sexta-feira, 26 de abril de 2013

A trajédia do Bangladesh não está debaixo dos escombros

Esta semana, porque no Bangladesh caiu um edifício que albergava milhares de trabalhadores do vestuário que são exportados para cá, logo os esquerdistas vieram a terreiro dizer que a causa era o capitalismos e a exploração dos trabalhadores pelo grande capital internacional.
Com uma falsa moralidade, vieram pedir a proibição da importação dos bens produzidos por essas pessoas miseráveis porque não estão garantidas as condições mínimas da sua  dignidade humana.
Tudo isto é errado porque a tragédia destes países pobres não é nós comprarmos bens baratos feitos por trabalhadores com salários miseráveis e a trabalharem em instalações degradadas. A tragédia desses países pobres é apenas serem pobres.

Fig 1 - O maior negócio no Bangladesh é vender fast food para esta gente toda e tirar fotos a la minute
Porque serão esses países pobres?
Porque foram apanhados pela armadilha de pobreza de Malthus.
A economia desses países esteve centenas de anos baseada na agricultura tradicional onde o progresso tecnológico é muito lento. Então, a população foi crescendo até ao limite da capacidade de produção dos seus campos. Nessas economias o único limite ao crescimento da população era a fome recorrente que matava milhões de pessoas.
Nós, os mais velhos, ainda nos lembramos dessas grandes fomes que atingiam o continente africano e asiático tendo sido as últimas nos anos 1970.
O Bangladesh, com uma área de 1.6 vezes a área de Portugal e um PIB em termos de paridade de poder de compra pouco maior, tem 160 milhões de habitantes para sustentar.
Para imaginarmos como é a miséria do Bangladesh, na área onde nós vivemos e com 70% do nosso salário médio (630€/mês), vivem 10 pessoas.
O salário de uma fábrica de confecção bangladesheana corresponde a viver em Portugal com um salário de 40€/mês.

Como está a pobreza no Mundo?
Por esse mundo fora, o limite minimo de sobrevivencia andará num rendimento de 0.5 dólar americano por dia (200USD por ano). De forma triste, mais de metade da actual população mundial vive em 10 países que há 30 anos tinham um rendimento (PIBpc em ppc) próximo deste valor pelo que grande parte das pessoas destes países morria de fome. 

País
PIBpc 1990
PIBpc 2011
PopulaçãoCrescimento
China1101741819,3%9,5%/ano
India1210322317,8%4,8%/ano
Indonesia200840943,5%3,4%/ano
Pakistan162024242,5%1,9%/ano
Nigeria141722372,3%2,2%/ano
Bangladesh74715692,2%3,6%/ano
Philippines255236381,4%1,7%/ano
Vietnam90530131,3%5,9%/ano
Ethiopia5459791,2%2,8%/ano
Egypt323755471,2%2,6%/ano
Total1290467452,6%6,0%/ano
Quadro 1 - Os 10 maiores países pobres do mundo (dados: Banco Mundial)

Será que se quebrou o circulo da pobreza?
Definitivamente sim na maior parte dos países.
Enquanto que a armadilha da pobreza fazia com que o PIB crescesse apenas à taxa de crescimento da população, nos últimos 21 anos o rendimentos per capita destes pobres veio multiplicado 3.6 vezes.
Se uma trabalhadora textil bangladesheana ganha hoje um salário equivalente a uns míseros 40€/mês nossos, há apenas 21 anos os seus país ganhavam metade, 20€/mês (a preço constantes).
O Bangladesh, apesar de ainda ser um país de grande miséria, as pessoas hoje têm um nível de vida que é o dobro do que tinham em 1990 e o que me dá mais esperança na capacidade do capitalismo trazer o progresso à humanidade é que 2/3 do aumento se ter verificado nos últimos 10 anos.
Até o nosso querido Moçambique duplicou o seu PIBpc.
Interessante que os países que apostaram no combate do desemprego pela flexibilização do mercado de trabalho (com muito baixos salários segundo os padrões ocidentais) entraram no caminho do crescimento enquanto os que martelaram nos princípios de falsa moralidade do "salário justo" estão hoje em pior situação do que estavam em 1990 (países africanos ainda ligados à ditadura socialista herdada da guerra fria). 

Porque comparo com 1990?
Porque foi nessa altura que a ideologia socialista  rebentou de vez na URSS e a generalidade dos países do Terceiro Mundo virou-se para o Capitalismo.
Até 1990 o Zaire teve um nível de vida semelhante ao Bangladesh. Depois de 20 anos de promessas de "outro caminho que não o dos salários baixos", hoje o rendimento de um bangladeshiano é mais de 4 vezes o rendimento de um zairense.

Fig. 2 - No Zaire, como os esquerdistas de Portugal, prometem que vão seguir o caminho do crescimento com salários dignos. Mas não basta prometer. (dados: Banco Mundial)

Porque é uma falsa moralidade.
Porque não propõem alternativa para essas pessoas que não seja morrerem de fome.
Uma coisa era dizerem "eu ganho mil e esses ganham 50 então, eu dou-lhes 900" outra coisa é dizer que não podem trabalhar nessas condições condenando-as a uma miséria muito maior que a que levam.
Em cada país, os salários devem ser os que as empresas puderem pagar para ficar garantido o pleno emprego e não aquilo que os políticos acham ser moral pois a moral não põe pão na mesa.

Vou terminar com o discurso do Cavaco.
No passado dia 6 de Abril, depois do chumbo do tribunal constitucional dos cortes dos subsídios de férias, o Passos coelho e o Gasparzinho foram falar com o Cavaco Silva. Fonte bem colocada disse-me que foram dizer que não tinham condições para continuar. Que estavam a apanhar pancada de todas as partes e que estavam cansados.
Disseram que o Cavaco sabia bem que não havia alternativa a cumprir o que a Troika mandasse pelo que não podia continuar a incendiar o país.
Foi a segunda vez que o Passos foi entregar o poder ao Cavaco.

O Cavaco pensou e viu-se sem alternativas.
Formar um governo com quem? Com a Ferreira Leite?
Então, pediu ao Passos e ao Gasparzinho para aguentarem um pouco obrigando-se a dar um sinal de apoio. E esse sinal foi o discurso do passado 25-abril.
Dizer que é errado aproveitar o descontentamento para vender ilusões de que a austeridade pode acabar, é a maior marretada que alguém pode dar nos opositores ao Passos Coelho, venha essa oposição de dentro do PSD e do CDS ou da oposição.


Fig.3 - Nem que a Ferreira Leite fosse assim boa, eu confiava a vida do meu país nas suas mãos.

Não estamos em tempo de consensos.
Foi o que disse o Churchill relativamente à politica do Hitler.
Agora, com o discurso destrutivo do PS e o tempo a fugir, não mais é tempo de consensos mas chegou o tempo de acção. Só espero que o Passos tenha a mesma firmeza que parecia ter quando apresentou o OE2012.


Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

Blue Rider disse...

Bem explicado.
Parece que o CDS está a fraquejar na coligação. É capaz de estar em marcha a sua hipótese da coligação PS/CDS fracassar logo à partida, e Passos regressar com a mioria absoluta...
O País é que fica a perder com os impasses e os gastos extraordinários com as eleições...

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