segunda-feira, 29 de abril de 2013

Estaremos no fim do capitalismo?

Sempre que há uma crise económica logo aparecem filósofos a anunciar o fim do capitalismo. Felizmente que essas previsões, porque partem de um desconhecimento total sobre o que é o capitalismo, falham e falharão sempre.

O capitalismo é liberdade.
O capitalismo é um termo perjorativo para referir a Economia de Mercado.
Numa economia de mercado cada individuo tem a liberdade de ter a profissão que achar mais adequado às suas capacidades e gastar o seu rendimento do trabalho no que achar melhor para a sua felicidade. Naturalmente que as pessoas estão limitadas pelo meio ambiente em que vivem e pelas decisões das outras pessoas, a restrição orçamental, mas não deixam de ter liberdade de negociar com os agentes económicos que os envolvem a melhor forma de afectar os seus recursos.

Fig. 1 - Na tradição judaico-cristã, a maçã (proibida) simboliza a liberdade da humanidade

Na escravatura não havia liberdade.
O "senhor" comprava o escravo que não tinha liberdade para decidir onde ia trabalhar. Também não tinha liberdade para decidir o que consumia com o fruto do seu trabalho.
Em certa medida, parte da sociedade esclavagista é uma economia de mercado porque há um mercado para os escravos (que podem ser comprados e vendidos por um preço) e entre os "senhores" existe liberdade contractual. No entanto, cada bocadinho em que não exista liberdade contractual causará sempre um bocadinho de perda no bem-estar das pessoas.

Não é preciso dizer que no comunismo não há liberdade.
O Estado é que decide tudo o que se passa na sociedade. Decide onde as pessoas trabalham e o que consomem.

O que é o mercado?
É uma abstracção que reúne as interacções e transacções entre todos os pares de pessoas e evolui para a existência de um preço de mercado. No mercado os agentes económicos "guerreiam" entre si para impor o seu interesse individual, revelando no processo de negociação informação privada sobre os processos produtivos (os vendedores) e sobre as suas preferências e gostos (os compradores). Mesmo quando não se realiza uma transacção, o simples facto do agente económico entrar no mercado e sair sem realizar a transacção já revela informação sobre o que vai na sua cabeça.

Todos nós queremos ser livres.
Para um país acabar com a economia de mercado tem que se transformar numa ditadura feroz. À mais pequena réstia de liberdade, as pessoas vão realizar entre si transacções.
Como todos ambicionarmos a ser livres, o futuro do Mundo terá ainda mais liberdade, em que em todo mundo o mercado será usado para as pessoas poderem dispor livremente da sua vida. Então, a crise que assistimos não é do Capitalismo (a Economia de Mercado) estar no principio do fim mas antes de estar no fim do princípio.
Sabendo que a Economia de Mercado começou a sua difusão com a revolução industrial (no Sec. 18) e sabendo que apenas nas últimas 2 décadas mais de 50% da população mundial converteu-se-lhe (a China, Índia, União Soviética, etc. ), temos que concluir que a economia de mercado está a crescer rapidamente e não a diminuir.

Uma ideia tão simples e tão poderosa.
A liberdade parece incólume mas tem na sociedade um impacto maior que a Bomba Atómica (mas de sentido contrário, construtivo) porque permite que as pessoas se especializem naquilo em que têm maior capacidade de criar valor.

O impacto que teve na China.
Nos primeiros 30 anos da "revolução chinesa", martelaram que o colectivismo e a decisão centralizada seria a chave para o progresso.
Aparentemente tem lógica. Se todas as camisas fossem da mesma cor e feitas do mesmo modelo, parece que seriam feitas de forma mais eficiente. Mas não porque o valor dos bens depende das necessidades das pessoas (dos seus gostos e preferências) e, à partida, uma decisão centralizada não consegue ver quais são as necessidades de cada pessoa.
Nos anos 1960 o PIB francês era 7 vezes o PIB chinês. Nos princípios dos anos 1970, a China decidiu que o comunismo não dava resultado e começou a liberalizar a sua economia. Mais liberdade quer dizer mais Economia de Mercado. Actualmente, o PIB francês está reduzido a 0.35 vezes o PIB chinês e a cair cada vez mais (ver, Fig. 2).
Em 50 anos a economia chinesa multiplicou-se por 60 enquanto que a francesa apenas se multiplicou por 3. E a França é "apenas" o país do Mundo onde o Estado tem mais poder de decisão (medido pelo peso da despesa pública no PIB). Talvez Cuba e a Coreia do Norte tenham mais mas não tenho dados.

Fig. 2 - Evolução da proporção entre a economia francês e a chinesa, 1990-2012, mede o poder do capitalismo (dados: Banco Mundial)

Vou construir uma economia simples.
Para compreendermos o poder da liberdade na criação de riqueza vou raciocinar sobre uma economia simples (baseado no exemplo de Lucas das macieiras) com informação privada que apenas pode ser revelada pelas pessoas.

Existem 3 tipos de macieiras.
Há 1/3 de macieiras altas, 1/3 de macieiras baixas e 1/3 de macieiras de má raça.

Existem 3 tipos de trabalhadores.
Há 1/3 de trabalhadores altos, 1/3 de trabalhadores baixos e 1/3 de trabalhadores doentes.

Como são as produtividades?
Um trabalhador alto numa macieira alta ou um trabalhador baixo numa macieira baixa produzem 100 maças por dia.
Todas as outras combinação fazem com que o trabalhador apenas produza 10 maçãs.

Se o trabalhador não se esforçar, produz menos.
Estas produtividades são atingidas se o trabalhador se esforçar a 100%. Se se esforçar menos, produzirá proporcionalmente menos.

À partida, ninguém sabe o tipo das macieiras nem dos trabalhador.
Olhando para um trabalhador ou para uma macieira, não se consegue ver qual é o seu tipo.
A única coisa que se observa é a produtividade que pode ser dependente do trabalhador (ser doente), da árvore (ser de má raça) ou de um ajustamento fraco.

À partida, ninguém sabe quanto o trabalhador se esforça.
Se o trabalhador produzir 10 maças, não será possível saber se isso se deve ou não ao pouco esforço do trabalhador (pois pode resultar de um mau ajustamento, de ser doente ou de a maceira ser de má raça).

O PIB máximo
Será obtido com os altos a trabalhar nas macieiras altas; os baixos nas macieiras baixas e os doentes nas macieiras de má raça. Além disso, todas as pessoas têm que se aplicar a 100%.
Neste caso, O PIB atingiria o seu máximo teórico de, em média, 70 maçãs por pessoas:
   100 x 1/3 + 100 x 1/3 + 10 x 1/3 = 70

Como será o meu mundo com comunismo.
Quem produzisse mais irá pagar um IRS para sustentar os subsídios dos doentes de forma a que todos tenham o mesmo rendimento.
Como estou numa economia comunista, o Estado vai decidir de forma centralizada que trabalhador vai para qual macieira.

Primeiro problema: a afectação.
O melhor que o Estado consegue fazer afectar aleatoriamente pessoas às árvores. Neste caso, calculando todas as combinações possíveis haverá algumas pessoas que ficam com a árvore certa (22.2%), mas a maior parte ficará trocada (77.8%). Então, a economia vai começar com um PIB de apenas 30 maçãs por trabalhador.
Para ficarem todos iguais, as pessoas que produzem mais (as que, por sorte, calharam numa macieira adequada) sofrerão um IRS de 70% (das 100 maças que produzem, terão que largar 70 maçãs) e as outras pessoas vão receber um subsídio de 20 maçãs (cada um fica com 30 maçãs).

Segundo problema: o povo não se esforça.
Quem tiver, por sorte, numa árvore adequada, se se esforçar apenas 10%, ninguém notará que está a mandrionar porque vai produzir tanto como os que tiveram uma má árvore ou são doentes.
Apesar de um ou dois dos que tiveram sorte se poderem esforçarem a 100%, como no final todos ficam na mesma, a grande maioria vai-se esforçar apenas o suficiente para não ser descoberto. Se houver 10000 pessoas, a diferença entre esforçar-se 100% (produzindo 100) e esforçar-se apenas 10% (produzindo como os outros) é de ficar com menos 0.01 maçãs.
Então, o equilíbrio vai ser parecer que todos tiveram azar ou são doentes. Todos vão produz apenas 10 maçãs.
77.8% das pessoas vão produzir 10 maçãs porque não conseguem produzir mais e 22.2% das pessoas produzem pouco porque não se esforçam.

Fig. 3 - Nos ENVC parecer produtivo é andar em magote de um lado para o outro em passo largo e com as golas viradas para cima

Como é o meu mundo com liberdade (economia de mercado).
Começo por supor que o IRS é na mesma de 70% de forma a termos uma sociedade igualitária.

O povo não se vai esforçar na mesma.
Quem tiver, por sorte, numa árvore adequada, vai-se esforçar apenas 10%, sendo a situação aparentemente igual ao caso do comunismo centralizado.
Ninguém sabe se a afectação é boa ou má pelo que, aparentemente, não é possível as pessoas melhorarem a sua vida.

Mas não é bem assim.
Pro cada ttrabalhador sabe se se esforça. Então, quem se esforça mas produz apenas 10 maçãs vai tentar melhorar a sua situação propondo a outra pessoa para trocarem de árvore. Se a outra pessoa tiver uma má árvore, também vai querer a troca. Este processo vai evoluindo período a período até que todos terão uma árvore adequada.
Os altos ficarão com árvores altas, os baixos com árvores baixas e os doentes com árvores de má raça.
Uma pessoas que produz pouco porque se esforça pouco, não vai querer a troca. Então, quem se recusar a trocar está a revelar ao mercado que tem uma árvore adequada à sua capacidade mas que não se esforça.

O resultado final
O PIB fica na mesma nas 10 maçãs por pessoa mas a liberdade de fazer transacções de mercado faz com que apenas 33% das pessoas precisem de se esforçar a 100%. Todas as outras pessoas vão se esforçar apenas 10%.
Então, a liberdade de trocarem no mercado de àrvore permite que 44.4% das pessoas melhore de vida (têm o mesmo rendimento com menor esforço).



Fig. 4 - O resultado final parece o mesmo mas a da direita está mais feliz

E se o IRS for de apenas 15%? 
Existe um nível de IRS abaixo do qual as pessoas esforçam-se revelando a sua capacidade. Vamos supor que 15% está abaixo desse limiar.
Promovendo as trocas de mercado que a afectação melhore, acresce agora que quem não for doentes e se esforçar, terá um rendimento de 85 maçãs (em vez das 10 maçãs). 
A economia de mercado juntamente com desigualdade no rendimento faz com que a economia caminhe para o seu ponto óptimo (um PIB de 70 maçãs por pessoa). Então, o IRS de 15% sobre 2/3 da população que produz 100 maçãs (e fica com 85 maçãs) permite dar um subsídio de 30 maçãs aos doentes (que ficam com 40 maçãs).
 
Apenas se pode melhorar a vida dos pobres se houver PIB para distribuir.
Para as pessoas se esforçarem, não podem todos ter o mesmo rendimento. Então, a sociedade igualitária condena as pessoas à pobreza.
Apesar de na economia de mercado não ser igualitária, os menos produtivos (os doentes nas àrvores de má qualidade) têm maior rendimento que teriam numa sociedade igualitária.
Pode parecer injusto que quem nasce, por pura sorte, mais inteligente que a média ou com mais jeito para jogar futebol, tenha um rendimento superior a quem, por puro azar, não tem essa capacidade. Mas temos que viver com essa injustiça para que quem tem capacidade se esforce.
 
Então, que crise é esta que estamos a viver?
O comunismo acabou e foi substituído pela Economia de Mercado. As sociedades libertadas das tiranias, Rússia, China e, por arrasto, Índia, Bangladesh e Indonésia, tornaram-se economias de mercado começando a crescer rapidamente.
Agora, o desenvolvimento económico dos países pobres obriga a fazer alterações nos países desenvolvidos.
É preciso re-estruturar as economias para não sermos engolidos pelo isolacionismo implícito no discurso de que é impossível competir com os baixos salários asiáticos.
 
O capitalismo, antes de diminuir, tem que aumentar na Europa.
Mas isso passa por aumentar a liberdade das pessoas decidirem as suas vidas, desde os seguros de desemprego às poupanças para a velhice ou doença.
Tal como os países asiáticos desmantelaram completamente o "estado social", o nosso caminha vai também passar por aí.
É preciso mais liberdade, mais liberdade, mais liberdade, mais liberdade.


Fig. 5 - Bye Bye Estado Social

By By modelo social democrata europeu
Temos que seguir o modelo do Norte da Europa (e do Deng Xiaoping) de, em pequenos mas firmes passos, destruir as estruturas socialistas que tolhem o desenvolvimento da nossa Europa.

Pedro Cosme Costa Vieira

9 comentários:

Blue Rider disse...

Caro Pedro, está um autêntico Friedman!

Vivendi disse...

A Europa deixou-se capturar pelo pior do socialismo, onde os tentáculos socialistas mais horripilantes como, o despesismo, a burocracia, a corrupção, os banksters foram utilizados para manipular de forma agressiva e profunda toda a estrutura sócio-económica e política dos países europeus.

Mas os socialistas incapazes de assumirem as suas falhas arranjaram um bode expiatório, simples mas muito eficaz, para se libertarem da responsabilidade, apresentando como desculpa aos erros cometidos das suas políticas falhadas a palavra "neo-liberal". Palavra essa que é repetida e repetida até à exaustão com uma missão muito simples, a sociedade não se pode dar ao trabalho de questionar e procurar a origem das políticas.

Mas tal como nos anos 90 assistimos na Europa ao colapso do comunismo (socialismo levado ao extremo), assistimos agora a um colapso do socialismo fabiano ao desastre keynesiano, mas desta vez de uma forma mais dissimulada e imperceptível para a sociedade.

Um socialismo que está em processo de auto-destruição porque entrou em rota de colisão com a mesma democracia que promoveu durante todos estes anos com políticas irresponsáveis, sendo os políticos mais demagogos os grandes responsáveis pelo desastre.

Temos agora uma sociedade que cada vez menos se revê em políticos e partidos e já começa a procurar alternativas. Numa primeira fase as pessoas ainda estão confusas pois todo um modo de vida foi posto em causa e há muito milhões de europeus que saíram fortemente prejudicados com a derrocada socialista mas uma melhor alternativa pode e deve ser encontrada.

E onde está a melhor alternativa para a sociedade?

Na verdade económica, que é o mesmo que, gastar menos daquilo que se produz, poupar e produzir para que possa haver investimento, não inflacionar e manipular juros, não desvalorizar a moeda, não proteger os interesses de grupos próximos ao poder, um sistema bancário que não crie dinheiro a partir do nada, desregular as burocracias, um peso do estado na economia diminuto, descentralização do poder, não invadir outros países, livre mercado...

E neste momento quem está a tentar ser o obreiro da verdade económica?

O €.

Gonçalo disse...

É fantástico ver como se confunde política com economia. Ou como se tenta resumir a política à vertente económica.

Gosto do " não invadir outros países". Deve ser algo que muito raramente aconteceu ao longo de milhares de anos, e que se iniciou com os socialistas.

Se se quer mesmo essa liberdade toda, o melhor é acabar com os estados e voltar a viver em tribos. Afinal, o estado é o verdadeiro opressor da liberdade individual.

Vivendi disse...

Gosto do "não invadir outros países".

Só se fazem guerras (dispendiosas e duradouras) com dívidas e com alguém a financiar a parada.

Julgo também que já é de senso comum que qualquer planeamento central é socialismo ou o povo já vota para decidir se vai entrar em uma guerra?

Não, não é preciso acabar com os estados basta-me que tenham um peso na economia de menos de 25%

André Prata disse...

"Pejorativo"

raftom disse...

O comunismo é o melhor método de organização social que existe... para insectos. A razão porque funciona nas abelhas e nas formigas e falha nos outros lados é porque entre elas não há competição interna entre os indivíduos. Devido à especialização sexual, a abelhinha sabe que nunca vai ter de lutar com os seus semelhantes para passar os seus genes à geração seguinte dando uma trancada na rainha, e assim pode viver a sua vidinha alegremente. Espanta-me como nenhum ditador comunista percebeu isto e ordenou um programa de esterilização em massa para a população. Reservando obviamente o privilégio reprodutor para os membros do politburo.

Newton Pessoa disse...

Professor, além do livre fluxo de capitais e o livre fluxo de mercadorias, o capitalismo também defende o livre fluxo de mão-de-obra? Se sim, por que o livre fluxo de mão-de-obra não é tão enfaticamente defendido pelos economistas "liberais" quanto o livre fluxo de capitais e mercadorias?

Económico-Financeiro disse...

Estimado Newton,
As nações são feita para as pessoas de lá (um grupo étnico) pelo que a liberdade de movimentação de mão-de-obra não pode prejudicar a apropriação da riqueza produzia pelo povo do local nem o seu poder político.
Se fosse perguntado ao índios brasileiros, eles votavam pela expulsão de todos os não índios.

Um exemplo actual é o Kuwait onde, em 1991, os palestinianos eram a maioria da população e "votaram" pela anexação ao Iraque. Claro que foram posteriormente expulsos e substituidos por asiaticos que lá vivem mas sem direito de cidadania.

Ninguém defende a liberdade de circulação da mão-de-obra porque não é um factor como outro qualquer já que leva com ele uma pessoa que quer votar e impor a sua cultura aos locais.

pc

Fernando Ferreira disse...

Gostei do artigo na generalidade.
So faltou um detalhe de extrema importancia e que faz toda a diferenca. Faltou o professor explicar a diferenca entre o verdadeiro capitalismo e o capitalismo CRONY, ou seja, o capitalismo do "amigo intimo", ja que e' esse capitalismo que existe. Neste tipo de "capitalismo", o estado (ou seja, os politicos) decide que pode fazer o que e quem recebe quanto e rouba a 'A' para entregar a 'B'. Neste tipo de capitalismo, as grandes empresas mundiais e o sector bancario gravitam a volta do poder do estado, de modo a tirarem vantagens que nao teriam, vivessem esta empresas verdadeiramente num sistema capitalista.
Os politicos sao os primeiros a jurar a pes juntos que "vivemos sob um sistema capitalista" porque, face aos problemas que eles mesmos criam, e' facil culpar esse malvado capitalismo e justificar as massas a razao porque exigem ainda mais poder para "corrigir as imperfeicoes do capitalismo". A populaca engole o que os politicos dizem e o fartote continua.

Liberdade e' capitalismo. Capitalismo e' liberdade. Toda e qualquer forma colectivista obirgatoria de organizacao social, seja ela, totalitarismo, monarquia, comunismo, social-democracia, socialismo e democracia, sao contrarias a Liberdade. E' preciso que as pessoas compreendam isso.

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