prejuízo.
Contracto 2 - Salário de 250€/mês + 1/2 da margem.
Em média, o salário vai ser o mesmo mas vai variar de mês para mês, podendo ser menor que zero (7% de probabilidade) . Provavelmente, vai-se esforçar mais porque vai receber metade da margem.
Mesmo pensando que se vai esforçar o mesmo, como o risco é partilhado com o trabalhador, o empresário fica com menor probabilidade de ter prejuízo (31%).
Ao empresário interessa ter menos risco pelo que ainda está disponível para lhe pagar um bónus de 5€/mês.
Qual era o contracto de trabalho que preferia? 
Se optou pelo Contracto 1, não tem nada de errado fazendo mesmo parte da grande maioria. Eu, na minha vida, optei pelo Contracto 1.
Estamos vocacionado para ser trabalhadores por conta de outrem.
Se optou pelo Contracto 2, tem espírito de empresário.
O ajustamento dentro do Euro.
(os números são apenas ilustrativos)
Como os trabalhadores não querem que o seu salário diminua e o ajustamento da economia obriga a haver variações (para cima e para baixo) dos salários então, o mercado ajusta pelas quantidades: no períodos de expansão os salários aumentam e, nos períodos de crise, os salários mantêm-se mas há despedimentos.
Normalmente, o máximo que os trabalhadores estão disponíveis para suportar é o congelamento nominal do salário que implica, dentro do Euro, a uma quebra de 2%/ano no salário real. 
O nosso problema é que o nossa economia está tão desequilibrada que não é suficiente uma redução dos salários em 2%/ano. No caso (que não é o nosso, ver Fig.  , mas o grego) de a produtividade por trabalhador cair mais de 2%/ano, o equilíbrio com salários nominais constantes apenas acontece para taxas de desemprego muito acima dos 50%.
Até onde pode ir a taxa de desemprego?
O limite é 100%.
Eu já o disse e ainda ninguém acreditou que podemos atingir taxa de desemprego acima de 50%. Na transição da Ucrânia para a Economia de Mercado, a taxa de desemprego ultrapassou em muito os 50% (os empregos remunerados chegaram a ser menos de 25% da população activa) .
Ninguém acreditava que fosse possível um país da ZE ter uma taxa de desemprego superior a 20% mas a Espanha e a Grécia já estão acima dos 26%.
Mais dia menos dia, os salários nominais vão ter que diminuir.
Por muito que custe ao Passos Coelho, mais dia, menos dia, vai ter que haver uma alteração legislativa que permita a diminuição dos salários nominais.
O mais certo é que isso saia na próxima semana, durante a avaliação de emergência da Troika.
Vamos imaginar duas pessoas que ganham actualmente 1000€/mês, uma deve 50000€ e outra tem 50000€ de depósitos bancários (correspondente a 50 meses de salário).
No futuro, o salário diminuindo para 750€/mês, os mesmos 50000€ passarão a corresponder a 66.7 meses de trabalho.
Como os preços vão cair 15%
A perda do poder e compra é de apenas 10% mas a dívida aumenta, em termos de meses de trabalho, em 33%.  Em termos de rendimento, ambas as pessoas ficam mais pobre em 10%.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais meses de ordenado mas a que tem poupanças fica mais rica porque tem acumulados mais meses de ordenado (66.7 meses) e o poder de compra do seu dinheiro aumenta.
O ajustamento com escudos.
A moeda vai desvalorizar 25% e, mantendo-se o salários em termos nominais, os preços dos bens importado vão aumentar 33% pelo que os preço vão aumentar 13% por causa da incorporação das importações (vou supor 40%).
A pessoa ficando com o mesmo ordenado (200 contos), passa a ter menos 10% de poder de compra (porque o preços aumentaram). Então, em termos de rendimento, não há um empobrecimento relativamente ao ajustamento dentro o Euro.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais dinheiro (devia 50000€ = 10000contos e passa a dever 50000€= 13333 contos) o que corresponde a 66.7 meses de ordenado  (uma desvalorização de 25% implica uma valorização da contraparte em 33%).
É exactamente igual.
O empobrecimento (a redução do salário e o aumento da dívida em meses de salário) é exactamente o mesmo estejamos dentro do euro ou fora.
Foi isto que eu disse ao meu amigo João Ferreira do Amaral.
A saída da Zona euro não causa empobrecimento porque isso vai acontecer mesmo que fiquemos no euro.
É exactamente igual.
Onde está a diferença?
Na dinâmica do ajustamento.
Dentro do Euro, os salários e os preços têm que diminuir em termos nominais o que, nos países do Sul da Europa, se está a mostrar muito difícil. No Escudo, ocorre uma desvalorização (como aconteceu na Islândia) e logo a coisa se compõe.
E se os salários ajustarem ao aumento dos preços?
O Diogo também colocou esta questão.
Imagine que Portugal saía do Euro e ficava com moeda própria.
1. Os sindicatos sabem que uma desvalorização da moeda nacional, embora mantenha os salários nominais, faz reduzir os salários reais (o poder de compra baixa). Não poderão eles (se é que já não o fizeram) indexar os salários à inflação nos contratos de trabalho?
E se isso é possível, não perderia a desvalorização a sua eficácia?


Vamos ver que a economia não ajusta.
Naturalmente que perde toda a eficácia termos Escudo. Afirmo mesmo que não teremos Escudo.

Desvalorização -> 25%
Inflação -> +13% (efeito directo dos bens importados na produção e no cabaz de bens)
H1: Salário ficam fixos -> os custos de produção mantêm-se pelo que os preços dos bens produzidos em Portugal mantêm-e em termo nominais e diminuem em termos de exterior
-> há uma redução do salário real e os preço face ao exterior diminuem 12%
A economia ajusta

H2: Salário aumentam 13% -> os custos de produção aumentam 11% (os salários pesam 80% nos custos de produção)
-> a inflação aumenta para 20%
-> os preços face ao exterior já só têm uma redução de 5%

-> Salário aumentam mais 7% -> os custos de produção aumentam 5,6%
-> A inflação aumenta para 23%
-> Os preços face ao exterior já só têm uma redução de 2%

-> Salário aumentam mais 3% -> os custos de produção aumentam 2%
-> A inflação aumenta para 25%
-> O salário real fica na mesma e os preço face ao exterior ficam na mesma

Agora há ajustamento, havendo necessidade de nova desvalorização.
A economia não ajusta.

A desvalorização será tremenda e a moeda (o escudo) deixa de ser aceite pelos agentes económicos que passa a transaccionar em dólares ou euros.
Ficamos novamente sem moeda! (a boa moeda expulsa a má moeda).

Os salários não vão acompanhar a inflação.
Se fosse o Galanda a governar ou outro maluco qualquer, ficaríamos como o Zimbabwe que, em Nov 2008, teve uma taxas de inflação de 79600000%/mês, "apenas" 55% por dia. Um dia ganhávamos 100$ para logo no dia seguinte já termos sido aumentados para 155$ e, passada uma semana, já ganharmos tanto num dia (2150$) como, antes uma semana, num mês inteiro.
Em 10 anos de "políticas de crescimento" à PS, baseado em expansão monetária para financiar uma despesa pública crescente, o Zimbabué perdeu 56.7% do seu PIB (ver, quadro 1).
 Isto é que verdadeiramente resolver crises à socialista, aguenta, aguenta.
200020012002200320042005200620072008200920102011
Crescimento-6,1%-6,5%-12,1%-13,6%-8,2%-7,7%-4,4%-5,5%-14,1%-1,3%9,0%9,3%
Acumulado-6,1%-12,2%-22,8%-33,3%-38,8%-43,5%-46,0%-49,0%-56,2%-56,7%-52,8%-48,4%
Quadro 1 - Evolução do rescimento do PIB no Zimbabué (dados: indexmundi)


Aí, a nossa moeda de facto seria outra qualquer (apesar de legalmente termos escudos, na rua só veríamos euros).
No final, o ajustamento ter mais ou menos inflação, vai ficar na psicologia das pessoas e na demagogia dos governantes mas acontece sempre mais rapidamente que em câmbios fixos.
Se houvesse inflação de 20%/ano e o governo congelasse as pensões e os salários dos funcionários públicos, seria constitucional. Como a nossa mais alta magistratura pensa que isso é substancialmente diferente de cortar o subsídio de férias então, a falta de conhecimento dos nossos órgãos de soberania não permite continuarmos na Zona Euro.

Não se ganha competitividade, apenas se equilibra a economia.
A desvalorização é uma descida do preços do bens que vendemos ao exterior (e um aumento do preço dos bens importados) não sendo um ganhar de competitividade mas apenas um ajustamento da nossa economia à competitividade que temos.
Como tudo na vida, há uma taxa de cambio que equilibra a economia.
A taxa de desvalorização da moeda será igual à taxa de inflação menos os ganhos de produtividade relativamente aos nossos parceiros comerciais.
Se tivermos uma desvalorizações de 0.1%/dia, que não parece nada do outro mundo, no fim do ano acumulamos quase 50% de desvalorização.
Ganhar competitividade é aumentar os salários reais (a moeda chinesa está a valorizar-se 3%/ano face ao USD, ver Fig. 4, com uma inflação superior à americana em cerca de 2%/ano, o que traduz ganhos de 5%/ano na competitividade).

Fig. 4 - Nos últimos 3 anos a moeda chinesa valorizou quase 10% face ao USA com inflação mais elevada, o que traduz verdadeiros ganhos de competitividade (tradingeconomics)

Pergunta ainda o Diogo
Já que os custos do factor trabalho estão altos, as empresas podem estar a investir em tecnologias mais capital intensivas. Se for o caso, a produtividade por trabalhador está a aumentar. Ou seja, pode não seguir logicamente que mais desemprego implique quebras na produção.

Normalmente, este efeito acontece (apesar de ligeiro), mas da produção total (que se chama produtividade total do factores por trabalhador) há que pagar os outros factores (o capital e a tecnologia). Apesar da produtividade aumentar, a parte destinada ao trabalho diminui porque apenas os trabalhadores mais produtivos continuam empregados.
Mais uma vez, há um valor em equilíbrio de pleno emprego em que o total destinado a salários é máximo.
No caso português a PTF por trabalhador está estável (mas com tendencia negativa) o que traduz que não estamos a ficar mais produtivos mas também que não se assiste a uma destruição qualitativa da estrutura produtiva (destroe-se proporcionalmente à perda de empregos).
fig. 5 - Produtividade total dos factores por trabalhador (Dados: Eurostat, cálculos e grafismo do autor)
Finalmente, a Ferreira Leite.
O Diogo termina com a justificação para a Ferreira Leite (e outros recauchutado da direita), que na campanha contra o Sócrates anunciava cortes a torto e a direito e chegou mesmo a afirmar que a hemodiálise tinha que ser repensada, ter vindo agora dar um derrote no Passos Coelho e no Gasparzinho gritando aina mais alto que o Sócrates, o desmiolado que a austeridade tem que acabar.
Aguenta o CES Manuela.

2. Em Portugal, por estarmos em câmbios fixos, as políticas fiscais são eficazes para aumentar o produto. Logo, não admira que os governos as tenham vindo a adoptar (nem que seja para ganhar eleições). Ora, essas políticas expansionistas resultaram em défices orçamentais (ainda que as politicas tomadas não tenham feito o produto crescer).
Na mesma lógica, em câmbios flexíveis, os governos usariam políticas monetárias expansionistas...

Mas em câmbios flexíveis (com o escudo) os políticos seriam diferentes.
Porque essa política seria no mesmo dia vista como errada Tal como não se pode esconder o Sol quando nasce, o Banco de Portugal teria que deixar desvalorizar o escudo (por falta de reservas cambiais) o que encareceria imediatamente a gasolina, e por aí fora.
As (potenciais) tendências inflacionistas não me preocupam porque o aumento da inflação e a desvalorização, contrariamente a serem um problema, são o que obriga os governos demagógicos a abandonar as políticas monetárias expansionistas.
Mostro apenas o exemplo do Zimbabué que em 2007 um maluco (o Mugabe) pensou que emitir moeda faria todos serem ricos e esse mesmo maluco, em 2009, chegou à conclusão que isso era uma loucura total. Actualmente, esse mesmo maluco decresta que a inflação te que andar nos 2,5%/ano.
Até o pior dos governantes, até aqueles que aprenderam economia no, no, no, ... na Independente e se dizem ter sido o melhor aluno de não sei quê aprenderão rapidamente que a politica monetária expansionista faz perder eleições.
  

Fig. 6 - O mesmo maluco que levou a inflação a milhões%, trouxe-a cá para baixo.
Fig. 7 - Mesmo maluco, aprendeu. Actualmente, a inflação no Zimbabué está igual à inglesa!

Apenas há 7 países no mundo com inflação elevada.
O tradingeconomics diz que apenas há 7 países no Mundo com taxa de inflação superior a 20%/ano.
São eles a Síria (50%/ano), Sudão (48%/ano), Irão (39%/ano), Malawi (38%/ano), Sudão do Sul (24%/ano), Venezuela (24%/ano) e Bielorússia (23%/ano).
É para este clube que os esquerdistas no querem empurrar. As pessoas dos dois países mais ricos deste grupo (Irão e Venezuela) têm um nível de vida (traduzido pelo GDPpc ppp) que é metade do nosso.
E há quem diga por aí que a crise está que não se pode aguentar! Experimente cortar o seu rendimento a metade, e ficamos conversados sobre o "outro caminho" que os esquerdista dizem ter para o nosso querido país.

No lo podemos olvidar.
Não nos podemos esquecer que o Santana Lopes deu cabo do Durão Barroso e que os seu governo governo (de curta duração) com o Bagão Felix como Ministro das Finanças, foi dos mais despesistas que Portugal teve.
E agora, os recauchutados do PSD com o Rui rio à cabeça estão a preparar o assalto ao poder para implementar a tal "política de crescimento".
Ainda vamos ter no PSD e PP quem venha defender um governo com o Santana Lopes, o Sócrates e o Alberto João.
Temos que gritar bem alto,
no pasarán

Pedro Cosme da Costa Vieira

4 comentários:

Diogo disse...

Muito agradecido pelo esclarecimento e pela atenção que dá aos seus leitores!

André Sousa disse...

Professor,
Inclui o Rui Rio na mesma "onda de pensamento" da MFL, Santanas e afins?
A politica economica que ele seguiu na Camara do Porto nao foi o oposto disso mesmo?
Parabéns pelo fantástico blog!
Aguardo pela sua resposta.

Pedro Renner disse...

Caro professor Pedro Cosme,


Para corroborar a sua explanação, o Brasil dos anos 80 introduziu o "Gatilho Salarial", modalidade de reajuste dos salários para compensar o aumento da inflação. Assim, tenho aqui na minha "Carteira de Trabalho" apontado um salário, em 01.01.1985, de 290.784,00 cruzeiros; em 01.01.1986, estava rico: 2.028.800,00 cruzeiros. A merda é que conseguia comprar cada vez menos, sem falar da aflição de se ver livre daquele papel que, passados alguns dias, não valia para nada.

Mas em 01.03.1986, já só auferia 2.508,00 cruzados, pois cortaram três zeros e substituíram o nome do produto. Todavia, em 01.04.1987, já lá íamos em 9.209,42 cruzados - para chegarmos em 01.10.88 com 124.134,33 cruzados por mês - e quem quiser que faça as contas.

O senhor tem certeza que esse senhor Ferreira do Amaral (onde é que já ouvi esse nome?) está a fazer uma boa proposta? Se calhar tinha razão em Portugal não ter entrado na moeda única, mas agora… bem, podemos sempre ter o escudo, depois os contos de réis, depois… olha, logo se vê!

É que quer me parecer que, na actual circunstância, sair do euro ou ficar não vai fazer a menor diferença. Aliás, não, faz uma: quebra de compromisso. Mesmo porque a desvalorização cambial, além de resolver pouco - visto os sindicatos forçarem reposições salariais e não se sai disso, apesar dos gáudios à Arménio Carlos de conseguirem reajustes de 5% para inflações de 20% -, é uma frustração que se impinge em quem faz negócios com a gente. Não é à toa as empresas do PSI 20 terem sede na Holanda. Pudera! Anda tudo doido por aqui?

Na altura que referi acima, a cantora Beth Carvalho andava em nossa mente com esta música (houve aqui outra comentarista que lhe sugeriu que substituísse rabos por música, vou tentar lhe ajudar um pouco): "No tempo dos dez réis e do vintém / se vivia muito bem / sem haver reclamação. Eu ia no armazém do seu Manuel e com um tostão / trazia / um quilo de feijão. Depois que inventaram o tal cruzeiro / eu trago um embrulhinho na mão / e deixo um saco de dinheiro". (pode ser vista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=v4slzxZrBYk )

Mas fico mais preocupado quando vejo pessoas a defender esta solução que também foi preconizada do outro lado do Atlântico na altura: http://www.youtube.com/watch?v=cW-ymLmR-Xc

Para que não pense que ando saudosista, segue uma exposição que colaborava mais naquilo da natalidade que aquele seu post: http://www.youtube.com/watch?v=46RbkaVBtvg

Isso serve para mandar uma força lá para o Gasparzinho nos safar: http://www.youtube.com/watch?v=S4gW25aISiA

E para que ao caro professor não falte imaginação para as ilustrações sem deixar de dar música para os seus já não mais leitores mas ouvintes: http://www.youtube.com/watch?v=24PhTSsjwjw

Bom trabalho.

Mundo Real disse...

Caro Pedro
Muito interessante, e uma questão.

O ajustamento que está a decorrer, mesmo lento, não deveria já mostrar deflação ? Ou será que o custo da energia, basicamente de empresas em regime de monopólio, está a atrasar o ajustamento ? Porquê a electricidade não baixa de preço já que tem uma fracção importante de incorporação nacional ?
Cumprimentos

JAA

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